Diz que à conta do FMI a democracia ficou suspensa

Tenho esperança de que a tentativa de moda não pegue. Colunistas, opinadores nos telejornais, ontem mesmo Marcelo Rebelo de Sousa, todos juntos na mesma missa: que interessa se Passos Coelho escolheu Nobre para ser Deputado e Presidente da AR (coisa sujeita a votação agravada no Parlamento) e que este tenha dito que renunciava ao cargo de Deputado se não fosse a segunda figura do Estado? Sim, esteve mal, mas tentou “emendar a mão” (???) dizia Marcelo, mas adiante! Que importa que a base do derrube do Governo tenha sido a alegação de que este não teria falado com o PSD sobre o PEC, um nojo, uma vergonha nacional, teria havido um mero telefonema, toca de explodir com tudo e ser responsável por tudo, que importa se um candidato a PM mentiu, e esteve reunido umas horas com o PM, o único que manteve a palavra quanto ao sigilo do encontro? Nada, diz Marcelo, adiante, diz Marcelo, quero lá saber se houve uma “ligadela” de 5 minutos ou uma reunião “de horas”, quando o facto é que não houve acordo. Que interessa?- Diz Marcelo. Está cá o FMI, não se ponham com essas coisas, que vergonha.

Para estes comentadores, que puxam pela pátria explicando que continuamos a ser o Portugal de tantos séculos de história, que não desaparece com a vinda do FMI, o eleitor deve ver o Governo a lutar com todas as forças para evitar a situação presente, assistir à sua queda naquele dia em que tirando o PS houve um partido único na Ar, descobrir que o candidato alernativo a Sócrates escolhe para cabeça de lista de Lisboa quem despreza os votos dos cidadãos e que só tem por digno ser a segunda fugura do Estado, dar-se conta de que Passos Coelho andou a gritar como argumento para derrubar o Governo uma ficção, não tendo nada, como projecto alternativo, para apresentar, senão o de ser, seja como for, à minha custa, à nossa custa, poder, essa coisa que lhe cheira tão bem.

A moda não pega, não. O FMI não pára a democracia.

13 thoughts on “Diz que à conta do FMI a democracia ficou suspensa”

  1. Plenamente de acordo Isabel. Digo mais, se o LCD não fosse meu, não o adquirisse com sacrifício, julgo que neste momento era um conjunto de cacos. É por mais evidente que este tipo de comentadores, aqui uso a frase de Miguel Portas – “são uns farsolas”. Estão ali com uma pose, parecem virgens ofendidas.
    Os entrevistadores colaboram, não contradizem em nada. Não assisto a todas as entrevistas. Nas poucas a que tenho assistido, dá para entender, quando ele diz algo e quer dizer o seu contrário, pelos tiques, ora passa a mão pelo pescoço, – o nó da gravata por cada mentira que diz devia-se apertar mais até a língua lhe sair pela boca fora – a limpar o suor mentiroso que lhe escorre por esse mesmo pescoço.
    Se fosse Sócrates a ter o tipo de atitude de Passos Coelho não havia adjectivos no dicionário português para o classificar. Há falta de homens a fazer comentários.
    Acabo com a seguinte frase: os defeitos nos outros nos nossos são virtudes.

  2. O Marcelo ganha a vida com bitaites. E sempre como juiz em causa própria. Nunca consegue despir a camisola. É o tipo mais intelectualmente desonesto que conheço vestido ou travestido de comentador e analista. O hábito vem de longe. Ja começou a trabalhar para as presidenciais e está atento se, entretanto, o Cavaco resignar!

