Vamos lá a saber

Como é que três marmanjos vindos da estranja conseguem em duas semanas encontrar soluções económicas para um país que anda há duas décadas sem conseguir encontrar um modelo de desenvolvimento consensual?

17 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. hum , ora deixa cá ver… porque são técnicos competentes que arranjaram um emprego baril e não precisam de se encostar na “velhice política” a uma construtora ou banco ou coisa parecida ?

  2. Por trazerem o tpc bem estudado? Por chegarem 10m mais cedo às reuniões? Por andarem a pé sempre que possível e daí a pontualidade e poupança em pítrol e ginásio. Por não serem portugueses agnósticos que veneram qualquer feriado religioso? Sou uma pessoa cheia de dúvidas. Salvem-me!

  3. Infelizmente, temo que, com o aparente ensandecimento de grande parte dos representantes nacionais na negociação, a designada Troika se limite a aplicar as receitas tipo da “cartilha neo-liberal”, provavelmente, muito pouco adequadas à situação específica do País.

    Torres Couto – personagem com quem nem simpatizo muito – surpreendeu-me, ontem, pela positiva numa entrevista à SIC Notícias, dando nota da forma como o Governo e as principais confederações patronais e sindicatos prepararam previamente a negociação com o FMI em 1983. É certo que o contexto era muito diferente (Governo do Bloco Central, sem eleições à vista, cenário de guerra fria, possibilidade de desvalorização cambial), mas houve sentido de estado por parte dos diversos intervenientes, consensualizando o que seria ou não aceitável previamente à negociação com o FMI. Depois, nas reuniões de negociação propriamente ditas, a generalidade das autoridades nacionais demonstrou um grande consenso em relação às medidas que haviam sido previamente acordadas ao nível nacional.

    Quase trinta anos depois, o FMI regressa e confronta-se com um clima de quase loucura colectiva.
    O principal magistrado da nação, depois de ter dado a senha para a operação suicida de 11 de Março de 2011, esconde-se, agora, atrás do facebook do Palácio de Belém, entretendo-se, de vez em quando, a receber Velhos do Restelo pirómanos reconvertidos em bombeiros salvadores da pátria (como António Barreto).

    O Governo, está, aparentemente, muito desgastado, reduzido praticamente a José Sócrates e a Pedro Silva Pereira – Teixeira dos Santos terá sido a última baixa, os outros já tinham dado baixa praticamente desde o início desta legislatura.

    O principal partido da oposição, responsável directo, juntamente com o Presidente da República, pelo despoletar desta catastrófica crise política, incendeia ainda mais os ânimos desta difícil negociação, passando aos representantes da Troika a imagem que temos múltiplos esqueletos no armário, sugerindo que as instituições públicas ligadas ao orçamento, finanças e estatísticas estão a falsificar e/ou a sonegar informação.

    Os partidos mais à esquerda, que, com os seus 20% de votos, poderiam ter um papel importante no combate à epidemia neo-liberal de que neste momento sofre a Comissão Europeia (defendendo olhos nos olhos perante a Comissão Europeia as suas posições e sustentando-as, quer no conhecimento do terreno que tem o PCP, quer no reconhecido background intelectual e económico de Francisco Louçã), contribuindo para reequilibrar um pouco as duríssimas medidas que se perspectivam, escondem-se, mais uma vez, atrás de pretextos absurdos para não estarem presentes na negociação (ninguém lhes pedia para concordarem com o que daí vier a sair, mas tão só que expressassem as suas posições nas referidas reuniões), esperando, mais tarde, vir a beneficiar eleitoralmente da situação de enorme convulsão social que daí decorrerá.
    O presidente da principal confederação patronal, completamente ao arrepio do acordo que havia assinado com o Governo e os sindicatos, transmitiu agora à Troika a necessidade de rever a Constituição por forma a despedir sem justa causa, entre outros disparates vários.

