Vamos lá a saber

Aqueles que acham escandaloso o dinheiro gasto com a visita do Papa fazem alguma ideia do que ela nos vai render em turismo religioso por via da promoção de Fátima como destino obrigatório para mil cento e cinquenta e seis milhões de católicos que se prezem e não estejam impedidos de sair do seu país por calotes, atentados ao pudor ou outras chatices com as autoridades respectivas?

59 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. E tu fazes?

    Ó Val, a grande maioria dos que vive cá nem com tolerância de ponto lá vai, muito menos usando férias… Que contas são essas?

  2. Val,

    Por favor!…
    É um despesismo justificado, querem ver. Os pobres tem fome e falta de dinheiro. Ir a Fátima não lhes resolve, nem um problema, nem outro. Certo?

    Aproveito para te dizer que não concordo com aquele texto que escreveste sobre a Palmira.

  3. António Parente, vota no PS por tua conta e risco. Eu não o fiz nas últimas Legislativas, por isso atenção ao equívoco.
    __

    edie, não faço, mas gostava de fazer. Quanto ao tópico, podes investigar os números que se apresentam na temática do turismo religioso. Existe. E quando a escala é planetária, como com a fama de Fátima, é inevitável antecipar um retorno sempre que um Papa visita o local.
    __

    Carmen, se é justificado, escapa-me. Para mim, é normal, faz parte das diferentes despesas inerentes às diferentes dimensões da comunidade. Não será o dinheiro gasto com a arte e o desporto injustificado, posto que não dá pão aos famélicos? Mas, pela tua lógica, a Igreja deve vender todos os seus bens, das igrejas aos crucifixos, para acorrer à miséria?

    Quanto a teres discordado do que escrevi a respeito da Palmira, só abona em favor do teu bom gosto e clarividência.

  4. Val,

    1.queres então dizer que se não tivesse havido tanta tolerância de ponto, não haveria tantas pessoas a receber o Papa e por isso, a sua visita não seria tão visível para o mundo e daí que depois decairia ou, pelo menos, não aumentaria o número de visitantes a Fátima? (fui ver; há estimativas de 5 milhões de visitantes ao ano).

    2. Olha que tens de juntar a essas impossibilidades de visita, os católicos que não têm dinheiro para se deslocar, os que só são católicos porque os baptizaram e os que são católicos mas não acreditam em Fátima. Assim, passas rapidamente dos milhares de milhões para as unidades de milhão :)

    3. Parece-me que há aqui um deslumbramento desnecessário que do ponto de vista simbólico pode até ser chocante. A visita do papa teria menos sucesso se não tivéssemos providenciado os microfones de ouro? Para quê esta falta de contenção e respeito?
    Mas não, não acho que a igreja se deva despojar das suas riquezas. Deve, apenas, ser menos centrada no seu umbigo e glória e tentar investir mais noutro tipo de riquezas…

  5. O que Sócrates dizia sobre os impostos
    Primeiro-ministro prometeu três vezes que não iria carregar na carga fiscal.

    É a palavra xuxa do PM

  6. Mas o TGV avança

    MentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentirosoMentiroso

  7. Declaração de interesse: sou ateu (“graças a deus”)

    Pergunta interessante. Ansioso por uma resposta concreta.

    Pistas para:

    (em 2005) – De acordo com os dados fornecidos pelo Serviço de Peregrinos (SEPE) do Santuário de Fátima:

    Em 2005 participaram nas 2.544 missas oficiais celebradas no Santuário de Fátima 3.415.079 pessoas. Nas 3.938 missas particulares, celebradas a pedido dos grupos, participaram 692.309 peregrinos.

    fonte: http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=1956

    ===================

    (em 13.05.2010)
    – Inscreveram-se para a bênção dos Doentes: 428
    – Atendimento no Posto de Socorros do Santuário: 332
    – Atendimento no Lava-pés: 332
    – Cumpriram as suas promessas: 782
    – Sacerdotes concelebrantes: 1442
    – Bispos: 77
    – Cardeais: 4
    – Confissões: 5966
    – Peregrinações inscritas no serviço de Peregrinos: 208 de 40 países
    – Reconhecendo dificuldade na contagem de peregrinos, o Santuário estima que estejam a participar na Missa de 13 de Maio na ordem dos 350/400 mil peregrinos.

