Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

A ética nunca alimentou ninguém

No último Governo Sombra, tanto Ricardo Araújo Pereira como Pedro Mexia deixaram remoques acerca de dois artigos seguidos do caluniador profissional pago pelo Público: ISCTE – O braço universitário do Partido Socialista (14 de Abril) + João Leão financiou com cinco milhões o seu novo emprego (16 de Abril). O Ricardo foi sarcástico a respeito da “coincidência”, afirmando que se tratou de um embuste onde o caluniador foi avisado de ir rebentar o caso (daí o primeiro artigo tendo todo o PS como exclusivo alvo). E o Pedro foi explícito no seu protesto contra o que designou como “suspeitas genéricas”, culminando numa enfática declaração de princípios a separá-lo de quem alinha em tais práticas.

A forma como o caluniador profissional respondeu aos seus colegas de programa, tanto na linguagem verbal como na expressão corporal e facial, não carece de intérprete. Trata-se de um agente político que recebe dinheiro de órgãos de comunicação social para atacar – a coberto do estatuto de “independente” e “jornalista” – o PS e personalidades socialistas de forma sistemática. Igualmente sem surpresa e interesse foi o registo displicente do Ricardo, embora tenha valor positivo a sua breve e superficial referência. Está na posição do Pedro algo que importa desenvolver só para satisfazer a curiosidade analítica. E que é o seguinte: este licenciado em Direito, supinamente culto, sabe de ginjeira que ao escolher os vocábulos “suspeitas” e “genéricas” está a recorrer a uma fórmula hiper-eufemística para se relacionar publicamente com o que são evidentes difamações e/ou calúnias.

Ora, que aconteceria na cabeça do Pedro Mexia se lhe acontecesse ver uma figura altamente influente no espaço público como comentador, com presença constante em vários dos mais poderosos meios da imprensa, que se estivesse especializado em lançar difamações contra o PSD, o CDS, agora também a IL, e demais personalidades dessas áreas? Que pensaria vendo esse modus operandi ao longo do que já conta com 13 anos ininterruptos? Que diria se esse fulano, exclusivamente por se prestar a esse papel, tivesse recebido o prémio de ser escolhido para presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho? Que diria o filho de João Bigotte Chorão, o consultor de Marcelo Rebelo de Sousa, o colaborador do CDS para a feitura do programa eleitoral de 2019, de uma farsa e deboche desse calibre montados na comunicação social para despachar caudalosos assassinatos de carácter e apelos ao ódio contra a sua família política, contra os seus amigos?

Pois é, Pedrinho. Servir a dois senhores pode fazer-te muito bem ao bolso e ao ego mas não te julgues acima do caluniador profissional. Estás literal e moralmente ao seu lado.

Franceses, atinem!

O que acontece quando as alternativas democráticas à esquerda e à direita desaparecem? Olhando para a França, a resposta parece-me clara: os extremos políticos ganham força. Tem sido por essa razão, aliás, que, em Portugal, se tem evitado a todo o custo a constituição de governos “centrão”, ou seja, com PS e PSD coligados.

Nunca Mélanchon, um esquerdista, cuja opinião em relação a Putin* é ambivalente, esteve tão perto de passar à segunda volta e nunca Marine le Pen, uma populista de extrema-direita, amiga e devedora de Putin*, conseguiu tantos votos na segunda volta das presidenciais.

