Um partido de tarados

Quando ficou claro que o PSD estava irredutível na intenção de chumbar o PEC, com isso derrubando o Governo e fazendo explodir as últimas protecções contra a especulação dos mercados, Durão Barroso e Triché já tinham feito declarações de apoio ao plano e alertado da loucura que seria a sua recusa. Continuaram a fazer avisos até às últimas. Quando Passos Coelho derrubou o Governo e se congratulou por ir a eleições, foi pública e violentamente censurado por Merkel. A senhora chegou a dizer que pouco lhe importava pertencerem à mesma família política. Quando Cavaco pediu imaginação à Europa para aturar a irresponsabilidade lusitana que ele próprio tinha promovido com especial protagonismo, recebeu de Olli Rehn aquela que terá de ser a mais vexante desanda diplomática alguma vez dada a um Presidente da República Portuguesa em democracia.

Os factos são melhor saboreados à luz destas palavras:

Manuela Ferreira Leite recusa-se a comentar propostas concretas apresentas pelo Governo no programa de estabilidade e crescimento (PEC IV), e diz que o principal problema do documento não são as medidas, mas a falta de credibilidade do executivo.

No dia em que o PSD lançou o País na bancarrota sem ter apresentado uma alternativa nem defendido os interesses nacionais

59 thoughts on “Um partido de tarados”

  1. Val, podes defender o Sócrates com unhas e dentes e repetir pela milionésima vez que é o líder que o PSD gostaria de ter, mas é mentira que o nosso governo está descredibilizado lá fora?

  2. HG, não é mentira. É a verdade dos factos: a oposição derrubou o Governo na pior altura possível. É que nem sequer foram capazes de combinar um acordo que salvaguardasse o mais básico do básico na defesa do interesse nacional. E não foi por falta de avisos e lancinantes pedidos. Só ex-Presidentes da República, foram três a pedir patriotismo, somando 30 anos de serviço público em Belém.

  3. a garotada quis ir ao pote: “tens eleições no país ou no psd, pedro!”. e para isso não se importou de mandar o país para as mãos do fmi. e com isso deitou por terra negociações duras com o bce e a comissão europeia com vista à flexibilização do fundo europeu para que este pudesse comprar dívida pública no mercado primário e assim atacar a especulação. daí a estupefação de toda a europa perante o suicídio português (ver editorial na altura do pedro guerreiro no jornal de negócios).
    esta malta do ppd não tem perdão pelo que fizeram ao país. não houve em qualquer país, quer naqueles que foram intervencionados quer naqueles que estão no radar dos mercados, tanta vontade interna de intervenção do fmi (e com intuitos politico-partdidáris) como em portugal. agora que a marosca começa a ficar clara para toda a gente é preciso denunciar os miguéis de vasconcelos: filhos da puta!

  4. oh agague! quem esta descredibilizado lá fora são o supositório cavaco e o opusitório coelho, é só conferir as ensaboadelas olli rehn, trichet e mercla a ambos presidentes da república e da associação folclórica da lapa. ve lá a união quer negociar com algum deles, apesar de se terem desfeito em declarações escritas de fidelidade canina.

  5. Mas, Val, o descrédito do governo, principalmente junto dos mercados (e nem quero falar em certos parceiros europeus que por pudor institucional optam pelo discurso politicamente correcto), já existia antes desta crise política. E não nos podemos esquecer disso. A crise não ajudou nada, é certo. Para mim a solução ideal tinha passado pela aceitação do PEC com a condição de o governo se demitir a seguir e realizarem-se eleições para se clarificar esta treta toda. Mas acreditas que tanto Passos Coelho – arriscando-se a ser tomado como muleta do governo, do já tinha sido acusado aquando dos anteriores PECs e assim sem poder esticar mais a corda – e Sócrates – orgulhoso e mantendo-se na sua convicção até ao fim – iriam aceitar um acordo nessas condições?