    Fonte: http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=41323

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    «Lotação esgotada para receber o Papa»
    fonte: http://aeiou.expresso.pt/lotacao-esgotada-para-receber-o-papa=f582510

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    «Mais de 12500 inscritos em peregrinações para o 13 de Maio»
    fonte: http://noticias.sapo.pt/especial/bentoxvi_portugal/info/artigo/1064646.html

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    «Bento XVI saudado por 500 mil peregrinos à entrada do Santuário»
    fonte: http://noticias.sapo.pt/especial/bentoxvi_portugal/info/artigo/1064576.html

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    «”(…) Uma parte substancial (28,9 por cento) dos que afluem a Fátima não se consideram a si próprios católicos praticantes”, refere o trabalho desenvolvido em 2008 para o Turismo de Leiria/Fátima no âmbito do projeto Coesima – Cooperação Europeia dos Locais Maiores de Acolhimento.

    O estudo, que partiu da realização de 384 inquéritos e também entrevistas a autarcas e pessoas ligadas à hotelaria, religião e turismo, considera ainda que “não deixa de ser algo surpreendente que, num santuário relativamente recente e de interesse patrimonial cultural reduzido, se detete a presença de pessoas sem religião (1,8 por cento) ou de outras religiões (1 por cento)”.»

    fonte: http://www.ionline.pt/interior/index.php?p=news-print&idNota=58921

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    Em 2009 «PSP destaca 500 polícias para o “derby”» [Sporting-Benfica]
    fonte: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=1432203

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    Em 2010 «O jogo entre FC Porto e Benfica foi considerado de “alto risco” pelas forças de segurança, que destacaram cerca de 750 agentes para a operação.
    fonte: http://desporto.sapo.pt/futebol/primeira_liga/artigo/2010/05/02/psp_n_o_refor_a_seguran_a_do_cl_.html

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    Em 2010 «No domingo, no estádio da Luz, serão 600 os agentes que vão fazer a segurança do clássico.»
    fonte: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=PSP-considera-jogo-entre-Benfica-e-o-FC-Porto-de-risco-elevado.rtp&headline=20&visual=9&article=304455&tm=45

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    Se mais procurasse, mais encontrava… Quais serão os custos ao Estado num simples jogo de futebol (90 minutos) considerado de “alto risco”?

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    Este é seguramente um exercicio dificil de fazer… mas acredito que com calma e seriedade se conseguem apurar todos esses valores…

    keep up

  8. Agora deixaste-me sem resposta, Val. Estava convencido que eras socialista. Mas não faz mal, continuo a gostar de ler o que escreves. Tenho é de procurar outros motivos para voltar a votar PS (também não o fiz nas últimas legislativas).

  9. Val,

    Com muito respeito pelas tuas opiniões, a visita Papal a Fátima pode ter várias leituras.

    1- A igreja, grosso modo, está no auge duma polémica que está na ordem do dia, a saber, Pedofilia. Ora se Fátima é uma aparição feita a crianças… Subliminarmente existe uma mensagem importante.

    2- Os santuários são locais de realização de dinheiro. Em cada figura que se vende, existe uma percentagem que reverte para a instituição. Daqui se pode concluir que:

    a) ou o negócio está mau e é preciso a presença papal para lhe dar incremento

    b) ou é necessária a presença papal para manter o negócio num determinado ritmo, que antecipadamente se sabe tem de ser mantido para não declinar (algo semelhante ao que em Marketing costumamos chamar de “Vascas leiteiras” isto é, produtos que não têm margem para crescimento mas que apresentam rendimento que permite entre outras situações investigação e desenvolvimento noutros produtos.