(*Mas o que vem aqui fazer o Putin, perguntarão de imediato alguns; senhores, o homem e a sua máfia têm tentáculos em todo o lado hoje em dia e, sobretudo desde o caso Trump, passaram a ser um importante dado a ter em conta em qualquer eleição no Ocidente)

 

Emmanuel Macron soube tirar proveito, em 2017, do descrédito dos dois grandes partidos tradicionais, o Republicano, por culpa de Sarkozy e outros, como Fillon, e depois o Partido Socialista, de François Hollande, um político medíocre. Ambos estes partidos se afundaram quase completamente desde então, obtendo um número risível de votos. Como se percebe, a responsabilidade directa deste descalabro não é de Macron, a quem muitos acusam de forma simplista de “eucalipto”, como se um eucalipto se plantasse a si próprio. Mas é um facto que Macron governa naquela espécie de centro pragmático supra-partidário que pouco se preocupa com classificações de centro-direita, centro apenas ou ainda ultra-liberalismo, o que nada ajuda ao reerguer dos dois antigos maiores partidos. E, objectivamente, os resultados da governação Macron não são maus: a França cresce a bom ritmo, apesar da pandemia e das agitações e intenções dos coletes amarelos, o desemprego está muito baixo e até a subida recente do custo de vida, cuja responsabilidade a oposição lhe atribui, é exclusivamente devida a factores externos e comuns a quase todo o mundo, como a crise energética ou os problemas na China, além de, previsivelmente, a guerra. Lembremos que os franceses se atrevem a protestar contra o fim da idade da reforma aos 60 anos. Vivem num país de luxo, portanto. O descontentamento de que se fala (excepto com a imigração muçulmana) ultrapassa muito a nossa compreensão.

 

Mas enfim, e continuando, não sei se será possível reconstituir os dois partidos tradicionais alternantes em França até Emmanuel Macron terminar o mandato, em 2027, ou se haverá na calha algum sucessor do mesmo tipo capaz de cativar os franceses, ou ainda se, na conjuntura actual, partidos como os Republicanos e os Socialistas têm sequer cabimento, mesmo que tivessem líderes competentes e carismáticos. Penso que ninguém sabe. Sabemos, e isso foi uma descoberta assustadora desde Trump, que a Rússia apoia e financia todo e qualquer partido que, no Ocidente, possa provocar o caos, enfraquecer as democracias e destruir a União Europeia, e que dispõe de “hackers” muito activos que invadem as redes sociais de lixo influente. E sabemos que, enquanto o complexado Putin e muitos dos seus generais forem vivos, essa ingerência continuará.

A França tem, pois, cinco anos para se informar e pensar no que quer, e os partidos democráticos têm exactamente o mesmo tempo para combater a onda gigante de populismo e descredibilização que surge do Leste. Pode ser que não seja assim tão difícil. Talvez a guerra na Ucrânia seja bastante decisiva.

Revolution through evolution

Women’s earnings drop after childbirth, study finds
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Girls Excel in Language Arts Early, Which May Explain the STEM Gender Gap in Adults
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Stop the clocks: Brisk walking may slow biological aging process, study shows
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Fewer smartphones, more well-being
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Praising essential workers — nurses, grocery workers, corrections officers — is not just a good thing, it’s critical to their recovery from burnout
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Prehistoric humans turned their campfires into makeshift movie theaters
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Brazilian study finds COVID-19 cases and deaths higher in areas with electoral support for President Bolsonaro
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Dominguice

Ser humano é ser animal e fingir que não se é animal. Fingimos porque o animal em nós está incompleto, desligou-se do ecossistema de que é uma emanação e um súbdito. Fugiu, ou foi expulso, desse paraíso. E agora o ser animal que é ser humano sente-se perdido, só, com medo dos animais à solta. Com medo da animalidade soberana.

Estamos, nós humanos, a tentar criar um novo ecossistema adequado a animais mutilados e disfuncionais. Chama-se civilização.

António Costa e a Aura Mediocritas

Foi publicado, e não desmentido pelo próprio, que António Costa considerou ter sido “aldrabado” por Sócrates a respeito das heranças que a mãe deste teria recebido, afirmações feitas em Julho de 2021 para a actualização de uma biografia de Mário Soares. Também nessa ocasião terá declarado a Joaquim Vieira que Soares foi instrumentalizado com a finalidade de assim impedir o confronto de Costa com Sócrates na prisão de Évora.

