Bute lá dizer verdades

A verdade é a de que o PSD surge, neste momento, como um partido indigno, sem vergonha, canalha. Apostou tudo numa campanha de assassinato de carácter, de suspeições, de medo, de anulação da política enquanto exercício de elevação cívica e de inteligência para o bem comum. É uma desgraça, pois atinge muita gente que tem tido muitas responsabilidades públicas e sociais ao longo de muitos anos. O que o PSD faz, manipulando faixas da opinião pública – cultural e cognitivamente fragilizadas – com torpes e canhestras mentiras, é uma patifaria.

Já no PS, é óbvio que qualquer indício de falha grave em Sócrates seria imediatamente transformado em afastamento e substituição da liderança. Foi isso que se viu nesta legislatura, com constantes manifestações de divergência, oposição, e até dissidência interna, por parte de algumas figuras socialistas de referência. Estas mesmas pessoas, que representam muitas mais, estão nesta campanha ao lado de Sócrates, e mantêm intacta a sua independência. Isto, infeliz e tragicamente, é uma lição para o PSD. Mas, feliz e gloriosamente, é uma garantia de liberdade para Portugal.

Freitas perguntou, Louçã calou

7) E, por último, que pensa o BE da NATO? Teve ou não um papel positivo na «guerra fria»? E agora? Deve ser suprimida? Mantida nas suas funções iniciais? Ou transformada numa espécie de «polícia do mundo», como tanto deseja um grande número dos seus países membros?

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Freitas do Amaral, na Visão de 21 de Maio de 2009, fez sete perguntas a Francisco Louçã. Se alguém souber onde se encontram as respostas, é favor avisar.

Endireita

Os principais blogues da direita foram nesta segunda-feira negra terrenos de grande desolação. Grassa a cobardia e o estado de negação, a esperança louca de que Cavaco ainda destrua Sócrates num golpe mágico. Salvam-se o Carlos Abreu Amorim e o Pedro Marques Lopes. Isto é, salvam-se os mais independentes. É desta raça que tem de nascer a refundação da direita, pois a escumalha que preenche os quadros do PSD e CDS não tem nada a ver com a direita ou seja com o que for de aspiracional no plano da cidadania. A direita, a ser alguma coisa identificável para lá das diferenças ideológicas e teóricas internas, é tradição, liberdade e honra. Se for preciso, também se pode fazer um desenho.

Crespoterapia

Crespo convidou Maria João Avillez para explicar aos portugueses com quantos pastéis de Belém se faz uma conspiração. Ela disse que bastavam dois ou três. Para além do Lima, havia seguramente outra fonte. E falou dela com tocante intimidade. Citou-a. Esse repuxo presidencial teria apenas feito um comentário en passant a um jornalista do Público. Algo tão natural e inócuo como isto: Mas já viram esses 4 mecos do PS a dizerem que andamos a fazer o Programa do PSD?… Sinto-me… sinto-me… nua!

Continuar a lerCrespoterapia

Freitas perguntou, Louçã calou

6) Na perspectiva da política económica geral, que modelo defende o BE? É monetarista ou keynesiano? Manteria Portugal na União Europeia? E no Euro? Que pensa do famigerado Pacto de Estabilidade e Crescimento – se, ou quando, for levantada a sua actual suspensão de facto?

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Freitas do Amaral, na Visão de 21 de Maio de 2009, fez sete perguntas a Francisco Louçã. Se alguém souber onde se encontram as respostas, é favor avisar.

Universos paralelos

Caso o DN não tivesse informado o País da existência de um email que explica as duas peças seguidas do Público em Agosto, acerca de escutas e vigilância da Presidência, chegaríamos a 27 de Setembro ignorando que a temática da asfixia democrática é bem mais grave e escabrosa do que aquilo que a propaganda senil do PSD andava a querer que engolíssemos.

Vinte Linhas 413

Estive duas vezes de acordo com Pinto da Costa

Corria o ano de 2002 e a editora Padrões Culturais acabava de publicar o meu «Os guarda-redes morrem ao domingo» que foi apresentado na FNAC Colombo por Manuel Alegre. Como há nesse meu livro um poema para Pavão, contactei o senhor Pinto da Costa e ele deu-me a morada para lhe enviar um exemplar. Ainda recordo essa morada: FCP SAD Avenida Fernão de Magalhães 4350-158 Porto. Estive de acordo com Pinto da Costa. Corria do ano de 2006 quando surgiu um novo jornal desportivo cujo primeiro número incluía uma entrevista com Jorge Nuno Pinto da Costa realizada (salvo erro) por Vasco Resende. Guardei o dito jornal para o oferecer à mãe do Miguel Garcia, Dona Albertina Garcia e fui a Moura de propósito para lho entregar. A razão desse «estar de acordo» é simples: Pinto da Costa nessa entrevista recordava um lance ocorrido no Estádio José Alvalade entre Miguel Garcia e Simão Sabrosa quando, na grande área do Benfica o primeiro foi derrubado pelo segundo. Mas o árbitro não marcou embora estivesse perto. Estive de acordo com Pinto da Costa duas vezes: uma por razões poéticas e sentimentais, outra por razões de arbitragem. Lembrei-me disso hoje ao ver como a União de Leiria foi brutalmente prejudicada com a marcação de uma grande penalidade completamente inventada. O lance é um simples corte, o jogador leiriense joga apenas a bola, nada mais. Lembrei-me porque o árbitro é o mesmo. O que não viu em Alvalade viu em Leiria. Sou do tempo em que os árbitros eram todos do Benfica menos o Décio de Freitas (OS Belenenses) e Joaquim Campos (Sporting). Em Portugal de 2009 voltou a coboiáda em que é tudo do xerife. Não há quase ninguém do lado dos índios.