  10. O problema português está nas fundações, não no telhado
    9 Maio 2010, por Aurora Teixeira
    A história da economia portuguesa nestes últimos 30 anos tem-se caracterizado por um incessante tapar e abrir buracos, um remendar contínuo do ‘telhado’, do que é mais vísivel (os défices externos, numa primeira fase, com o FMI, e, mais recentemente, com o PEC, os défices orçamentais) sem se cuidar de forma capaz do estado das ‘fundações’ (educação/formação e capacidade de inovação do país).
    As debilidades estruturais do nosso país têm se tornado mais visíveis na medida em que fomos perdendo algumas das nossas ‘melhores’ (e mais enganadoras) ‘muletas’, designadamente, as desvalorizações artificiais do escudo na década de 80 e as entradas massivas de fundos estruturais europeus, que suportaram,em grande parte, avultados investimentos públicos relativamente aos quais se confundiu frequentemente custos com benefícios e que contribuiram de forma não negligenciável para uma re-afectação interna dos recursos dos sectores dos bens transaccionáveis internacionalmente (indústria em geral) para os sectores dos bens não transaccionáveis(construção, restaurantes, serviços pessoais e de lazer) levando os primeiros, sujeitos à concorrência externa, a definhar e com eles o escalar da nosso défice externo.
    A resolução do défice externo e da competitividade passa, em grande medida, por uma reorientação de recursos no sentido dos sectores dos bens transaccionáveis, o que implica, face à crescente globalização, maiores níveis de produtividade que compensem e suportem os necessários e socialmente exigíveis aumentos salariais. Atingir maiores níveis de produtividade e, portanto, de competitividade, requer recursos humanos bem apetrechados em termos de habilitações e qualificações que constituam uma base sólida da capacidade de absorção de inovação e da capacidade de produção de inovação de uma nação (via, designadamente, investimentos em Investigação e Desenvolvimento – I&D). Estes recursos humanos e a associada capacidade de inovação gerarão ganhos de eficiência, ganhos em termos de diferenciação e produção de bens completamente novos e tecnologicamente avançados, permitindo exportar mais (em valor) e potenciando ciclos virtuosos de maior produtividade-melhores salários-mais crescimento.
    Os resultados obtidos num artigo publicado recentemente por duas investigadoras da FEP (Universidade do Porto) 1 não deixam margem para dúvidas: o capital humano tem um efeito directo muito substancial sobre a produtividade da economia portuguesa; adicionalmente, os esforços de I&D das empresas, quando interligados com as importações de máquinas e equipamentos, emergem como um factor ainda mais crítico para essa mesma produtividade. A importação de máquinas e equipamentos é, no caso português, o ‘motor’ do crescimento, tendo como ‘combustível’ chave os esforços das empresas em I&D. Assim, não se trata aqui de uma mera adopção passiva de tecnologia externa, mas antes de uma absorção activa, via esforços internos em I&D, do que de mais avançado (em termos tecnológicos) se faz no exterior. As autoras provam, de forma inequívoca, que para Portugal ser competitivo é fundamental tratar-se das ‘fundações’ da economia: capital humano e I&D.
    Notas:
    1. Aurora A.C. Teixeira e Natércia Fortuna (2010) “Human capital, R&D, trade, and long-run productivity. Testing the technological absorption hypothesis for the Portuguese economy, 1960-2001”, Research Policy, 39(3): 335-350.
    *(No âmbito de uma parceria entre a e.conomia.info e o jornal Público, este texto foi publicado em simultâneo na secção de economia do diário na edição de dia 9 de Maio)
    Aurora Teixeira

  11. E passamos uma vida inteira a diagnosticar o problema, de diferentes ângulos

    Isto não é nada.

    A I Republica também dizia que o problema estava na ausência de instrução do povo…

    O resultado é o que conhecemos

  12. Não Val. Não creio que a igreja deva desfazer-se de todos os seus bens pelo simples facto de que esses bens fazem parte da memória colectiva de um povo. Estão muito para além da pertença da igreja.

    Agora quando tentas comparar a despesa efectuada com esta visita papal vs despesa em cultura ou em desporto, creio que está a comparar o incomparável, com todo o respeito que tenho pelas tuas opiniões.

  13. Não é tanto a despesa “em desporto”… será mais uma despesa adjacente à actividade desportiva… agentes de segurança para controlar indivíduos com um sentido de vivência em sociedade completamente distorcido, novas infraestruturas desportivas que pouco uso terão em detrimento da recuperação de espaços existentes, apoios a fundo perdido a entidades desportivas que movimentam milhões e se endividam na banca, construções de campos de golfe na Comporta quando o Algarve está cheio deles (até em Oeiras existe um… nunca lá vi ninguém a rentabilizar o espaço e já serviu para a desgraça de uma criança)…

    Acho que este tipo de despesas com o desporto é que poderiam ser comparáveis…

    keep up!

