Procurador-geral do Sporting

O treinador do Sporting estava insatisfeito após a derrota leonina em Sófia, frente ao Levski. Paulo Sérgio confessou que para o exterior, o culpado do desaire é ele, mas não deixou de referir que, internamente, vai apurar responsabilidades entre os jogadores.

Fonte

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Internamente, Paulo Sérgio não tem culpa nenhuma, isto que fique claro. O que se passa nos treinos, a escolha dos jogadores, as opções tácticas não têm qualquer relação com aqueles momentos em que os jogadores, impantes de livre-arbítrio, decidem pontapear a bola como bem lhes apetece. Para provar a sua inocência, vai abrir um inquérito de modo a apurar responsabilidades. Paulo Sérgio sabe que há culpados, até porque existe um crime, e que os meliantes estão no balneário. É uma zona do estádio que só tem uma entrada e nenhuma janela. Por isso, irá barrar a porta e quem quiser sair terá de responder a esta pergunta: onde estavas à hora do jogo?

Esperam-se cenas de choro e álibis de rir à gargalhada.

Um livro por semana 214

«Rip Kirby» de Alex Raymond (volume 1)

Aguardado com impaciência pelos apaixonados da BD, este volume 1 de «Rip Kirby» integra três histórias com temas bem avançados para a época de 1946: as drogas duras em «O caso Faraday», uma fórmula química mortal em «A fórmula Hicks» e um país pária disposto a comprar uma arma química em «O Mangler».

Este volume inclui tiras reproduzidas das originais deste desenhador famoso cuja vida (1909-1956) só saiu do anonimato com o seu súbito desemprego em 1929 na sequência do «Crash» de New York. Depois de criar figuras como o Agente Secreto X-9, Jim das Selvas e Flash Gordon, Alex Raymond deu vida a um detective atípico nos EUA: usa óculos, é muito culto, é solteirão, cita Bernard Shaw, toca ao piano peças de Chopin e fuma com cachimbo.

Em Portugal a figura de Rip Kirby surge em 18-8-1949 no primeiro número de «O Mundo de Aventuras». De seguida apareceu em publicações como «Condor Mensal, Jornal do Cuto, Enciclopédia O Mosquito» e em álbuns da Editorial Futura.

Curiosamente esse mesmo ano de 1949 assinala a entrega a Alex Raymond do Reuben Award pela criação de Rip Kirby e pela carreira iniciada em 1929 no estúdio de Lyman Young ainda sem assinar os trabalhos com o seu nome – o chamado «ghost».

Este é o primeiro de 13 volumes com a obra total de Alex Raymond de 1946 a 1956.

(Editora: Bonecos Rebeldes, Tradução: Catherine Labey, Colaboração: Joaquim Talhe, Américo Coelho e Leonardo de Sá)

Amado, odeio-te

O Ministro dos Negócios Estrangeiros é um traste, um desqualificado que continua no Governo apenas para proteger o mentiroso compulsivo que impediu a dona Manuela de estar agora a salvar o País. Tão abjecta é a sua função que o único refrigério consiste nuns passeios pelo jardim do Palácio das Necessidades. Para lá vai sempre que consegue fugir ao trabalho. E para lá fica a contemplar o céu, absorto, imaginando que algures naquele imenso azul há um avião da CIA cheio de inocentes a caminho de Guantánamo. O seu rosto enternece-se ao visualizar as sevícias e torturas a que vão ser sujeitos. A criadagem do palácio costuma dizer que ele parece um anjo nessas alturas, irradiando tal luz que faz das suas cãs uma miragem celeste.

