Para um poema de R. S. Thomas (1913-2000)

Também só vamos à terra
Para os funerais da família
Pequeno acompanhamento
Quase já não há homens
Para as lanternas e a cruz
A caldeira da água benta
É levada por uma mulher

Cada vez menos lágrimas
Para chorar nossos mortos
Temos a filha em Londres
E os primos em Bruxelas
Com o tempo da Europa
Para cortar os subsídios
E a trazer-nos o frio polar

Leite e água de garrafa
Carne e peixe congelado
Vegetais e frutas e fora
Coisas de supermercado
Mas nosso único produto
A não depender da Europa
É o ámen no fim da oração

ARRIBA O BOI

Caro Valupi e colegas do Aspirina.

Ainda compreendendo que estão muito ocupados com Troikas, Passos, Marcelos e Rebelos, Eleicões à vista e tudo isso gostaria de que por parte de quem quisser, fosse-lhe dado um alinho à vontade na lingua portuguesa, da que não tenho à capacidade de exprimer como deve ser, o texto titulado “festa do boi”.

Na Vila de allariz, celebrase uma festa chamada “ a festa do boi”, que é relata-da a continuação. Na Secretaria da organização da festa há cartazes, camisetas, panos e fatos varios à venda e também folhas explicativas da festa em varios idiomas. Embora não ha em portugués. A festa e muita comcorrida e ainda que os portugueses que venhem não tenhem problema para lerem , seja em inglês, francés, italiano, español e galego, acho que repararão que porque não há em portugués. Eu reparei e pôs a questão en conhecemento da organização. Reconheceram o erro e fizeram-me a encomenda de apresentar-lhes um texto em Português. Pos-to ò trilho, ê-lo ahí. Agradeço a quem quisser remendâ-lo.

Aproveito para invitar-vos tanmto a festa, como sob de tudo a visitar a Vila de Allariz . E muito fermosa pela sua paisajem, hestoria, gastronomía, a sua conservação em pedra de datas medievais misturada e restaurada à modernidade. Fica de Chaves a sesenta kilómetros por auto-estrada, de momento libre de pagamento. Olho, isto não é nenhuma técnica publicitaria turística.

Saudações galegas.

Continuar a lerARRIBA O BOI

Desertores de verdade

Não há quem consiga associar uma pobre e solitária ideia política ao PSD, pois as poucas que vão apresentando duram menos do que bolas de sabão, talvez por terem a mesma consistência. Mas qualquer um sabe que, desde 2008, o PSD tem como única mensagem a calúnia de que Sócrates é mentiroso. Este ataque tem sido feito com o alto patrocínio de Belém e seu exótico respeito pela Constituição. As duas frentes reclamam serem possuidoras de uma qualquer verdade que guardam só para efeitos de ofensa aos adversários, não perdendo um segundo a partilhá-la com o povoléu.

Ora, nunca se viu – nem verá – um governante tão investigado em Portugal como Sócrates. Do seu percurso académico aos bens adquiridos pelos familiares, passando pela actividade profissional e telefonemas privados, dezenas (centenas?) de agentes de diferentes departamentos e instituições do Estado gastaram horas, dias, semanas, meses, anos e recursos no levantamento das grandes, médias e pequenas mentiras a que puderam deitar a mão. Que se descobriu? Que o objectivo era apenas o de violar a sua privacidade e usar qualquer elemento ambíguo ou inexplicado, ou eventualmente ilegal ou imoral, para campanhas difamatórias. Tudo o que chegasse aos procuradores e juízes, chegaria à vasta e poderosa comunicação social laranja (SIC, TVI, Expresso, Sol, Correio da Manhã, Renascença, parte do DN, parte da RTP). E agora sabe-se que ainda existem cópias de telefonemas captados nas escutas a andar de um lado para o outro entre tribunais, sabe-se lá quantas, sabe-se lá onde e sabe-se lá que mais.

Continuar a lerDesertores de verdade

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Empowered Workers Are Better, More Productive Workers
.
Different Views of God May Influence Academic Cheating
.
Mindfulness Meditation Changes Decision-Making Process
.
Did the Early Universe Have One Dimension?
.
Childhood Music Lessons May Provide Lifelong Boost in Brain Functioning
.
Study Reveals New Data on Sexiness on Screen
.
Happiest Places Have Highest Suicide Rates Says New Research
.
Reversing Aging: Two Authors Use Science to Slow Aging’s Effects
.
Highly Trusting People Better Lie Detectors

Libertemo-nos da sonsice

Os programas de cada partido têm de ser apresentados ao eleitorado com serenidade. Não podem ser feitas promessas que não poderão ser cumpridas. Vender ilusões ou esconder o inadiável é travar a resolução dos problemas que nos afligem.

