Amado, odeio-te

O Ministro dos Negócios Estrangeiros é um traste, um desqualificado que continua no Governo apenas para proteger o mentiroso compulsivo que impediu a dona Manuela de estar agora a salvar o País. Tão abjecta é a sua função que o único refrigério consiste nuns passeios pelo jardim do Palácio das Necessidades. Para lá vai sempre que consegue fugir ao trabalho. E para lá fica a contemplar o céu, absorto, imaginando que algures naquele imenso azul há um avião da CIA cheio de inocentes a caminho de Guantánamo. O seu rosto enternece-se ao visualizar as sevícias e torturas a que vão ser sujeitos. A criadagem do palácio costuma dizer que ele parece um anjo nessas alturas, irradiando tal luz que faz das suas cãs uma miragem celeste.

Felizmente, ainda temos jornalistas que resistem e não perderam nem a dignidade, nem o sentido de missão. Como o sr. Mário Crespo, por exemplo, que nesta quinta-feira montou uma peça onde se via o traste a ser questionado por uma jornalista, uma pobre senhora. Pois o traste lembrou-se de perguntar se ela tinha lido o telegrama acerca do qual interrogava o traste. E ela não tinha, coitadinha. Como é que ela pode ler telegramas e ser jornalista ao mesmo tempo?! Pois o traste não quis saber. E ficou muito exaltado, de cabeça perdida, dizendo alarvidades desconexas. Coisas como “Se tivesse lido não me estava a fazer essa pergunta”, cuspia o bruto. Bruto e traste. Felizmente, o sr. Mário Crespo chama-nos a atenção para estas vergonhas e não deixa escapar uma. É o que ainda nos vai valendo.

Bom, mas eu queria mesmo era falar disto:

O Primeiro-Ministro tem as costas largas […]

Cá temos mais uma tanga, pois é sabido que Sócrates não tem as costas largas. Costas largas tem Platão, como o atesta a etimologia do seu nome e o relato de Diógenes Laércio. Mais do que tudo, é por este completo abandalho da Cultura Clássica que te odeio, Amado.

13 thoughts on “Amado, odeio-te”

  1. Antes de mais, quero enaltecer o grande texto, mais um, do Valupi. Grande malha!
    Não vejo, por não ter estômago para aguentar essa nojeira do Mário encrespado, mas tenho ouvido o MNE a explicar, bem explicadinho, que não deu qualquer autorização para que um qualquer avião sobrevoasse espaço aéreo português e que apenas poderia pensar em tal hipótese se fosse para a passagem da LIBERTAÇÃO de presos que VÊM de Guantánamo. Se gajos e gajas como os PSD’s e a D. Ana precisam de um desenho, não sei se o “odiado Amado” (que paradoxo!) tem dotes para tanto…
    Isto para não falar da chafurduice que é fazerem-se “notícias” de coisas que não estão provadas e que interessa passar para massacrar (a este propósito ouvi, por causa da morte de Carlos Pinto Coelho uma sua declaração acerca do que são os telejornais… tenho pena de não ter gravado…). Não há dúvida. Estes “arautos da liberdade” têm de ser condecorados no 10 de Junho… ou no dia de Finados…

  2. Bom artigo, Valupi. Ontem, por acaso, dispus-me a ver o Crespo. Não teve muita sorte com os convidados: nem Nuno Rogeiro, nem Vicente J Silva, nem Ângelo Correia se deixaram impressionar por aí além com os sucessivos documentos que brandia, com destaques a amarelo, enquanto falava e falava e questionava, os olhinhos desorbitando, aguardando inflamação idêntica da parte dos interlocutores… Frustração terrível. Hoje é certo e sabido que muda de convidados – posso sugerir alguns? o Bernardino Soares, do PC ou o Luís Fazenda, do BE, ou a Paula T. da Cruz, ou a Helena Roseta estarão certamente dispostos a alinhar na orgia.

  3. Realmente! Só há uma maneira de conservar um pouco de sanidade mental. Deixar pura e simplesmente de prestar a mínima atenção ao que constantemente vomita a comunicação social deste triste país.
    A mesma canalha que deu o seu “amen” a uma guerra miserável que já custou a vida a milhares e milhares inocentes, a mesma canalha que se encheu de orgulho com a chamada “cimeira dos Açores”, vem agora, qual virgem ofendida, gritar que Sócrates, o “Costas-Largas” autorizou que uns quantos aviões americanos carregados com prisioneiros americanos a “caminho do inferno” sobrevoassem o solo pátrio. É de quem perdeu completamente a vergonha.
    Diria mesmo que a corja que deu origem ao delicioso e irónico texto do Valupi está muito longe de merecer sequer que com ela se perca tempo.

  4. Valupi, que dizer mais sobre a genialidade dos seus posts…! É mesmo só através do seu humor corrosivo que podemos continuar a “aguentar” as alarvidades com que somos bombardeados todos os dias nos jornais, nas rádios e nas tvs, com honrosas excepções, claro! Acredite que o seu blogue é a minha melhor aspirina, todos os dias!
    Mas o problema é que na loja da esquina, o Sr. António ou a D. Gertrudes têm os ouvidos cheios dessas “mensagens” e nem sempre conseguem perceber a intoxicação a que estão sujeitos…

  5. obviamente o homem mentiu com quantos dentes tinha,o que é rotineiro nestes governos de sócrates,mas pelo menos já passou de um não redondo para um desconhecimento oficial,o que tambem já é usual desde o saudoso vara,deus o guarde,no já esquecido negócio tvi e afastamento de jornalistas não alinhados

  6. Excelente texto; confesso que não vi o Crespo mas acredito que terá sido mais uma daquelas notaveis prestações nas quais movido pela sua incesante busca da verdade e da jusitiça desmascara essa gente os portugueses-pasme-se!- elegeram para os governar.
    Começo a recear pela integridade física do personagem porque os planos quando são muito inclinados podem terminar em grandes tombos.

  7. Parece-me evidente que o Snr. Burns, de tanto puxar pela moleirinha, gripou, queimou-se. Tem, no entanto um mérito que não pode deixar de ser enaltecido. Reconhece o que lhe aconteceu. Fica-lhe bem. Só que os motores queimados ficam quietos e calados! este persiste em trabalhar e dá no que se vê!

  8. O pulhas perante a evidência de enfrentarem um homem com uma couraça anti-difamação absolutamente sobrenatural (de tal ordem que demoraram 5 anos a percebê-lo) viraram-se para a sua entourage na esperança de encontrar uma brecha na muralha. Primeiro Teixeira dos Santos, depois com Amado e os boatos de remodelação sem fundamento nenhum que são repetidos até à exaustão pelos media subservientes. Assinam acordos, aprovam orçamentos mas é tudo para Inglês ver, porque na realidade o importante é que eles estejam no poleiro. Responsabilidade ZERO. Querem é que o país se foda.
    É a politica de sarjeta no seu máximo esplendor, da qual o Burns é um dos seus mais acéfalos defensores.

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