Vinte Linhas 428

«O silêncio: lugar habitado» de Graça Pires

Autora que se estreou em 1990 com «Poemas», Graça Pires surge com o seu 11º título, Prémio Nacional Poeta Ruy Belo, edição da Labirinto, capa de Júlio Cunha e apoio da Câmara Municipal de Rio Maior. O título começa por suscitar uma interrogação. Como o silêncio é o oposto da palavra (A palavra é tempo, o silêncio é eternidade), o poema organiza-se entre Paisagem («as aves marinhas vão morrer no solitário coração dos barcos afundados» ) e Povoamento: «Não tem fim o silencioso enleio / que se esconde por entre a argila / nos dedos do oleiro; ou se enrola no linho / dos lençóis tecido pelas mães».

Depois funciona entre o Lugar («No meu país havia marinheiros / com braços de tempestade») e a Memória: «Os antigos conheciam os segredos dos caminhos e dos muros». A seguir oscila entre a Natureza («As abelhas coladas à cal dos muros / pela violência da luz / tornam impossível a essência das colmeias») e a Cultura: «Contra a luz não ousávamos quebrar / o silêncio que na música se abrigava / Schubert e as canções em palavras».

Por fim esta poesia discreta, alta e sábia, opõe a Morte («pode ser um nó / ou um grito ou uma trepadeira enroscada / no corpo ou na lápide onde escreverão / o nome que tivemos») e as Palavras: «Às vezes vêm de muito longe / de fatigadas viagens / de mortes prematuras / de excessivas solidões / Mas vêm. / E trazem a inicial pureza das fontes / E a lâmina do silêncio / E a desordem da noite / E a luz extenuada do olhar / Tão cúmplices, as palavras.»

À volta de 100

Segundo o Record, a Selecção tinha à volta de 100 adeptos à sua espera na Portela. Ou seja, descontando o típico exagero do jornalismo desportivo, deviam ser 50, 30 dos quais familiares e amigos, e os outros 20 eram fogareiros a ver se levavam algum membro da equipa técnica até Cascais.

Queiroz vai precisar de chegar à final para saborear a multidão.

Balada da Capela do Formigal

Capela do Formigal

Varanda abandonada

Dá para o porto fluvial

Quando rio era estrada

Porta caída no chão

Azulejos num altar

Faz doer o coração

O silêncio do lugar

Sombra de sacristia

Sino de som perdido

Já houve vida, alegria

E tudo tinha sentido

Havia a navegação

Porto é só memória

Fruta de exportação

Era receita acessória

País que faz de conta

Nada sabe deste rio

Carro em hora de ponta

Numa pressa de vazio

Vereador, presidente

Cultura, pasta na mão

Passa aqui indiferente

Só em ano de eleição
Podem até ser doutores

Com tese e dissertação

Nada sabem os horrores

Da chuva em dissolução

Se não fosse o arvoredo

A proteger o que resta

Entre vergonha e medo

Já não havia uma festa

Porque basta uma oração

No silêncio quase total

Para renascer a devoção

Na Capela do Formigal

Pelos indícios os conhecereis

O caso Face Oculta veio revelar que o suspeito de escutar o Presidente da República era, afinal, o escutado durante vários meses de um ano triplamente eleitoral. Ironia do destino? Se o for, que vamos chamar ao facto de Ferreira Leite, a 30 de Maio, ter declarado em Aveiro que tinha medo de estar a ser escutada ao telemóvel? Gargalhada do destino? Já agora, a forma desabrida como Cavaco interferiu no negócio PT-TVI, tendo deixado claro que havia um gravíssimo problema ético e político implícito, não é absolutamente conforme a uma situação de espionagem política? E a insolência da Manela, ao garantir a pés juntos que Sócrates tinha mentido, não cheira a voyeurismo?