Dos agentes políticos exige-se que actuem com transparência e com verdade, que esclareçam devidamente os Portugueses, sem subterfúgios e crispações artificiais, sem querelas inúteis.

Os Portugueses não se revêem num estilo agressivo de actuação política, feito de trocas constantes de acusações e de tensões permanentes. Esta é uma prática de que temos de nos libertar, como há trinta e sete anos nos libertámos de um regime que nos oprimia.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

__

O político há mais tempo no activo, tendo ocupado absoluta e longamente o poder governativo, o cidadão que tem uma suspeita relação de enriquecimento familiar com um grupo financeiro criminoso criado e gerido por indivíduos da sua confiança política e pessoal, o candidato presidencial que vilipendiou os seus competidores logo após ter sido reeleito, o Chefe de Estado que atacou o Governo e pediu a sua demissão no acto mesmo de tomar posse, é o Presidente da República que volta a repetir um discurso repleto de insinuações, vacuidades e delírios.

Que promessas não poderão ser cumpridas? A que ilusões alude? Que inadiável é esse que não deve ser escondido? Como é que se resolvem os problemas que nos afligem, senhor Cavaco Silva? Alguém sabe do que ele está a falar?

Ver um fulano que usou, ou deixou usar, os recursos do Estado ao seu mais alto nível para lançar uma conspiração que visava alterar o resultado das eleições legislativas em 2009 vir falar em transparência e verdade é o cúmulo do desaforo. Mas será que este homem não tem a noção da vergonha por que nos faz passar? Será que ninguém à sua volta o confronta com as suas figuras patéticas e humilhantes? Será que ele está convencido de que discursos como o do Estatuto dos Açores, ou da putativa explicação da Inventona de Belém, esclareceram alguma coisa para além da tragédia de o termos com 1ª figura do Estado? O que ocupará aquela cabeça, já que respeito próprio e responsabilidade comunitária não é com toda a certeza?

Do que nos temos de libertar não é das acusações e da tensão permanente, é dos sonsos com décadas de empáfia.

Sai do quartel

“Os portugueses querem agora é resultados, que saia um Governo que resolva os problemas dos portugueses. Os portugueses, se pudessem abreviar a campanha eleitoral e votar daqui a 48 horas, votaram. É evidente que a campanha eleitoral é elucidativa, é esclarecedora, mas só é se as pessoas não se pegarem pessoalmente, não se chamarem nomes, se não se perder tempo com o que não é fundamental”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa

__

Um dos problemas ainda por resolver na democracia portuguesa (sei, nunca será resolvido) é este de estarmos continuamente a levar com debochadas lições de moral de gabirus que ganham muito dinheiro por e para fazerem ataques pessoais, chamarem nomes impunemente, perderem tempo com raivazinhas de estimação, lançarem perseguições nascidas do ressabiamento e impotência. Como o faz Marcelo com exímia facilidade, viciada contumácia e supremo gozo.

Só deixaremos de sofrer esta fractura ética quando os cidadãos saírem dos seus quartéis mentais e marcharem para o espaço público armados com critérios que derrubem uma casta de publicistas perversa, oligárquica, daqui a nada com 40 anos de ditadura mediática.

Coisas do 25 de Abril

Ler uma das pessoas mais entrevistadas do momento, Otelo Saraiva de Carvalho, no “i”, dizer isto: “o único excesso que podia ter evitado foram os mandatos de captura em branco, mas tinha uma diversidade tão grande de funções que não tinha possibilidade…”

Vai que o magistrados com milhares de processos em mãos começam a condenar as pessoas sem ler os ditos processos. Depois a malta é toda presa, o cidadão estranha e eles dizem: – pá, é tanto o trabalho..

A fantástica história de Portugal

Infelizmente, temo que, com o aparente ensandecimento de grande parte dos representantes nacionais na negociação, a designada Troika se limite a aplicar as receitas tipo da “cartilha neo-liberal”, provavelmente, muito pouco adequadas à situação específica do País.

Torres Couto – personagem com quem nem simpatizo muito – surpreendeu-me, ontem, pela positiva numa entrevista à SIC Notícias, dando nota da forma como o Governo e as principais confederações patronais e sindicatos prepararam previamente a negociação com o FMI em 1983. É certo que o contexto era muito diferente (Governo do Bloco Central, sem eleições à vista, cenário de guerra fria, possibilidade de desvalorização cambial), mas houve sentido de estado por parte dos diversos intervenientes, consensualizando o que seria ou não aceitável previamente à negociação com o FMI. Depois, nas reuniões de negociação propriamente ditas, a generalidade das autoridades nacionais demonstrou um grande consenso em relação às medidas que haviam sido previamente acordadas ao nível nacional.

