Nenhum treinador teria feito melhor do que eu, informou o genial Carvalhal após o jogo com a Naval, e essa é uma verdade incontestável num jogo onde tudo correu bem. Miguel Veloso, Yannick e Moutinho exibiram o seu indescritível talento, enquanto as bancadas aclamaram o futebol de um clube do Porto. Só faltou a vitória do Guimarães para melhor aconchegar um Sporting que não é de Braga.
Arquivo mensal: Maio 2010
Ai, Jesus…
Dixit
O triunfo dos Silvas
A escolha de Lula da Silva como o líder mundial mais influente*, pela revista TIME, não resulta de nenhum gosto diletante pelo exótico, antes manifesta o retumbante e colossal sucesso económico e político do Brasil. E, por isso, de Portugal.
Uma parte substancial da economia portuguesa acontece em Terra de Vera Cruz; como a PT, GALP e EDP o descrevem exuberantemente nos relatórios de contas, para dar os exemplos maiores. Mas há mais: Brasília tem ideias e planos para África, e também por aí Portugal tem a ganhar. Lembremo-nos de Angola e de um ancestral triângulo a ligar três continentes.
Sim, Agostinho da Silva foi mesmo profeta.
Vulcanologia política
Uma infeliz coincidência dá a ver o problema maior da direita portuguesa. Começa aqui, onde Joana Alarcão resume o caso de Inês de Medeiros com sensibilidade e inteligência. E acaba aqui, onde Carlos Botelho recorre ao nazismo para ofender Sócrates, à mistura com outras bacoradas patéticas.
Estes dois textos ficaram juntos num acaso, mas representam mundos que não têm qualquer ponto de contacto. No primeiro, explica-se uma situação com rigor, realçando a injustiça dos ataques à Inês. No segundo, utiliza-se um elemento simbólico que convoca o maior crime alguma vez cometido na Humanidade, e contra a Humanidade, para rematar o ataque ad hominem a um político que se odeia.
Obviamente, da Joana Alarcão fica o desejo de a ler mais, pense ela o que pensar de Sócrates, do Governo e do PS. E do Carlos Botelho fica no ar uma peçonha fedorenta que causa tão mais perplexidade quanto o Cachimbo de Magritte é um dos raros blogues políticos, se não for o único, onde se celebra a cultura e religião judaicas.
E aqui temos o maior problema da direita portuguesa: as ilhas de lucidez e defesa do bem comum são constantemente devastadas pelos fluxos piroclásticos de ranho.
Se queres amar, abre os olhos
Mas foi o Vara que telefonou? Chibem-se lá, seus cagões
José António Saraiva denunciou uma putativa tentativa de condicionamento da liberdade de imprensa, a qual tinha o mérito de conseguir ligar Sócrates, Freeport e BCP. Agora, a ERC fechou esse caso e disse que as denúncias não foram provadas, bem pelo contrário.
O mais interessante na notícia consiste nesta informação:
A entidade explica ainda que, de acordo com os elementos constantes do processo, “nada (…) permite confirmar a identidade do autor de um telefonema recebido por Mário Ramires, subdirector do jornal Sol, que teria ocorrido em 15 de Janeiro de 2009, alegadamente de ‘alguém muito próximo do primeiro-ministro’, bem como o seu teor e finalidade, até porque aquele responsável editorial não o quis revelar, não se provando, assim, a alegada chantagem sobre o jornal Sol”.
Quer-se dizer, o Sol não está interessado em provar seja o que for, apenas em difamar quem lhe apetecer. Caso contrário, fariam o óbvio: apresentavam o nome desse alguém muito próximo do primeiro-ministro. Não admira, pois, a indignação do Zé Manel, aqui reclamando o direito a que os jornalistas caluniem sem terem de provar ponta de um corno.
Seja como for, a ideia de que o impedimento da saída de uma notícia num dado jornal, assim salvando a pele a um poderoso corrupto, vale uma fortuna em crédito bancário é algo que remete para o século XIX e a imprensa de província. Trata-se de um enredo básico, para consumo apressado e distraído pelas massas. Ter como protagonistas esses dois Dâmasos Salcedes do jornalismo conspirativo, Saraiva e Zé Manel, eis o que fica como exibição do acerto do mundo.