A primeira reacção que esta notícia provoca é de atarantação. Não por existir alguém que considere Sócrates mentiroso, sequer por existir alguém que ache verosímil Soares ter sido manipulado para (cônscia ou inconscientemente) alinhar com uma artimanha indigna e vexante. Isso são banalidades irrelevantes. A perplexidade, a raiar o estado comatoso, vem da pessoa que permite (e que o permite nesta altura) ficarmos a saber que tal pensa, em tal (pelos vistos) acredita. Como é possível ser-se tão imbecil?

Comecemos por este cenário: um dia, de uma maneira qualquer, será provado que Sócrates mentiu a respeito das heranças familiares e que Soares foi uma vítima, ou um cúmplice, do ardil que impediu Costa de esclarecer lá o não sei quê que alega ter ido a Évora para esclarecer. Problemazinho: esse dia não é hoje, não será amanhã e, aposto os 10 euros que tenho no bolso, a acontecer só virá um mês depois do dia de São Nunca. Isto porque a matéria das heranças está documentada junto das autoridades e é, no seu conteúdo, assunto que se esgota na privacidade de Sócrates e da sua família. Que importa, seja para o que for com estatuto de interesse público, que as heranças tenham sido assim ou assado, e que o pecúlio tenha sido gasto desta ou daquela maneira, e que o homem tenha publicitado ao longo dos anos isto ou aquilo a seu respeito? Importa como eventual indício em foro de investigação judicial, claro que sim, mas fora desse âmbito é uma problemática estritamente moral e mesquinhamente polémica. Ter um primeiro-ministro a envolver-se com a Operação Marquês, na qual Sócrates está como inocente pois ainda de nada foi condenado, para atacar – recorrendo à subjectividade – aspectos de personalidade do principal arguido fica como um registo quase tão abjecto como o de Carlos Alexandre na infame entrevista em que condenou em público um cidadão à sua guarda constitucional.

Continuemos com este cenário: nunca se saberá ao certo o que se passou para que Soares tivesse aparecido em Évora ao mesmo tempo que Costa mas, lançada a lebre, vão começar a aparecer versões, relatos, teorias da conspiração. Primeiro efeito, indelével, a memória de Soares fica inacreditavelmente maculada por uma das mais importantes figuras da história do PS e da política nacional, António Costa, primeiro-ministro em funções. O alvo do que é tecnicamente uma colossal difamação não se pode defender, e só por este aspecto as declarações de Costa são um monumento ao despudor e à chungaria. Parece conversa de tasca, um vale tudo etílico, ou então o planeado intento de fazer o assassinato de carácter a Soares. Hipótese irracional? Não tão irracionalizante como o facto consumado, ter feito as declarações na berlinda e logo para ficarem inclusas numa biografia de Mário Soares. No outro lado da ladeira, o prestígio de Costa não surge mais bem tratado. Ao querer ficar colado à imagem de não ter conseguido interromper o “comício” de um Soares incontinente verbal (cheché, como deixa sugerido) para encostar o vilão às grades e sacar-lhe a confissão dos seus homéricos crimes, vendo-se assim obrigado a regressar a Lisboa a chuchar no dedo, esta consciência revela ter perdido por completo a noção do ridículo. Espero, em nome de todos quantos lhe queiram bem, família e amigos, que a passagem do livro onde se cobre de alcatrão e penas seja desmentida.