  6. Oh anónimo, não me parece que os mercado tenham estado nos últimos meses mais preocupados com Passos Coelho do que com Sócrates…

    E independentemente de não gostarem do Cavaco Silva, acho um pouco triste que ainda se riam e aplaudam as declarações do Oli Rehn, quando nada mais foram do que uma lamnetável falta de respeito institucional. Não somos um país, somos uma mera provinciazeca da Europa. Já dá para perder a vergonha. E vocês ainda ficam contentes porque o Cavaco que, mal ou bem, é o nosso chefe de estado, foi gozado publicamente por um responsável europeu. Há coisas que não compreendo.

  7. HG,

    explica melhor essa parte: “Para mim a solução ideal tinha passado pela aceitação do PEC com a condição de o governo se demitir a seguir e realizarem-se eleições para se clarificar esta treta toda”.
    Portanto, as instituições europeias tinham aprovado o PEC, internamente também, mas depois ficávamos sem governo, porque o resultado das últimas eleições precisava de ser “clarificado”? Confesso que não estou a seguir (a sério).

    (olha que a lamentável falta de respeito institucional partiu do cavaco…)

  8. Verdade dos factos: esta crise e vinda do FMI foi consequencia de: (1)chumbo do PEC por toda a oposiçao, com o argumento MENTIROSO de que Socrates n tinha ouvido o PPD; (2) Descoberta a mentira por PPC (fugiu-lhe por uma vez a boca para a verdade) ficou tb a saber-se que este teria dado o dito por não dito, ou seja: (3) aceitou o PEC à noite e de manhã, Miguel Relvas (secret geral do partido) em conf de imprensa revelou que o PPD estaria na disposiçao de viabilizar as medidas necessarias, só que; (4) à tarde ha reunião da C Politica do PPD e Marco Antonio (numero dois do PPD) desafiou o Coelho: ou temos eleiçoes no país ou no partido: escolhe. E o menino de Massamá escolheu. Com grande sentido patriotico e de missão! Mais palavras para que se todos sabiamos que o PPD e as vozes em coro dos comentadores e jornalistas das televisões, reclamavam ha mais de um ano a entrada do FMI?!!!!O resto é ruído de quem n quer assumir as responsabilidades perante o povo!

  9. HG, a credibilidade de Portugal antes da crise era tanta ou tão pouca que se iam amontoando os elogios dos parceiros europeus à resistência portuguesa, a qual se tinha tornado parte central da resistência europeia, chegando-se ao ponto de existir um plano que poderia ter evitado as actuais negociações com o FMI. De resto, os mercados não olham para a “credibilidade”, olham para as lideranças e sua capacidade de alterar condições. Era precisamente o que vinha acontecendo com o PEC desde 2010, uma sucessão de ajustamentos no meio de uma tempestade financeira que atacou a Europa de repente e com força inaudita.

    A tua visão do “orgulho” de Sócrates, um político que desde o caso do novo aeroporto não faz outra coisa que não seja negociar e adaptar-se a diferentes interesses que sejam legítimos, é primária. Mais uma vez, nada dizes das múltiplas declarações de Sócrates antes do chumbo, onde se declarou disponível para negociar qualquer uma das medidas do PEC. Pois nem uma proposta alternativa recebeu. Porquê?

    Quanto ao Olli Rehn, lamentável é ter um Presidente da República que dá azo a este tipo de comentários por parte de quem assiste atónito a tanta irresponsabilidade e delírio.

  10. HG, a questão é que Cavaco andou mal e tem andado basicamente mal. Andou mal ao ir à Hungria pedir imaginação, quando lá fora devem saber perfeitamente (como não?) que é ele que está por trás desta golpaça de tentativa de tomada do poder a qualquer custo. Não esperes por aqui boas apreciações do comportamento do Cavaco, muito menos nos últimos tempos. Já em 2009 tentou dar o golpe em favor dos seus e agora fê-lo mesmo. É, por isso, um dos principais responsáveis pelo pântano actual.
    Quanto aos mercados desde há um ano, recomendo-te que vás lendo o Krugman e tb que leias o artigo de um tal Robert M. Fishman hoje no NYT.