Mas deixemos a arraia-miúda, passemos ao Nostradamus da Marmeleira:

EU COMPREENDO, MAS…

Eu compreendo que o Presidente da República, até pelas coisas graves que tem certamente para dizer face aos ataques que lhe têm sido dirigidos, não queira falar em período eleitoral. O que diria perturbaria e muito o período eleitoral. Mas temo que só depois das eleições é que se vá saber demasiadas coisas sobre esta governação e sobre o Primeiro-ministro. E temo que isso seja um fardo muito difícil de gerir, ganhe quem ganhar as eleições. Seja no caso Freeport, seja na questão da eventual espionagem aos seus opositores, seja no ataque à TVI e ao Público, seja nos múltiplos negócios que estão por esclarecer, da OPA da Sonae à crise do BCP e à interferência da CGD, seja no caso BPN e nos nunca esclarecidos movimentos do dinheiro da Segurança Social, seja na tentativa de compra da PT da Media Capital e etc,. etc. Um etc. demasiado grande.

Pacheco

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A espera e a esperança

À direita e à esquerda, há pessoas que expressam abertamente a sua convicção de que Sócrates é culpado – mas culpado de quê? Culpado de ser suspeito. Essas pessoas são capazes, por exemplo, de repetir bovinamente que ele se licenciou ao domingo, mas não são capazes sequer de explicar o que a expressão quer dizer ou qual a importância do facto a que alude. São capazes de falar das casas da Guarda, e rir muito, mas não são capazes de referir os resultados do inquérito feito pela Câmara da Guarda a esses mesmos processos. São capazes – oh, falta de vergonha! – de falar do Freeport, mas não são capazes de inscrever a origem desse caso, a qual vai parar a Santana Lopes; mesmo que ele não tenha sido directo mentor. Estas pessoas, que se entusiasmam ao elencar os ataques dirigidos contra o cidadão José Sócrates, são agentes da campanha negra. Pretendem voltar a opinião pública contra a vítima. Ninguém inocente pode ser alvo de tantas suspeitas! – gritam venenosos e febris, repetindo tribunais e fogueiras de antanho.

Lá está: a cobardia é impaciente, não suporta a espera nem a esperança.

Blazevic, vai-te a eles

Bósnia e Herzegovina

Têm menos de metade da nossa população. Não têm nenhum Cristiano Ronaldo e seu mercado. Não têm nenhum Real Madrid e seus negócios. Não têm nenhuma comunidade emigrante na África do Sul capaz de encher estádios e restaurantes. E tiveram um árbitro caseiro no 1º jogo. Acima de tudo, é um povo desgraçado que faria um festa com o apuramento como nem em Portugal se conseguiria fazer caso fôssemos Campeões do Mundo.

A minha alma romântica está contigo, Blazevic. Mas o coração guerreiro arde no fogo onde Queiroz irá perder-se ou salvar-se.

Cineterapia

YoungMrLincoln2

Young Mr. Lincoln_John Ford

New Salem, um lugar. 1832, uma estreia. Lincoln tem 23 anos e vai discursar num comício para 23 pessoas, se tanto. Antes, falou o colega mais velho contra os Democratas e sua infrene corrupção. Já eles, do partido Whigh, são incorruptíveis, remata passando a bola. O jovem não perde tempo com bullshit e diz ao que vai. Quer isto, aquilo e aqueloutro. A minúscula assistência gosta, futuras glórias esperam o gigante.

26 minutos depois, e 26 anos mais velho, Lincoln está frente a uma multidão enfurecida que quer invadir a prisão para fazer justiça pelas suas próprias cordas. E diz-lhes várias coisas, só para que fiquem capazes de escutar esta:

O problema é que, quando as pessoas fazem cumprir a lei pelas suas mãos, estão tão dispostas a isso que, no meio da confusão e balbúrdia, começam a enforcar pessoas que são criminosas e outras que o não são. E, de repente, vão enforcar mais um só para se divertirem, até que se chega a um ponto em que não se consegue passar por uma árvore, ou olhar para uma corda, sem nos sentirmos inseguros. Parece que perdemos a cabeça em situações destas. Fazemos coisas em grupo que teríamos vergonha de fazer sozinhos.