  14. A visita do Papa (que fica muito aquem do produto nacional, Pinto da Costa) valeu essencialmente para mostrar o ridiculo. Uma televisão publica que parece o proxy do Vaticano, a famelga Silva a falar com o Papa em…inglês:)),etc…

  15. Todos os excessos são condenáveis quando resultam em prejuízo.

    Sinceramente, não parece ser o caso. Acho que o que é/foi gasto é, ainda assim, inferior aos ganhos. Mas certezas certezas, só “no fim do jogo”, quando todos os valores estiverem em cima da mesa.
    Para fazer esses cálculos são precisas pessoa sérias… não como o “jornalista” (?!) que fez aquela peça no programa “Sinais de Fogo” completamente enviesada.

    nada a não estejamos habituados…

  16. E tolerância de ponto nos dia de jogo da selecção no mundial. Com ponte na final. Também é bom para o turismo interno. Digo hotelaria e restauração.

  17. Segundo um artigo do Diário Económico que li há dias, os feriados e pontes custam, por ano, entre 0,5% e 1% do PIB. São dados que podem ajudar a fazer as contas.

  18. edie, o erro foi não ter havido tolerância de ponto também na segunda 10 para os benfiquistas comemorarem o campeonato.
    Aí sim, tinhamos tido aqui uma semana super produtiva ; )

  19. Eu sei que vivemos tempos difíceis, mas caramba, é preciso reduzir tudo a uma questão de dinheiro, ganhos e lucros? O estado consagra a igualdade de religiões, mas é preciso uma má fé do tamanho do mundo para não reconhecer que neste pais há uma religião que é mais igual que as outras. Não só em número de crentes, mas em influência, obras de beneficência, instituições de ensino, etc etc e mais etc. Aliás, basta lembrar que é devido ao Vaticano que sequer existimos como país. Isso conta para alguma coisa, não? E o Papa, goste-se ou não dele, é uma das pessoas mais importantes a nível mundial, logo com requerimentos de segurança muito acima da maior parte dos outros líderes, com a excepção talvez do presidente dos EUA (esperem até à sua visita para verem o que é segurança a sério). E sim, merece ser tratado com as honras devidas, todos sabem isso, mesmo aqueles que acham que o papa-móvel devia ser bloqueado pela EMEL se não pagasse parquímetro. E sim, a sua visita reveste-se de um carácter religioso, celebrado em público para (fingido) escândalo de muitos, que gostavam de ver as diferentes religiões confinadas ao espaço das igrejas, com homilias pré-aprovadas pela brigada do politicamente correcto. Em suma, dos que gostavam de ver a Igreja Católica reduzida a uma mera seita, de preferência pequena como as outras.
    Sabem o que vos digo? Temos pena! Estão ofendidos e escandalizados? Deal with it.

  20. claro! Imagina o turismo desportivo que a coisa podia dar. As pessoas mais disponíveis para comprar mais cachecois e T-shirts e isso.

  21. Vega,

    a mim, nada do que mencionas me choca. Mas não vejo a relação entre a segurança do papa e o facto de as equipas médicas de urgência nos hospitais andarem com a língua de fora, que já não se aguentam. Primeiro o papa, depois os doentes? Ah, pois, os doentes são menos iguais que o papa…
    A religião pode ser mais igual que as outras, os cidadãos não.

  22. edie, dou-te razão. Eu também não vejo a relação entre a segurança do papa e as equipas médicas de urgência dos hospitais.

  23. Hospitais públicos? tolerância de ponto aos funcionários? Decretados serviços mínimos? Equipas reduzidas? Achas que estão em Fátima a prestar homenagem ao Papa?

  24. Vega, falares em má fé remete para a questão suscitada pelos cartoons do Islão. Afinal devemos respeitar as pessoas ou são as ideias que merecem deferência?
    Se alguém pensa determinada postura como despropositada, ou um pensamento como ridículo, não pode manifestar-se contra? É que nesse caso a bitola deve ser muito bem definida. Ou será só uma questão de insegurança nas convicções?

  25. edie, não muito diferente do carnaval, então? vamos acabar com isso também, para poupar os cidadãos que não celebram os corsos às inconveniências? Vamos comparar então o número dos que efectivamente celebram o carnaval aos que celebram a vinda do Papa?
    E se estamos a falar de serviços mínimos, há por aí muitas greves que afectam a grande maioria pelos direitos (muitas vezes absurdos) de uma minúscula minoria. Vamos acabar com isso também, em nome da “produtividade” e do “dinheiro que custa”?