  3. Há alguns anos, contrapuseram, a Angelo Correia,
    qualquer coisa que Marcello teria dito…
    Divino Angelo só sussurou:
    …ahhhh, Marcello, Marcello…

    Eu acho um encanto
    vê-los todos num virote
    a tentarem controlar danos
    (e a aumenta-los, problema deles…)
    deste nobre Nobre

    perfeitamente desembolado na cerca deles,
    ppd’s…

    é mendes, é marcelo, outra vez mendes,
    Passus
    de qdo em vez
    com aquela voz forte denunciando uma liderança baixa
    ainda mendes…
    finalmente…que sufoco,
    Marcelo a explicar tudinhoooo….

    deixem-nos em roda livre
    que há assuntos serios a tratar
    como por exemplo
    saber que intervenção teve nosso Venerando nesta crise toda…
    tentou lutar contra, ou fez tudo por…?

    isso sim, preocupa portugueses…

    abraço

  4. Pois não, Isabel! Espero bem que não. Mas, de facto, esta direita portuguesa é de uma abjecção inimaginável. Como, aliás, sempre foi. Demonstram-no páginas e páginas da nossa história recente e passada.

    O FMI não pára a democracia; espero que não. Mas pergunto-me se poderá chamar-se democracia a esta infame manipulação da grande maioria do povo portugûes que tem na TV o seu único meio de informação e a quem falta o sentido crítico suficiente para se aperceber da infâmia de que está a ser vítima?!

    Por isso repito algo que em tempos por aqui deixei. Se não queremos ter uma plutocracia travestida de democracia, então: ou a Democracia arranja formas democráticas de ter mão nesta Comunicação Social abjecta ou a Comunicação Social acaba com a democracia tal como eu a entendo: o poder do povo verdadeiramente livre e não o poder do povo miserávelmente manipulado pelos detentores do dinheiro e dos previlégios!

  5. Eu perceber até percebi, mas parece-me que nesta fase essa cadeira está demasiado quente e não vai ser nada fácil para quem tiver que se sentar nela.

    A propósito do FMI, não vos merecem comentários as recentes declarações do Dominique Strauss-Khan, que veio defender que os juros exigidos a Portugal devem ser baixos que nos deve ser dado mais tempo para regularização das contas? A tal UE porreiraça que estava prestes a criar, por obstinação de Sócrates, claro, um mecanismo mais suave para nos safar as contas está a revelar-se, tendo em conta o que se ouve da boca de vários dirigentes europeus, bem mais dura do que o papão FMI. Não sei se o que Strauss-Khan disse pode acbar por reflectir-se nas medidas que serão anunciadas, mas pelo menos em termos de atitude ponderada como esta não vi igual por parte da Europa. Dá que pensar.

  6. A tal UE porreiraça que estava prestes a criar, por obstinação de Sócrates, claro, um mecanismo mais suave para nos safar as contas perdeu a paciência quando, por obstinação de Passos, ou Cavaco, ou ambos, resolveram mandar o mecanismo mais suave à malvas, deitando por terra negociações prolongadas e difíceis e abrindo uma crise de consequências imprevisíveis. E têm toda a razão. A diferença do FMI é que este não responde perante eleitorado nenhum, sobretudo eleitorados de países “porreiros” que viram um país cair numa crise politica inexplicável quando nos estavam, discretamente, a dar a mão. Com gente de tal nível de estupidez, não há porreirismo que aguente.

    Mas deixa estar. O importante agora, com o mal feito, é criar a ilusão, a suspeita, a insinuação, que o tal “mecanismo mais suave” era mentira, mais uma, de Sócrates, que isto ia sempre acabar assim, que já estávamos condenados. Como o fazes aqui.