Quase trinta anos depois, o FMI regressa e confronta-se com um clima de quase loucura colectiva.
O principal magistrado da nação, depois de ter dado a senha para a operação suicida de 11 de Março de 2011, esconde-se, agora, atrás do facebook do Palácio de Belém, entretendo-se, de vez em quando, a receber Velhos do Restelo pirómanos reconvertidos em bombeiros salvadores da pátria (como António Barreto).

Continuar a lerA fantástica história de Portugal

Soluções novas para os problemas de sempre

Ainda não li, mas irei comprar com duplo interesse, pela temática e pelo autor. O Eduardo tratou da apresentação, pelo que vou só aproveitar para abordar de fugida um aspecto lateral relativo ao Porfírio Silva: o cruzamento da sua formação e investigação na área da epistemologia e o seu interesse e/ou paixão pela política.

A política tem estado maioritariamente ocupada por licenciados de Direito, Economia e Engenharia. É lógico: precisamos de quem faça as leis, as contas e as obras. Mas estas áreas não esgotam, sequer representam maioritariamente, a paleta de competências intelectuais de que a política precisa – e cada vez mais, e urgentemente – para lidar com questões que crescem em exigência de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Pura e simplesmente, a epistemologia política reunida no modelo direito-economia-engenharia está obsoleta, como se prova pelas crises financeiras e económicas, pela crise ecológica e pela crise da energia.

Olhando para a realidade nacional, podemos constatar como PCP e BE se apresentam absolutamente conservadores nessa hermenêutica de utilizar os instrumentos clássicos da Economia segundo as ideologias marxistas e, simetricamente, CDS e PSD barricam-se na retórica moralista e conspirações mediático-judiciais para reclamarem um alegado direito natural a ser Poder. Resta o PS, ocupado com a governação e tendo desenhado um modelo de desenvolvimento que procurou acudir ao essencial: reforma do Estado, requalificação dos recursos humanos, através do ensino, formação e investigação, redução da dependência do petróleo por troca com as energias renováveis e agressividade na exportação de bens e serviços de alta qualidade. Faltaria agora ao PS o trabalho teórico de ir desenhando uma fundamentada e abrangente proposta política para o século XXI e seus originais desafios.

Pois bem, o tipo de racionalidade que o Porfírio introduz no debate político leva-nos para esse terreno onde se encontram as soluções novas para os problemas de sempre: como viver em paz e alegria. Ou como diriam os cristãos, fazer com que a Páscoa dure todo o ano.

Inúteis e sectários

Lembrando que já em Agosto de 2009, antes das últimas eleições legislativas, defendeu que perante a crise internacional “não devia ser constituído um Governo que não tivesse maioria no Parlamento”, Ferro Rodrigues sublinhou que mantém a mesma posição.

Contudo, ao contrário do que defendeu na altura, dizendo que se deveria tentar “um Governo à esquerda”, afirmou agora que isso será “completamente impossível”, porque ao longo do último ano e meio os partidos de “extrema-esquerda”, mais não fizeram do que “colaborar com a direita em relação à queda do Governo”.

Fonte

__

Acresce a estas palavras de Ferro Rodrigues a constatação de que tanto BE como PCP evitaram criticar Cavaco Silva em variadas alturas de puro escândalo presidencial porque apreciavam a sua activa oposição ao Governo e respectiva estratégia de calúnia contra Sócrates.

Não há dignidade nesta esquerda inútil e sectária.

Cegos a conduzirem cegos

FátimaPorque é que confia tão cegamente em Pedro Passos Coelho?

NobrePorque, pelos contactos pessoais que eu tive com ele, vi nele as características humanas que me tranquilizaram…

FátimaQuais são essas características, sotôr?

NobreDe serenidade, de preocupação com o outro, de preocupações sociais, de preocupação com Portugal e com os portugueses mais frágeis. E isso é o que me importa. Porque se tivesse talvez sido outro líder do PSD com outras características, eu não teria aceite pensar durante uma semana, eu teria respondido no momento. Pois bem, essas conversas prolongadas que eu tive permitiram-me identificar uma pessoa com a qual eu sinto empatia pessoal, e em quem eu confio, e em quem eu acredito que pode e será a mudança. Porque, repare, o nosso país precisa de começar um novo percurso. […]

__

O que Nobre nos está a descrever, se tomado como um relato fidedigno, dá-nos conta de uma ingenuidade manipulável misturada com uma soberba manipuladora. Pelos vistos, quer-nos fazer crer que ignora ser todo e qualquer líder partidário, à direita ou à esquerda, um paladino da preocupação com o outro, das preocupações sociais, da preocupação com Portugal e com os portugueses mais frágeis. Porém, de todos, foi logo escolher aquele que tem repetidamente anunciado querer trocar essas preocupações pela redução dos apoios do Estado e promoção de uma cultura da esmola. Numa outra faceta, assume que os seus compromissos políticos não passam de afectos criados por uma subjectividade que abdica de qualquer justificação intelectual ou mera racionalização objectiva. Como Nobre candidamente revela, as ideias e projectos do agente político que lhe apareça à frente são irrelevantes, a única dimensão que tem valor é a da empatia e seus encantos inefáveis. O mundo reduzido ao reflexo de si próprio num espelho, eis a explicação para as escolhas políticas do rei da cidadania.