Mas não será, né? O que nos leva para o último cenário: Sócrates foi corrompido, o dinheiro do amigo era dele, enganou este mundo e o outro, a mielas com o Salgado serviu-se do PS e do cargo de primeiro-ministro para se encher de milhões, de fatos caríssimos, de férias luxuosas, de droga e sexo. Um monstro, portanto, e um génio do crime como nunca houve outro no Planeta pois conseguiu fazer isso tudo sozinho e nos intervalos do expediente. Ora, sendo esse o retrato, como é que Costa se revela tão falho de curiosidade em ter uma conversinha com o fulano logo em 2014? E se não conseguiu em 2014, por via da tal armadilha com o idoso que não se calava, que o impediu de continuar a tentar em 2015? Ou 2016? 2017? 2018? 2019? 2020? 2021? E 2022, que ainda nem vai a meio? Aliás, por que raio não aproveitou a presença do patriarcal e heróico Mário Soares para lhe imitar o exemplo e confrontar na sua presença Sócrates com tudo o que lhe quisesse perguntar e dizer? E por que caralho não fez como Guterres, que visitou Sócrates mais do que uma vez e, milagre, ainda conseguiu ser eleito secretário-geral da Organização das Nações Unidas? Das duas uma: ou Costa sabia que as suspeitas de corrupção não passavam de tangas, ou Costa… o quê? Como caracterizar a atitude de indiferença que o próprio assume em relação ao que o Ministério Público berra ser o maior crime alguma vez cometido em Portugal e que, a ser provado, envolve directamente o PS e todos os que integraram o partido e os Governos quando Sócrates era o líder?

Espantoso, inexplicável, misterioso episódio. O silêncio que se seguiu à imediata resposta de Sócrates, com uma frontalidade à prova de pulhas, só adensa o absurdo criado por Costa. Um Costa que, para supina sorte deste país, é primeiro-ministro desde 2015 e acaba de ganhar uma maioria absoluta que não poderia ter vindo em melhor altura dado o novo ciclo de crises internacionais imprevisíveis e potencialmente catastróficas. Um Costa que merece um lugar no panteão dos melhores políticos da nossa democracia por ser um oceano do tal bom senso que alimenta e protege o bem comum. E um Costa capaz de se aliar a um caluniador profissional, servindo-se das instituições e instalações da República para um número político-mediático onde se exploraram menores. Contrastes de quem talvez nunca tenha tido a ambição de chegar onde chegou, e que disso fez uma força que lhe deu os merecidos triunfos políticos.

Eis a aura mediocritas daquele que continua sem rival no horizonte para se fazer melhor em S. Bento.

Com que olhar veremos o PCP neste 25 de Abril?

Perante as posições assumidas pelo PCP sobre o conflito na Ucrânia, para sintetizar, completamente cruéis, é ou não legítimo pensarmos que a luta dos comunistas durante a ditadura salazarista mais não visava do que a substituição de uma ditadura por outra, ao estilo soviético, e de modo algum, em tempo algum, a instauração de uma democracia livre e aberta, de tipo ocidental?

 

Caiu-lhes finalmente a máscara com que jogavam o jogo democrático. Não aos meus olhos, claro, como saberá quem me tem lido. Mas, a partir de agora, muito poucos olharão para os dirigentes e os militantes do PCP como genuínos defensores dos “direitos dos trabalhadores e do povo” (apesar de estes pouco lhes ligarem) e sinceros democratas. Não passam de agitadores, a soldo agora da Rússia. E, ironia ou não, ridículo ou não, o único ponto em comum entre a doutrina comunista e o regime oligárquico-capitalista-militarista de Vladimir Putin (que nunca denunciam) é mesmo o seu carácter repressivo e ditatorial. Totalmente repressivo e totalmente ditatorial. Além de assumidamente imperialista. Penso que estamos conversados e que o destino do PCP não será finalmente diferente do dos partidos comunistas da restante Europa – uma irrelevância total, quando não uma inexistência. Ao mesmo tempo, será um alívio, que aqui chega tarde.

 

Não me admiraria, pois, que, se tiverem a lata de desfilar no 25 de Abril (e vão ter), fossem apupados e bem apupados. Ainda mais quando a actual líder da bancada parlamentar dos comunistas, Paula Santos, se vem arvorar, indignada com Zelensky, em proprietária da nossa famosa e querida efeméride. Com que cara se apresentarão em defesa “das liberdades” conquistadas em 74?

