Fátima – O sotôr não tem um currículo parlamentar. Muitos políticos criticaram-no justamente porque o senhor não tem essa passagem pelo Parlamento, não conhece os mecanismos, não conhece os meandros da Assembleia. O que é que o senhor mudaria se for Presidente da Assembleia da República? Vai mexer nos regimentos, por exemplo?
Nobre – […] Eu costumo dizer: eu se fui capaz de aprender e de estudar tratados de medicina, de cirurgia e de urologia, sou capaz de aprender o Regimento da Assembleia da República, e rapidamente. E, por outro lado, o Presidente da Assembleia da República tem um gabinete de aconselhamento, tem assessores de aconselhamento. O que eu faria é aproximar os cidadãos da Assembleia da República. A Assembleia da República é a casa da democracia portuguesa mas tem também de ser a casa da cidadania dos portugueses. […]
Ou seja, por um lado, Nobre avisa que vai para o Parlamento estudar como é que essa caranguejola funciona, dando como prazo máximo para o processo estar concluído os anos que levou até se especializar em cirurgia e urologia. Por outro, ele nem precisará de perder tempo a marrar aquelas parvoíces porque terá um gabinete com uns tipos que são pagos para saber dessas coisas, podendo Nobre assim cumprir a sua vocação descansado – a qual consiste em ir para a rua e passar o dia a tentar convencer os transeuntes a entrarem na Assembleia da República; desde que façam a devida prova de serem cidadãos, bem entendido, que aquela é uma casa séria.