  11. “Penélope
    Abr 13th, 2011 at 17:12
    HG,…
    Quanto aos mercados desde há um ano, recomendo-te que vás lendo o Krugman e tb que leias o artigo de um tal Robert M. Fishman hoje no NYT”

    HG

    Aqui fica uma pequena parte…
    “Como foi dito há alguns meses, e silenciado cada vez mais com o aperto crescente dos mercados, Portugal ficou «sob pressão injusta e arbitrária de negociantes de obrigações, especuladores e analistas de crédito que, por miopia ou razões ideológicas, já conseguiram expulsar um governo democraticamente eleito e, potencialmente, amarrar as mãos do próximo”

    achas que ele é socratino???

  12. entretanto o coelho desiste de eleições e quer que volte tudo ao princípio, tipo alteração da constituição. o cavaco desconvoca eleições por que os pressupostos não se verificaram e os objectivos foram atingidos, entretanto continuamos com governo de gestão até às próximas sondagens serem favoráveis.

  13. Val, eu não sei fazer a passagem para o seu blogue do texto publicado pelo Eurostat sobre o crescimento da indústria portuguesa e que o Miguel Carvalho transcreve no blogue “Fado positivo”… Mas aqui fica a cópia do que foi hoje publicado:
    “A INDUSTRIA PORTUGUESA AUMENTOU A SUA PRODUÇÃO EM 1,7% DE jANEIRO PARA FEVEREIRO, TENDO SIDO O MELHOR RESULTADO EM TODA A UE !!!
    A média comunitária ficou-se pelos 0,2%!”
    O Miguel faz o seguinte comentário: Dei uma olhada pela imprensa online, e a esmagadora maioria não menciona esta notícia que já saiu há várias horas, nem mesmo a imprensa económica! Bem diferente seria, se Portugal estivesse em último lugar!

    É por estas e por outras que os HsGs destas bandas não conseguem ver “direito”…Só vêem “à direita”!

  14. HG, faz agora um ano o Presidente da República que também é minha foi injuriado de uma forma muito mais indigna do que agora, o Václav Klaus não foi parco em palavras. Infelizmente o cidadão Aníbal deve ter tido tanta vontade de rir como muitos dos alarves que estavam na sala e a afronta passou incólume mas deve ter sido porque na altura o gozo lhe deu jeito… Se me incomodo? Claro que incomodo, muito, por ter esse tipo a representar a República.

  15. M.G.P. Mendes,

    obrigado pela notícia e por teres divulgado o bloque, que não conhecia. Aquilo é um oásis! Cheio de notícias positivas sobre o país, das que não são divulgadas na comunicação social.
    (infelizmente, correspondem a uma série de coisas que podemos estar a mandar para o lixo).

  16. É só ciumes e inveja que aqueles Alemães demonstram quando querem impedir que Merkel ajude Portugal.

    De facto cada vez que a Frau Merkel vê o nosso Joseph, cai de quatro.

    E os alemães veem essa cena e ficam lixados de ciumes.

    Está explicada a má vontade em ajudar Portugal.

  17. Caro Sportinguista ateu, por acaso sabe dos problemas que afligem a senhora Merkel, nomeadamente o escândalo que poderá vir a rebentar da banca regional alemã que está praticamente falida?

    Tenha calma, pois esta procissão europeia ainda agora está a montar os andores.

    Talvez por isso, as instâncias da União e do BCE já mandaram um par de ralhetes aos políticos nacionais, mas eles pelos vistos estão preocupados com a árvore e não estão a ver o que se passa na floresta.

  18. O governo português goza de boas relações e boa reputação junto dos seus homólogos europeus, na última cimeira Sócrates recebeu uma salva de palmas dos restantes governantes pela sua atitude e todos reiteraram críticas duríssimas ao comportamento do PSD que é da mesma família política de muitos deles (PPE) . Essas declarações foram aliás repetidas publicamente para que constásse que não tinham gostado. O nosso PR foi ainda admoestado por Olli Rehn por ter dito disparates que em Portugal ainda têm tempo de antena e público, mas aqui são vistos pelo seu valor real : um chorrilho de disparates.
    Quem insiste na tese de que o governo actual não tem credibilidade ou não sabe do que fala e repete o que lê nos jornais ou sabe do que está a falar e está a mentir descaradamente.