Felizmente, ainda temos jornalistas que resistem e não perderam nem a dignidade, nem o sentido de missão. Como o sr. Mário Crespo, por exemplo, que nesta quinta-feira montou uma peça onde se via o traste a ser questionado por uma jornalista, uma pobre senhora. Pois o traste lembrou-se de perguntar se ela tinha lido o telegrama acerca do qual interrogava o traste. E ela não tinha, coitadinha. Como é que ela pode ler telegramas e ser jornalista ao mesmo tempo?! Pois o traste não quis saber. E ficou muito exaltado, de cabeça perdida, dizendo alarvidades desconexas. Coisas como “Se tivesse lido não me estava a fazer essa pergunta”, cuspia o bruto. Bruto e traste. Felizmente, o sr. Mário Crespo chama-nos a atenção para estas vergonhas e não deixa escapar uma. É o que ainda nos vai valendo.

Bom, mas eu queria mesmo era falar disto:

O Primeiro-Ministro tem as costas largas […]

Cá temos mais uma tanga, pois é sabido que Sócrates não tem as costas largas. Costas largas tem Platão, como o atesta a etimologia do seu nome e o relato de Diógenes Laércio. Mais do que tudo, é por este completo abandalho da Cultura Clássica que te odeio, Amado.

V9

MA HQ
Lisboa
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CONFIDENTIAL/NOFORN
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Assunto: Briefing debate presidenciais
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Reunião com a presença de AJS, JS, SP e FL, que aprovaram a estratégia em traços gerais. Alguns assuntos foram tratados apenas com FL, ver abaixo.
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Informação preliminar

Foi assumido por todos os presentes que o candidato MA não tem o nível de octanas suficiente para fazer a máquina politica do PS trabalhar acima dos 35% de potência, o que faz com que a produção de cobertura mediática esteja muito baixa. A máquina política do BE não é utilizável, uma vez que o sistema de orientação e escolha de alvo está configurada automaticamente para o PS, e levaria anos a alterar. FL confirma, em privado, esta informação.

AJS concorda que a campanha está a correr mal, e que será necessário uma operação de Shock & Awe no debate para relançar a campanha e aumentar o índice energético de MA para níveis compatíveis uma campanha profissional.

JS não concorda, uma vez que se correr mal e o candidato não for eleito, o que é provável, ele é que tem de conviver com CS. AJS e FL não consideram a objecção válida, o que originou uma violenta troca de argumentos que terminou com JS a acusar AJS de lhe querer “fazer a folha” e a bater com a porta. SP ficou encarregue de o representar.

Continuar a lerV9

Vinte Linhas 565

O Sporting Clube de Portugal não se escreve com caixa baixa

Talvez por estarmos perto do Natal, data da fraternidade e também do marketing, recebi com duas datas (6-11-2010 e 16-12-2010) um exemplar do jornal «Sporting». Até aqui nada de especial. Sou um dos muitos sócios do Sporting Clube de Portugal que este ano desistiu de comprar a «box» anual e vê à distância o desmoronar lento e sistemático da principal equipa de futebol. Derrotas sucessivas, um treinador sem créditos para a tarefa, um desbaratar permanente dos valores criados na Academia de Barroca de Alva, um endividamento assustador para a compra de passes de jogadores com dinheiro emprestado e tudo para jogar para o quinto lugar – objectivo que poderia ser obtido sem recorrer ao endividamento e utilizando os jovens formados na Academia leonina.

Na página 20 uma notícia sobre o Núcleo de Sacavém que festejou o seu 27º aniversário deixou-me com os cabelos em pé: passando por cima da errada notícia de que Carlos Teixeira é o «presidente da autarquia local» quando é, de facto, presidente do município de Loures e Sacavém não tem câmara municipal, passando por cima da expressão «Clube de Alvalade» completamente errada pois além de redutora é falsa porque o Sporting é um clube de todo o Mundo com Filiais, Delegações e Núcleos em todos os Continentes, temos, por fim, o ponto mais negro com a frase «só desta forma se pode levar o sporting rumo ao título». Sporting com letra pequena ou, como se diz em jornalismo, Sporting em caixa baixa é um completo disparate. O Sporting Clube de Portugal não merece tamanha parvoíce. O Manuel Fernandes também não merecia ser tratado tão mal pelo seu Clube mas Deus afinal escreveu por linhas tortas.

