Eu vi os quatro cavalos de Veneza
A boiar mesmo no centro da praça
A água tinha tapado toda a beleza
E trouxe à luz da arcada a desgraça
Eu vi os quatro cavalos tão perdidos
Como a cadeira de praia ou o chapéu
Eles fogem e sentem-se perseguidos
Pelo mar que quase se colou ao céu
Eles vieram à procura de um abrigo
Impossível numa praça já inundada
Na solidão podem contar só consigo
Os turistas fugiram em debandada
Ninguém tocará os sinos da catedral
Neste pânico de fugirem à água alta
Morte em Veneza, aviso de Carnaval
Dias depois só um Sol lhes fará falta




