Nazaré Faina

Datado de cinquenta e dois este postal

De quem pergunta pela saúde da avó

Para poder passear tranquila no areal

No fim das férias de quem se sente só

Porque o resto da família pode esperar

Vinte e nove de Agosto era este o dia

Saudades num postal à beira do mar

Com retrato dum trabalho em sintonia

Entre os homens que dirigem animais

E os barcos já na linha de rebentação

O abegão pica as duas vacas desiguais

E comanda com a ponta do aguilhão

Este postal num selo de cinco tostões

Traz notícias duma dor em segredo

Na praia da Nazaré nascem as razões

Para umas férias de angústia e medo

7 thoughts on “Nazaré Faina”

  1. O que mais me emociona neste poema é «o abegão a picar as duas vacas desiguais»! E o que mais me espanta é «o postal num selo de cinco tostões»! Quem diria que em 1952 um postal podia ser colado num pequenino selo ?!

  2. Emociono-me facilmente com imagens do Portugal da minha meninice, e a pesca de arrasto é uma delas. Dada a acentuada erosão costeira e o abandono da agricultura tradicional, provavelmente já não existe. Quando era miúda, no final da década de 80, na Vagueira, ainda era possível assistir a esta actividade. Que saudades!

  3. Tu de D. Fuas Roupinho não tens nada! Tu fugiste foi do Asilo de Alcobaça como um que aparecia na minha terra a dizer «Eh camaradinha fixe! Não diga nada à Guarda!». Vens fingir não perceber que é o selo que transporta o postal… Como diz o Vasco Santana «Eh burro e é estúpido!»

  4. jcfrancisco no seu melhor! E no pior que a poesia pode ter, escrita por quem quer mas não pode. Meu caro, de poeta, realmente, não tens nada. Mas vai tentando, por mim, até acho graça. E vê se mudas de disco. Essa do «não tens nada» já está muito batida. Ao menos, atira outras «pérolas» a quem te critica, convencido da treta!

  5. As vacas desiguais do poema e da realidade que ele convoca em memória são a «Boirisca» e a «Benfeita», sempre diferentes embora parecidas. Mas isto não é para quem quer, é para quem sabe.

  6. Informação importantíssima! Dois nomes a começarem por bê. Bê de bosta. Tanto pode ser de vaca, como um dos teus poemas, tipo corridinho algarvio: tudo serve para rimar!
    Vais a galope num dos cavalos de Veneza e pouco te importa o mau serviço que prestas à poesia. O que te interessa é publicar. Mesmo que seja bosta. Escrever um bom poema não é para quem quer, é para quem sente, pensa e nasce poeta, o que não é o teu caso.

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