Exactissimamente

O putinismo e a boa-fé

«Que a responsabilidade da guerra é da Rússia é um facto inegável; que a NATO cercou a Rússia é outro: não sei como é que alguém de boa-fé pode negar qualquer um deles.»

Miguel Sousa Tavares – “Para acabar de vez com este sufoco”

Este amigo, uma das mais importantes celebridades do comentariado (e por excelentes razões ao longo de décadas, vai sem discussão), condensa na frase citada o mecanismo psicológico que leva os putinistas para a radicalização que ostentam. O argumento começa por fazer uma concessão à evidência mas de imediato aproveita o balanço para perverter esse acordo inicial com a realidade recorrendo à ficção: “a NATO cercou a Rússia“.

Como é que a NATO cercou a Rússia, o maior país do Mundo e tendo fronteiras com Finlândia, Georgia, Ucrânia, Bielorrússia, Azerbaijão, Cazaquistão, Mongólia, Coreia do Norte e China, nenhum destes países pertencendo à NATO? Tal em nenhuma parte do seu texto se explica, nem um mero guardanapo com nódoas de tinto e gatafunhos geográficos é apresentado para ajudar a perceber. Em vez disso, serve-se uma chantagem: quem diga que a Rússia é responsável pela guerra tem de concordar que antes a NATO tinha cercado a Rússia. Os que recusarem levam com o carimbo de trafulha, avisa o tonitruante Miguel.

Ora, é decisivo para um putinista que haja fantásticos casus belli para agitar frente às audiências e, especialmente, para entorpecer a consciência própria na hora da deita. Pode ser o “cerco da NATO”, ou o “genocídio no Dumbass”, ou os “nazis ucranianos”, ou os “laboratórios secretos de armas químicas e biológicas que os americanos montaram na Ucrânia”, ou dois deles à escolha, ou três ao gosto do freguês, ou todos ao molho mais os que forem sendo lançados pela boa gente que aplaude os crimes cometidos por Putin na Ucrânia. Munido dessas “verdades” , bastando uma como a citação ilustra, o putinista constrói axiomaticamente um bastião inexpugnável. Ele passa a dispor de um nexo causal que o defende das “mentiras”, a “propaganda” e “lavagem cerebral” que o persegue e ataca a mando do imperialismo americano. A tal “operação militar” que apenas pretende “libertar” a Ucrânia e devolvê-la ao seu ancestral dono torna-se uma questão pessoal, íntima, para o putinista militante. Porque é também a sua identidade como ser pensante, essa mixórdia de teorias da conspiração onde enfiou a inteligência, que está a ser ameaçada pelas armas dos americanos e pela comida dos europeus que é entregue aos ucranianos para se defenderem. Daí concordar com os bombardeamentos russos, a destruição das cidades, o massacre dos civis. E quantos mais melhor, para que mais rápido se chegue ao desejado fim putinista: que os ucranianos se rendam ou que sejam exterminados.

Mas vamos imaginar que a NATO tinha mesmo “cercado” a Rússia, após convencer todos os países à sua volta a entrarem para a organização. Qual seria o problema, sendo a NATO uma organização defensiva? Que raio de cerco é esse onde não se invade o vizinho e apenas se pretende viver em paz com ele e fazer negócios que também sejam vantajosos para os próprios russos? Gostava que algum putinista “de boa-fé” (passe a tautologia) respondesse.

Revolution through evolution

Women worldwide underrepresented in economics
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Exercise May Protect Brain Volume by Keeping Insulin and BMI Levels Low
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Feline familiar: Pet cats know their humans’ names, say scientists
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Innovation at Work: Unconventional methods help boost rural quality of life
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Recalled experiences surrounding death: More than hallucinations?
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Lies that ‘might’ eventually come true seem less unethical
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Former partners-in-crime likely to violently turn on one another – UK crime gang study
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Dominguice

Sem a força da gravidade não haveria estrelas. Sem estrelas não existiriam elementos mais pesados do que o hélio. Sem elementos mais pesados do que o hélio não apareceria a vida. Por causa da vida há genes. Por causa dos genes existe evolução. Por causa da evolução aparecem seres conscientes.

