A varanda de Pilatos

(o caso very-light 14 anos depois)

Vinha Rui Mendes em festa

Num bilhete que ele trazia

Uma gente que não presta

Deu-lhe a morte nesse dia

A varanda de Pilatos

É na Praça da Alegria

Visto isso mais os actos

Ninguém faz da noite dia

Ninguém faz a obrigação

Todos fogem dos sarilhos

Há que saber dar a mão

Às mãos frias dos filhos

Ninguém faz o seu dever

Ninguém segue o preceito

As lágrimas duma mulher

Não cabem dentro do peito

Por duas vezes negada

A razão de uma sentença

Eles fingem que não é nada

E dormem na indiferença

Fizeram os jogadores

Das camisolas um leilão

Vieram logo os doutores

À procura duma posição

Como se esta simpatia

Trazida pelos jogadores

Tivesse nascido um dia

Na cabeça dos doutores

Rui já morreu três vezes

Não é uma ideia confusa

Uma viram os portugueses

As outras em cada recusa

Nenhum dinheiro fazia

Um preço da sua vida

Mas na Praça da Alegria

O Zero é regra e medida

E assinam os contratos

No meio duma euforia

A varanda de Pilatos

É na Praça da Alegria

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