Cineterapia

YoungMrLincoln2

Young Mr. Lincoln_John Ford

New Salem, um lugar. 1832, uma estreia. Lincoln tem 23 anos e vai discursar num comício para 23 pessoas, se tanto. Antes, falou o colega mais velho contra os Democratas e sua infrene corrupção. Já eles, do partido Whigh, são incorruptíveis, remata passando a bola. O jovem não perde tempo com bullshit e diz ao que vai. Quer isto, aquilo e aqueloutro. A minúscula assistência gosta, futuras glórias esperam o gigante.

26 minutos depois, e 26 anos mais velho, Lincoln está frente a uma multidão enfurecida que quer invadir a prisão para fazer justiça pelas suas próprias cordas. E diz-lhes várias coisas, só para que fiquem capazes de escutar esta:

O problema é que, quando as pessoas fazem cumprir a lei pelas suas mãos, estão tão dispostas a isso que, no meio da confusão e balbúrdia, começam a enforcar pessoas que são criminosas e outras que o não são. E, de repente, vão enforcar mais um só para se divertirem, até que se chega a um ponto em que não se consegue passar por uma árvore, ou olhar para uma corda, sem nos sentirmos inseguros. Parece que perdemos a cabeça em situações destas. Fazemos coisas em grupo que teríamos vergonha de fazer sozinhos.

Ford também preocupado com o Estado de direito, o cabrão.


In English:

Trouble is, when men start takin’ the law into their own hands, they’re just as apt in all the confusion and fun to start hangin’ somebody who’s not a murderer as somebody who is. And the next thing you know, they’re hangin’ one another just for fun, till it gets to a place a man can’t pass a tree or look at a rope without feeling uneasy. We seem to lose our heads in times like this. We do things together that we’d be mighty ashamed to do by ourselves.

28 thoughts on “Cineterapia”

  1. não costumo pastar nas caixas de comentários, mas não posso evitar perguntar:

    Que diabo de tradução é essa???

    Coisa mais mal engendrada…

    grouchomarx

  2. Enganeime no comentário.Era para ir para as “escutas”, e fui parar aqui;consequencias do sono.Lembro-me deste filme, pricipalmente nos últimos tempos. É um dos exemplos aplicáveis a nossa situação actual, e devia ser visto por várias pessoas dentro e fora da politica.Os exemplos de Lincoln são muito actuais,e deveriam servir de guia a muita gente

  3. As medidas que são tomadas em grupo regra geral vão sempre na direcção de quem as comanda. Este comandante antes de propor os seus pontos de vista tem no meio das hostes quem os incite. É ver certas manifestações como começam e acabam. Fácil é iniciá-las difícil é acabá-las. Quando há manifestações é reparar no comportamento dos seus líderes. Quando são entrevistados parecem uns cordeirinhos. Exemplo: é ver a posição de Jerónimo de Sousa no parlamento e quando está num comício de comunistas. Nas manifestações o povo quer sangue e que faça as maiores tropelias, caso dos professores, que se esperava mais um pouco de educação. Aqui o provérbio segue às mil maravilhas. Em casa de ferreiro espeto de pau. Outro exemplo é o dos sindicatos da justiça, antes de certas determinações já estão a fazer ameaças se as coisas não forem na direcção deles. Temos o maior prazer de saber do mal do nosso vizinho.

  4. Vejo com agrado que Val desta vez não fez nenhum post onde a bandeira portuguesa era legendada com uma guerreira palavra de ordem “Queiroz, vamos a eles”.

    Quem continua a comparar um simples jogo de futebol com uma batalha é o Publico. Hoje, algures na secção de desporto, vem escarrapachado seguinte titulo: “Portugal terá que resistir ao cerco de Zenica se quiser estar no Mundial”.
    Na minha opinião, jogar com a semelhança, em termos de fonia, entre Zenica (cidade onde hoje se realiza o Bósnia-Portugal) e Sreberninca é uma graçola tontita e de mau gosto. No cerco de Sreberninca, em Julho de 1995, morreram alguns milhares milhares de pessoas (10.000?, 15.000?). Haja bom senso

  5. grouchomarx, concordo muito contigo. E a versão que apresento já é uma adaptação melhorada da legendagem. Vou ver se encontro o texto original (pois só a versão sonora não me chegou), ou, quem sabe, podes tu fornecer uma tradução da tua lavra.
    __

    ECD, esse combate aos combates desportivos é quixotesco. O jogo é agónico na sua natureza, por isso catártico. O Mundo seria um paraíso se todas as pulsões guerreiras se gastassem com pontapés na bola e urros na bancada.

