Freitas do Amaral ataca o Aspirina B*

“O doente tinha uma pneumonia e precisava de antibióticos e a análise que o Governo fez foi que o doente tinha uma gripe e só precisava de aspirinas. Foi dando umas aspirinas de três em três meses, mas não serviu para nada”, disse ainda Freitas do Amaral à RTP, acrescentando que, “a partir de certo momento, José Sócrates começou a viver num mundo irreal”.

Fonte

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Freitas do Amaral é um dos meus heróis do regime democrático. E o que mais admiro nele é a sua independência, a qual tantos incómodos, calúnias e desgostos lhe deu desde que saiu do CDS. Neste momento, últimos 2 anos, meteu na cabeça que Sócrates devia ser afastado do Poder e tem trabalhado para isso. O modo como o faz, porém, é sectário e fulanizado, roçando o difamante para Sócrates e para o PS, o que anula a pertinência – até a mera razoabilidade – de algumas das suas intervenções.

Isso leva-nos para o apoio, dito incondicional, que Freitas deu a Cavaco nestas eleições presidenciais. O qual aconteceu depois de nada termos ouvido da sua boca acerca da Inventona de Belém, o que é absolutamente espantoso tendo em conta que não se inibiu de tomar posição no caso Face Oculta, aí para insinuar favorecimento do Procurador-Geral da República a Sócrates. Saltemos para o discurso de vitória de Cavaco e comentário de Freitas a respeito, onde o desvalorizou por completo, dizendo que não se devia dar importância às palavras ditas naquela circunstância, até porque o que contaria mesmo seria o discurso da tomada de posse. Explicou que, por tradição, é nessa ocasião que os grandes estadistas assumem o papel unificador que se espera de um Presidente da República. Pois saiu um comício que valia por uma moção de censura, partindo em dois o Parlamento e o País, e Freitas voltou a ficar calado. Nesta entrevista, referindo-se ao episódio, deixa um comentário que é pura e simplesmente absurdo, se não for vexante, mais valendo que tivesse continuado calado.

Sou um dos portugueses que não podia ter maior curiosidade para conhecer as aspirinas com que Freitas do Amaral trataria do estado infecto e putrefacto em que se encontra o Cavaquismo.

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* Adivinhaste, é uma ironia.

23 thoughts on “Freitas do Amaral ataca o Aspirina B*”

  1. Ai Freitas, Freitas, o que tu pensas não interessa muito a ninguém, mas já que a RTP resolveu perguntar-te a opinião: com que então o primeiro-ministro “revela muito pouca capacidade de diálogo com a oposição”? A que oposição te referes e a que caso concreto? É tudo o que tens a dizer, para além do Sócrates I e II?

    És um bocado tonto e navegas ao sabor, ou é impressão minha?

  2. O que eu gostei muito foi dos dois Sócrates que tivemos no(s) governo(s).
    O primeiro, pelos vistos, jovem, desempoeirado, a fazer um trabalho que envergonharia um qualquer economista que raramente se engana e mesmo aqueles que pediam empréstimos sem saber se estes tinham juros a pagar no futuro, O segundo, embora acolitado por um competente economista, foi uma desgraça, gastou tudo a comprar aspirinas, a dar rebuçados à função pública e a baixar o IVA que toda a gente berrava que era o que estava a dificultar a retoma.
    Da crise internacional e seus efeitos passou a correr com medo de queimar os pés, e limitou-se a falar sobre os acontecimentos pós-chumbo do PEC IV, como se a unanimidade do Conselho de Estado não tivesse nada a ver com o chumbo do dito, ou como se a dissolução não fosse motivada oelo mesmo.
    Interessante de ouvir a conclusão, pois ainda não sabe em quem há-de ir votar, se no inconsciente que abriu a porta à crise, se no outro que ajudou a mantê-la aberta mas que parece que nada teve a ver com ela.

