Vulcanologia política

Uma infeliz coincidência dá a ver o problema maior da direita portuguesa. Começa aqui, onde Joana Alarcão resume o caso de Inês de Medeiros com sensibilidade e inteligência. E acaba aqui, onde Carlos Botelho recorre ao nazismo para ofender Sócrates, à mistura com outras bacoradas patéticas.

Estes dois textos ficaram juntos num acaso, mas representam mundos que não têm qualquer ponto de contacto. No primeiro, explica-se uma situação com rigor, realçando a injustiça dos ataques à Inês. No segundo, utiliza-se um elemento simbólico que convoca o maior crime alguma vez cometido na Humanidade, e contra a Humanidade, para rematar o ataque ad hominem a um político que se odeia.

Obviamente, da Joana Alarcão fica o desejo de a ler mais, pense ela o que pensar de Sócrates, do Governo e do PS. E do Carlos Botelho fica no ar uma peçonha fedorenta que causa tão mais perplexidade quanto o Cachimbo de Magritte é um dos raros blogues políticos, se não for o único, onde se celebra a cultura e religião judaicas.

E aqui temos o maior problema da direita portuguesa: as ilhas de lucidez e defesa do bem comum são constantemente devastadas pelos fluxos piroclásticos de ranho.

8 thoughts on “Vulcanologia política”

  1. Estou aqui com uma dificuldade, as declarações de ontem de Passos Coelho acerca da adesão à moeda única em que classifica o País de ‘calaceiro’ farão dele uma dessas ilhas de lucidez ou será que é um pinguinho no nariz, sintoma que poderá indiciar uma forte explosão de ranho, faltando apenas descortinar de que tipo?
    Pelo sim pelo não, o melhor é prevenir-se com uns lencinhos…

  2. Como diz no Câmara Corporativa”Pedro Passos Coelho não poderia ter arranjado melhor forma de celebrar o Dia do Trabalhador do que apelidar o país de “calaceiro”.

    Um simples adjectivo evidencia como o jovem Pedro saído da JSD, que o terrível Ângelo graduou em administrador da Fomentinvest, está divorciado do mundo do trabalho. Mas revela também que o “diagnóstico” do país feito por Passos Coelho não passa de uma conversa de café ornamentada por uns chavões colados com cuspo.” Na mouche!

  3. Quando saiu a notícia nos jornais sobre o caso Inês Medeiros tive particular interesse em estar elucidado. “Os defeitos que notamos nos outros nos nossos são virtudes”. Vem isto a propósito que na função pública é subsídio para isto e para aquilo. O Estado tem lucro em tornar em subsídios e não em ordenado (vencimento). Quando o funcionário se aposenta deixa de receber subsídios. Sempre fui contra este sistema. Se em lugar de dar como subsídio, ou seja, o funcionário em subsídios recebe ao fim do mês quinhentos euros e se em lugar destes recebesse duzentos e cinquenta euros como ordenado, ganhava o Estado e o funcionário e ninguém reclamava contra estes subsídios.
    Assim toda a gente fala, uns com razão, outros sem ela. Quantos andam a beneficiar de certas regalias e ajudas de custo, como nos transportes e habitação. Da lei que tenho conhecimento só é aplicável na área onde presta serviço, no que toca a transportes e na habitação não pode residir a mais de cinquenta quilómetros de distância. Façam uma fiscalização e vêem a série de atropelos à lei. Até se vão rir com as personalidades e estas fizeram um juramento de só a verdade e pela verdade.
    Conheço casos em que os funcionários tem por direito a casa do Estado e para receberem o subsídio de habitação metem outros a residir com ele, estes recebem o subsídio de habitação e repartem com o que tem a casa em seu nome. Tenho conhecimento destes casos assim como os Administradores desses serviços. Só conheço um Administrador que não pactuou com este sistema mas, teve sempre o sindicato à perna por fazer cumprir a lei.

  4. E. Dias, o Rua da Judiaria não é um blogue político, é especialista na temática judaica – se bem entendo a tua referência.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.