  7. A Isabel, como eu, certamente, foi aluna do prof.Marcelo e como eu também conhece as peripécias do seu doutoramento, das suas invejas de estimação com relevo para o Professor Jorge Miranda e para o Professor Freitas do Amaral. Isto diz muito do carácter de certas pessoas que se julgam com direito de ajuizar sobre o carácter de outros.
    Mas, a mediatização nos dias que correm é quase tudo! E o Marcelo faz vida disso!
    Só uma estoria sobre o que acabei de referir:
    A alguns meses esteve no meu escritório uma estagiária proveniente de um PALOP. No âmbito do estágio fazia-me muitas perguntas sobre parcerias público-privadas que teria muito interesse para o seu país. Quando lhe perguntei a que tipo de parcerias se referia? Não foi capaz de me responder, mas que tinha ouvido comentários do prof. Marcelo sobre a matéria e tinha ficado curiosa! Ocorreu-me, então, explicar-lhe que as parcerias púbico-privadas poderia ter várias formulações jurídicas. Umas como concessões de domínio publico, outras como contratos de exploração e por aí fora. Dei-lhe as distinção entre a construção de auto-estradas, ou hospitais, entre concessão de portos e apoios de praia etc.
    Ficou muito admirada sobre a extensão da matéria, e pediu-me informação bibliográfica.
    Dei-lhe variada informação desde o Profs. Marcelo Caetano e Freitas do Amaral com datas de 1966 até ás mais atualizadas, mas nenhuma do prof. Marcelo, por desconhecimento meu, certamente.
    Perguntou-me imediatamente sobre o facto do prof. que ela melhor conhecia,não ter nada escrito sobre a matéria sobre a qual opinava semanalmente nas televisões.
    A minha resposta foi breve. O prof. Marcelo fala de tudo e de nada e mesmo daquilo que não sabe e não estudou. Utilizando muitas vezes o argumento da cátedra a despropósito. Mesmo sobre matérias que conhece bem, várias vezes faltou à verdade, porque politicamente lhe dava jeito.
    Conclusão: Que esperar de um “professor” que não respeita a profissão e a cátedra e não é pelos seus pares respeitado!???

  8. Eu não falei em mentira, tu é que sim. O que me preocupa menos agora é discutir se Sócrates é mentiroso ou não, não sou obcecado pela figura em causa. A minha questão reside essencialmente em saber se esse tal mecanismo iria mesmo concretizar-se e de que forma, atentas as circunstâncias crispadas no seio da UE que já vêm do tempo da ajuda à Grécia, e se as medidas impostas pelo mesmo resumir-se-iam às linhas do PEC IV. Teríamos menos austeridade da que é hoje falada pelos dirigentes europeus, os mesmos que dizes nos queriam “dar a mão”? Medidas de incentivo ao crescimento económico ou preocupação exclusiva com o saneamento rápido das contas públicas? Não sei, sinceramente, mas tenho alguma dificuldades em perceber, à luz do que vejo hoje, como seria isso concretizável, por muito boas intenções que tivesse Sócrates. Vês? Até dou esta de barato.

    Já que me pareces tão atento e bem informado, sabes precisar no tempo o início dessas negociações prolongadas e difíceis? É que se começaram após o dia em que atingimos os tais 7% de juros sobre a emissão da dívida que seriam, segundo Teixeira dos Santos o limite para se pensar em recorrer ao FMI, então é capaz de ter sido demasiado tarde…

  9. Não querendo insinuar nada mais do que a importância que o Dr. Fernando Nobre tanto invocou ontem à noite na RTP1: “Sou defensor da VERDADE… Só me interessa dizer a VERDADE…”

    Pergunto eu, se não teria sido melhor para a AMI (merecedora de todo o mérito e reconhecimento geral da importância da sua obra), o Dr. Fernando Nobre ter abandonado todos e quaisquer cargos que por lá ocupa, protegendo esta fundação, das agruras e dúvidas que possam surgir relativamente à sua actividade. Isto em nome da VERDADE e da forma desapegada ao poder que tão ilustre Médico tanto fez questão de invocar nos últimos dias.

    Senão vejamos o que se pode ler no site desta fundação:

    – A AMI é uma Organização Não Governamental (ONG) portuguesa, privada, independente, apolítica e sem fins lucrativos.

