Vinte Linhas 479

Essa palavra «rebotalho» nunca está em desuso

A propósito de um palermazão que apareceu aqui no «post» sobre a Costa Nova utilizei a palavra «rebotalho» quando me dirigia à Sinhã. Vale a pena ver o contexto da palavra no dicionário da Sociedade da Língua Portuguesa. Começa por referir o uso mais comum da palavra quando usada num estabelecimento comercial: «rebotalho – restos inúteis, cigalho, coisa sem valor, refugo». Segue-se um segundo sentido: «rebotalho – pessoa sem merecimento pessoal, sem categoria social». Por fim o ponto alto: «rebotalho humano – conjunto de pessoas sem valor mental ou moral, pobres, miseráveis, desprezíveis sob vários aspectos». Existe também um adjectivo: «rebotalhado – atrasado, inferior, de menor valor».

O palermazão do «post» sobre a Costa Nova faz parte do rebotalho humano de que fala o Dicionário coordenado por José Pedro Machado. Não é o facto de ser utilizador da Internet que o faz menos pobre, menos desprezível, menos miserável. A chamada democraticidade do meio não lhe dá o direito de vir para aqui espojar-se da sua burrice. A bosta que ele tentou atirar para nós não saiu da sua massa encefálica nem vai sair nos tempos mais próximos.

Basta ver filmes dos anos 40 para perceber como a palavra «pastora» no sentido de «pasta» ou «dinheiro» surge na fala dos actores. Hoje ninguém se lembra mas há 60 andava pelo Parque Mayer e era muito popular porque os dos autores do Parque eram argumentistas dos filmes. Mas «rebotalho» não vai passar de moda porque há sempre mais um palermazão que aparece a coberto da democracia da Internet.

18 thoughts on “Vinte Linhas 479”

  1. Agora fiquei curiosa, revisitei o post e só lá vi o traquinas a dizer que achava uma bela bosta. É ele que te merece este novo post?

    Se for o caso, declaro já aqui que adoro todos os teus poemas passados, presentes e futuros, jcf.

  2. Era o que faltava! Este texto existe por causa da palavra, nunca pelo indivíduo que não merece um pingo de atenção. A palavra sim, a palavra «rebotalho» sim, tenho pena a página do dicionário não aparecer bem…

  3. JCF, nem toda a gente sente a dor…


    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.

    Fernando Pessoa

    Podem até não ter lido o que quer que seja.

  4. Pensei que tinhas declinado a minha provocação. Fui arrogante no meu comentário, sim senhor. Mas isso não é nada que tu não faças amiúde nas caixas. Leio muitos dos teus posts há muitos, muitos meses e com frequência chego ao fim empanturrado de vulgaridades e com aquela sensação de nó no neurónio normal em quem acabou de digerir o sacrifício de alguém para tentar algo belo. Elas são rimas forçadas, ritmos trôpegos, repetições desnecessárias… Contudo, que me lembre, nunca ou quase nunca entrei em polémicas contigo e sobre a qualidade poética não me pronuncio porque não me pertence.
    Já a beleza da Internet é bastante natural, tu tens a tua opinião e outros têm outra.

  5. Falso, edie. Há quem seja poeta às segundas, quartas e sextas e alarve às terças, quintas e sábados. Não é o meu caso. Nem descanso ao domingo.

  6. Não era um palermazão, era uma palermazona que se diz intelectual e o post não era o da costa nova. Hello????? Mais atenção aos alvos, sff…;)

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