Fé na liberdade

A Palmira Silva tornou-se na figura mais conhecida do anticlericalismo blogosférico, quiçá nacional, pelo menos a medir pelo número e efeito dos seus textos no Jugular. Ao contrário do que apregoa, contudo, não existe nenhum problema com a laicidade em Portugal, ela está cada vez mais pujante na vivência social, para além de estar consagrada em pleno na legislação e na política. O que motiva a Palmira é mesmo o instinto da caça, divertindo-se a apanhar declarações e figuras típicas do folclore católico conservador e reaccionário – ou tão-só tradicional, que também levam por tabela se usarem os códigos semânticos e simbólicos da instituição. Esta postura, mesmo se infeliz nisso de ser uma forma sofisticada de ignorância e sectarismo, é intelectualmente legítima e aproveita à instrução de certos públicos ainda mais ignorantes.
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Vinte Linhas 479

Essa palavra «rebotalho» nunca está em desuso

A propósito de um palermazão que apareceu aqui no «post» sobre a Costa Nova utilizei a palavra «rebotalho» quando me dirigia à Sinhã. Vale a pena ver o contexto da palavra no dicionário da Sociedade da Língua Portuguesa. Começa por referir o uso mais comum da palavra quando usada num estabelecimento comercial: «rebotalho – restos inúteis, cigalho, coisa sem valor, refugo». Segue-se um segundo sentido: «rebotalho – pessoa sem merecimento pessoal, sem categoria social». Por fim o ponto alto: «rebotalho humano – conjunto de pessoas sem valor mental ou moral, pobres, miseráveis, desprezíveis sob vários aspectos». Existe também um adjectivo: «rebotalhado – atrasado, inferior, de menor valor».

O palermazão do «post» sobre a Costa Nova faz parte do rebotalho humano de que fala o Dicionário coordenado por José Pedro Machado. Não é o facto de ser utilizador da Internet que o faz menos pobre, menos desprezível, menos miserável. A chamada democraticidade do meio não lhe dá o direito de vir para aqui espojar-se da sua burrice. A bosta que ele tentou atirar para nós não saiu da sua massa encefálica nem vai sair nos tempos mais próximos.

Basta ver filmes dos anos 40 para perceber como a palavra «pastora» no sentido de «pasta» ou «dinheiro» surge na fala dos actores. Hoje ninguém se lembra mas há 60 andava pelo Parque Mayer e era muito popular porque os dos autores do Parque eram argumentistas dos filmes. Mas «rebotalho» não vai passar de moda porque há sempre mais um palermazão que aparece a coberto da democracia da Internet.

Parvónia

Só através do aumento das exportações (ou da produção de bens que substituam as importações) conseguiremos diminuir o crescente endividamento do País, que a prazo pode ter consequências muito graves. Só assim conseguiremos voltar a crescer e a convergir com a União Europeia. É necessária uma política económica de apoio aos sectores de bens transaccionáveis.

Programa do PSD para as eleições de 2009

*

Duas ideias nesta passagem: a de que o País está a realizar o desiderato, pois as exportações aumentam; a de que o PSD não via no horizonte a nuvem do vulcão grego, falando de consequências indefinidas num tempo por definir. De facto, uma das possibilidades faladas no Verão era a de a União Europeia adiar por alguns anos a exigência de baixar os défices, pois todos os países estavam na mesma situação e a prioridade tinha de ser o crescimento, não a contenção das despesas. Ninguém podia adivinhar a crise dos mercados financeiros seis meses depois.

Quando falamos do PSD de Ferreira Leite é preciso recordar que a senhora fez uma campanha onde foi para Aveiro dizer aos jornalistas que tinha medo de falar ao telemóvel por desconfiar que era escutada, e poucos dias antes da votação chegou ao ponto de espalhar a suspeição de que a correspondência dos portugueses podia estar a ser violada, para além de ter cavalgado a galope a espionagem política do Face Oculta e as pulhices da inventona de Belém. Era esta a verdade da Política de Mentiras que um grupo decadente gizou na Lapa, julgando ir a votos na Parvónia.

Bancarrota à sexta, fortuna à segunda

Quem investiu na bolsa na passada sexta-feira – apesar do berreiro dos histéricos em pânico, que chegaram a falar em corrida aos bancos num cenário de ruína dos sistemas financeiros europeus – enriqueceu na segunda-feira.

Se a estupidez destes catastrofistas pagasse imposto, teríamos superavit nas contas públicas.

Pedido de demissão de Deus

Ao ver esta margarida, pousada no teu retrato, desconheço o ímpeto atabalhoado que me levou a fazer de ti fruto duma costela e germe de todos os males.