Marcelo resolve

No caso das eventuais escutas em Belém, José Manuel Fernandes é uma peça-chave. Desde que saiu a notícia, e em estrito acordo com o lançamento da bomba, ele tem sugerido que Cavaco aprovou a acção. Essa possibilidade ficou reforçada com o conhecimento do email revelado pelo DN, por um lado, e pelos silêncios e declarações crípticas de Cavaco, pelo outro. Acresce que o Zé Manel já avisou ter uma vasta investigação em curso cujo alvo é o Governo e os serviços de informação, assim reforçando a densidade da suspeita e, na prática, tomando partido pela validade da mesma. Neste cenário, os que estão cegos pelo seu ódio a Sócrates esperam que, mais cedo do que mais tarde, as provas apareçam e o Engenheiro seja derrubado pelo Professor. Os restantes, estão banzos com o inacreditável comportamento do Presidente, o qual está a arrastar o País para uma crise institucional absolutamente imprevisível – e que poderá ainda estar envolvido em crimes ou ter assessores passíveis de responsabilização criminal.

Assim, estes 13.52 minutos são fundamentais para vermos (ou imaginarmos) uma luz ao fundo do túnel neste inusitado imbróglio. Marcelo é conselheiro de Estado, para além de residir nele um prestígio senatorial que lhe dá uma especial autoridade numa crise com esta gravidade. Marcelo é uma figura que pode substituir Ferreira Leite e Cavaco a qualquer altura, com óbvios ganhos, é a mais valiosa referência simbólica do PSD agora que Cavaco caiu em desgraça. Pois bem, este mestre da intriga palaciana tomou o partido da sanidade mental e da ética: é mentira que alguma vez Cavaco tenha suspeitado da existência de escutas ou vigilâncias posto que nunca as denunciou a quem de direito durante 17 meses. Este será o único desfecho que salva a face do Presidente da República, porque a alternativa, a existência de suspeitas e até de escutas, arrastaria Cavaco na enxurrada pois teria faltado à sua responsabilidade, pelo menos.

Marcelo adjectiva o caso de ridículo e decreta um puxão de orelhas ao assessor da Presidência que será o solitário culpado. Isto equivale a dizer: já chega de loucura, atinem, por favor. Especialmente caricato foi o modo como comentou o desmentido do Estado-Maior General das Forças Armadas à notícia do CM que trazia declarações de fontes anónimas da Presidência a referir uma investigação das secretas militares em Belém. Para Marcelo, impaciente, tal confusão não passa de mais um equívoco fruto do nervosismo eleitoral.

Aqui chegados, temos de nos perguntar o que diria Marcelo numa situação similar onde o Presidente da República em causa tivesse sido candidato pelo PS. E não é difícil. Marcelo diria que se estava a viver o impensável, o maior escândalo do regime desde o 25 de Abril, e que todos os sinais apontavam para uma situação caótica em Belém, onde o Presidente não tinha qualquer mão sobre a sua Casa Civil ou era cúmplice, quiçá mentor, dos seus desmandos. Terminaria com uma graça, de graça duvidosa, dizendo que só faltava que essas pessoas que estão a largar notícias conspirativas em período eleitoral pegassem em caçadeiras e fossem para o alto dos muros do Palácio de Belém disparar contra quem passa.

Felizmente, o Presidente é do PSD e Marcelo pode resolver a coisa com esta limpeza e contenção de danos.

Pacheco tradutor de Cavaco

Eu compreendo que o Presidente da República, até pelas coisas graves que tem certamente para dizer face aos ataques que lhe têm sido dirigidos, não queira falar em período eleitoral. O que diria perturbaria e muito o período eleitoral. Mas temo que só depois das eleições é que se vá saber demasiadas coisas sobre esta governação e sobre o Primeiro-ministro. E temo que isso seja um fardo muito difícil de gerir, ganhe quem ganhar as eleições. Seja no caso Freeport, seja na questão da eventual espionagem aos seus opositores, seja no ataque à TVI e ao Público, seja nos múltiplos negócios que estão por esclarecer, da OPA da Sonae à crise do BCP e à interferência da CGD, seja no caso BPN e nos nunca esclarecidos movimentos do dinheiro da Segurança Social, seja na tentativa de compra da PT da Media Capital e etc,. etc. Um etc. demasiado grande.