  19. espectáculo bonito não sei mas um bom episódio de Bones dava porque deve haver muita gente insuspeita a rezar-lhe pelos ossos

  20. sim,pelos meus cálculos para aí 90% da população (tendo em conta que mais ou menos 80% não votou no sujeito)

  21. mais os outros tantos que ainda não votam mas que já têm mais peso que ele e/ou capacidade para lhe quererem limpar o sebo das botas apesar de ainda não terem 16 anos e não serem criminalmente puníveis.

  22. Sofia C.
    fui lá ao blogue e não resisto a pôr aqui (isto porque o Val já há um tempo não publica nada da mulher -aranha) :)
    “Tenho de esquecer o que sei do funcionamento da UE, do euro, da zona euro. O Mecanismo de Estabilização do Euro que estava prestes a ser aprovado na última cimeira não ia ter uma notação triplo A, não. Não ia permitir taxas de juro no máximo de 5% a quem a ela recorresse, não. Não estava desde já aberta a Portugal com as medidas do PEC IV que foram aprovadas pela Comissão, BCE e estados-membros da zona euro, não. A sua aprovação não seria a tentativa até agora mais credível de por termo à especulção sobre as dívidas dos países da zona euro, e sobre o próprio euro, não. E o facto de Portugal resistir ao FEEF+FMI não significa que contitui um obstáculo ao ataque da próxima vítima – Espanha. Não, nada disto afecta o euro em si, claro que não. Não nada disto aconteceu.

    O culpado de tudo e mais um par de botas é o Sócrates. E ele que se cale que já estamos fartos que se vitimize e ainda se permite criticar o PSD por não ter apresentado um grama de programa. Autoritário e arrogante!”

  23. Com a devida vénia.

    Portugal foi vítima da «pressão injusta e arbitrária» dos mercados financeiros internacionais, que ameaça Espanha, Itália e Bélgica e outras democracias em todo o mundo, defende o sociólogo norte-americano Robert Fishman.
    Em artigo no New York Times de hoje, intitulado «O Resgate Desnecessário de Portugal», Fishman diz que o pedido de ajuda português, depois do irlandês e do grego, «deve ser um aviso a democracias em todo o lado», porque «não é realmente sobre dívida».

    «Portugal teve um forte desempenho económico nos anos 1990 e estava a gerir a sua recuperação da recessão global melhor que vários outros países na Europa, mas foi sujeito a uma pressão injusta e arbitrária dos negociadores de obrigações, especuladores e agências de rating », afirma o professor de sociologia da Universidade de Notre-Dame.

    Estes agentes dos mercados financeiros conseguiram, por «razões míopes ou ideológicas» levar à demissão de um Governo democraticamente eleito e potencialmente «atar as mãos do que se lhe segue», adianta Fishman, autor de um livro sobre o euro.

    «Se forem deixadas desreguladas, estas forças de mercado ameaçam eclipsar a capacidade dos governos democráticos – talvez mesmo dos Estados Unidos – para fazer as suas próprias escolhas sobre impostos e gastos», sublinha Fishman.

    O sociólogo estabelece semelhanças entre Portugal e a Grécia e Irlanda, mas ressalva que enquanto estes dois países apresentavam «problemas económicos claros e identificáveis», Portugal «não tinha subjacente uma crise genuína» e foi sim «sujeito a ondas sucessivas de ataques por negociadores de obrigações».

    O contágio no mercado e os downgrades de ratings tornaram-se numa «profecia que se realiza a ela mesma», uma vez que as agências «forçaram o país a pedir ajuda elevando os seus custos de financiamento para níveis insustentáveis».

    «Distorcendo as percepções de mercado da estabilidade de Portugal, as agências de rating – cujo papel de favorecimento da crise do subprime nos Estados Unidos foi amplamente documentado – minaram quer a sua recuperação económica, quer a liberdade política».

    Agora, Portugal enfrenta políticas de austeridade impopulares, que vão afetar empréstimos a estudantes, pensões de reforma, alívio da pobreza e salários da função pública.

    Fishman sugere que as descidas de rating e pressão sobre a economia resultaram ou de «ceticismo ideológico em relação ao modelo de economia mista em Portugal», ou de «falta de perspectiva histórica» relativamente a um país onde o nível de vida subiu rapidamente nos últimos 25 anos, tal como a produtividade, enquanto o desemprego desceu.