Ford também preocupado com o Estado de direito, o cabrão.

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Vinte Linhas 427

Será que o acaso não existe?

Há um mistério entre as recordações e a memória, uma terra de ninguém onde os sons se perdem, as imagens se diluem e as revelações se deixam apagar por um empurrão do acaso. O acaso não existe – alguém teima em repetir no encontro casual numa livraria das Escadinhas do Duque. O dono da livraria sorri e dá razão a toda a gente. Para cada um sua verdade – título de um livro, lema de vida para quem tem uma porta aberta, sujeito aos diários encontros e desencontros do acaso.

Um poeta que veio do Brasil passou aqui e escreveu o poema das Escadinhas do Duque sem saber ainda que o livro onde o poema seria incluído seria dado à estampa numa editora das Escadinhas do Duque.

O acaso não existe – é a frase que teima em permanecer no meu espírito. Acabo de sair de um Tribunal e avanço disparado para a beira-rio. Passo pelo interior de um parque de estacionamento, percorro esplanadas diversas e páro no Peter. Mando vir pão com atum e um gin tonic. Envio mensagens a alguns amigos dizendo onde estou. Que te faça bom proveito – respondem calorosos. O acaso não existe – é a conclusão provisória desta crónica. Porque somos nós a fazer minuto a minuto as nossas escolhas do momento. Viver é escolher, estamos sempre a escolher o que julgamos ser o melhor para nós e para os nossos. O acaso não existe? Talvez. Só o presente se vive, nunca ninguém meu conhecido viveu no futuro e este gin tonic não é do passado. Mas quem é que me pode explicar quem, que força estranha me conduziu do Tribunal à mesa do Peter na beira-rio de Lisboa numa destas tardes cinzentas a ameaçar chuva?

Espionagem política – II

[…] Portanto, eu acho que são pobres e mal-agradecidos. Os dois Silvas, ministros Silva, deviam agradecer esta confusão que nós não percebemos, este atabalhoamento e esta demora, mas agradecer porque, objectivamente, o só se saber depois das eleições significa que, tendo havido antes uma iniciativa do Procurador e do Juiz de Aveiro no sentido de considerar o Primeiro-Ministro eventualmente suspeito de crime, nada se soube no período em que politicamente ele poderia ser favorável à oposição.

Marcelo

*

Marcelo estava bem-disposto neste último domingo. A sua equipa está a ganhar com golos marcados pelos apanha-bolas. O adversário não sabe donde elas vêm, o nevoeiro é intenso e juntam-se pessoas estranhas atrás da baliza. Como o árbitro não as manda afastar, as bolas aparecem lá dentro. E Marcelo ri, é um gozo do caraças.

Desta vedeta da TV, mestre da política-espectáculo, um Conselheiro de Estado (enfim, fauna que já conheceu melhores dias) e futuro Presidente da República (assim consiga entalar Cavaco), poderíamos esperar um exemplo de elevação moral que calasse fundo num Portugal abatido, triste, envergonhado. Por exemplo, uma condenação sentida das perversões cometidas no seio da Justiça. Por exemplo, um grito de alma contra a exploração política de fugas ao segredo de Justiça e escutas ilegais. Por exemplo, um exercício de investigação dirigido aos que cometem tantos e tão graves atentados contra o Estado de direito, para que eles ficassem a saber que a Cavalaria vai ao seu encontro. Marcelo dispõe do País todo a escutá-lo, é um prestigiado e carismático senador da República, podia dar uma lição de ética que fizesse doutrina e História. Mas não.

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O tempo e o modo

Ter publicado correspondência privada que explicou a origem de uma inaudita conspiração que mantinha Portugal alarmado e perplexo, a qual estava a ter influência nas eleições Legislativas, foi uma decisão atacada pelos mesmos que querem ter acesso a conversas privadas que estão nas mãos das autoridades judiciais, e acerca das quais se tem feito e fará inevitável esclarecimento legal.