  26. tra.quinas, têm todo o direito de ser contra e expressar a sua opinião, por mais violenta que seja. Essa é a beleza da liberdade de expressão nas sociedades civilizadas. Tal como eu exprimi a minha. Não posso é aceitar que o pretexto de não serem católicos e não gostarem do Papa ponha em causa a recepção devida a uma figura como ele. A tolerância funciona para ambos os lados, e a tolerância custa muitas vezes dinheiro. Dito isto, também digo o seguinte: se algum dia quiserem proibir cartoons do Papa com o preservativo no nariz, e te quiseres manifestar na rua, avisa que eu vou contigo. Como se costuma dizer: posso não concordar com as tuas ideias, mas morreria de bom grado pelo teu direito a exprimi-las.
    Quanto às inseguranças, com o devido respeito, acho que o sururu destes dias mostra bem quem é mais inseguro nas suas convicções…

  27. Vega,

    por partes. De cada vez que manifesto a minha opinião legítima de que me parece um exagero e desproporção a forma como o Estado se envolveu neste evento, sou confrontada com as acusações de que não é por não se gostar do Papa ou não se ser católico, que se deve negar o direito da maioria católica a celebrar. Ora não é isso que questiono. Também acontece virem com o argumento de que não se poderia descurar a segurança do papa. O que eu digo é que não é fechando escolas e paralisando hospitais que se assegura essa segurança. Concordo absolutamente que se mobilize todas as forças policiais e se activem todos os mecanismos e protecção . De que lado está aqui a má fé e algum descontrolo nas respostas?

    Recordo-te, por outro lado, que foste tu que avançaste com o argumento dos números: os católicos são mais do que os outros. Ora, mais uma vez, não coloco a questão da maioria vs. minoria. Coloco a questão de que o estado deve proteger os direitos de TODOS os seus cidadãos e muito menos pode negligenciar esse aspecto por força de lobby de qualquer credo religioso.

    Quanto ao Carnaval – tudo isto tem apresentado algumas semelhanças, de facto. Mas repara que no Carnaval as famílias não têm de faltar ao trabalho e deixar de ganhar esse dia, ou de pagar para deixar os filhos, porque supostamente temos uma taxa de 100% de católicos peregrinos no funcionalismo público.

    Posto isto, pergunto: em que é que estes três dias de paaragem das funções do estado beneficiou a segurança e impacto do visita do Papa? Não te parece que um crente estaria disposto a dar o seu tempo para ir ver o Papa, em vez de exigir que os outros o façam por ele?

    Para rematar, quando falo dos custos, é porque me tentam impingir a ideia de que não há custos, como já aconteceu – a Igreja defendeu, através de alguns representantes esta treta – ou de que vai haver mais benefícios do que custos, mas sem conseguirem demonstrar. Também isto será uma questão de fé?

  28. Ah, quanto à comparação com as greves. O direito à greve está consagrado na lei. O direito à tolerância de ponto por motivos religiosos não. O estado é laico, o que se há-de fazer?

  29. Vega, relativamente ao direito de nos expressarmos, não podemos, então, estar mais de acordo. Tanto se me dá como se me deu a visita do Papa e apesar de também me parecerem excessivos e até ridículos alguns aspectos, nomeadamente tolerâncias de ponto, ofertas de clubes, fotos de família de há 150 anos e o diabo a sete, pouca importância tenho dado ao assunto. Tenho lido algumas opiniões a discordaram com aquilo que consideram um exagerado envolvimento do Estado nesta visita mas daí a infantilidades, má fé, ter pena, sururus… Algo me deve estar a escapar : )
    Relativamente à entrada de divisas do turismo religioso nem me pronuncio tal como também não o faço relativamente à saída de divisas para o Vaticano. Quem quer vir cá deixar dinheiro por motivos religiosos que venha e quem quer que o mande para lá.

  30. Esse lacaio do PSD auto intitulado de Luis Eme é um paneleirote que inventou trinta por uma linha para ninguém comentar os posts absolutamente imbecis que faz regularmente no seu proprio blogue. Não obstante, o cobardolas vem aqui numa de toca e foge largar larachas… ó Luis se tiveres tomates, desbloqueia essa merda. És um homem ou és um rato?