    Embora o optimismo dos anos 1990 tenha resultado em «desequilíbrios económicos resultado de gastos excessivos», Fishman defende o desempenho recente do país pós, e mesmo que a queda do governo é «política normal» e «não incompetência, como alguns críticos de Portugal têm retratado».

    O sociólogo levanta também a questão de o BCE não ter comprado obrigações portuguesas de forma «agressiva» para afastar a última onda de «pânico» nos mercados, e a necessidade de regular as agências de rating na Europa e Estados Unidos.

    «A revolução portuguesa de 1974 inaugurou uma onda de democratização que varreu o globo. É bem possível que 2011 marque o início duma onda de usurpação da democracia por mercados desregulados, com a Itália, Espanha e Bélgica como próximas vítimas potenciais», afirma.

    Tags: Economia
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  24. Edie, a marquise não é em Belem, é na Travessa do Possolo. Isso sei eu que já uma vez o vi à janela com a “sua senhora”. Por acaso na Travessa do Possolo até dava mais jeito!

  25. ANIPER, percebo que não tenhas reparado, noutra marquise qualquer terias reparado de certeza mas nesta mais pormenor triste menos pormenor já não faz qualquer diferença, é tudo mau.

  26. O Psd é um EMBUSTE.
    O que estamos a passar é por culpa deles.
    Estão cheios de GANÂNCIA E SEDE DE PODER A QQ CUSTO

    (…nem que tenham que rejeitar um plano aprovado e elogiado pelas instâncias internacionais – e com menos austeridade para os portugueses! — A Europa s’espanta com a estupidês e a falta de patriotismo do Psd – gente que aos olhos internacionais está a ser vista como “lorpa” e que coloca irrefutavelmente os interesses pessoais à frente dos interesses colectivos.

    Então, se nunca se ouviu a Europa a dizer que Sócrates estava a fazer mal, e até s’admiraram positivamente com o empenho patriótico e coletivo dele, como é que é possível, sem se ser obtuso ou um atrasado mental, dizer que Sócrates não tem credibilidade perante a Europa?!………….e perante as Nações Unidas?? ….e perante a NATO??….também não temos credibilidade?…)

    Então quem é credível?? É o Dias Loureiro?

    PORTUGUESES, ONDE ANDA O NOSSO AMOR-PRÓPRIO ??
    FINGIMOS QUE NÃO VÊMOS ??

    ONDE ANDA A COMUNICAÇÃO SOCIAL ??

  27. Desculpem lá, mas por que é hei-de de dar mais importância e credibilidade a um sociólogo americano do que a dezenas de economistas portugueses e estrangeiros? Vocês andam assim tão desesperados?

    De qualquer das formas, lendo o artigo, desde logo me chamou a atenção esta parte: “Portugal had strong economic performance in the 1990s and was managing its recovery from the global recession better than several other countries in Europe”. Tanto que criticam aqui os governos de Cavaco e agora até fazem questão de referir um artigo em que indirectamente se o elogia. Perguntam vocês: então e Guterres? Pois, o tal Fishman admite que a economia estagnou a partir do ano 2000, quandor Guterres ainda era PM… Também posso concluir – embora com base em algumas ideias soltas desacompanhada de números e elas próprias discutíveis – que ele atribuiu a culpa do pedido de ajuda aos mercados e especuladores internacionais e não à oposição que não aprovou o PEC IV (“This is the stuff of normal politics”, diz ele). E como se pode ignorar que tendo havendo crescimento económico em alguns períodos do governos de Sócrates (e claro que houve), este nunca foi o suficiente para se evitar cair agora nas malhas da especulação? E como explicar o valor brutal da nossa dívida em relação ao PIB? Fruto e obra do acaso e das agências de rating apenas?

    Enfim, acreditem que gostava de pensar de outra forma, mas entre o Fishman e, por exemplo, um reputado economista português que conhece a nossa realidade, Álvaro Santos Pereira, que afirmou ao El Pais que “Portugal tiene el peor índice de crecimiento de los últimos 90 años, la peor deuda pública de los últimos 160 años, el peor desempleo (11%) de los últimos 30 años, la segunda gran ola migratoria en 150 años y la peor tasa de ahorro en 50 años”, tendo a dar mais importância ao que diz o segundo.

