Endireita

Os principais blogues da direita foram nesta segunda-feira negra terrenos de grande desolação. Grassa a cobardia e o estado de negação, a esperança louca de que Cavaco ainda destrua Sócrates num golpe mágico. Salvam-se o Carlos Abreu Amorim e o Pedro Marques Lopes. Isto é, salvam-se os mais independentes. É desta raça que tem de nascer a refundação da direita, pois a escumalha que preenche os quadros do PSD e CDS não tem nada a ver com a direita ou seja com o que for de aspiracional no plano da cidadania. A direita, a ser alguma coisa identificável para lá das diferenças ideológicas e teóricas internas, é tradição, liberdade e honra. Se for preciso, também se pode fazer um desenho.

20 thoughts on “Endireita”

  1. Duvidas
    Não sou velho, também não sou novo. Em criança fascinava-me com a História de Portugal, o que faziam os seus Reis, as suas Dinastias, as suas batalhas, os casamentos, os nascimentos dos Príncipes. Houve batalhas importantes para a nossa independência como a batalha de Aljubarrota, o Cerco a Lisboa e Monção entre outros, os descobrimentos, no reinado de D. Manuel I, cognominado como Rei de Portugal e Algarves de Aquém e Além-Mar. Nos conjurados que planearam a revolta de 1/12/1640, atirando pela janela Miguel de Vasconcelos e proclamaram D. João I, como rei de Portugal.
    Hoje avô deparo-me com algumas dúvidas sobre a veracidade desses factos. Naquele tempo quem fazia as notícias eram os escrivães, nos nossos dias chamados de jornalistas, que fazem e desfazem como querem fazendo lembrar La Palisse. É ver como todos querem sair desta embrulhada não olhando a meios para atingir os seus fins. O Sr. Presidente da República que devia ser a pessoa mais séria da Nação, não toma qualquer atitude, no que toca à devassa da vida privada do 1º. Ministro, deixando enxovalhar quem ele devia proteger. Ao dizer proteger não quero dizer fazer a defesa mas sim pôr tudo a nu. Para a sua honestidade convoca conferências de imprensa, para defender ou averiguar o que dizem dos outros, cala-se ou refugia-se debaixo do chão como as toupeiras. Os líderes falhados gostam de (des) governar com a confusão porque assim sabem tudo o que se passa e aqui é que há uma asfixia democrática. Por tudo isto deixei de me acreditar nos jornais sabendo de antemão que há uns mais sérios que outros, onde destaco Jornal de Notícias, na pessoa de José Leite Pereira, Diário de Notícias, João Marcelino.

  2. Jornalista escreveu artigo de opinião a criticar primeiro-ministro
    Sócrates requer abertura de processo contra jornalista João Miguel Tavares
    21.09.2009 – 21h35 PÚBLICO

  3. Pois, só que, para mim, “tradição, liberdade e honra” exigem, no mínimo, que se lave a língua com pimenta quando se escreve a palavra “pantomineiro” como qualificativo para um Primeiro-Ministro como José Sócrates (que aliás a própria Direita, se tivesse Honra, reconheceria como, pelo menos, razoável).

    Não, não acho que uma Direita às direitas seja viável com C. A. Amorim. Bastante mais com Pedro M. Lopes.

    Para além de que, na minha ingénua concepção da Direita, acho que só existem Tradição e Honra. E talvez, concedo, uma pitada de liberdade, assim mesmo, com minúscula. Porque a Liberdade, essa, desde Espártaco que permanece património absoluto do Centro e da Esquerda…

  4. bem me parecia, a ferrugenta é <a href="http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&id_news=411185"<lapa, além de parva. Saborzinho de poder.

    Valupi: porque pões a Liberdade na direita? Estou com o Marco Alberto, a Liberdade é bandeira da esquerda, desde sempre. Além de que Liberdade e Tradição são contraditórios, olha o direito de pernada e o morgadio.

    Mas estou receptivo a que me corrijas a visão. Por acaso esta questão teórica interessa-me, o valor é a cruz dos filósofos dizia Ricoeur.

  5. Marco Alberto Alves, de acordo com o “pantomineiro”, mas parece-me mais retórica do que juízo.

    Quanto à referência a Espártaco, isso assinala que confundes a direita com o poder coercivo, o poder de Estado ou de qualquer autoridade com efeitos sobre outrem. Isso, lamento, não pode ser critério. Um Estado comunista seria dito de esquerda, e, contudo, pela sua mesma lógica, atentaria contra a liberdade.
    __

    Z, a direita a que aludo é aquela que concebe a liberdade como substância da tradição e faz da honra a protecção desse legado. No caso da esquerda, a liberdade é o resultado da vitória sobre as tiranias. Ora, o que acontece é que a direita, enquanto matriz ideológica, também recusa a tirania. As perversões na execução do poder político não são um exclusivo da esquerda ou direita, essa falácia impede muitos debates e muitos acordos em prol do bem comum.

  6. «o que acontece é que a direita, enquanto matriz ideológica, também recusa a tirania», será?