Vinte Linhas 564

Pride Magazine, Alverca do Ribatejo, memórias felizes

A entrevista na página 10 da edição Vale Tejo de 9-12-2010 de O MIRANTE com Maria Judite Ribeiro (Agora falo eu) chegou-me às mãos no mesmo «giro» que me trouxe a recente edição da Revista londrina «Pride Magazine» onde a sua filha Isabel Matias é a responsável pela produção e paginação. Em inglês esta função define-se como «head of design/production». Excelente aluna do curso de «design gráfico», a Isabel está hoje a festejar os 20 anos da sua revista de moda, beleza, música, teatro, cinema, culinária, saúde, turismo, finanças e entrevistas às estrelas do momento, como Mariah Carey que faz a capa. O conteúdo pode ser lido em www.pridemagazine.com. Alverca do Ribatejo recorda-me de imediato o CEBI e o senhor Vidal que por diversas vezes celebrou comigo aqui no Príncipe Real a inclusão de verbas do PIDAC para o seu (e nosso) CEBI. Colaborei na divulgação dos livros editados pelo CEBI e cheguei a publicar textos no jornal dessa então bela pequena casa dos meninos e dos idosos. Recordo a escritora Soledade Martinho Costa que nos apresentou e que ofereceu os seus livros infanto-juvenis aos meus filhos Ana, Filipe e Marta. Recordo a jornalista Elisabeth França, sobrinha do keeper Costa Pereira do SLB que a ia esperar ao colégio Sousa Martins no Bom Retiro. Mais tarde cruzámo-nos nos caminhos do jornalismo onde ainda me mantenho (Revista Ler) e de onde ela se retirou para fazer algo mais do que notas sobre «Artes e espectáculos». Recordo o jornalista Sandro Baguinho que conheci como delegado ao jogo do Alverca nos encontros de juniores para, alguns anos mais tarde, trabalhar a seu lado como leal camarada na redacção do jornal «Sporting».

Nobre, a salsicha

Houve um tempo em que me fartei de votar no Fernando Nobre. Durou até há bocadinho. Depois de passamentos nos braços em cenários internacionais, hecatombes várias e esmagamento de civis, galinhas com pedaços de pão no bico perseguidas por crianças esfomeadas e o fálico agitar de um bisturi em direcção aos céus, a que se junta o anátema da classe política por atacado, concluo que estou perante uma mistela populista para intestinos grossos.

Um briefing Alegre

“Governar para as estatísticas não é reformar. A falta da exigência da Escola Pública põe em causa a igualdade de oportunidades”, acrescenta Manuel Alegre, sustentando que “tudo se discute menos o essencial: os programas e os conteúdos do ensino.”

No editorial do número 2 da revista “Oops”, o deputado do PS recorda ter “passado a vida a lutar pela liberdade de expressão e contra o medo” e diz estar “farto de pulsões e tiques autoritários, assim como de aqueles que não têm dúvidas, nunca se enganam, e pensam que podem tudo contra todos”.

Como alternativa à actual conduta do Governo no sector da educação, Manuel Alegre tem aconselhado a “ouvir a voz da rua”, acrescentando que “se tantos [professores] estão na rua, terão as suas razões”.

“Confesso que me chocou profundamente a inflexibilidade da Ministra e o modo como se referiu à manifestação, por ela considerada como forma de intimidação ou chantagem, numa linguagem imprópria de um titular da pasta da educação e incompatível com uma cultura democrática”, escreve Manuel Alegre.