    Por fim, os principais órgãos de Comunicação Social nacionais transmitem aos enviados da Troika todo o ar que o País é um manicómio à beira mar plantado, perseguindo incessantemente os pobres funcionários da Comissão Europeia, do FMI e do BCE, desde o pequeno-almoço (é mesmo verdade – já chegaram a perguntar o que é que os homens tomam no pequeno almoço…) aos elevadores do Terreiro do Paço, onde as assustadas criaturas ficam encurraladas, com aquele ar de quem sofre de claustrofobia…

    Enfim, nesta negociação entre a Troika e Portugal, a minha esperança vai sobretudo para pessoas com cabeça fria como Silva Pereira, Silva Peneda, João Proença ou mesmo Carvalho da Silva. Conto, também, com a habitual determinação e energia de José Sócrates nos momentos mais difíceis. Espero que eles, associados aos funcionários públicos das principais Direcções Gerais presentes na negociação, dêem aos funcionários da Troika a habitual imagem de discrição, profissionalismo e competência que grande parte dos portugueses usufrui nos locais onde trabalham por esse mundo fora. Espero deles a tradicional capacidade imaginativa dos portugueses para, de forma fundamentada, proporem as soluções mais adequadas às especificidades da situação nacional. Espero, também, deles a resiliência do Estado Europeu com mais de 800 anos de história responsável pela genial epopeia dos Descobrimentos – penso que todos temos a noção que a saída de Portugal, da Grécia, ou da Irlanda do Euro seria catastrófica para nós, mas, também, para a própria União Europeia, e, em particular, para a Alemanha. Espero, por fim, que figuras como o velho Leão Mário Soares nos prestem uma derradeira ajuda, com a sua ainda notável capacidade de magistratura internacional (não, infelizmente, não espero nada do José Manuel…).

    Não vai ser fácil, mas, que diabo, a fantástica história de Portugal sempre foi a mais improvável das histórias…

  4. Mas, Val, estes senhores não vêm de todo para trazer a solução económica para o país! Que é lá isso? Vêm para fazer Portugal pagar as dívidas e, ao mesmo tempo, ganharem algum com isso.

  5. Vamos lá saber:
    Os portugueses não sabem valorizar o que é nosso. Há um provérbio que diz que o que é Nacional é que é bom mas está fora de moda para uma grande parte da população portuguesa, principalmente, para a oposição negativa. Não gostam de ser governados por conterrâneos seus mas perante os estrangeiros vergam-se todos. Parecem inveterados.
    Um dia na cidade do Porto, por casualidade, encontrei-me com um amigo e conterrâneo mais velho do que eu uma boa dezena de anos o qual convidou-me para almoçar com ele. Era uma pessoa – morreu há uns anos – com quem gostava de privar, com ele aprendia-se sempre algo. Escolheu o restaurante, – era dos melhores do Porto – sempre que ali ia era onde almoçava, dizia ele e pelo que constatei era dos mais luxuosos e com um serviço fora do vulgar. Escolhemos a ementa e não demorou muito a sermos servidos.
    Conversa vai e vem – esse meu amigo falava pausadamente – mas dava gosto ouvi-lo, a páginas tantas, faz-me a seguinte observação: – Conheço-te, gosto da maneira como és mas tens um pequeno senão que é sobre a sensibilidade. Aqui fiquei com uma pulga atrás da orelha, nunca ninguém me tinha dito tal, o que me levou a retorquir: – Quando me convidou para almoçar a minha ideia foi que o almoço era pago a meias – sabia que ele gostava de beber vinho de boa casta, eu bebo água mineral – por isso não contava e não sei a que propósito vem essa da insensibilidade. Falava assim por que éramos bons amigos e sabia que não levava a mal assim como ele sabia que eu não levava a mal. Para mim era como um irmão mais velho. Responde-me ele – O meu reparo deve-se a que é a primeira vez que almoçamos juntos e fico admirado da maneira como comes: bastante rápido. Não é a primeira vez que digo a amigos que como tu comem assim rápido que não sabem valorizar o trabalho e carinho de quem contribuiu para este repasto. Já imaginaste – continuou ele – o trabalho e ao mesmo tempo o carinho do agricultor ao lavrar a terra para semear o produto que temos à nossa frente? Já reparaste no do vinicultor – embora bebas água – no podar a vinha, regá-la, sulfatá-la, vindimar as uvas e pisá-las? Nas cozinheiras que preparam tão boa ementa, ou não estás a gostar deste rico manjar? Do profissionalismo dos empregados de mesa. Tudo isto tem de ser valorizado.
    Dei razão a tudo o que me foi dito. Mas em minha defesa argumentei. – Comecei a trabalhar de tenra idade, pouco tempo tínhamos para almoçar, o almoço era um engano ao estômago, quem o confeccionava fazia-o a correr porque lhe faltava tudo: tempo, géneros e disposição, de certeza, doía-lhe a alma por apresentar à mesa tão pouco.
    As palavras do meu amigo não caíram em saco roto – como se usa dizer – a partir daí valorizei sempre o trabalho dos outros: as medidas difíceis que se tem de tomar, os prometimentos que se fazem mas derivado à conjuntura não se pode realizar, a dor que nos vai na alma por ter de tirar em vez de dar e o apresentar à “mesa” tão pouco.
    Mas era melhor assim que ser mandados por três marmanjos.