  31. Vega, olha, acabei de ouvir o Presidente comentar a afabilidade do Papa, comparações com o feitio de João Paulo II e pormenores da visita à família. Muito bonito. E uma parte do envolvimento do Estado também passa por aqui.

  32. edie, por partes também. No aspecto da opinião, tenho evitado este assunto também mais ou menos pelos mesmos motivos. O facto de ser católico e apoiar a visita do Papa não quer dizer que não defenda, com unhas e dentes, um estado laico. Jesus Cristo, aliás, foi o primeiro a defendê-lo. Mas um estado laico não quer dizer insensível às convicções religiosas da grande maioria da população, praticante ou não. É por isso que temos feriados no Natal e na Páscoa, para além de vários durante o ano. Agora, se bem me recordo, o estado não decretou feriado na visita do Papa. Decretou, isso sim, tolerância de ponto. Não sou jurista, mas do meu ponto de vista uma tolerância de ponto é simplesmente o estado-patrão a dizer de antemão aos seus funcionários que se quiserem faltar por motivo da visita do Papa, esse pedido está à partida aprovado. Ninguém os obriga a usar essa tolerância, nem o estado deve funcionar como polícia para verificar se quem não vai trabalhar o faz pelos motivos pelo qual essa tolerância foi dada. Que grande parte aproveite para outros motivos e torne impossível ir trabalhar é a natureza humana, nada a fazer. Eu, que não trabalho para o estado, também tive tolerância de ponto: pedi a quem de direito para sair um pouco mais cedo porque queria ir assistir à missa no Terreiro do Paço, e essa pessoa aprovou porque respeita as minhas convicções religiosas, apesar dos meus colegas não o terem feito. E a minha empresa não se tornou, por causa disso, uma empresa menos laica.
    Quanto aos direitos dos outros, a minha pergunta é: em que é que a visita do Papa ofendeu os direitos dos outros? Tiveram inconvenientes? Eu também tenho bastantes inconvenientes que derivam dos direitos e liberdades de outros, em assuntos que não me dizem respeito. É que se começamos a pôr em causa os direitos de alguns por causa dos direitos dos outros, mesmo que pouco razoáveis, então temos necessariamente que discutir o direito à greve, consagrado na lei ou não. É uma questão de equilíbrio e bom senso, creio eu. E de qualquer modo, não houve 3 dias de feriado. Houve, isso sim, 1 dia de tolerância de ponto geral, mais uma tarde para Lisboa e outra para o Porto.
    Quanto a custos, há na igreja católica muita gente a dizer disparates, basta ver os últimos meses. Como em todo o lado. Eu sei que há custos, elevados, mas acho um gasto legítimo para uma figura com o peso do Papa. Haverá quem discorde, estão no seu direito. Parece-me é má-fé de quem aproveita os custos para atacar a instituição da Igreja Católica. Se não fossem os custos, seria o uso do Terreiro do paço. E se não fosse isso, seria a presença do chefe de estado. Ou outra coisa qualquer. Agora avaliar a visita do Papa unicamente pelo lado dos custos e proveitos parece-me mesquinho, e foi o que me fez finalmente comentar o assunto.

    Tra.quinas, estamos então em sintonia. Como diz o Maradona, está tudo bem.

  33. Espero que algum efeito positivo saia de toda esta inflamação colectiva e que, de facto , tenhamos, com o nosso contributo nada modesto, ajudado a que a crise em que se encontra a igreja, tenha uma pequena melhoria com esta grande campanha mediática e política.

    Quanto à nossa, cá continua. Que Deus nos ajude, já que a Santa Sé não o pode fazer.

  34. edie

    Dois aspectos que importa esclarecer:

    1 – o dia de Carnaval não é feriado nacional. Tal como neste caso tão polémico (!?) o Governo concede tolerância de ponto aos seus funcionários. Os privados (alguns!!!) seguem o exemplo.
    Apenas um exemplo, uma das maiores universidades privadas portuguesas, em Lisboa, concedeu aos seus funcionários o dia 11 para que estes pudessem assistir às celebrações. Devemos crucificar também esta instituição privada que deixou milhares de alunos sem aulas?