Em eras politeístas em que eu ainda não varrera heresias múltiplas e complicadas, tantas eram as mulheres sábias e formosas, de porte seguro e rara perspicácia, que não fosse eu Deus e ninguém as contabilizaria. Vi Helena causar tormentas, a Penélope tecendo e desfazendo uma teia e Atenas a nascer da cabeça do pai. A minha função era observar para logo de seguida criar um mundo melhor.
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Provavelmente, o melhor Governo do Mundo

O arremedo de direita que nos calhou em azar, um conglomerado de ressabiados e cagões, conseguiu convencer-me de que temos o melhor Governo do Mundo. Não é uma ideia fácil de aceitar, a natural modéstia do português estranha a distinção, mas eles foram persistentes e apresentam argumentos fortíssimos: dizem que o Governo é composto por incompetentes, mentirosos, corruptos, irresponsáveis e dementes, os quais, cantando e rindo, vão levar o País para desgraças e catástrofes sem fim.

Ora, tendo em conta que este Governo não possui maioria parlamentar, é atacado pela comunicação social e pela Justiça como nunca antes se tinha ousado fazer, e está ainda sujeito ao arbítrio e armadilhas de um Presidente da República que não despiu a camisola laranja, o facto de governar no meio da maior crise económica internacional dos últimos 80 anos, e no meio da maior crise financeira do Euro desde que foi criado, leva a concluir que o Governo terá qualidades absolutamente extraordinárias e únicas. Caso contrário, já teria caído há muito coisa tão ruim, tão abjecta.

Podemos procurar noutros países, não há quem se compare aos nossos heróis. E é a direita quem o demonstra.

Intermitência

“Ainda bem que trouxeste, hoje, roupa interior negra”, digo a M., semi-nua diante de mim. “Excita-te, é”, pergunta-me ela, ao mesmo tempo em que passa as mãos pelos mamilos que adivinho erectos. “Não. Mas pressinto que o meu sexo, hoje, está morto. Foi uma excelente opção teres vindo de luto”, explico.

A varanda de Pilatos

(o caso very-light 14 anos depois)

Vinha Rui Mendes em festa

Num bilhete que ele trazia

Uma gente que não presta

Deu-lhe a morte nesse dia

A varanda de Pilatos

É na Praça da Alegria

Visto isso mais os actos

Ninguém faz da noite dia

Ninguém faz a obrigação

Todos fogem dos sarilhos

Há que saber dar a mão

Às mãos frias dos filhos

Ninguém faz o seu dever

Ninguém segue o preceito

As lágrimas duma mulher

Não cabem dentro do peito

Por duas vezes negada

A razão de uma sentença

Eles fingem que não é nada

E dormem na indiferença

Fizeram os jogadores

Das camisolas um leilão

Vieram logo os doutores

À procura duma posição

Como se esta simpatia

Trazida pelos jogadores

Tivesse nascido um dia

Na cabeça dos doutores

Rui já morreu três vezes

Não é uma ideia confusa

Uma viram os portugueses

As outras em cada recusa

Nenhum dinheiro fazia

Um preço da sua vida

Mas na Praça da Alegria

O Zero é regra e medida

E assinam os contratos

No meio duma euforia

A varanda de Pilatos

É na Praça da Alegria

Alice

Acaba de ser lançada a segunda vida da revista Alice, iniciativa do Clube de Criativos de Portugal começada em 2004 e terminada 7 números depois por falta de financiamento. O conceito da revista partia do universo criativo profissional para o mundo ilimitado da criatividade. Mais do que ser uma celebração da comunidade das agências de publicidade e design, o projecto ambicionava ser uma fonte de novas referências pensantes para as disciplinas dos profissionais da comunicação. Sem qualquer esforço, e sem qualquer isenção, pode dizer-se que superou largamente as mais optimistas expectativas. Agora, renasce digital.

A criadora, editora, alma e coração da Alice foi Maria João Freitas, também autora do sui generis A Namorada de Wittgenstein. Foi e continua a ser, voltando a oferecer um conjunto de leituras que rivalizam com o melhor que se possa fazer em Portugal no campo do jornalismo artístico, literário, cultural. Basta ver o índex para confirmar.

Tive o prazer e a honra de participar na primeira versão da Alice, onde assinei os artigos com o pseudónimo Guru. Essa opção foi uma homenagem ao Jorge Teixeira e ao Manuel Maltez, respectivamente o pai e o padrinho da alcunha com que me brindaram quando trabalhei na BBDO. Esses números em papel serão todos republicados na Internet, respeitando integralmente o grafismo original. Já se encontra disponível o 1º.

Membro da Comissão de Inquérito Parlamentar antecipa-se a João Semedo e publica o relatório

*

JÁ TODOS SABEMOS QUE ELE MENTE…

…mas isso não é muito importante.

..e depois? Não mente toda a gente?

…e que fez tudo que já sabemos que fez?

Que importa? O país não tem problemas mais importantes?

