Casa da Ilha

Minha casa, minha vida
Sendo antiga é moderna
Fica longe não esquecida
Como a água da cisterna

Bebida no púcaro de barro
Entre o curral e o palheiro
Antes de guardar o carro
Com as artes de garageiro

Casa de empena fechada
Duas lojas e um balcão
Quase lhe chega à entrada
O mar em rebentação

Forno exterior, chaminé
Desenho em proporção
Empurra a vida esta fé
Todo o dia em oração

Giesta em flor, rasteira
Cheira bem entre os muros
Socalcos da vida inteira
Onde os frutos são seguros

Casa entre mar e terra
Limites da geografia
Onde o vento faz a guerra
E é relógio todo o dia

7 thoughts on “Casa da Ilha”

  1. Memória
    Tudo que sou, no imaginado
    silêncio hostil que me rodeia,
    é o epitáfio de um pecado
    que foi gravado sobre a areia.

    O mar levou toda a lembrança.
    Agora sei que me detesto:
    da minha vida de criança
    guardo o prelúdio dum incesto.

    O resto foi o que eu não quis:
    perseguição, procura, enlace,
    desse retrato feito a giz
    pra que não mais eu me encontrasse.

    Tu foste a noiva que não veio,
    irmã somente prometida!
    — O resto foi a quebra desse enleio.
    O resto foi amor, na minha vida.

    David Mourão-Ferreira, in “Tempestade de Verão”

  2. Desiste, pá! Desiste de escrever aquilo a que chamas poemas. É tão mau, mas tão mau… Olha, vai para «garageiro», uma vez que dizes ter «artes» para isso, talvez te safes!

  3. Este burro não percebe que ninguém o ouve quando diz «desiste». Vai pregar para outra freguesia, grande camafeu!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.