  28. Caro HG,

    crismar de reputado economista português, um jovem de 39 anos, que leciona no Canadá num do satélites (Vancouver) da universidade Simon Fraser (Burnaby), que existe apenas há 46 anos, que no ranking da icu ocupa a 51ª posição na América do Norte, que por comparação com a Universidade de Coimbra (10º lugar entre as europeias) fica a grande distância pois se as compararmos a nível mundial, Coimbra ocupa um honroso 37º lugar e a Simon anda pelo 88º.
    Que o ter-se licenciado em Coimbra é uma mais-valia no seu curriculum que o faz andar por leitor ou professor assistente em modestas universidades será um pouco exagerado.
    Este é apenas mais um daqueles que escreve nos jornais de referência (DN, DE, Expresso e JN) e resolveu agora também botar faladura, pois não há bicho-careta que não tenha opinião formada e fundamentada sobre de quem é a culpa, só é pena que não se entendam.
    Tentar comparar o incomparável, é geralmente uma argumentação a perder a curto prazo, tentar comparar o curriculum a actividade do Fishman com o Pereira, é o mesmo que querer comparar o chocolate belga com o da Regina, podem ser ambos gostosos, mas o belga, definitivamente, é superior.

  29. HG,

    já sabes que quando aqui voltas com perguntinhas minhas por responder, eu melgo, que isto não é só mandar bocas, deixar passar um tempo, a ver se passa, e depois mudar de assunto. Ora vamos lá à vaca fria:
    edie
    Abr 13th, 2011 at 16:47
    HG,

    explica melhor essa parte: “Para mim a solução ideal tinha passado pela aceitação do PEC com a condição de o governo se demitir a seguir e realizarem-se eleições para se clarificar esta treta toda”.
    Portanto, as instituições europeias tinham aprovado o PEC, internamente também, mas depois ficávamos sem governo, porque o resultado das últimas eleições precisava de ser “clarificado”? Confesso que não estou a seguir (a sério).

    (olha que a lamentável falta de respeito institucional partiu do cavaco…)

  30. Teofilo, e quem se pôs a comparar currículos? Chegas ao ridículo de citares um ranking de universidades, como se isso me interessasse para alguma coisa nesta discussão. O que me interessa é quem tem um conhecimento mais aprofundado da realidade da nossa economia, e eu acredito que é o Santos Pereira, independentemente de ter menor currículo e ter 39 anos (!). Pá, é economista de formação e é… português. Não costumo confiar cegamente em sociólogos. Já me basta o Boaventura da nossa terrinha. O Fishman pode ser um académico brilhante, mas o artigo que escreve, independentemente de se concordar ou não, está cheio de banalidades.

  31. “Portugal tiene el peor índice de crecimiento de los últimos 90 años, la peor deuda pública de los últimos 160 años, el peor desempleo (11%) de los últimos 30 años, la segunda gran ola migratoria en 150 años y la peor tasa de ahorro en 50 años”

    Gostava que o mesmo senhor que afirmou isto se desse ao trabalho de fazer as mesmas comparações para todos os paises da UE e em particular no periodo antes da ultima crise finaceira e pós essa mesma crise. Mas é claro que essas comparações não interessam nada, era capaz de se descobrir que portugal não está no podium do “pior em tudo” sozinho…

    Peço desculpa mas acreditar numa comparação tão simplista como a que esse “economista ” faz não atesta muito á inteligencia de uma pessoa. Just saying…

  32. Edie, infelizmente (ou felizmente) não tenho todo o tempo do mundo para andar aqui e responder a tudo. E olha que também já fiquei com perguntas sem resposta.

    Quanto a essa questão, remeto-te para o que aconteceu na Irlanda. Havendo um braço-de-ferro entre governo e oposição nos termos que conhecemos, cada um cedia a bem do interesse do país. E as eleições até poderiam ser depois do Verão. Hoje temos um governo demissionário, mas temos um governo, ou não?

