Vinte Linhas 563

Saudação breve para uma menina numa Ilha Verde

Eu te saúdo, Mafalda, eu te escrevo numa colina de Lisboa e sei que a tua casa se debruça também sobre o azul do Oceano Atlântico. Faço escritório na pastelaria onde há queques, queijadas e pastéis de nata. O teu olhar doce navega, vagaroso, nos metros quadrados do quarto, repetindo o olhar da tua mãe com a tua idade. Sei das tuas mãos em movimentos de patrulha, sentindo o tacto quente das mãos da avó, ansiosa por transmitir o calor da ternura nesta geografia. Também há altas pressões sentimentais, anti-ciclones de afecto, vulcões de carícias, ventos de paixão. Tu dormes o cansaço do trabalho de nascer, entraste exausta no mundo que te rodeia. O teu sono respira num ritmo igual ao das ondas; de sete em sete inspirações sai uma respiração lenta e profunda. Uma nesga de sol bate na árvore verde do teu Natal que vieste antecipar. O teu nome sonoro, a tua presença radiosa, a tua aposta na vida, são uma teimosa trilogia de afirmação num tempo triste de notícias sombrias. Há no teu olhar a herança de uma casa: entre as pedras do muro e as ondas da praia, entre o calor do forno e o frio da cisterna, entre as tulhas do celeiro e a adega de vinho com cheiro intenso. Mafalda, menina pequena, não sabes ainda que a vida é uma viagem cheia de cruzamentos, dúvidas e sinais difíceis de interpretar. Começas a balbuciar pequenas canções e vejo em ti a viajante destemida dos caminhos à tua espera. Tu serás o nosso juiz no futuro, nada desculparás e por isso a tua vida vai ser o nosso julgamento. Em teu nome vamos estar mais próximos da perfeição, da justiça, da lucidez e do amor. Porque, mesmo sem saber ainda, tu já sabes. Só há uma medida para o amor que é amar sem medida.

25 thoughts on “Vinte Linhas 563”

  1. As pastelarias nunca foram bons locais para atrair musas. Era mais blusas. Sei disso porque tenho um primo que trabalhou uma vida inteira numa e só depois de reformado é que escreveu um poema, aliás muito heroico, que ele intitulou, nem sei porquê, “Alguidar da Minha Vida, Panela do Meu Destino”. Mas era sobre um naufrágio…

    Coisas.

  2. Grande lata a deste jcfrancisco! Com que então, um plágio descarado?! «A MEDIDA DO AMOR É AMAR SEM MEDIDA» – esta bela frase pertence a SANTO AGOSTINHO! É preciso não ter vergonha na cara para dar ares de escritor e aproveitar o brilho dos outros para brilhar! VERGONHOSO!!! E parece que ninguém deu por isso…Repõe a verdade, pá, e dá o nome do autor…que não é o teu! Depois disto, de ti, tudo é de esperar!

  3. JOCA,

    Calma, claro que damos por isso, só que a gente lê em diagonal. Já nem se importa.

    Sabe lá o frankie quem foi Santo Agostinho! Deve ter pensado que era um cromo, tirou-lhe a frase e espetou-a aqui.

  4. tal como a ignorância é atrevida, a cobardia anónima é sempre ofensiva e ressabiada.

    a frase que atribuem a S. Agostinho é um lugar comum utilizado milhares de vezes, no jornalismo e na literatura, com mais palavra menos palavra.

    plágio fazem vocês na caixa de comentários de praticamente todos os “posts” do JCF (podem mudar de nicks, que o rabo fica sempre de fora…).

  5. luis eme: se é assim tão vulgar utilizar frases alheias, como esta de Santo Agostinho, porque dá você ao seu blog o nome de Largo da Memória e logo por baixo escreve: «ANTIGAMENTE O LARGO ERA O CENTRO DO MUNDO». (MANUEL DA FONSECA)?! Escusava de ter esse trabalho, não? Ou será porque o correcto é fazer-se assim? Lembre-se de que nem todos os leitores são eruditos…

  6. «…a cobardia anónima é sempre ofensiva e ressabiada»…O quê, na NET???? Não me faças rir! Em que mundo vives tu, pá??!!

  7. Não tivesses tu um blogue, a ver se não assinavas com pseudónimo nas caixas de comentários. Assinando como luis eme é uma chamada de atenção/publicidade a teu favor. Pode ser que alguns vão ao teu blogue, é ou não é?

  8. luis eme: com o seu discurso de menino bem-comportado, não acha que está a atingir a mais-valia deste blog, que assina, anonimamente, Val ou Valupi? Ele não se limita a ser «O guardador das margens do Tejo…», como já deve ter reparado. Vai mais longe. Mas não explicou ainda o facto apontado pelo comentador Joca de referir no seu blog o nome de Manuel da Fonseca. Passou-lhe ao lado? Andou na escola do senhor jcFrancisco? Atira pedras em vez de responder a uma pergunta tão simples? Ora responda lá e deixe de se promover com preconceitos fora de moda – na NET, claro!

  9. Luís EME,

    Vai dar uma curva. Tás a precisar de um discursinho. Sabes lá tu se não tenho Ideias no nome, ó iluminado? Vê lá vê. Deves ser o primeiro a dar um peido sem pedir licença a ninguém, mais a bufares-te e a olhar para o lado com cara de que «não fui eu». Vens pra aqui largar sentenças, ó cagamelo. Volta lá para as tuas escritas cordelescas, e dixa-nos cá fazer o nosso trabalho – o da crítica à falta de crescimento e do discernimento dos adultos da «farinha amparo». Como tu, Tás a ver, pá?

  10. Este IDIOTA, convencido de merda, não sabe o que é uma paráfrase… PARÁFRASE.
    Eheheh…, ganhaste o canudo da escolaridade obrigatória no sorteio da farinha amparo. Tá-se mesmo a ver. Ganda sortudo!…

  11. ADELAIDE,

    Tu estás bem? fogo, pá, ganda bebadeira sempre que apareces por aqui.

    Diz lá o que é a paráfrase. Em italiano também.

  12. Fogo Bill, a gaja ainda começa a falar-te em uiquiliques e tás feito.

    Adelaide explica aí pá o que é a paráfrase, caqui é tudo gente do campo.

  13. Adelaide, preferes aguardente, não é? É mais consistente para definires as paráfrases.

    Vê lá se ta endireitas, rapariga, ainda cais na cova do papão, e depois é que são elas.

  14. IDIOTA,
    Que presunção a tua, rapaz. A dona adelaide é uma rapariga, digo uma senhora de idade bem casada e não anda por aqui à procura de “papão” ou esteira onde se deitar. Provavelmente, na tua esperteza saloia, deves ter-me confundido com outras senhoras que, depois de terem caído na “cova do papão”, ainda ampolham por aqui como vespas frescas.
    Levar-te a sério seria uma tarefa esgotante, pelo que decidi ficar pela comodidade. Rir.

    Bill,
    O melhor é fugir já.
    Até ao Carnaval, se nos virmos.

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