Sobre um tema de Vitorino Nemésio

Viver nas ilhas pequenas
É comprar paz com desconto (Vitorino Nemésio)

Viver nas ilhas pequenas
É ter mais tempo nos dias
Entre manhãs tão serenas
E as noites longas e frias

O dia tem horas cheias
Passam os vários vapores
E na sombra das baleias
Há vozes de trancadores

O vinho das cepas velhas
Desce com a neve do Pico
Desde a porta até às telhas
É nesta adega que eu fico

No sossego das lagoas
Na distância das fajãs
Perdi a voz das pessoas
Na gramática das manhãs

Viver nas ilhas pequenas
É comprar paz com desconto
Ter numa factura apenas
A vida ponto por ponto

28 thoughts on “Sobre um tema de Vitorino Nemésio”

  1. o último verso deveria ser: a vida paga a pronto. os vapores devem ser do rego, após sessão de murraça do pico, para complemento do caldo cultural onde parasitas.

  2. “Desde a porta até às telhas”
    ganda imagem do emborcamento ao toldamento. deve ser poesia dop, não confundir com os gajos que fazem sombra às baleias.

  3. Os açoreanos e os madeirenses foram sempre grandes portugueses.

    Mas com o o que se passa nestes tempos “abrilistas”, as coisas complicaram-se de tal maneira qu talvez fosse bom que a autonomia avançasse um pouco mais e se tornassem em mais duas bandeiras na ONU a falar português.

  4. Já não Escreverei Romances

    Já não escreverei romances
    Nem contos da fada e o rei.
    Vão-se-me todas as chances
    De grande escritor. Parei.
    Mas na chispa do verso,
    Com Marga a aquecer-me,
    Já não serei disperso
    Nem poderei perder-me.
    Tudo nela é verbo e vida;
    Xale, cílio, tosse, joelho,
    Tudo respinga e acalma.
    Passo, óculos, nada é velho:
    Quase corpo, menos que alma.
    Já não lavrarei novelas,
    Ultrapassado de ficto:
    A vida dá-me janelas
    A toda a extensão do dicto.
    Mas sem elas, mas sem elas
    (As suas mãos) fico aflito.

    Vitorino Nemésio, in “Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga”

  5. Meu Caro Luis Eme – o que vale são os outros mas aparece aqui pessoal cujas opiniões valem menos do que um cagalhão preto depois de puxar o autoclismo…

  6. Um maluco até escreveu «o último verso deveria ser». É preciso ser muito estúpido para poder sequer pensar que eu estava à espera da sua (dele, cavalgadura) opinião quando o poema até já foi musicaod pelo maestro Emílio Porto.

  7. pois fizeste mal, o emílio não merecia isso e se fosses inteligente perguntavas-lhe se não ficava melhor. o valor da factura era o mesmo, evitavas a cacofonia final e talvez tivesses direito a encore de tomate podre. hoje não dou mais perlas a cerdos.

  8. O jcFrancisco só não disse que o seu poema, musicado pelo maestro Emílio Porto, foi cantado pela Maria Callas. Não o disse, porque não gosta nada de se gabar. É muito modesto, coitado…

  9. ” Ter numa factura apenas
    A vida ponto por ponto ”

    ontém foi colóquio, hoje é púzio. facturação detalhada e ao segundo, numa interpretação da maria das caldas. ainda vamos ter 20 dioptrias de poesia para a eurovisão, cuida-te falêncio.

  10. E aqui? Não despejas os encómios que te fizeram no século passado?

    – Encómios.
    – Já os comi!

  11. Ó cavalgadura eu não despejei coisa nenhuma! Então não sabes o que são nicks? Desde o primerio dia o meu é sempre o mesmo. Dás o coice e tentas repetir… És tão rasteiro que não percebes o essencial. Se alguém foi buscar à Colóquio-Letras textos da Isabel Pires de Lima, João Rui de Sousa e Beatriz Weigert sobre livros meus é porque os mesmos estão no domínio público mas é claro que não fui eu – baste ver o nick. Burro…

  12. Diz lá como é que ALGUÉM sabia desses elogios com barbas? Mas ALGUÉM ia dar-se ao trabalho de ir buscar essas relíquias para publicá-las aqui? Aqui apenas tens pessoas que te reprovam as atitudes e acham que a tua poesia não vale um caracol. Só tu é que sabias o nº das revistas e das respectivas páginas! É fácil adivinhar que foste tu, por muito que negues as evidências. Pensas que és esperto e não passas de um saloio chapado. Do domínio público são a tua má-criação, a tua vaidade e a tua mediocridade literária. «Cagalhão preto» deves ser tu quem os caga, ganda asneirudo!

  13. Eu não tenho que dizer ou não dizer se a Colóquio-Letras tem ou não barbas. E não são elogios – são notas de leitura. És um ignorante atrevido, um palhaço, um trambolho. Não percebes nada disto. Se fosses minimamente esperto podias pensar ao menos que se eu tenho dois livros publicados em 1981 e 1983 na colecção Circulo de Poesia da Moraes Editores não sou um pobre como tu que não tens nada…

  14. pois, saiu pela culatra, acontece a quem não sabe manipular colóquios. já agora podias contar aí ao maralhal o sofrimento dos estagiários e avençados da colóquio, ter de ler as obras completas dos prosopoetas franciscanos e fazer redações das mesmas para cumprir os acordos de divulgação com as editoras.

  15. Sei o que são nicks,sim senhor. E também sei (e tu também sabes, mas fazes-te de ainda mais parvo do que pareces, fingindo que és menos parvo do que és e tentando fazer dos outros tão parvos como tu) que os nicks se podem alterar. O alibi do “desabrigado informático” tem as costas muito largas.
    Topas?

  16. «…não sou um pobre como tu que não tens nada». Como é possível teres tanta vaidade e descaramento?! Tanto desprezo pelos outros?! Sabes lá com quem é que falas! E não é a Colóquio-Letras que tem barbas como dizes. O que tem barbas são as «notas de leitura» que publicaste aqui. Ainda tens a lata de te fazer desentendido!

  17. ò mula velha, ó camafeu, ó pacalaia, vai lamber sabão! Não é desprezo, é registo. Há aqui gente que não tem nem biografia nem bibliografia. Eu tenho. Não percebes?

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