É assim que nós estamos. Doentes até à à raiz da medula.

*

Consta que este relatório também pode ser apresentado como atestado médico para os devidos efeitos.

Governo só há um

Pedro Correia, alguém que participa em dois blogues colectivos (pelo menos), descreveu o Aspirina B como o mais fervoroso blogue pró-governamental. Contudo, não o nomeou, nem sequer ao autor de quem aproveitou um texto para escrever o seu. Foi uma deselegância nascida do acinte, claro, a qual atinge os meus actuais colegas, José do Carmo Francisco e Confúcio Costa, subitamente transformados em apoiantes de quem nunca apoiaram (e que até, provavelmente, repudiam).

Pedro Correia sabe o que é um blogue colectivo, e seria o primeiro a defender a independência de todos os autores com quem partilha os blogues, aposto, mas esse respeito mínimo por terceiros em condições iguais não está reservado para os inimigos. Se lhe cheira a Sócrates, vê assessores, anónimos, bando. É ele que define quem são os livres e os inteligentes – por coincidência os seus amigos e preferidos, ui, ui.

Acontece que o homem está certo, desde que seja mais zeloso na atribuição. Eu sou pró-governamental, com um fervor que transcende a cor política. Caso os Verdes façam uma coligação eleitoral com o que ainda restar do MIRN, e ganhem, continuarei a minha gloriosa campanha a favor do Governo. A ideia de ser contra um Governo democraticamente eleito, e que respeite o Estado de direito, é um luxo que não posso pagar. A minha segurança, bem-estar e realização cívica estão dependentes da governação, o bacanal anarquista pode esperar mais uns séculos.

Resta só acrescentar que ser pró-governamental implica ser pró-oposição; isto é, também desejar a melhor oposição possível. Um Governo com uma oposição que se limite ao boicote, que não seja alternativa, que calunie de forma maníaca, terá uma governação necessariamente inferior visto as condições políticas serem disfuncionais. Já o inverso não acontece, pois quando a oposição é superior ao Governo o resultado é benéfico: os opositores ganham as eleições seguintes e substituem quem não deu conta do recado.

Isto é simples, Pedro. Talvez seja é demasiado simples para ti.

Dixit


“O verdadeiro problema da humanidade é uma insuficiência gritante ao nível dos conhecimentos de geometria. Na realidade, apesar de ser movido pelas suas bolas (circulares na sua concepção geométrica), o homem continua a ser quadrado na sua forma de observar o mundo. Tudo para conseguir chegar a uma posição horizontal sobre um rectângulo.”

Um livro por semana 181

«Instrumentos de Sopro» de Ruy Ventura

Ruy Ventura (n. 1973) estreou-se em 2000 com «Arquitectura do Silêncio» (Prémio Revelação da APE) e tem neste recente «Instrumentos de Sopro» o seu sétimo título como poeta. Não se trata aqui de instrumentos musicais (trompete, trompa, cornetim, trombone, saxofone, órgão, acordeão ou harmónica) mas de memórias e reflexões sopradas ao poeta por monumentos, esculturas, pinturas, moedas, estelas funerárias ou ruínas. Um exemplo: na rua de São Julião em Lisboa uma igreja foi transformada em garagem de um Banco. No altar surgiu o deus Mamon em vez do Rei dos Reis e esta é a resposta do poema:

«a vizinhança não poderia consentir tal afronta / (apesar do incêndio, a vida ressuscitara / entre velas, mármores e frontais) / era preciso consumir de novo / a brancura do corpo / deixando apenas os ossos / e uma pele brilhante / mas ressequida».

«a incandescência das vozes / foi devorada pela incandescência dos motores. no trono / Mamon reina agora / sobre a falsidade da fachada».

«noutro lado – taberna, quarto / de cama, teatro ou sala de jantar. / mudaria o diálogo / mas não mudaria o povoamento».

«aqui, Mamon escarra nas paredes. / poderia ser de outro modo? / o dinheiro suja o olhare sem mistério».

(Edições Sempre em Pé, Capa: Nuno de Matos Duarte, Prefácio: C. Ronald)

Apita o combóio

Em 1880 a imprensa de Lisboa voltou a insistir no tema batido – exploração turística da orla marítima entre a capital e Cascais, à semelhança do que se fazia em França em tôrno de Nice. A ideia já calava fundo no ânimo de muita gente. Não tardou a fundar-se a «Companhia do Monte Estoril», famosa e arrojada iniciativa de meia dúzia de capitalistas viajados, mas antipática aos mercadores da rua dos Fanqueiros. Dispunha a Companhia dum capital de 225 contos, e propunha-se a ousadas emprêsas de urbanismo.