A clarividência, e lealdade, de um candidato a Presidente de todos os portugueses

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Há excelentes razões, de excelentes pessoas, para votar Alegre nestas presidenciais. Eu votei nas passadas, e apenas para ter o gozo de ver a inacreditável recandidatura de Soares devidamente punida com o terceiro lugar. Mas não lhe posso dar o meu voto agora, dado que ainda não fui oficialmente informado de estar maluco. Na eventualidade de ganhar com um voto meu, isso passaria a responsabilizar-me pelo que viesse a fazer com o cargo. E por mais distante, lateral e ínfima que fosse a minha responsabilidade, nada na actividade política deste cidadão, desde 2007, me oferece a mínima confiança. A qualidade do meu sono ficaria ameaçada sabendo dos poderes que ficariam na mão da sua famosa e desvairada inspiração política. Para piorar, os carolas que impuseram a sua candidatura ao PS, Louçã e Seguro, não montaram uma estratégia que tivesse alguma capacidade de vencer uma desgraça ambulante chamada Cavaco. E não foi por falta de tempo… Resultado: alternativas capazes de entusiasmar o centro não avançaram para evitar conflitos pessoais com o rei-trovador, ao mesmo tempo que se criava pressão interna para o PS aceitar a espúria e egomaníaca candidatura. As inteligências do BE e da ala esquerdíssima do PS achavam que era assim que se corria com Sócrates, partindo o partido, para grande azar o nosso.

Mas há algo que podemos fazer em prol deste infeliz pretendente: brifá-lo. Este aportuguesamento da palavra inglesa briefing é usado quotidianamente nas agências de comunicação. Consiste na operação de reunir as instruções necessárias para que uma dada actividade tenha sucesso. Nesta campanha, o que está em causa são 30 minutos no dia 29 de Dezembro, e nada mais. O destino eleitoral de Alegre será jogado no debate com Cavaco – e só se lá acontecer algo de extraordinário, ou milagroso, poderá manter a esperança numa segunda volta. O briefing a criar, pois, tem como objectivo responder a uma singular pergunta: que deve fazer, e dizer, Alegre para levar Cavaco ao tapete?

Eu tenho ideias, magníficas, mas sei que as tuas são muito melhores do que as minhas. Venham elas.

Vinte Linhas 563

Saudação breve para uma menina numa Ilha Verde

Eu te saúdo, Mafalda, eu te escrevo numa colina de Lisboa e sei que a tua casa se debruça também sobre o azul do Oceano Atlântico. Faço escritório na pastelaria onde há queques, queijadas e pastéis de nata. O teu olhar doce navega, vagaroso, nos metros quadrados do quarto, repetindo o olhar da tua mãe com a tua idade. Sei das tuas mãos em movimentos de patrulha, sentindo o tacto quente das mãos da avó, ansiosa por transmitir o calor da ternura nesta geografia. Também há altas pressões sentimentais, anti-ciclones de afecto, vulcões de carícias, ventos de paixão. Tu dormes o cansaço do trabalho de nascer, entraste exausta no mundo que te rodeia. O teu sono respira num ritmo igual ao das ondas; de sete em sete inspirações sai uma respiração lenta e profunda. Uma nesga de sol bate na árvore verde do teu Natal que vieste antecipar. O teu nome sonoro, a tua presença radiosa, a tua aposta na vida, são uma teimosa trilogia de afirmação num tempo triste de notícias sombrias. Há no teu olhar a herança de uma casa: entre as pedras do muro e as ondas da praia, entre o calor do forno e o frio da cisterna, entre as tulhas do celeiro e a adega de vinho com cheiro intenso. Mafalda, menina pequena, não sabes ainda que a vida é uma viagem cheia de cruzamentos, dúvidas e sinais difíceis de interpretar. Começas a balbuciar pequenas canções e vejo em ti a viajante destemida dos caminhos à tua espera. Tu serás o nosso juiz no futuro, nada desculparás e por isso a tua vida vai ser o nosso julgamento. Em teu nome vamos estar mais próximos da perfeição, da justiça, da lucidez e do amor. Porque, mesmo sem saber ainda, tu já sabes. Só há uma medida para o amor que é amar sem medida.

Cookies e biscoitos

You got Mallomars, the greatest cookies of all time.