  3. Sou mais velho do que ele, conheço-o desde o tempo da outra senhora. É apenas um daqueles políticos que politicamente muda de opinião conforme as suas conveniências e interesses políticos, e tantas vezes quantas forem úteis para a sua carreira política. E no seu horizonte ainda está a presidência da República. Estarei enganado?

  4. Talvez, Manuel Loureiro. Já pensei isso quando elel aceitou integrar o governo de Sócrates.
    Desde sempre aquele homem me pareceu falso e terá sido, Valupi, um independente por interesse carreirista, ou seja um falso independente. O que aí afirmas prova isso à saciedade.
    O que me atemoriza e desanima é pensar que esta gente é considerada “reserva da nação”, moralmente inatacáveis, senadores sábios e competentes, chamados, por isso, a dar pareceres, integrar governos e até a ocupar cargos de relevancia internacional.
    Não admira as coisas serem o que são. Depois da inacreditável “senhora da verdade” negociar o encobrimento do defice a uma taxa de juros de 17,5 % com a CitY GRUP, a Ferreita Leite patriótica e previdente como ninguém, eu já só fico à espera que da geração à rasca saia, mesmo assim, uma fornada mais saudável de portugueses.
    Já agora: Sócrates politicamente é um jovem comparado com esses dois velhadas da Manela e do Freitas. Junte-se-lhe um Cavaco, um Marcelo, um Alegre, um Balsemão e os predadores de bancos e o ramalhete compõe-se.
    As gerações “luminosas” dão estes tristes espectáculos à geraçâo à rasca.

  5. Este cria mais um Sócrates, o Sócrates II. Para ele o Sócrates bom foi só até 2008.
    Este senhor foi membro dos governos da AD (vice-primeiro-ministro, ministro dos n. estrangeiro e primeiro-ministro interino), naquele tempo não havia qualquer crise internacional que tivesse implicações no desenvolvimento do nosso país , mas os governos do senhor Amaral levaram o país à beira da bancarrota e à intervenção do FMI.
    Esta parte do currículo politico do senhor Amaral foi omitida na entrevista que aquela senhora do canal 1 lhes faz.

  6. Mal que pergunte, a revisão em baixa da personalidade de Freitas do Amaral pelo autor do post não terá, porventura, a ver com o facto de ele ter criticado o PM demissionário? Lamento antecipadamente se a minha dúvida soa sectária, fulanizada ou desrazoável.

  7. Ó Mario, o teu comentário dá-me que pensar. Esta mania que os velhos (entre os quais me incluo) têm, de que ainda são a reserva moral do mundo, todos os dias sofre abalos de peso. Além deste, quantos e quantos mais poderiamos referir!

    Pois é, as gerações “luminosas” estão a empalidecer a olhos vistos. Mas … bem vistas as coisas, é a lei da entropia a actuar. Confiemos, pois. Não na “geração rasca” que por aí anda aos gritos mas na outra. A que está calada e trabalha e faz pelo país sem perguntar o que o país pode fazer por ela!

  8. O Freitas saiu do governo na esperança de abrir espaço para ser o candidato de Socrates à Presidencia. Seria uma vitoria sobre o Cavaco que n lhe pagou as despesas da campanha de 85. Como o Alegre veio atrapalhar as suas contas…resolveu aproximar-se de Cavaco, derramando sobre Socrates o despeito de um ressaibiado! Provavelmente, em troca, o outro deve ter-lhe pago as contas em atraso com dinheiro do BPN, com a promessa de um apoio a Belém.

  9. João Dias, tens de reler o texto: revisão em alta. É que eu não partilho da opinião de outros distintos comentadores nesta caixa, para quem estamos perante uma falsa independência. Para mim, Freitas é genuíno quando critica Sócrates, tão genuíno como quando aceitou ser seu ministro, o que lhe chegou a custar desavenças familiares, para além do episódio patético da expulsão da sua fotografia da Caldas.

