Um partido de tarados

Quando ficou claro que o PSD estava irredutível na intenção de chumbar o PEC, com isso derrubando o Governo e fazendo explodir as últimas protecções contra a especulação dos mercados, Durão Barroso e Triché já tinham feito declarações de apoio ao plano e alertado da loucura que seria a sua recusa. Continuaram a fazer avisos até às últimas. Quando Passos Coelho derrubou o Governo e se congratulou por ir a eleições, foi pública e violentamente censurado por Merkel. A senhora chegou a dizer que pouco lhe importava pertencerem à mesma família política. Quando Cavaco pediu imaginação à Europa para aturar a irresponsabilidade lusitana que ele próprio tinha promovido com especial protagonismo, recebeu de Olli Rehn aquela que terá de ser a mais vexante desanda diplomática alguma vez dada a um Presidente da República Portuguesa em democracia.

Os factos são melhor saboreados à luz destas palavras:

Manuela Ferreira Leite recusa-se a comentar propostas concretas apresentas pelo Governo no programa de estabilidade e crescimento (PEC IV), e diz que o principal problema do documento não são as medidas, mas a falta de credibilidade do executivo.

No dia em que o PSD lançou o País na bancarrota sem ter apresentado uma alternativa nem defendido os interesses nacionais

Então, como é que chegaram aqui?

Aqui, a esta estrambólica cena em que o maior partido da oposição, antecipado vencedor de qualquer eleição que lhe apareça pela frente e excêntrico inventor de estrambólicos presidentes da Assembleia da República, subitamente se vê isolado, desorientado e em implosão? A resposta tem um singelo nome: Sócrates.

Sócrates é o tipo de líder que o PSD daria tudo para ter. Encaixa na mitologia guerreira do baronato social-democrata como Aquiles na Ilíada. Como não o tem, o desejo transmuta-se fatalmente em ódio. À sempiterna conflitualidade do jogo político, junta-se um fenómeno que extravasa o campo ideológico ou programático e se consome em incontrolada pulsão destrutiva. Para a medíocre elite social-democrata, o confronto com Sócrates é por algo mais do que a ocupação do Poder – trata-se de uma luta desesperada pela auto-estima individual e a dignidade do clã. A simples existência daquele ser que os derrota sem piedade é insuportável, pesadelo agravado por eles não terem ninguém que lhe faça frente. Vai daí, se não o podem vencer, nem a ele se podem juntar, resta só a fuga para o exorcismo. Veja-se este magnífico exemplo, onde o esforço do gozo acaba por caricaturar e expor os opressivos limites racionais do gozador, mas uma peça que poderia ocupar com vantagem o espaço onde foram e são despejadas milhões de palavras, todas reduzíveis a uma infantilóide oração: Sócrates é mentiroso. A monomania, já com quatro ininterruptos anos de bacanal, vai aos poucos liquefazendo o cérebro a estas infelizes vítimas da sua própria impotência.

Pois bem, comecem já a armazenar conservas na despensa para o longo cerco. É que Sócrates, mesmo que saia do palco em 2011 seja lá por que razão, tem pelo menos mais 10 anos garantidos à sua espera na vida política (caso não se mude a Constituição para o evitar): quando quiser, chegará a Presidente da República. Nessa altura, alguns portugueses ainda estarão aqui. Exactamente os mesmos que daqui não conseguem sair.

Louvor do Vinho Fino

Nas linhas onde o comboio já não anda
Só ecos do rumor de gente nas estações
O poema principia na voz de Fernanda
Versos são socalcos de pedras e canções

Nos seus lábios, palavras são rebanhos
Que se unem à Terra como quem reza
O santuário, o ritual parecem estranhos
O altar já está escolhido, é esta a mesa

Aqui juntamos no cálice todo um mundo
Paisagem povoada por lentos lavradores
Nos seus braços existe um saber profundo
Repetido tanta vez entre pedras e sabores

O vinho bebido longe, no café da cidade
É líquido e mais que líquido é resultado
Da lenta fermentação de uma diversidade
Junta paisagem, luz, suor, tudo registado

Continuar a lerLouvor do Vinho Fino

Os loucos tomaram conta do asilo

Questionado se as críticas que têm sido feitas não poderão vir a ser prejudiciais ao PSD, o empresário refutou qualquer efeito negativo, classificando-as mesmo como “excelentes”.