    2 – a legalidade da concessão de tolerâncias de ponto, seja por que motivo for, é consagrada constitucionalmente assim como o direito à greve – ao abrigo da alínea d) do artigo 199.º da Constituição e no uso dos poderes delegados pelo n.º 4 do artigo 6.º da Lei Orgânica do XVIII Governo Constitucional, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 321/2009, de 11 de Dezembro.

    E já agora, e que tocaram na “produtividade”, é importante perceber o que é isso de “produtividade” – ainda assim, esta argumentação torna-se fraca se tomarmos em consideração que uma grande parte dos feriados este ano (os dos 0,5% e 1% do PIB) calharam aos fins de semana, e.g, 25 de Abril e 1 de Maio. Será que em Abril e em Maio o PIB ganhou esses 0,5% e 1%. Não creio.

    Keep up

  35. Mas agora lanço um desafio à memória aos que torcem o nariz à tolerância de ponto: onde andavam no dia 13 de Maio de 1991??

    Penso que a memória não me falha se disser que foi decretada tolerância de ponto para o dia 13 de Maio de 1991…

    :)

  36. Vega,

    grande verdade essa, Jesus Cristo foi um grande defensor do estado laico…a César o que é de César.

    Sabes o que me aborrece? É quando a igreja inventa notinhas de rodapé às máximas de Jesus, daquelas em letras MUITO GRANDES, em que diz ” a césar o que é de césar… desde que pague”. Foi assim que se deu aquele episódio que louvas ao Papa, este ter consentido o nascimento de Portugal como estado independente. Lá tivemos que pagar uns bons dinheiritos para receber a bênção :))

    Sabes o que devia aborrecer os católicos? Que com estas brincadeiras, ganharam nos cofres mas perderam nos corações.

  37. PMatos,

    penso que alguma coisa devemos ter ganho – estou para ver – com esta concessão do governo: Inventar “feriados” religiosos não é propriamente função do estado…

    E portanto, pagámos por alguma benção que iremos receber. O Sócrates não dá ponto sem nó. (ai, ai, estes vendilhões do templo)

    Onde estava no dia 13 de Maio de 91? Bem longe do papa e a trabalhar. A memória não te falhará, concerteza…E?

  38. Olha, para já ganhámos um elogio às instituiçoes de solidariedade que defendem a vida contra o aborto (parece que são só elas, queres ver?), o casamento para toda a vida E entre um homem e uma MULHER (sublinhado do papa – curiosa a inflexão que fez) e, de forma geral, um grande baile nas leis do país anfitrião. Despachou logo a lei do aborto, do divórcio e do casamento gay numa penada. Ingrato :)

  39. bem, ganhámos um Terreiro do Paço todo bonito, mas eu conheço aquele piso de brita colada, a seguir às chuvas do próximo Inverno já vai dar que falar, a não ser que o verniz seja melhor do que o costume. No entanto para terreiro está bem colocado o conceito. Está bem bonita junto com os mármores portugueses e o amarelo de Nápoles,

    quanto ao papa ganhamos a cruzada da hipocrisia, como era de esperar. On y va.

  40. PMatos,

    escapou-me o teu comentário com as outras perguntas, ainda vou a tempo…
    Eu cá não defendo crucificação nenhuma, que raio de linguagem essa? Agora discordar é crucificar? Trauma, trauma… Conheço uma prof do IST que deu aulas, apesar da tolerância de ponto e das instruções no sentido de não se avançar na matéria. Não tem sido fácil para ela, agora…Ou se cumpre a tolerância “obrigatória” de ponto, ou sofre-se retaliações…Tolerância? Onde?

    E repito: não é função do estado inventar “feriados” religiosos.

  41. Sim, workaholic é um dos adjectivos com que a têm mimado. Parece que não percebeu que não tinha liberdade de escolha e levou o termo tolerância à letra. Engenheiros :)

  42. mas é que isso mexe também com os direitos dos alunos. Mas deixa para lá, enquanto escrevo sobre árvores sagradas, ouço o Köln Concert, k. Jarreth,

  43. Sim, mexeu com os direitos dos alunos às aulas…Apareceram, como previsto e combinado, tiveram a aula e foram-se embora todos contentes :)

  44. não são os teus cofres, são os da instituição. A fazeres-te de desentendido, hein? ;)
    Perder nos corações das pessoas… (detesto ter de explicar as deixas)

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