António Preto, que está acusado de fraude fiscal qualificada e falsificação de documento, foi invocado como equivalente de um Primeiro-Ministro, que nem arguido é e cujas escutas foram obtidas ilegalmente, para se justificar a exploração política da violação do segredo de Justiça.

Registemos este tempo e não nos esqueçamos destas pessoas.

Espionagem política

O caso Face Oculta, sendo uma investigação no âmbito da corrupção, é também um caso de espionagem política. Isso é indiscutível. O que é discutível é o papel que os responsáveis pela investigação têm, individual e colectivamente, nessa espionagem. À partida, neste momento, a sua responsabilidade na espionagem não pode ser estabelecida directamente, e talvez nunca o venha a ser, até porque poderão estar inocentes – mas indirectamente eles são responsáveis. De facto, se as gravações foram conservadas e transcritas sem legitimidade, esse foi um dos principais meios para que a espionagem viesse a ser possível, independentemente da intenção dos actos que geraram o material espiado.

A espionagem é política porque serve esses interesses, tem essa exclusiva intenção. Os jornais que violam o segredo de Justiça não o fazem porque estejam a investigar seja o que for. Limitam-se a ser cúmplices de uma estratégia de combate político por ínvios e ilegais caminhos. Quem lhes passa a informação manda o que fazer e quando, eles obedecem. São extensões mecânicas dos senhores que jogam com cartas na manga. Por isso, e só por isso, se viu o segundo maior partido da oposição a conspurcar a Assembleia da República com base nessas mesmas ilegalidades que envergonham a Justiça, o Estado, até o Povo. E a oposição alinhou em bloco na deboche, agradecida aos conspiradores pela possibilidade de entalar de vez o Engenheiro.

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Carambolas

O Filipe tem um especial apreço pela existência do Câmara Corporativa e do Jugular, carecendo da sua dose semanal de citações e referências para não se enervar tanto no trânsito. Também se tem esforçado na promoção da entidade a que chama blogues agregados, onde entra o Aspirina B naquele que era apenas um trio da última vez que contei. Tem isto mal? Nenhum. É bom que o Filipe mantenha a sua dose de boas leituras. Contudo, ele faz um raciocínio que me convida ao diálogo:

Costuma fazer uma boa análise quando não está chamar nomes a toda a gente (privilégios do anonimato).

Ora, concordo (e muito) com a parte da boa análise, infelizmente a frase não se interrompeu no substantivo e continuou desvairada para a difamação. Uma difamação inócua, compincha, provocação de rapazes, sim, mas inquestionável má fama: a de ser anónimo. Um anónimo que assina Valupi, vejam só. Um anónimo que escreve num blogue com nome, espantai ó gentes. Um anónimo cujo nome de registo civil, até o telefone ou a cara, é do conhecimento de grande parte dos autores que passaram pelo blogue. Um anónimo cujo pseudónimo não é um segredo para familiares, amigos e colegas de trabalho (incluindo os patrões). Enfim, um anónimo que podia assinar António Silva ou Manuel Sousa, acrescentando de Lisboa, o que talvez levasse o Filipe a queixar-se de que ele chamava nomes a toda a gente devido ao privilégio de esconder a morada, o local de emprego e a hora a que vai passear o cão (ou a gata).

Sendo assim, Filipe, peço-te que me mandes o inquérito que a tua justiceira curiosidade preparou para me retirar os privilégios. Escusas é de incomodar o pessoal de Aveiro, garanto-te que ainda não tentei comprar a TVI. Ainda.

jrrc dixit

A gravidade da questão, em meu entendimento, prende-se, precisamente com dois pontos aqui já aflorados por Valupi: a honestidade intelectual, profissional, cívica e pessoal dos responsáveis pela extracção das certidões; e, se efectivamente, neste caso, se pretenda como boa a Justiça que capta ilegalmente supostos indícios, não a que faz cumprir a Lei.

