Libertemo-nos da sonsice

Os programas de cada partido têm de ser apresentados ao eleitorado com serenidade. Não podem ser feitas promessas que não poderão ser cumpridas. Vender ilusões ou esconder o inadiável é travar a resolução dos problemas que nos afligem.

Dos agentes políticos exige-se que actuem com transparência e com verdade, que esclareçam devidamente os Portugueses, sem subterfúgios e crispações artificiais, sem querelas inúteis.

Os Portugueses não se revêem num estilo agressivo de actuação política, feito de trocas constantes de acusações e de tensões permanentes. Esta é uma prática de que temos de nos libertar, como há trinta e sete anos nos libertámos de um regime que nos oprimia.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

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O político há mais tempo no activo, tendo ocupado absoluta e longamente o poder governativo, o cidadão que tem uma suspeita relação de enriquecimento familiar com um grupo financeiro criminoso criado e gerido por indivíduos da sua confiança política e pessoal, o candidato presidencial que vilipendiou os seus competidores logo após ter sido reeleito, o Chefe de Estado que atacou o Governo e pediu a sua demissão no acto mesmo de tomar posse, é o Presidente da República que volta a repetir um discurso repleto de insinuações, vacuidades e delírios.

Que promessas não poderão ser cumpridas? A que ilusões alude? Que inadiável é esse que não deve ser escondido? Como é que se resolvem os problemas que nos afligem, senhor Cavaco Silva? Alguém sabe do que ele está a falar?

Ver um fulano que usou, ou deixou usar, os recursos do Estado ao seu mais alto nível para lançar uma conspiração que visava alterar o resultado das eleições legislativas em 2009 vir falar em transparência e verdade é o cúmulo do desaforo. Mas será que este homem não tem a noção da vergonha por que nos faz passar? Será que ninguém à sua volta o confronta com as suas figuras patéticas e humilhantes? Será que ele está convencido de que discursos como o do Estatuto dos Açores, ou da putativa explicação da Inventona de Belém, esclareceram alguma coisa para além da tragédia de o termos com 1ª figura do Estado? O que ocupará aquela cabeça, já que respeito próprio e responsabilidade comunitária não é com toda a certeza?

Do que nos temos de libertar não é das acusações e da tensão permanente, é dos sonsos com décadas de empáfia.

16 thoughts on “Libertemo-nos da sonsice”

  1. Valupi, texto sem rodriguinhos, impiedoso, directo como um punhal! É bem o que merece o homem que temos a desdita de ter como Presidente. Destaco, no entanto, porque é próprio de um verdadeiro Tartufo a hipócrita atitude de vir reclamar dos agentes políticos transparência e verdade quando, para não dizer mais, mantem, como dizes, “uma suspeita relação de enriquecimento familiar com um grupo financeiro criminoso criado por indivíduos da sua confiança política e pessoal”

  2. Pois Val, mas temos que concordar que foi um golpe de mestre! Mete como apoio os três ex que ainda por cá andam, põe o Eanes a dizer o que ele gostava de ter dito, aproveita-se da bonomia do Mário e da educação do Samnpaio.
    No fim vem a cena com ar compungido e pede para que os meninos façam as pazes e não mintam que é feio e que os srs jornalistas só digam o que lhe interessa.
    O Zé pagode gosta destas coisas, da bonomia, da modorra do rei, do ar ascético da reserva moral das beiras, do anglicanismo do senhor bem vestido.
    As televisões só conseguem entrevistar PPC, pois os outros, pelos vistos estavam muito longe…
    É a vida pá!

  3. Ouvi o discurso dos ex-Presidentes da República e do actual, prestei toda a atenção e o que para mim foi mais real com a situação do País foi o de Jorge Sampaio. Deu o nome aos bois, soube pôr os macacos nos seus galhos, aliás, qualquer pessoa que não soubesse qual é o Presidente da República dizia que é Jorge Sampaio. Não tem qualquer culpa no cartório. Nunca foi 1º. Ministro. Os seus mandatos como Presidente da República foram límpidos como água. Homens como este há poucos.

  4. Enquanto o pavão de Boliqueime exibia vaidosamente as penas encardidas e poluia os ares com os queixumes e queixinhas do costume, ouvia-se, em fundo, o canto de um melro. Entre a esganiçada voz de prisão de ventre do primeiro (retrato sonoro perfeito do umbigo monstruoso que lhe enche a alma) e a beleza e harmonia do canto do segundo o contraste não podia ser maior! Que grande porra!

  5. Porque hoje foi 25 de Abril e porque com a entrada do FMI, teremos uma outra tirania estrangeira, que infelizmente está cá porque os Portugueses e os políticos em especial não souberam “ir além mar e conquistar novos rumos”. Em vez disso dividiram para conquistar, aquilo que não havia para conquistar! Poder ? Prestigio politico? E Portugal? E os Portugueses ?

    Estamos numa Liberdade que se encontra refém de outras Liberdades. E no fim o cravo definha , mas o forte povo aguarda, aguarda pelo eterno D. Sebastião, que nunca surge, que nunca altera. Portugal definha e quem quer mudar é ostracizado e perece… Resta-nos a esperança, por isso celebremos o 25 de Abril, pela mudança de mentalidades.

  6. Foi há pouco no telejornal. Passos Coelho, falando aos seus militantes, apontou o caminho a seguir e disse-o com todas letras. O que precisamos é de uma União Nacional.

  7. Este casal dá-me vómitos. Pode ser preconceito, mas tudo o que o homem diz é falso, hipócrita, pateta e ridículo. Se não tivesse existido o 25A, onde estaria a personagem? Bem aconchegado a tratar da vidinha, de certeza. E a maria a cantar? Ainda bem que casaram um com o outro, sempre se estragou só uma casa.

  8. A iniciativa foi-nos apresentada como um exemplo e um apelo de unidade. Donde, fosse o que fosse que fosse dito por cada um dos participantes a síntese estava feita de antemão: um apelo à união dos portugueses neste momento particularmente difícil da vida nacional. Assim foi. Ninguém se deu ao trabalho de escrutinar, de analisar criticamente qualquer dos discursos proferidos, todos eles bem diferentes.

    Ninguém se deu ao trabalho de notar o abusivo paralelismo de Cavaco Silva entre o 25 de Abril de 1974 e o acto eleitoral agendado para o próximo dia 5 de Junho, paralelismo construído em torno da ideia de mudança, curiosamente – e não mais do que isso – o slogan que vem tomar o lugar da verdade na campanha do PSD.

    Abusivo porque o 25 de Abril de 1974 não foi uma escolha, tampouco uma prosaica «vontade de mudança». O 25 de Abril de 1974 foi uma conquista, da dignidade de um povo e de um país, o resultado da resistência e de uma luta de décadas, com coragem, com convicções, e para tantos com a própria vida.

    Abusivo porque também no próximo dia 5 de Junho a escolha não se fará entre um regime totalitário, uma ditadura, de um lado, e a Democracia e Liberdade, doutro. Ao contrário do que Cavaco, vergonhosamente, quis fazer crer.

  9. Cavaco consegue a proeza de ser o símbolo vivo perfeito de tudo o que falhou no regime democrático instaurado em Abril e retocado em Novembro e, ao mesmo tempo, representar todos os piores defeitos da alma portuguesa: mesquinhez, provincianismo, ignorância, preconceito, oportunismo e soberba. É obra.

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