    A tirania como sabes é a degenerescência da oligarquia, que sucede à aristocracia. Para mim é nesse enlace oligarquia/tirania que se expressa a direita. Mas concordo que os regimes de socialismo de Estado degeneraram em soluções desta natureza, logo de direita. No entanto como te digo é uma questão que me interessa e que estou disposto a revêr e refazer, no entanto vou ter que pensar muito.

    Tradicionalmente a direita tomava o lugar da mão direita do soberano nas cortes, e era constituída pela nobreza e clero, enquanto que a esquerda era representada pelos procuradores dos povoados principais, logo do povo.

    No domínio dos valores a oposição principal é entre a ‘igualdade’ como valor da esquerda e a ‘hierarquia natural’ da direita, não?

  7. Parece-me que o Z tem razão: o conceito simbólico da Direita representa sempre o privilégio, o poder “natural” dos fortes, o desprezo total pela Igualdade, pela Justiça e pela Liberdade.

    Não confundir com as Direitas civilizadas e eruditas, características dos Países europeus evoluídos, que não encaixam bem neste arquétipo pois, ao aceitarem como valores políticos básicos o Estado de Direito e a Liberdade, já se colocam mais naquilo a que eu chamaria o “Centro” político.

    Quanto aos regimes totalitários ditos de “Esquerda”, deixaram-se enredar na perversão de admitirem uma hierarquia de valores em que Liberdade e Justiça valem menos do que “Igualdade”. Também os não considero de Esquerda, mas sim híbridos aberrantes, meta-conceptuais, sem classificação política histórica.

    Tal como, aliás, os seus simétricos à “Direita”, que todos começaram com base em referenciais de Esquerda, como o Nacional-Socialismo e o Fascismo.

    Mas isto não dá para expor assim às três pancadas…

  8. Exactamente, Marco Alberto Alves, é vasta questão. Creio é que, para recuperar o que escreveu o Z, temos de distinguir entre as modalidades de exercício do poder e a temática ideológica. Assim, a democracia e a tirania podem ambas gerar exercícios de poder considerados de esquerda ou de direita. A questão é desvairadamente complexa, tantas as dimensões e correlações conceptuais. Por exemplo, Chávez é um democrata de esquerda que indicia exercer o poder de forma tirânica. Obama seria sempre visto como político de direita ou centro-direita na Europa. E um sem-fim de exemplos.

    Assim, eu não coloco a ênfase na hierarquia para descrever a direita ou a distinguir da esquerda, pela simples razão de que não existem grupos humanos sem hierarquia, é essa uma condicionante antropológica. E, muito antes da visão comunista, já o ideal comunitário tinha nascido em contexto religioso. Os católicos, ou cristãos de modo geral, que se tratam como irmãos, são por isso de esquerda?

    Para mim, a polaridade tradição-revolução poderia ser um terreno de clarificação bem mais apropriado para o começo (e só o começo!) da investigação.

  9. Sim, é verdade, a questão é complexa e tem muitas dimensões e correlações conceptuais. Eu próprio me costumo definir pessoalmente como sendo “de Esquerda” em termos políticos, mas “de Direita” (ou melhor, “às direitas”) na minha vida privada.

    Como contributo para a “investigação” (e aproveitando a soneca do Z), deixo aqui uma ou duas pistas prévias: e se a Esquerda e a Direita não fossem “lugares geométricos”, mas antes referenciais de coordenadas, como Leste e Oeste, por exemplo? E que, por isso, variassem os seus contornos mais visíveis em função de contextos temporais e espaciais concretos?

    O que explicaria melhor o “paradoxo” de Obama ser aparentemente de “Direita” na Europa, ou em Cuba, mas parecer visceralmente de Esquerda na América, na Luisiana, no Kansas…

    Tal como outrora os Liberais, em Portugal e não só, que eram uma força extremamente revolucionária e progressista (subversiva, mesmo), no Séc. XIX, e que hoje se arrumam, muito civilizadamente, no Centro-Direita.

    Daí que, quando se tenta definir ou distinguir genericamente os conceitos meta-históricos de Direita e Esquerda, não seja útil procurar “localizá-los”, mas apenas “orientá-los”, em função do contextos concretos.

    Assim como alguém que, estando no Hemisfério Sul e voando velozmente para Norte, não deixa contudo de estar muito mais a Sul de alguém que, embora caminhando decididamente para Sul, se encontre perto do Pólo Norte…

    A segunda pista: a Direita e a Esquerda, quando analisadas em termos comparativos, não devem ser identificadas por características menores e circunstanciais, facilmente relacionáveis a contextos históricos concretos, temporal, espacial e mentalmente bem delimitados.

    Antes se deve procurar ir bem fundo e descascar esses conceitos até ao cerne, libertando-os de roupagens circunstanciais e procurando identificar traços de união constantes, ou características fundamentais, comuns a várias “personificações” concretas desses conceitos políticos: ou seja, como que “isolar” o seu ADN específico. Sem esta preocupação, discutir a Esquerda e a Direita corre o risco de se tornar num exercício fútil ou, no mínimo, circular.