Pacheco diz que Cavaco não fala para não perturbar o período eleitoral. Entretanto, à sua volta há um País perturbado e perplexo com o silêncio do Presidente da República num caso que ultrapassa em gravidade tudo o que aconteceu desde o 25 de Novembro na política nacional. É que nem a morte de Sá Carneiro causou esta desconfiança em relação à viabilidade do regime. Não é humanamente possível ser-se mais hipócrita do que o Pacheco.

Pacheco diz que Cavaco, ou alguém por ele, irá expor os podres de Sócrates. Entra tudo, da SONAE ao Freeport, do BPN à TVI. Pacheco diz que Sócrates é o maior criminoso de sempre em Portugal, provavelmente na Europa e talvez no Mundo. O que o safa é estarmos em período eleitoral e etc. Um etc. demasiado grande até para o Pacheco, que não tem capacidade para dar conta do recado e atalhar caminho.

Pacheco tem uma noção radicalmente nova do que constitui o período eleitoral. Suspeito que, para ele, esse período tenha começado em 23 de Março de 2007.

Louçã tradutor de Alegre

Eu estou certo que há imensos socialistas, a começar por Manuel Alegre, que têm perfeitamente a consciência de que esta injustiça não se pode manter, foi por isso que ele votou contra o Código do Trabalho e eu elogio a sua coerência.

Louçã explicou ao eleitorado BE o aviltante fenómeno de verem Alegre ao lado de Sócrates na campanha. Eis o que se deve seguir: se Louçã elogia a coerência de Alegre, então que seja coerente e lhe siga o exemplo. Vote PS.

Má sorte, ser um imbecil na esquerda imbecil

Ser imbecil é chato. E ser da esquerda imbecil é galo. Mas ser um imbecil da esquerda imbecil, indo para a cama com a direita reaça e salazarenta, alinhando nas campanhas de assassinato de carácter de Sócrates, passando ao lado de um tempo na História de Portugal em que a democracia se vê ameaçada a partir da instituição suprema do Estado, já não tem nada a ver com imbecilidade. É muito pior.

Esboço para um retrato

Agora eu pouco sei das tuas rotinas

O chão do poema é deserto povoado

As nuvens são o aviso das neblinas

E este vento traz um frio antecipado

Há aqui uma luz azul intermitente

No carro da patrulha estacionado

A mensagem para ti está pendente

Ouves a confusão no prédio ao lado

Agora eu pouco sei das tuas rotinas

Ao fim da tarde, telemóvel desligado

O teu rosto desenhado nas cortinas

Mantém toda a frescura do passado

Quando ias entre a Estrela e a Graça

No eléctrico tão ronceiro à janela

A madrinha pedia as coisas da praça

À noite ias da Graça para a Estrela

Escuta com atenção

À medida que se vão conhecendo os factos, tomando como facto também as declarações e os silêncios dos intervenientes no caso, cresce a probabilidade de estarmos perante uma gigantesca conspiração, ligando Presidente da República, PSD e SONAE, pelo menos. É nessa linha que aponta a simultaneidade da utilização estratégica e retórica do tema da verdade a partir de 2008, tanto por Cavaco como pelo PSD de Ferreira Leite. E também o uso do Público como instrumento político da Presidência. Neste momento, há uma contradição insanável entre as declarações de José Manuel Fernandes, a garantir que deu uma notícia legítima e devidamente autorizada em Agosto, e o que se sabe do que o Presidente fez e não fez até hoje. Não havendo queixa às autoridades por parte da Presidência, há crime em Belém – independentemente da existência ou inexistência de escutas.

Continuar a lerEscuta com atenção

Nojo

Não aceito que haja um director de um jornal reconhecido e prestigiado no nosso país que possa estar sob escuta. Isto é uma condicionante ao nosso desenvolvimento.

Eu não aceito viver num país em que haja uma estação de televisão que, sendo incómoda para um primeiro-ministro, ela seja silenciada sem nós sabermos porquê.

Aquilo que o PS trouxe foi medo, medo. As pessoas têm medo.

Cada um de vós, tenho a certeza, se é funcionário público, se é professor, se trabalha num hospital, se tem amigos com quem costuma falar ao telefone, em todas as situações já disse: cuidado, que ninguém nos oiça, eu não te posso contar isto porque se calhar o meu telefone pode estar em escuta.

Presidente do PSD e candidata à chefia do Governo

Lendas do Cavaquistão

Naquele tempo, apareceu um Presidente que usou um jornal para lançar anonimamente uma suspeição destinada a influenciar as eleições legislativas. Então, um outro jornal contou a verdade a respeito das mentiras que o primeiro jornal ia publicando. Aqueles que apoiavam a Política de Verdade começaram logo a protestar contra a descoberta das suas mentiras. E o povo ficava estupefacto com a sabedoria do Presidente.