Harry

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Os Mallomars são uma espécie de Bom-Bokas, mas em versão melhor que bom, e os nova-iorquinos, sempre arrogantes e imperialistas porque americanos, estão com a mania de serem estes os melhores cookies do mundo.

Então, tomem lá com a resposta europeia: Bolachas a lenha. Desafio o Harry, e também a Sally, a sair da tela e vir experimentar o verdadeiro greatest biscoito de todos os times.

Solar

Todo o fenómeno é relativamente novo, a escala a que acontece é nova e desmesurada e não me é fácil situar-me sem ser numa forma de acantonamento prévio, que me pode aliviar os choques, mas não me ajuda a esclarecer de facto. Então, a correr, (e a velocidade transforma a realidade – o que se relaciona com parte do comentário do Vega): como não me parece que seja desta, já agora, imediatamente, que o mundo vai fazer a revolução completa, instantânea, por fora e por dentro do tudo e de cada um, em que tudo se reformula, de modo harmonioso, no sentido do novo que foi surgindo e pensamento, estruturas sociais, modos de vida, culturas, tudo se harmoniza na materialização das novas compreensões e passarinhos a chilrear, estrelinhas a luzir, prados verdes para saltitar, música pimba acabada de morte macaca, gente mal formada transfigurada, a importância do outro na estruturação da identidade de cada um definitiva, impulsos domesticados e vivá cultura etc etc etc, então, enquanto não muda o paradigma, o que vai acontecer, e possivelmente tem de acontecer, são manifestações do piorzinho que há neste paradigma: coscuvilhice, devassa, intriga, deterioração das relações, amuos internacionais, divórcios traumatizantes,… e, como não se aguenta a moinha, dá-se um afrouxamento dos limites de tolerância: por um lado mais repressão, daquela básica e que julgávamos ultrapassada e, por outro lado, um descaso progressivo, cada vez maior, em relação a valores que até agora nos têm identificado. Qualquer dia já não se liga se revelarem que o ligueiro da senhora Merkl é rosa-choque ou que o presidente de um banco era simultaneamente mordomo na casa de um ditador. Assim como o Sporting que foi eliminado da Taça pelo Setúbal e já ninguém faz disso um caso. Onde vamos parar? Não sei. Os cientistas sociais que se cheguem à frente.

Entretanto, a luta pelo PODER mundial é linda de se ver. Na exibição dos destroços da contenda, vem o espírito de chinelo da humanidade todo ao de cima. Assistir às misérias humanas institucionalizadas põe o aconchego simbólico nas ruas da amargura. Também é catita ver que muitos dos que espreitam a possibilidade da grande MUDANÇA se fazer por este lado. Julgarão que, eticamente falando, estamos pior hoje do que há alguns séculos?

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Oferta da nossa amiga mdsol

Vinte Linhas 562

A dama de ferro atirou o livro para a mesa e disse: É nisto que acredito!

Corria o ano de 1979 e, em vésperas de eleições gerais no Reino Unido, os responsáveis do Partido Conservador forneceram à senhora Thatcher um projecto de programa que procurava ser um documento pragmático, cuidadosamente colocado ao centro, evitando os radicalismos mas procurando derrubar os Trabalhistas ao tempo no governo.

A futura primeira-ministra do Reino Unido, com a frontalidade que se lhe reconhece, não deixou o colega terminar a apresentação, abriu a pasta bruscamente e atirou para a mesa o livro que lá trazia. O livro era A constituição da liberdade de Freidrich von Hayek e o seu grito foi muito claro: É nisto que acredito! Claro que calou os quadros do seu Partido e durante onze anos, de 1979 a 1990, aquele livro foi o programa do seu governo. O milagre económico que foi experimentado no Chile de Pinochet foi seguido quase ponto por ponto mas não podia ser igual. Numa carta ao seu Mestre de 1982, depois de louvar a redução substancial das despesas públicas no Chile, Thatcher adverte que «a nossa reforma deve estar em linha com a nossa Constituição». Não houve fuzilamentos em Londres, não colocaram Wembley como campo de concentração mas o desemprego disparou e a guerra contra os Sindicatos dos Mineiros em 1984 foi terrível. Valeu tudo. Polícia à porta das minas e forte propaganda atacando os sindicatos. O capitalismo popular estava a nascer através da famosa frase da dama de ferro: «A sociedade não existe. Apenas existem os indivíduos e as suas famílias». Quando saiu em 1990 não ficou pedra sobre pedra no conjunto das estruturas económicas do seu país.