    – A AMI tem um quadro permanente de profissionais assalariados, que se encarregam de assegurar o desenvolvimento do trabalho da instituição.
    Conta também com o apoio indispensável dos voluntários.

    E sem querer levantar falsas suspeitas da idoneidade e seriedade de quem compõe a equipa dirigente da AMI, interrogo-me se ao ler o organograma da AMI, o Dr. Fernando Nobre, pretende que os portugueses, fatos das mentiras e aldrabices que grassa na classe política, acreditem que estas coincidências, são meras estratégias funcionais para continuar a obra da AMI. É que só de apelido é parte da família que se vê por lá, fora o resto que também sendo da família, não usa o apelido Nobre.

    Ver o Organograma:

    http://www.ami.org.pt/media/pdf/OrganogramaAMI.pdf

    Acredito que a AMI seja de facto uma fundação idónea e séria, mas da fama e suspeita não se livra. Hoje em dia, quem quer “calçar as botas de um político”, tem de saber falar directo, sem rodeios, e demonstrar que a sua vida profissional e social, é de facto imaculada, caso contrário, e em nome da VERDADE e da transparência, será sempre alvo das suspeitas do povo.

    Com a eleição do Dr. Fernando Nobre como deputado à AR, iremos perder um bom médico e benemérito de excepção, mas o que Portugal irá receber em troca, será um politico que antes de o ser, já envergonha aqueles que ainda depositam uma réstia de esperança na classe política. Assim sendo, porque não ficou este homem sossegado?
    Apegado ao poder e deslumbrado pelas luzes da ribalta? Nahhh!

  10. HG,

    A propósito do Mecanismo de Estabilidade do Euro:

    1º- Não foi feito para Portugal, foi feito para toda a zona euro e Portugal poderia ter sido o primeiro estado-membro a usufruir do mesmo. Não tem por objectivo salvar um país determinado, pretende salvaguardar o euro com uma soluçlão estritamente europeia. Resultou de longas concertações, foi um compromisso difícil.

    2º- Não sabe se existiria o tal mecanismo? Bom, decidiu-se deixar para a cimeira de Junho a sua aprovação formal.O MEE precisa de unanimidade para ser aprovado. O actual governo finalndês já afirmou que o faria em Junho se ganhasse as eleições, foi o que aconteceu, resta esperar que mantenha a palavra dada. Aguarde-se portanto Junho. A realidade não se cinge ao que aparece na imprensa portuguesa. Mas quem tem um pc pode procurar informação na internet. Um exemplo (está em francês):

    1 – http://europedia.moussis.eu/discus/discus-1293524562-708994-27227.tkl?lang=fr

    Quanto a saber se traria mais austeridade: traria a do PEC IV . O que temos agora é o PEC IV que serve de base ao plano a propor ao FEEF+FMI ao qual ,já avisaram, serão acrescentadas mais medidas, até porque os ministros europeus ainda não engoliram bem esta estupidez portuguesa de chumbar o PEC e parece-lhes que andamos para aqui a brincar. O que aconteceria depois? Cada um terá a sua opinião e não temos bolas de cristal, por isso com o PEC IV a única coisa que sabemos é que numa primeira fase traria seguramente menos austeridade que a solução actual.

  11. sousa mendes
    não fui aluna de marcelo no curso de direito. fui aluna de marcelo, sim, numa das minhas disciplinas da parte escolar do mestrado. depois, foi meu orientador da tese propriamente dita. foi a pessoa, na minha vida académica, que mais acreditou nas minhas capacidades e que nunca, sobretudo estando na poisição de orientador que dá a cara por alguém, fossem quais fossem as circustâncias, esperou menos do que o máximo de mim. pode dizer-se que isto que escrevo é um testemunho pessoal. o certo é que sendo eu livre de discordar de marcelo, como o faço, serei sempre parcial na sua defesa, e sei que ele foi comigo como é com tantos e tantos estudantes, mestrandos e doutorandos.

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