    Dito isto, o que questiono é a qualidade dos seus raciocínios. É que, tal como outros aqui estão a apontar e detalhar, ela é inaceitavelmente enviesada, omitindo factores decisivos nas questões e situações aludidas.

  10. Freitas atribui o aumento do défice em 2009 a motivos eleitoralistas. A coisa ia muito bem vieram as eleições e estragou-se tudo. Acontece que nesse ano a União Europeia deu luz verde para que os Estados pudessem aumentar os défices de modo a tomarem medidas que reduzissem o impacto da grave crise internacional. Aquela que os críticos de Sócrates fazem questão de ignorar nas suas análises. Portanto, mesmo que não fosse ano de eleições o défice teria subido. Que foi, aliás, o que aconteceu por essa Europa fora. Ou será que Freitas atribui o aumento do défice nesses países ao eleitoralismo de Sócrates? E mais, embora aparentemente já ninguém se lembre, por vontade da oposição, nesse ano, teriam sido tomadas ainda mais medidas, logo o défice teria subido muito mais. Exigia-se a pessoas como Freitas do Amaral um bocadinho mais de honestidade intelectual, mas como é para derrubar Sócrates é o costume, vale tudo.

  11. Freitas é um produto branco completamente fora de prazo, mas que se quer ainda fazer ao piso ao próximo cozinhado, que ele suspeita (e bem) possa vir a ser uma mistela muito pouco comestível. Ele já está por tudo. Por mim, tenho-lhe uma azia que não me permite sequer aproximar dessa cozinha. E não, Manuel Pacheco, já não há espaço na despensa para o guardar até às próximas Presidenciais, mesmo que elas sejam ainda este ano!

  12. Caro Val,
    não concordo com a apreciação do Freitas do Amaral sobre a independência. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Ou é a idade a pesar ou é esq

  13. Caro Val,
    não concordo com a apreciação do Freitas do Amaral sobre a independência. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Ou é a idade a pesar ou é esquecimento, mas esta última hipótese custa-me um pouco a engolir.
    Não tenho o prof. Freitas do Amaral na conta de distraído ou mal informado.
    Vejo na sua entrevista um apoio decidido a Teixeira dos Santos e uma crítica muito forte ao Sócrates II, que não pode ser apenas porque se esqueceu da crise internacional, da actualização salarial da funcão pública – quatro décimas acima da inflação a que nenhum partido se opôs, da descida do IVA que era pedida insistentemente e foi criticada por todos os partidos por baixar apenas um ponto, pois o CDS dizia que era pouco e o PSD (que teve várias posições sobre o assunto) queria-a mais tarde e mais substancial, enquanto o PCP pugnava pela subida do IRC e o BE também achava pouco.
    Ora, é muito esquecimento para um homem só, daí entender que o prof. Freitas do Amaral tem a sua agenda própria e que neste momento lhe convêm distanciar-se do PS, nomeadamente de José Sócrates.
    Veremos se o método valerá…

  14. Freitas tem perfeita consciência de que não voltará a concorrer à Presidência, até por causa dos seus problemas de saúde, para além da idade (terá 75 anos nas próximas eleições). É uma das maiores mágoas da sua vida, como já o revelou. Porém, quer continuar a ter um papel ao serviço da comunidade, o que é perfeitamente legítimo. Ora, se não o criticámos quando aceitou ser ministro de um Governo PS, como se pode criticar por querer ser outra coisa qualquer seja com quem for? Cada decisão tem de ser ser avaliada no concreto da situação. Veja-se o caso de Nobre.

  15. Ó Val, é claro que ele é genuíno, ele nunca mente, ele acredita sempre genuinamente nas opiniões que emite, na justeza das opções que toma, mesmo que contraditórias, porque as dá ou as acolhe em dias diferentes. É um puro, e de puros…

  16. Val, tenho alguma dificuldade (lógica) em conjugar independência com adjectivos como “fulanizado” e “sectário”. E não, não estou a confundir independência com imparcialidade.

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