Génio de Carvalhal

Nenhum treinador teria feito melhor do que eu, informou o genial Carvalhal após o jogo com a Naval, e essa é uma verdade incontestável num jogo onde tudo correu bem. Miguel Veloso, Yannick e Moutinho exibiram o seu indescritível talento, enquanto as bancadas aclamaram o futebol de um clube do Porto. Só faltou a vitória do Guimarães para melhor aconchegar um Sporting que não é de Braga.

Dixit

“A nossa complementaridade, enquanto equipa, é quase perfeita. Aquelas que são as minhas principais qualidades são, em ti, enormes defeitos. Mas, por outro lado, aqueles que são os meus principais defeitos são, em ti, também, os teus principais defeitos.”

O triunfo dos Silvas

A escolha de Lula da Silva como o líder mundial mais influente*, pela revista TIME, não resulta de nenhum gosto diletante pelo exótico, antes manifesta o retumbante e colossal sucesso económico e político do Brasil. E, por isso, de Portugal.

Uma parte substancial da economia portuguesa acontece em Terra de Vera Cruz; como a PT, GALP e EDP o descrevem exuberantemente nos relatórios de contas, para dar os exemplos maiores. Mas há mais: Brasília tem ideias e planos para África, e também por aí Portugal tem a ganhar. Lembremo-nos de Angola e de um ancestral triângulo a ligar três continentes.

Sim, Agostinho da Silva foi mesmo profeta.

Vulcanologia política

Uma infeliz coincidência dá a ver o problema maior da direita portuguesa. Começa aqui, onde Joana Alarcão resume o caso de Inês de Medeiros com sensibilidade e inteligência. E acaba aqui, onde Carlos Botelho recorre ao nazismo para ofender Sócrates, à mistura com outras bacoradas patéticas.

Estes dois textos ficaram juntos num acaso, mas representam mundos que não têm qualquer ponto de contacto. No primeiro, explica-se uma situação com rigor, realçando a injustiça dos ataques à Inês. No segundo, utiliza-se um elemento simbólico que convoca o maior crime alguma vez cometido na Humanidade, e contra a Humanidade, para rematar o ataque ad hominem a um político que se odeia.

Obviamente, da Joana Alarcão fica o desejo de a ler mais, pense ela o que pensar de Sócrates, do Governo e do PS. E do Carlos Botelho fica no ar uma peçonha fedorenta que causa tão mais perplexidade quanto o Cachimbo de Magritte é um dos raros blogues políticos, se não for o único, onde se celebra a cultura e religião judaicas.

E aqui temos o maior problema da direita portuguesa: as ilhas de lucidez e defesa do bem comum são constantemente devastadas pelos fluxos piroclásticos de ranho.

Mas foi o Vara que telefonou? Chibem-se lá, seus cagões

José António Saraiva denunciou uma putativa tentativa de condicionamento da liberdade de imprensa, a qual tinha o mérito de conseguir ligar Sócrates, Freeport e BCP. Agora, a ERC fechou esse caso e disse que as denúncias não foram provadas, bem pelo contrário.

O mais interessante na notícia consiste nesta informação:

A entidade explica ainda que, de acordo com os elementos constantes do processo, “nada (…) permite confirmar a identidade do autor de um telefonema recebido por Mário Ramires, subdirector do jornal Sol, que teria ocorrido em 15 de Janeiro de 2009, alegadamente de ‘alguém muito próximo do primeiro-ministro’, bem como o seu teor e finalidade, até porque aquele responsável editorial não o quis revelar, não se provando, assim, a alegada chantagem sobre o jornal Sol”.

Quer-se dizer, o Sol não está interessado em provar seja o que for, apenas em difamar quem lhe apetecer. Caso contrário, fariam o óbvio: apresentavam o nome desse alguém muito próximo do primeiro-ministro. Não admira, pois, a indignação do Zé Manel, aqui reclamando o direito a que os jornalistas caluniem sem terem de provar ponta de um corno.

Seja como for, a ideia de que o impedimento da saída de uma notícia num dado jornal, assim salvando a pele a um poderoso corrupto, vale uma fortuna em crédito bancário é algo que remete para o século XIX e a imprensa de província. Trata-se de um enredo básico, para consumo apressado e distraído pelas massas. Ter como protagonistas esses dois Dâmasos Salcedes do jornalismo conspirativo, Saraiva e Zé Manel, eis o que fica como exibição do acerto do mundo.

Comissão Paranormal de Inquérito

Depois de ouvir João Semedo perguntar a Nuno Vasconcelos pelas suas intuições, impressões e sensações – justificando que os deputados estão a investigar essa dimensão da realidade – tenho a certeza absoluta de que o relator da comissão de inquérito vai chegar a conclusões fantásticas.