  6. Este comentário de JP1 não merece ficar por aqui, no meio dos restantes, sem menosprezo por estes.
    Na minha opinião, o Val deveria dar-lhe outra visibilidade. Como, não sei …

  7. Talvez por serem competentes, talvez por não terem de dar explicações aos lobies instalados, talvez por saberem que as medidas a aplicar não vão prejudicar nem os tachos dos amigos nem um hipotético tacho quando terminarem as funções que actualmente têem.
    Talvez seja uma destas, ou talvez não.

  8. Talvez por serem estrangeiros! E ser estrangeiro ou ter nome estrangeiro em Portugal é atestado de competência e inteligência comparada com os energúmenos que para aqui vivem!
    È por isso, não é?

  9. Mas estes 3 ‘marmanjos’ não estão cá para apresentar nenhum modelo de desenvolvimento. Só estão preocupados em saber onde nos vão cortar para que paguemos a dívida. Como já muita gente disse, isto não é uma ajuda, é um empréstimo e a juros altíssimos.

  10. Val, junto-me ao comentário de Manuel Azevedo: Acho que a nota de JP1 deveria passar a “post”, pois a análise é resumida mas acertada e a conclusão é o que os portugueses de boa vontade esperam que saia dos encontros e negociações entre a Troika e os nacionais.

  11. Bem, e como estou de saída, aqui deixo a si, Val, especialmente, mas também a todos os que frequentam esta “tertúlia blogueira”, os tradicionais votos de Boa Páscoa, com muitos ovos de chocolate e amêndoas e folar e….votos de um milagre para Portugal – é que às vezes até parece que eles acontecem…

  12. não é bem ser estranja…é dinamarquês e alemão ( espero que o massimo não estorve muito ) , aqueles da ética protestante…trabalho , trabalho , trabalho , poupar , poupar , poupar é o modelo de desenvolvimento deles. não curtem apostas nem vão em modas.

  13. Portugal já tem um modelo de “desenvolvimento” consensual há pelo menos um quarto de século: chular o Estado, da base ao topo da pirâmide social, económica e financeira! Não há melhor desenvolvimento, aliás… Agora, porém, entrou o “pica” na carruagem e a próxima Estação é só em… Santos! Quem não tiver bilhete, ou paga a multa, ou se atira do comboio em andamento. Também pode tentar esmurrar o “pica”, mas nunca se sabe se na carruagem seguinte não estará alguém do corpo de intervenção da P. S. P., por isso, se calhar, o melhor é mesmo sacar já do guito e para a próxima perguntar onde é que é a bilheteira…

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