“As críticas vêm sobretudo de pessoas que ficaram preocupadas, aborrecidas, tristes, pelo facto do doutor Fernando Nobre aparecer nas listas do PSD, o que significa que teve um efeito político imediato em todas as áreas da esquerda”, afirmou o antigo ministro, que é bastante próximo do líder social-democrata, Pedro Passos Coelho.

Desta forma, acrescentou, “as críticas feitas são proporcionais à importância” da presença de Fernando Nobre nas listas do PSD, ou seja, “são positivas”.

Ângelo Correia

Curtas

É muito difícil estar deitada após uma correcção do chamado desvio do septo nasal e ter vontade de escrever o que quer que seja.

Ainda assim:

1) A escolha de Ferro Rodrigues para liderar a lista do PS para Lisboa merece que se fale numa medalha de ouro. Boa escolha do PS, sem dúvida, mas sobretudo enorme grandeza do agora candidato, esse a quem eu daria a medalha. Ferro Rodrigues é um político exemplar, sem hesitações ideológicas, um homem verdadeiramente de esquerda a quem o destino pregou uma partida que não o quebrou. É Ferro, mesmo. Está de volta, igual a ele próprio, com espírito de serviço, quando o serviço está difícil. Fossem muitos mais.

2) Ouvi os discursos de Sócrates. Foram brilhantes. Seguiram-se horas de comentários sem comentários pró-PS com imensa dificuldade em explicar que não há quem bata o homem.

3) Pensei que Passos Coelho faria uma jogada pós-congresso PS. Uma jogada assente em ideias, em desmontagem da via traçada por Sócrates. Fez: apresentou o candidato a deputado- a- Presidente da AR Fernando Nobre. Explicou que não tinha nada, mas nada a ver com os 15% obtidos pelo presidente da AMI na candidatura à presidência. Nada, nada a ver.  Não há dúvidas: Sócrates é um mentiroso.

Do que falamos quando falamos da decadência do PSD?

Disto, a bancarrota do intelecto:

O líder da bancada social-democrata, Miguel Macedo, considerou, esta segunda-feira, que as reações à escolha de Fernando Nobre para candidato a deputado e a presidente da Assembleia da República pelo PSD mostram que esta foi «acertada».

«Acho que foi uma escolha acertada, porque, se não tivesse sido tão acertada como foi, porventura não teríamos tido as reações que tivemos até agora», declarou Miguel Macedo, em resposta aos jornalistas, no Parlamento.

A comunicação social perguntou-lhe ainda se, no seu entender, Fernando Nobre tem perfil para ser presidente da Assembleia da República, mas Miguel Macedo escusou-se a prestar mais declarações sobre este assunto.

Fonte

Meditação para um quadro oferecido por Jorge Bretão

Trouxeste num quadro a luz da tua cidade
Eu só tenho para te dar o escuro de Lisboa
Nos dias em que anoitece sobre a verdade
E a raiva é uma nuvem que nos sobrevoa

Numa cidade cheia de prisões e hospitais
De eléctricos vagarosos com os atrelados
A vida era diferente dos bilhetes-postais
Era mais cinzenta e nós muito cansados

Anos depois veio um projecto de alegria
Na manhã de Abril hoje perdidas ilusões
Uma excelente promessa de democracia
E ficou reduzida a um ritual de eleições

Salva-nos o tempo; permanece o mistério
No usufruto duma manhã plena de festa
Os músicos que tocam frente ao Império
São afinal toda a felicidade que nos resta

Perguntas simples

Fará sentido para algum social-democrata adepto da Política de Verdade dar o seu voto a um partido dirigido por aqueles que a profetisa Ferreira Leite, do alto da sua sapiência moral e autoridade doutrinária, não considerou sequer dignos de terem lugar no Parlamento, e que agora se recusa a com eles trabalhar como deputada?