    Se aceitarem o repto, tentem rever a nossa conversa inicial sobre a Liberdade (e a liberdade…) à luz (?) desta grelha analítica.

    Veremos então se a Liberdade, como valor ideológico essencial, é mais de Esquerda ou de Direita. Não nos deixando toldar o raciocínio com o conceito de “liberdade” enquanto mera ferramenta instrumental e táctica, a usar segundo conveniências de oportunidade interesseira…

  10. eu acho que o Obama, no contexto, é visto como mais de esquerda do que de direita, eu pelo menos vejo assim.

    da Esquerda como conceito não podemos desvinculá-la dos valores da Revolução Francesa: {liberdade, igualdade, fraternidade}, já as concretizações reais são outra coisa, os sistemas pervertem-se e reconfiguram-se na sucessão:

    revolução->aristocracia->oligarquia->tirania->nova revolução

    revolução aqui é em sentido lato, não implica sangue, implica sim a disrupção da hierarquia instalada e a sua substituição por outra, mais arejada, mais promissora, até ver,

    não creio que consiga acrescentar mais nada por agora.

  11. Marco, a tua reflexão é deveras sugestiva. E acho impossível não concordar contigo na dimensão relativa dos conceitos. São os contextos a fornecer as conotações às denotações. O que, por outro lado, colide com o teu repto essencialista, a procura do ADN, pois não se vê como certa essa empresa.

    E o tão bem recordado exemplo do liberalismo é lição incontornável. Segundo os tempos e as geografias, um liberal pode estar nos extremos do espectro. Esta circunstância leva-me para um aspecto que me aparece fundamental na cidadania: a liberdade. Será este valor exclusivo de um dos lados da barricada? Assim o diz a demagogia, mas não a inteligência nem o bem comum. Começar por admitir que o valor da liberdade pode ser perfilhado tanto pela esquerda como pela direita seria, na minha humilde e nada modesta opinião, a marca de uma superior civilização. Porque garantiria um espaço comum de confiança e entreajuda para a governação.

    Claro, falar de liberdade, “et pour cause”, é tão vasto como falar das diferenças entre esquerda e direita.
    __

    Z, também concordo a respeito do Obama, evidentemente, mas também por isso o dei como exemplo, pois ele não é só o representante de políticas socialmente mais justas, igualmente transporta valores “americanos” que seriam vistos como “imperialistas”, “conservadores”, capitalistas” pela esquerda europeia.

  12. eu sou receptivo a pensar como o valor da liberdade pode ser partilhado entre esquerda e direita moderadas, fico a pensar,

    aliás isso dá um grande tema, subscrevo aquela consideração do Heidegger de que a liberdade é condição de acesso à verdade,

    à escala da minha vida, eu que sempre me declarei casado com a liberdade, descobri mais tarde que isso significa apenas um espaço de condições que viabilize a expressão dos meus esforços, do meu ‘crescimento’, quiça da minha ‘libertação’, que porventura estará basicamente programado desde sempre. Ou seja admito que o que chamo liberdade seja apenas o alargar das fronteiras do espaço que viabiliza o desdobramento do ser, associado a uma estátua interior (F. Jacob) que está lá desde que me lembro.

    até logo

  13. Val, falhei neste debate por andar a compreender como funciona um Uni. pública tida por ser uma “Excelência”.

    Não diria melhor, do que a resposta ao Z, salvo o conceito e a prova de que a libertação à esquerda só pára pela necessária ordem democrática e a direita o seu equilíbrio só existe muito perto do “direito a” e nunca do “direito de”. Revolução sem dor, só Karl Popper.

    “Z, a direita a que aludo é aquela que concebe a liberdade como substância da tradição e faz da honra a protecção desse legado. No caso da esquerda, a liberdade é o resultado da vitória sobre as tiranias. Ora, o que acontece é que a direita, enquanto matriz ideológica, também recusa a tirania. As perversões na execução do poder político não são um exclusivo da esquerda ou direita, essa falácia impede muitos debates e muitos acordos em prol do bem comum”.

  14. Antes de caír de vez para o tapete, em cima da toalha, sempre vos lanço uma última provocação: parece-me a mim que a Direita, tradicionalmente, defende essencialmente a “liberdade” como um direito próprio e dos seus. O “direito do mais forte à Liberdade”!

    Para a Esquerda, contrariamente, a Liberdade mais sublime será sempre tanto nossa como dos outros, tanto para nós como para os outros!

    Por isso, neste conceito de Liberdade e só neste, podem comungar harmoniosamente Esquerda e Direita…

  15. «a Direita, tradicionalmente, defende essencialmente a “liberdade” como um direito próprio e dos seus. O “direito do mais forte à Liberdade”!»,

    exactamente Marco Alberto, a liberdade dos subjugados numa estrutura fortemente hierarquizada sempre foi conquistada pela força, que eu saiba, a não ser que o Valupi conheça outros exemplos.

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