Diz ele que Portugal precisa de começar um novo percurso. De facto, ver Cavaco, Nobre e Passos como as três principais figuras do Estado seria, inquestionável e desvairadamente, um novíssimo percurso em mais de 800 anos de História.

Os vice-presidentes também são homens invulgares

Diogo Leite de Campos surge como a figura mais patusca do actual PSD. Sendo um dos vice-presidentes do partido, é uma janela aberta falante para os bastidores da rambóia em que se transformou a liderança de Passos. Tendo em conta que neste momento as ordens na São Caetano são para mandar calar todo e qualquer hominídeo com protagonismo na campanha, de Relvas a Nobre, tantos os disparates expelidos por aquelas bocas, temos de agradecer ao Câmara Corporativa o inestimável trabalho de recolha e arquivo das performances deste senhor que não tardará a sair de cena. Pode começar-se por aqui:

Passos Coelho amigo, o Sol está contigo!

Isto é ideológico

Este vídeo com uma mensagem de páscoa de Pedro Passos Coelho, tendo por adereço a sua mulher, calada, como um sorriso na cara, a olhar para nós, daria para umas piadas, se tivesse graça.

Não são apenas as grandes opções que os Partidos apresentam nas matérias clássicas que os distinguem e que nos permitem identificar uma esquerda e uma direita.

Actos de campanha como este vídeo são claramente reveladores de uma zona de conforto moral e ideológica, de direita, claro, ali, onde um político tem por normal dirigir-se ao país na páscoa, preocupado com a saúde, usando o seu estado civil como trunfo, a sua mulher sentada como uma estátua, mas prova estética, a todos os níveis, de que o candidato a PM é homem de bem, casadinho como se quer, um homem de família. Aposta-se nessa imagem que se adivinha que ainda dá votos num ringue com políticos divorciados, sem filhos, sem mulher, sem marido.

Esta direita existe porque ainda há um país para quem esta propaganda pessoal conta.

Não é o país da esquerda.

Geração de heróis

O documentário 48, de Susana de Sousa Dias, estreou nesta quinta-feira em Portugal; naquela que é uma óbvia e legítima intenção de se colar à data e simbolismo do 25 de Abril. Aposto é que realizadora e distribuidora decidiram o calendário de lançamento antes de saberem de dois acontecimentos imprevistos até há poucas semanas: a manifestação de 12 de Março e as eleições a 5 de Junho. No meio destes extremos temporais, já de si ligados dialecticamente pois se apresentam simultaneamente como divergentes e complementares, temos agora uma obra que liga estas polaridades e as radicaliza; isto é, unifica-as numa sua invisível raiz. Os gregos têm uma palavra feliz para esta felicidade: kairos – o ponto de tensão entre o demasiado cedo e o demasiado tarde, exactamente o momento certo para o humano se cumprir ou o desígnio divino se realizar.

Continuar a lerGeração de heróis

É matemático

O João Galamba tenta mais uma vez – e que nunca desista – ter uma discussão minimamente objectiva acerca do legado de Sócrates enquanto governante reformador. Porém, depara-se-lhe um problema terrível. É que não existe ninguém no PSD que esteja em condições de perceber a importância desta notícia, quanto mais conceder mérito a quem de direito, ou sequer expressar regozijo por algo tão decisivo para todos os sectores da economia e da cultura estar a acontecer:

Portugal é o país da UE com mais progressos na educação

O relatório sobre o progresso da educação mostra que a União Europeia foi bem sucedida no objetivo de aumentar o número de diplomados em matemática, ciência e tecnologia, com um crescimento de 37 por cento desde 2000, uma área em que Portugal surge entre os melhores desempenhos.

Portugal é o país com maior crescimento, seguido da Eslováquia e da República Checa. O número de diplomados em matemática, ciência e tecnologia em Portugal cresceu 193,2 por cento entre 2000 e 2008 e a percentagem de mulheres passou de 41,9 para 34,1.

Fonte

Do PSD, um partido actualmente decadente e antipatriótico, o partido do chumbo eleitoralista da avaliação e do ataque aos resultados do PISA, ou sua desvalorização pelo silêncio, só podemos esperar burrice e desonestidade intelectual. É matemático.