Balada da Rua de Baixo

Rua de Baixo, meu mundo

Onde eu regresso cansado

Quando o olhar é profundo

Já andou por todo o lado

São casas sem ninguém

De famílias desligadas

Não se ouve a voz da mãe

Na névoa das madrugadas

Meu berço e minha escola

Minha casa e minha igreja

O amor não pede esmola

Nas esquinas da inveja

Minha paisagem saudosa

Povoada por destroços

Duma sede mais gasosa

Que a água destes poços

Filarmónica formada

Manhã cheia de brancura

Há festa não tarda nada

Na rua desta amargura

Sete ondas repetidas

São sete beijos do mar

Na areia das nossas vidas

Já só podemos cantar

Pode-se cantar um fado

Feito só de melodia

Um homem fica calado

Ao ver a fotografia

Minha rua inicial

A vida, anos primeiros

Onde passou triunfal

A paixão dos baleeiros

9 thoughts on “Balada da Rua de Baixo”

  1. Na minha Aldeia também há uma Rua de Baixo, mais vazia do que a sua, José do Carmo Francisco, onde eu regresso muitas vezes e a habito, “manhã cheia de brancura”,
    agora que é o tempo dos pássaros e das cerejas, um destes dias.
    Jnascimento

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