Vinte Linhas 480

Vergílio Alberto Vieira – Um livro descoberto por acaso

Numa casa cheia de livros, mesmo numa casa onde desde 1978 todas as semanas entram pacotes de livros, de vez em quando ainda acontece uma surpresa. Descubro por mero acaso um livro de Vergílio Alberto Vieira (n.1950) cujo título é «O Livro dos desejos» e tem data de 1994. Um poeta é sempre o poeta mesmo quando escreve sobre a guerra («Chão de Víboras») ou sobre os desejos. Releio o poema de abertura do livro:

«Abrem-se / como pérolas / à primeira luz do dia / os desejos.

Em sonho / Ganham forma e cor.

E / leves / mil vezes leves / ondulam na transparência azula das águas.

Quem / nesse ferido mar / ainda não ouviu bater um coração?»

O livro foi oferecido à minha filha mais nova então com nove anos. Hoje, 16 anos passados, estou curioso em saber como lerá ela este poema sobre Fernando Pessoa:

«P´ra fingir esquecer / Quem de si tem dó / Meteu-se a beber / E a outros poetas ser / Para não estar só.

Por essa razão / Corria em Lisboa / Que a sua paixão / Fora essa ilusão / De não ser pessoa.»

Um pequeno livro (Editorial Caminho) traz, afinal, dentro das suas 51 páginas todo um mundo de ternura que vim a descobrir de modo inesperado esta manhã.

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