(a partir de uma segunda leitura de «Pagadores de crises» de José Goulão)

Um livro por semana 212

«O peso do hífen» de Onésimo Teotónio Almeida

A partir de uma frase do presidente dos EUA Woodrow Wilson (1856-1924) aqui se reúnem 13 ensaios escritos entre 1983 e 2010 sobre a experiência luso-americana. O volume abre com dois quadros: Os emigrantes de Domingos Rebelo (1926) e Os regressantes de Tomaz Vieira (1987). A carroça dá lugar ao automóvel; a viola da terra é substituída pela câmara de filmar. Entre os dois quadros há 61 anos de diferenças. A frase em causa é: «Some americans need hifens on their name beause only part of them has come over».

Temos no ponto de partida que «a emigração é um bom laboratório para se fazer a radiografia de uma cultura: o núcleo duro dos seus valores é então recriado, cingindo-se ou alargando-se consoante as possibilidades do novo meio, mas recriado não obstante».
Continuar a lerUm livro por semana 212

E depois do Emmy – Debate sobre a ficção portuguesa (parte II)

Com algumas caras conhecidas à mesa, como os actores Ruy de Carvalho, João de Carvalho e Tó Zé Martinho, o ex líder do PSD considerou que vão haver eleições legislativas “a curto prazo” e que “é evidente que o PSD vai sair como o próximo Governo de Portugal”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que, para essa situação de vitória nas eleições acontecer, os militantes e dirigentes do PSD “não podem entrar em euforias nem ir à espera de apanhar lugares, louvores ou dinheiro”.

Fonte

Um livro por semana 211

«O jardim encantado ou o segredo da brisa» de Josefa de Lima

A narrativa arranca pela voz off da Terra numa determinada circunstância («como se estivesse a ver uma peça de teatro») e com dois protagonistas (Flor Pequena e Flor Grande) que discutem entre si a noite e o dia: «Também gosto do Dia mas a Noite é tão misteriosa…» A seguir surgem mais actores: o Sapo Seriró, o Cágado, a Lua e a Estrelinha que se lamenta de estar tão longe da Terra: «Ai, ai, estou tão alto e tão só!»

Entretanto aproxima-se outros: a Brisa, a Fadinha da Noite, os Melros, as Noites, o Sol e a Terra. O segredo da Brisa é, afinal, depois da notícia («Fugiu a Estrela de Natal») e da dúvida («como poderão os Reis Magos seguir o caminho?») poder dizer em segredo à Estrelinha que ela «vai ser ela a Estrela de Natal».

Peça de Teatro, originalmente representada na Junta de Freguesia de Olhos de Água, contou com a participação de pequenos actores, alunos das seguintes escolas: Vale Carros, Diamantina Negrão e Olhos de Água. Poderia chamar-se «Gramática da Noite» e termina com a voz off da Terra: «A Lua brilha, agora, com todo o seu esplendor e a Noite avança, então, intensa e dominadora no seu último movimento antes de desaparecer a pouco e pouco, empurrada brandamente pelo Sol. Levanto-me do banco e no caminho para casa vou pensando que tudo tem o seu tempo, a sua função, obedecendo a regras num Universo superiormente organizado. Por vezes o que aparenta estar estático, está em movimento contínuo, refazendo-se e inovando-se através de ciclos bem reais».

(Edição: Câmara Municipal de Albufeira, Preâmbulo: José Carlos Martins Rolo, Prefácio: Luísa Monteiro, Ilustrações: Anabela Furett)