Enfim, depois de muitas hesitações, de discussões acaloradas na imprensa e no parlamento, de dúvidas quanto ao futuro de região tão nua e estéril, a pressão dos modernistas, que o Rei D. Luiz protegia e encorajava, conseguiu dum ministério favorável a concessão do caminho de ferro para Cascais. A Real Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses considerou a linha como coisa de somenos. Chamou-lhe «Ramal de Cascais», e tão mesquinha era a região servida por êle que ninguém reclamou contra a designação.

[…]

Feita a linha, começaram a multiplicar-se as moradias de veraneantes em tôdas as povoações do percurso, ergueram-se altos muros de quintas em tôrno das casas apalaçadas que iam surgindo, plantaram-se cedros, olmos, ciprestes, castanheiros da Índia, faias, buxos decorativos, exóticos tamarindos, enfim, enquadrou-se em verdura o recorte doirado das praias e esmaltou-se o chão de jardins. Até Lisboa alterara o seu aspecto por via da linha, atulhando o córgo onde o caneiro corria na baixa do Atêrro e encaminhando-se as suas águas para o rio num conduto subterrâneo – modernismo que deixava boquiabertos, mas não mudos, todos os Velhos do Restelo disseminados pela capital.

MEMÓRIAS DA LINHA DE CASCAIS, Branca de Gonta Colaço e Maria Archer, 1943, Edição Fac-similada 1999, pp. 30-32

Balada da Costa Nova para C. S.

Há no olhar de Clarinha

A paleta em dimensão

Na Costa Nova vizinha

Todas as cores do Verão

Entre o azul deste lado

E na praia areia trazida

Entre vermelho pintado

Todo o cinzento da vida

Depois verde esperança

Amarelos e castanhos

Numa rua que não cansa

Casas de vários tamanhos

Costa Nova, Arte Nova

Catálogo de cores diversas

Cada casa é uma prova

De várias artes dispersas

Da praia do Furadouro

Até ao Poço da Cruz

As areias são de ouro

E as algas são de luz

Moliço que enche a ria

Como o sal desta salina

Dá trabalho todo o dia

Aos olhos desta menina

A moral não suporta a ética

Ricardo Rodrigues prejudicou-se a si mesmo, e prejudicou o PS e o Governo, ao se ter passado da corneta na entrevista à Sábado. Entrou para o anedotário da política nacional e não mais se livrará dos ecos gozões do burlesco que o seu descontrolo emocional produziu. E acabam aqui os danos. Para os jornalistas envolvidos, para a Sábado, para a oposição e para uma legião de hipócritas, decadentes e moralistas, foi a sorte grande.

Teria sido muito fácil deixá-lo cair. Era politicamente correcto abandoná-lo qual leproso. Felizmente, tal não aconteceu – e espero que não venha a acontecer. Ao aceitar os prejuízos e dificuldades da manutenção do Ricardo no grupo parlamentar, expondo o corpo à continuação dos ataques por causa do episódio, o PS dá um grande exemplo do que é a famigerada ética. Eticamente, há que fazer justiça, tomar o acontecimento pelo que ele é, não pelo que terceiros dizem que foi. A prova da bondade desta postura está no custo que ela implica, tão mais alto quanto o deputado não é propriamente a figura mais charmosa e discreta dos socialistas.

É sempre triste quando aparecem rufias armados em fortes com os fracos. Ricardo Rodrigues é o fraco na história, mal deve aguentar o peso do arrependimento pela estupidez de que se fez vítima. Contudo, preferia estar no seu lugar a ser um dos que o perseguem. A impiedade é alarve e solitária.

Intermitência

“Vim aqui, hoje, para saciar o desejo, imenso e já antigo, de te abrir as perninhas”, revelo, sinceridade e vontade, a N. “Também já há muito que o queria. Anda. Vem”, ouço. E, sem perder tempo, retiro a faca do bolso e começo a encostá-la sensivelmente a meio de uma das pernas. “Preferes que comece por abrir a direita ou a esquerda”, pergunto.

Balada da Rua de Baixo

Rua de Baixo, meu mundo

Onde eu regresso cansado

Quando o olhar é profundo

Já andou por todo o lado

São casas sem ninguém

De famílias desligadas

Não se ouve a voz da mãe

Na névoa das madrugadas

Meu berço e minha escola

Minha casa e minha igreja

O amor não pede esmola

Nas esquinas da inveja

Minha paisagem saudosa

Povoada por destroços

Duma sede mais gasosa

Que a água destes poços

Filarmónica formada

Manhã cheia de brancura

Há festa não tarda nada

Na rua desta amargura

Sete ondas repetidas

São sete beijos do mar

Na areia das nossas vidas

Já só podemos cantar

Pode-se cantar um fado

Feito só de melodia

Um homem fica calado

Ao ver a fotografia

Minha rua inicial

A vida, anos primeiros

Onde passou triunfal

A paixão dos baleeiros