  33. Precisamente, HG, no cenário que referias – acordo sobre o PEC – não haveria braço-de -ferro, pelo que não percebo a necessidade das eleições. Deitar ao lixo o veredicto popular, legitimamente expresso em eleições, só “para clarificar esta treta toda” parece-me fraco como argumento e, francamente, revela uma atitude muito pouco respeitadora das regras democráticas. Ou quando o resultado de uma eleição não agrada, faz-se novas eleições, até acertar no resultado pretendido (por alguns)?

  34. Não haveria braço-de-ferro? Depois de o PSD ter dado a mão ao governo nos PECs anteriores com a garantia de que as medidas neles constantes eram suficientes e acompanhadas da diminuição da despesa pública, este PEC IV – negociado ou não com a UE- era o assumir de que os PECs anteriores não eram suficientes e que o caminho que se estava a seguir nos iria levar à ajuda externa, mesmo que no âmbito euroepu. Achas mesmo que o PSD devia aceitar mais uma vez e calar?

  35. Acho. E tu também: “Para mim a solução ideal tinha passado pela aceitação do PEC com a condição de o governo se demitir a seguir e realizarem-se eleições para se clarificar esta treta toda.”

  36. HG, não sei se já reparaste, mas estamos em conversa circular. Cá vamos:
    explica melhor essa parte: “Para mim a solução ideal tinha passado pela aceitação do PEC com a condição de o governo se demitir a seguir e realizarem-se eleições para se clarificar esta treta toda”.
    Portanto, as instituições europeias tinham aprovado o PEC, internamente também, mas depois ficávamos sem governo, porque o resultado das últimas eleições precisava de ser “clarificado”? Confesso que não estou a seguir (a sério).

  37. O Raposo e as uvas:
    Como nos é contada esta fábula podemos fazer comparações dessa vinha com a realidade do País. Ao raposo a partir de agora dou-lhe o nome de Pedro – faço-o porque gosto deste nome e se pudesse ser novamente batizado era o nome que escolhia, não o faço com segundas intenções. Como dizia, o Pedro ao passar por baixo da vinha como não podia colher nenhum cacho de uvas logo disse que estavam verdes. Não soube esperar por crescer quer em estatura ou intelectualmente e aí colher o fruto. Há pessoas que não tem humildade e quando a vinha não está ao seu alcance tudo fazem para a denegrir.
    Faz da vinha uma baiúca – casa pequena, velha e falida. Nunca se lembrando que com este desdém faz aumentar o descrédito dessa casa pequena e velha. Também não compreendo que para uma casa com estas caracteristicas haja vários pretendentes. Ou será que está a fazer o mesmo que o construtor civil que não podia comprar um terreno – o dono não o vendia pelo preço que o construtor queria – para o edificar, pagou a umas pessoas de fraco porte para ali armar confusões para outros o não comprar e assim conseguir preço inferior. É usual quando as coisas não tem valor não haver interesse na sua aquisição.
    Mas, o que se nota com a nossa baiúca, é um interesse que não dá para entender. São cinco cães a um osso – ao contrário do provérbio popular que diz que são sete. Porque não deixam o cão que comeu a carne agora comer o osso?
    E aqui me lembro mais uma vez da vinha ou da baiúca. Que venha o esqueleto e os ossos que a fome é muita.

  38. HG, o prestígio académico de um e de outro é evidentemente díspar. o sociólogo em referência leva com harvard e yale, além de ser premiado pela associação americana de sociologia, se não me engano, precisamente pela sua investigação no domínio específico da península ibérica e sua influência global. assim, não será o prestígio individual a arma de arremesso mais eficaz…
    acrescenta-se o facto de a economia estar longe de ser uma ‘ciência exacta’, considerando-se cada vez mais a sua dependência da sociologia. em termos científicos (matemáticos) ambas são sistemas dinâmicos com aspectos fenomenológicos. e usam ferramentas científicas comuns, como, por exemplo, a estatística e a teoria de jogos. assim, não há motivos de fundo para te apoiares mais em dados da ‘economia’ do que nos da sociologia política e económica.

    por outro lado, é verdade que a entrada do fmi tem sido um desastre nos casos precedentes, o que fornece boa lenha para a fogueira e oferece razão genérica às “banalidades” tão propagadas por muita opinião e reiteradas por fishman. é também verdade que as suas conclusões são o corolário da sua própria tese, o que é a normalidade nas teses académicas: muitas vezes há teses antagónicas altamente credíveis e bem fundamentadas. é efectivamente difícil tomar posição.