Dou como assente que a Lei é eivada de uma certa subjectividade, tem espírito, e como tal, pode ser alvo de diferentes interpretações. Mas nós evoluímos para o estado de “cada cabeça, cada sentença”. A Lei está um estorvo. De acordo com o comunicado da PGR, das seis escutas transcritas onde intervinha o primeiro-ministro, o despacho do Senhor Procurador Coordenador do DIAP de Aveiro e O Senhor Juiz de Instrução Criminal, sustentavam a existência de indícios da prática de um crime de atentado ao Estado de Direito. O PGR, presumo que em relação às seis escutas, concluiu pela não existência de tais indícios. Em seis vezes não se acerta uma? Será por não entenderem vernáculo? E é muito plausível, por aquilo que não tem vindo a público, que as restantes escutas ao 1º ministro levarão o mesmo caminho.

É isto tudo normal? É normal que o Presidente do Supremo não valide uma única, depois de tanto trabalho do Senhor Procurador e do Juiz? Eles não se importam, não coram de vergonha, não têm coluna?

Certo dia de um ano já ido, Rui Teixeira, um herói dos novos tempos, entrou na AR com frémito, e prendeu Paulo Pedroso. Mais tarde, conclui-se que cometeu um erro grosseiro, de que resultou uma indemnização do Estado ao tal deputado, ainda sem transitar em julgado. Sou contra indemnizações: o mesmo juiz deveria voltar à AR, com o mesmo estrilho, lugar onde baixaria a cabeça e, Jaime Gama, na qualidade de Presidente da AR, lhe pespegaria dois pares de estalos. Não está na Lei, mas cada cabeça cada sentença.

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Oferta do nosso amigo jrrc

Tempos interessantes

João Palma, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, veio lembrar que a decisão de destruir algumas das escutas, tomada pelo Supremo Tribunal, pode ser alvo de recurso e chegar ao Tribunal Constitucional. No abstracto, é uma afirmação técnica, neutra. No contexto, foi uma forma de aumentar a suspeição acerca das escutas.

E foi mais longe: disse que os magistrados são alvo de manobras para os descredibilizar e limitar no seu trabalho. São?!… Mas por quem? Quem é que ousa atacar assim o Ministério Público? Palma não diz. O que nos permite concluir que ele obtém vantagens em lançar uma suspeição genérica relativa ao que só pode ser um dos mais graves crimes num Estado de direito: a redução do poder do Estado para garantir o respeito pela Lei.

Se juntarmos a estas as declarações de Rui Cardoso, secretário-geral do mesmo sindicato, que se pronunciou tecnicamente a favor da legalidade das escutas e pela sua preservação para eventual aproveitamento noutros processos existentes ou a existir, o quadro é de escancarada perseguição sem intenção de fazer prisioneiros. O SMMP quer abater Sócrates e fará qualquer coisa nesse sentido. Até porque acima deles não vêem ninguém, imaginam-se os senhores da Justiça. Inatacáveis.

Mas Sócrates não tem apenas de cair, também terá de ser humilhado. Para que os políticos aprendam a lição. E não voltem sequer a pensar em lhes reduzir as férias ou tocar na carteira. Para esta missão, contam com o apoio da oposição e de jornalistas amigos, numa confluência de agendas que tem esse propósito comum de assassinar política e pessoalmente o cidadão José Sócrates. O que nos transporta para as histórias da História, aquelas onde lemos impávidos inúmeras narrativas de golpadas sucessivas feitas pelos mais nobres ou escabrosos motivos. Pois estamos numa dessas histórias, como a intoxicação da informação e o aproveitamento das suas perversões configura. Cumpriu-se a profecia do Pacheco, os tempos estão interessantes.

Transparências

Aqueles que pedem a exposição da privacidade de Sócrates e Vara, alegando terem direito à devassa por existirem certidões e boatos, são como os sabujos que se passeiam pelas dunas da Caparica à espera de encontrar a mão naquilo, aquilo na mão, aquilo naquilo, aquilo atrás daquilo e a língua naquilo. Porém, se lhes perguntarmos ao que andam, respondem que apenas estão interessados em faces ocultas.