San Marco

Eu vi os quatro cavalos de Veneza

A boiar mesmo no centro da praça

A água tinha tapado toda a beleza

E trouxe à luz da arcada a desgraça

Eu vi os quatro cavalos tão perdidos

Como a cadeira de praia ou o chapéu

Eles fogem e sentem-se perseguidos

Pelo mar que quase se colou ao céu

Eles vieram à procura de um abrigo

Impossível numa praça já inundada

Na solidão podem contar só consigo

Os turistas fugiram em debandada

Ninguém tocará os sinos da catedral

Neste pânico de fugirem à água alta

Morte em Veneza, aviso de Carnaval

Dias depois só um Sol lhes fará falta

4 thoughts on “San Marco”

  1. Nos tempos de crise, de vagas e de poeiras, temos que ser criativos, jcf.
    Porque não embarcamos os cavalos de Veneza nos barcos da Nazaré, com bois e tudo que afinal eram vacas, você o diz, e salvamos cavalos e bois, é tudo o gado doméstico, familiar. Mas nesse dia 29 de Agosto, o dia dos meus anos, o meu primeiro dia, talvez o selo fosse ainda de dois tostões, José do Carmo Francisco.
    Já agora, Val, também digo consigo: Levanta-te Europa. E anda.
    Jnascimento

  2. Neste poema gostei, sobretudo, da «água alta». Fresca, gelada, mole, a ferver, já tinha ouvido, alta ainda não. Também me tocou profundamente «os cavalos tão perdidos como a cadeira de praia e o chapéu». Mas afligiu-me a imagem dos «cavalos a boiar mesmo no centro da praça». Coitados, que andaram em bolandas, é verdade, mas morrerem assim, afogados, desconhecia!

    N. Mudei de nome para condizer com o tema.

  3. também gostei. Não esqueças de ir ver o Perseu a cavalgar o Pégaso em 3D por aí. Chama-se não-sei-quê dos titãs.

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