Da arte de bem castigar

O PS é neste momento o único partido que leva às costas a responsabilidade de garantir a qualidade da democracia e a viabilidade do regime – por razões antigas, umas, e recentes, outras. Umas, aquelas que resultam do papel histórico do PS na defesa e consolidação de uma sociedade livre e autónoma, ainda antes do 25 de Abril e até hoje. À sua volta, vemos os extremismos anti-regime do PCP e BE, o oportunismo do CDS e a decadência do PSD. Outras, aquelas que nascem da excepcionalidade de Sócrates, cuja liderança dotou o partido com a melhor inteligência estratégica disponível entre os quadros socialistas. À sua volta, vemos líderes sem projecto e sem carisma, incapazes sequer de compreender o eleitorado.

O congresso do PS, em Matosinhos, foi uma exibição disto mesmo: profissionalismo, inteligência e carisma. Resultado: partido unido a menos de dois meses das eleições. Venham elas, cumpra-se a democracia na festa do voto, foi a mensagem transmitida para o exterior e gravada em todos os que participaram. Imaginemos, como exercício pedagógico, que o congresso tinha mostrado um elenco significativo ou avassalador de vozes discordantes da actual estratégia, que Sócrates se tinha apresentado com discursos confusos ou cobardes, e que até a organização tinha falhado no básico, dos meios audiovisuais às bandeirinhas. Que diriam os que recorreram à noja desmiolada das comparações com Hitler, IURD e Coreia do Norte? Louvariam a abertura democrática e derramariam ternura por cima da modéstia amadora do evento? Ou entrariam desvairada e freneticamente em modo de carnificina, declarando a morte política de Sócrates e a iminente derrocada eleitoral para números abaixo dos dois dígitos?

Há mais de 3 anos que, diariamente, há quem anuncie que Sócrates está acabado, que o PS se vai render às chantagens. Para estes infelizes, a liberdade e força dos militantes socialistas torna-se assim num doloroso, humilhante, castigo.

12 thoughts on “Da arte de bem castigar”

  1. “O PS é neste momento o único partido que leva às costas a responsabilidade de garantir a qualidade da democracia e a viabilidade do regime” entre outras razões por “aquelas que nascem da excepcionalidade de Sócrates, cuja liderança dotou o partido com a melhor inteligência estratégica disponível entre os quadros socialistas. À sua volta, vemos líderes sem projecto e sem carisma, incapazes sequer de compreender o eleitorado”.

    Verdade indiscutível para nós que por aqui “aspirinamos” e para muitos outros, acredito. Felizmente! Mas que hei-de pensar quando constantemente na rua, no café, por toda a parte, se ouve maldizer Sócrates como a causa de todos os males e mais um?!

    Pergunto-me nessa ocasiões: como foi possível envenenar desta maneira tanta gente! Só encontro uma resposta: juntaram-se a extrema “habilidade” de quem engana com a extrema debilidade de quem é enganado! E não sei o que mais me doi e revolta: se a miserável habilidade daqueles, se a inocente debilidade destes!

    Sei bem do comportamento inadjectivável da nossa Comunicação Social. Mas, apesar disso, chego a pensar se não haverá aqui alguma responsabilidade do PS que não terá cuidado, com frontalidade e sem timidez, desta importante vertente do exercício do poder!

  2. Ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah!!!ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah!!! Não me ria tanto… há tanto tempo…

  3. Carta dirigida à RTP e Fátima Campos Ferreira:
    Venho muito respeitosamente pôr-me ao dispor para uma entrevista com V. Exa. Sou um dos muitos cidadãos portugueses anónimos que algo deram à Pátria mas sempre esquecidos. Sei que no dia em que fosse entrevistado o número de telespectadores diminuía e será esse o vosso receio. Para vocês o que interessa é o número e não o conteúdo.
    Também tenho coragem de em frente às câmaras dizer que não voto em Passos Coelho I que fará em II. Não tenho intenções de me fazer notado para concorrer a uma qualquer comissão de moradores. Entendo que cada macaco deve estar no seu galho e o que noto é que há macacos a saltar de galho para galho com muita frequência e sempre que lhe dá jeito. Vêem os partidos com falta de quadros há que virar a agulha ao disco mas acabam por tocar sempre o mesmo.
    Faz-me lembrar quando era miúdo e comprava cromos de futebol. Os que mais saíam eram os repetidos. Fartava-me de ver sempre as mesmas caras. Será que a Fátima não está enjoada? Sei que tem de obedecer à Administração mas há horas em que temos de dizer basta.
    Não vejo em que Freitas do Amaral e outros sejam mais que eu. Tiveram a felicidade de ir estudar! Eu tive a de ir carregar massa para as obras. Sobre os estudos sabem mais que eu o que não sabem é fazer um balde de massa.

  4. A estratégia do PSD e dos seus correligionários para esta campanha, ou melhor, os seus “pilares” ideológicos tem, como sempre, assentado no insulto, nos assassínios de carácter, e na crítica esquizofrénica.

    Coitados, no fundo não defendem nada, estão simplesmente contra.

    Vamos ver se o seu programa ainda vem a tempo das eleições, sim, pode ser o do FMI mas assumam-no, caso contrário os masoquistas vão andar dia e noite com o PS/Sócrates a pairar sobre a sua cabeça. Eu cá tenho preparada uma vergastada para o dia cinco de Junho.

  5. Grande texto. Se eu tivesse um Euro por cada fotografia de Sócrates de costas em artigos a proclamar solenemente a sua morte politica. É que vai-se ler, e a foto é o melhor argumento de todo o texto. E ás vezes o único.

  6. Obrigado Manuel Pacheco!
    “Sobre os estudos sabem mais que eu o que não sabem é fazer um balde de massa.”
    Eu também estudei, não sei fazer o balde, não, mas admiro-o muito mais a si que a todos os vigaristas e oportunistas qiue, por terem estudado, se aproveitam disso, para pôr em prática as malfeitorias que nos prejudicam a todos, como aqueles que, a meu ver sem excepção, constituem hoje a direita portuguesa (PSD mais CDS e quejandos). Claro que no PS também os há com defeitos, não há homens perfeitos, e estamos no contexto de um Sistema, que até aos bons, para não o pôr definitivamente em causa, obriga a carregar a responsabilidade de muitos erros. Mas uma coisa são erros, outra coisa são vigarices e é isto que o ANIPER quer dizer, em geral. Nessas grandes vigarices, de facto, encontro a extrema habilidade da propaganda que enforma e submete a “extrema debilidade de quem é enganado!”
    Já me sinto, com comentadores deste calibre, mais acompanhado na intensa revolta interior que sinto contra o CAVAQUISTÃO e seus acólitos.

  7. Tal como o Torres também eu quero dizer um grande, grande obrigado ao Manuel Pacheco! Na linha do que ele diz, com tanta ironia e humor, lá vimos hoje o Ramalho Eanes homem de uma respeitabilidade acima de qualquer reparo a não ser um. É pena que a malapata que tem contra Mário Soares e contra o PS (julgo que por arrasto) o tenha levado a apoiar um homem como Cavaco Silva.

    Também tenho pena que não haja percebido que o convite que a FCF lhe fez teve a ver, julgo não exagerar se o disser, teve a ver exclusivamente com esse facto. Fosse ele um apoiante frontal e declarado do PS e seria convidado a dizer de sua justiça lá para as Kalendas gregas! Se fosse!

    Aguardemos o próximo convite da senhora! Talvez nos saia a sorte grande e tenhamos o gosto de ouvir, de viva voz, o Manuel Pacheco!

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