    Dito isto, alinho contigo nessa sensibilidade extrema a uma eventual alusão à tragédia de Sreberninca. Obviamente.

  6. Val e grouchomarx, por favor…toda a gente sabe que o Lincoln falava pessimamente o português.:)) O que interessa é o espirito da coisa.

  7. « O jogo é agónico na sua natureza, por isso catártico » : uma frase forte !
    Sobre alienação e violência no desporto (nomeadamente no futebol), ver, por exemplo, o muito interessante livro de Norbert Elias e Eric Dunning [Norbert Elias e Eric Dunning, 1990, A Busca da Excitação,Lisboa, Difel) e o último capítulo escrito por Hobsbawm na obra colectiva Invenção das Tradições (Eric Hobsbawm e Terence Ranger (eds), 1992, The Invention of Tradition, Cambridge, Cambridge University Press). Três excelentes autores muito pouco dados a tiradas à Paulos Coelhos das Ciências Sociais.

  8. Sim, ECD, mas, tal como Paulo Coelho, também são autores. A ciência, e muito menos a social, não é lei ou religião. De resto, se há assunto com barbas académicas é o da alienação do futebol, e os fenómenos de violência a ela associados. Como se a suposta alienação fosse fenómeno de origem local (futebol), ou regional (desporto/espectáculo) e não sistémica (cultura/sociedade/existência).

  9. “O Mundo seria um paraíso se todas as pulsões guerreiras se gastassem com pontapés na bola e urros na bancada.” Muito bem. Haja quem entenda também o valor simbólico do desporto.
    E quanto a catarse ela acontece não só porque o jogo é agónico mas também porque está marcado pela sorte, pela vertigem, pelo simulacro… De facto o jogo é uma segunda realidade que permite experiências diferentes da vida corrente.
    VALeu!

    :)))

  10. Satisfaço a curiosidade de Edie. Como não tenho por hábito esconder-me atrás de biombos, resguardo-me com as 3 iniciais do meu nome!

  11. tão bom , tão bom , tão bom , ver os maus do “respeitinho e do poderzinho ” à bulha uns cons os outros. matem-se todos que falta não fazem nenhuma. Quem produz e faz avançar a cena somos nós , os parasitados. Ver os parasitas à rasca dá muito gozo. devorem-se!!! e depressa , que a gente tem montes de ideias para um mundo feliz e uno.

  12. li agora o mdsol . é triste , mas o mundo não estaria tão mal para as mulheres , crianças e velhos , se os homens se dedicassem à guerra a sério e não à bolsa ou ao futebol. as imitações nunca deram bom resultado.

  13. mf,

    não vi aqui ninguém à bulha, lamento desiludir-te…

    Continuação de boas guerras…espero que encontres alguém disponível.

  14. NAO SOU, NEM NUNCA FUI, A FAVOR DO ESTABELECIMENTO DA IGUALDADE SOCIAL E POLITICA DAS RACAS BRANCA E NEGRA. NAO SOU, NEM NUNCA FUI, DEFENSOR DA IDEIA DE PERMITIR A NEGROS O DIREITO A ELEITOR, A MEMBRO DE JURADO, OU A POSTOS COM RESPONSABILIDADE LOCAIS OU CENTRAIS DE GOVERNACAO, OU DO SEU CASAMENTO COM MEMBROS DA RACA BRANCA.HA UMA DIFERENCA FISICA ENTRE AS RACAS BRANCA E NEGRA QUE NUNCA PERMITIRA QUE AS MESMAS VIVAM JUNTAMENTE EM ESTADO DE IGUALDADE POLITICA E SOCIAL. TEM QUE EXISTIR UMA POSICAO DE SUPERIOR E INFERIOR E NA MINHA OPINIAO ESSA POSICAO SUPERIOR ATRIBUO-A AO HOMEM BRANCO.

    Isto foi o q’Abrao Lincoln disse num discurso em 1858, antes da invencao da danca blogueira do Charleston.O resto e terapia de cueca, tanto do Ford como da Geraldina.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.