  39. Caro HG,

    como crente, podes acreditar em quem quiseres, e não serei eu a impedir-te de o fazer, mas se pretendes, como o fizeste, dar mais importância a um qualquer economista que anda lá pelo Canadá, que ninguém conhece, que poucas ou nenhumas publicações tem, chamando-lhe reputado, e desvalorizar um respeitado sociólogo, com obra publicada, equiparando-o a dezenas de economistas portugueses e estrangeiros, e agora vires dizer que não te importam os rankings nem os curricula algo estará podre no reino da Dinamarca.

    Mas quando alguém só quer ouvir a música que lhe agrada atirando para o caixote de lixo todas as outras só porque não as aprecia, bom seria que não entrasse em discussões deste tipo.

    Pena é que não possas por os gráficos que o tal economista português tão bem publicita e que até ao momento ainda ninguém tinha descoberto, nem sequer o Medina Carreira, mas como os deves ter visto atentamente e procurado a sua validação, fico mais descansado, só não consigo é mudar de opinião sobre os economistas.

    Ah! Já agora, qual era a tal inovadora solução do Pereira para resolver os problemas do País?

  40. “Manuela Ferreira Leite recusa-se a comentar propostas concretas apresentas pelo Governo no programa de estabilidade e crescimento (PEC IV), e diz que o principal problema do documento não são as medidas, mas a falta de credibilidade do executivo.”

    hoje o publico revela que os juros da operação com o citi foram 17,5% e 20% dos títulos cedidos não foram cobrados, por isso é que a velha se retorce toda com propostas concretas e chama nomes ao socrates. é fazer as contas e ver quanto é ela própria, herself, já deu para o pib.

    http://economia.publico.pt/Noticia/titularizacao-das-receitas-fiscais-em-2003-custou-300-milhoes-de-euros-ate-fevereiro-de-2010_1489750

  41. Deixa-os falar, Edie. Estacionaram agora neste estribilho. Não fazem mais do que elogiar Sócrates indirectamente. O Pepe Guardiola também deve achar que seria mais fácil “dialogar” com o Real Madrid na meia-final da liga dos campeões se lá não estivesse o Mourinho. Mas a vida é assim, cheia de obstáculos… uma apoquentação!
    Mas se quiserem dialogar com o Carrilho, por exemplo, têm a porta escancarada!

  42. A propósito desta afirmação de HG : “este PEC IV – negociado ou não com a UE- era o assumir de que os PECs anteriores não eram suficientes “,
    só rectificar que este PEC de que se está a falar, é o programa de estabilidade e crescimento que TODOS os estados da zona euro têm de apresentar ANUALMENTE para informação e aval dos respectivos parceiros + BCE+CE. Invocar o seu número (IV) para invalidar o seu mérito é uma contradição em termos, pois este ano teria de haver um PEC IV, como para o ano haverá o V, depois o VI e assim por diante.
    Regra geral é apresentado até finais de Abril, se estiverem atentos às notícias , haverá referências a isso (consultem Euronews ou Le Monde ou simplesmente o site da Comissão que tem versão em português e info gratuita).
    O PEC IV foi antecipado para Março para permitir ao estado português gozar do apoio europeu quando for aprovado o Mecanismo de Estabilidade do euro que substituirá o actual FEEF+FMI. Esta anticipação foi a condição imposta pelos outros estados-membros. Depois de tomarem conhecimento do PEC (daí a viagem duma delegação da CE a Lisboa) concordaram com ele. Desta forma teríamos sido poupados a uma intervenção que inclui o FMI, as taxas de juros a pagar seriam mais baixas e as políticas aplicadas seriam mais da responsabilidade dos governos. Para além disso, esperava-se que pusesse fim à especulação sobre a dívida dos países do euro e como tal, pusesse fim ao ataque ao euro. Alguns economistas duvidam que tivesse tido esse efeito, mas é em todo o caso a tentativa até agora mais ousada duma solução verdadeiramente europeia para um problema que não existiria se a zona euro tivesse agido como um todo unido há um ano.

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