Assistência médica, precisa-se

O linchamento de Nobre no Facebook tem um lado de pura justiça poética ou deliciosa ironia do destino, onde o feitiço populista se vira contra o feiticeiro, mas tem outro que nos fala do amadorismo, ou mesmo retinta incompetência, do PSD. Embora não saiba nada do que se passa nos bastidores desse partido (ou de qualquer outro, já agora), sei pela lógica que o anúncio da sua cooptação foi combinado na data e no meio. Algures, Passos Coelho terá aceitado que assim fosse, e ninguém da sua equipa impediu a tonteira: ia-se para o Facebook provocar e ofender o eleitorado que tinha votado Nobre há dois meses. O efeito foi devastador. A turbamulta da cidadania digital reuniu-se para a decapitação e desmembramento ritual de um Nobre de ego tão anafado que há muito deixou de ver onde põe os pés. E o Facebook oferece todos os meios para uma crise deste género se intensificar e prolongar no tempo – sendo que não se vislumbra uma estratégia de contenção de danos, pois qualquer tentativa de entrar em diálogo será combustível deitado na fogueira, por um lado, e ficar remetido ao silêncio irá aumentar o despeito e validar todas as críticas, incluindo as mais violentas, pelo outro.

Num primeiro momento, causa espanto ver o PSD, com tantos quadros e recursos humanos nas áreas da comunicação, a tratar uma jogada eleitoralista de alto risco de forma tão displicente e disciplinarmente errada. Mas depois, lá está, abate-se sobre a nossa consciência a crua realidade: este é o partido cujo braço-direito do líder é o Miguel Relvas, uma picareta falante à beira do esgotamento nervoso que até na SIC começa a ser gozada pelos jornalistas da casa. E quanto ao Passos Coelho, então, o problema ainda é maior: quando fala, desaparece. Assim, talvez tenha razão Nobre e aquela que pode ser uma táctica com secretos méritos – é que para se poder cascar no homem, tem primeiro de se carregar no botão “Gosto”. Nos últimos dias de campanha, apresentam-se os números e respectivo gráfico de crescimento dos fãs. Nobre voltará a poder reclamar um resultado histórico para a democracia, pedir que lhe dêem um tiro na cabeça ou perguntar a Manuel Alegre se é desta que desiste a seu favor; o que calhar atravessar-lhe o bestunto.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Students Around the World are Addicted to Media
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Social Security More Essential than Ever, Expert Says
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Male Victims of ‘Intimate Terrorism’ Can Experience Damaging Psychological Effects
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Brain-to-Computer Bridges Can Now Tune in Speech
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Virtual Reality Lab Focuses on Conservation
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Increased Life Expectancy Discourages Religious Participation, Research Finds
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Frequent Shopping Prolongs Life, Study Suggests

Casa da Ilha

Minha casa, minha vida
Sendo antiga é moderna
Fica longe não esquecida
Como a água da cisterna

Bebida no púcaro de barro
Entre o curral e o palheiro
Antes de guardar o carro
Com as artes de garageiro

Casa de empena fechada
Duas lojas e um balcão
Quase lhe chega à entrada
O mar em rebentação

Forno exterior, chaminé
Desenho em proporção
Empurra a vida esta fé
Todo o dia em oração

Giesta em flor, rasteira
Cheira bem entre os muros
Socalcos da vida inteira
Onde os frutos são seguros

Casa entre mar e terra
Limites da geografia
Onde o vento faz a guerra
E é relógio todo o dia

Nobre populismo

O aliciamento do populista Nobre com a promessa de conseguir ser chefe dos deputados que abomina, oferecendo-lhe a euforia da permanente exposição mediática e do que o protocolo concede à 2.ª figura do Estado, traz dois problemas, à direita e à esquerda:

– Problema para o CDS, que talvez não tenha impressos de inscrição suficientes para o êxodo de sociais-democratas em busca de asilo político.

– Problema para o PS e quem mais na esquerda quiser molhar a sopa, porque nem se sabe por onde começar a disparar tantos os alvos que Nobre exibe dos pés à cabeça.

A atracção do Mal

Jewish women from the Mizocz Ghetto in the Ukraine, which held roughly 1,700 Jews. Some are holding infants as they are forced to wait in a line before their execution by Germans and Ukrainian collaborators.

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O Miguel republicou estas psicóticas palavras do Zé Manel. É sabido, ao ponto de ter dado origem a uma brincadeira cheia de seriedade, que na tentativa de assassinar o carácter do adversário não aparece maior superlativo do que o universo nazi. Mas há uma diferença entre ver esta desgraça ética acontecer entre adolescentes, analfabrutos e senis ou entre figuras que estão no topo da pirâmide social, chegando a grande parte da população ou tendo cargos de responsabilidade na imprensa, na academia e nas empresas. Essa diferença é a mesma que encontramos entre aqueles que não se esquecem dos crimes nazis, e do que eles dizem da natureza humana, e aqueles que mal escondem o fascínio pelo lado espectacular do horror.