A consciência é um análogo da força da gravidade. Pode gerar um buraco negro de narcisismo e delírio. Pode explodir o egoísmo, espalhando elementos de inteligência, coragem e liberdade.

Da asfixia putinista

«Porém, e desde sempre, a minha tese (se é que me permitem ter uma) é esta: com excepção de Macron, ninguém, entre os países ocidentais, tentou seriamente evitar a guerra ou pôr-lhe termo, uma vez iniciada. Neste momento, é verdade que Putin já não parece nada interessado num acordo de paz, embriagado pelo sinistro grito de “viva la muerte!” já deixou de pensar como alguém razoável ou mesmo humano. Mas houve momentos antes em que isso pareceu possível e em que ninguém no Ocidente se mostrou disponível para ajudar.»


Miguel Sousa Tavares – “Para acabar de vez com este sufoco”

Este amigo, que foi um dos que andou a gozar com os avisos americanos sobre a invasão iminente, chegou encostado às tábuas ao quinquagésimo dia da destruição e carnificina na Ucrânia a mando de Putin. Aquilo que enviou para o Expresso desta semana é o patareco “segurem-no senão vou-me a ele” de quem está embrutecido pela ofuscante realidade: escolheu mal a trincheira e depois não teve coragem de assumir o erro, acabando a fazer das vítimas e de quem as apoia e protege o seu principal adversário. Em abono da verdade, não é caso isolado, há uma epidemia de putinismo que está a ser letal para o prestígio de muitos que muito estimávamos para lá das diferenças ideológicas.

O putinismo é o delírio à solta e nó cego na lógica que a citação acima ilustra. O homem imagina-se possuidor do conhecimento suficiente acerca dos neurónios de Putin para garantir que a invasão podia ter sido evitada, bastando-lhe ver uns quantos noticiários depois de um jantar bem regado para se tornar omnisciente acerca do que se passa no Kremlin. Ele topou que Putin queria a paz, que a paz era tão fácil de manter ou de obter, e que são os malvados “ocidentais” quem se deve culpar pelas ordens dadas ao exército russo. É ainda a repetição do que pensava antes da invasão, que ela não iria acontecer, e que seria uma aposta segura encher a pança de riso com os insistentes alertas acerca do regresso da guerra à Europa. O Sousa Tavares filho prefere defender a sua figura de urso numa vexante obsessão consigo próprio à humildade de passar por tolo.

Se, como afiança do fundo da sua calada vergonha, Putin “já deixou de pensar como alguém razoável ou mesmo humano“, estará este articulista em condições de explicar em que data tal fenómeno começou? Se não estiver, poderá ao menos indicar quais foram os “países ocidentais” que deixaram Putin chegar a essa lastimosa condição? Ou talvez ainda melhor, poderá o preclaro MST dizer à malta por que raio os “países ocidentais” resolveram colocar Putin em cima do arsenal nuclear russo?

Eu sei que tu sabes, Miguel. Não deixes que essa alucinação te sufoque, conta-nos tudo.

Infelizmente, a excepção

Como se pode ler neste texto – Lições mal aprendidas 1 – uma visão ortodoxamente marxista não impede que se faça uso da honestidade intelectual (leia-se: da objectividade imune ao sectarismo), expondo-se factos e suas evidências congéneres.

Infelizmente, este exercício é uma excepção porque o sectarismo da esquerda sempre foi um aliado da direita no ataque ao inimigo comum. Por essa razão, o editorialismo pôde e pode repetir à exaustão as balelas que o João Ramos de Almeida desmonta em três pinceladas, visto a direita dominar por completo o espaço mediático sem contraditório (não há editorialismo ligado ao PS). E no comentariado, cenário igual ou pior, com os esquerdalhos cujas afinidades estejam no BE e no PCP a deixarem as deturpações e puras mentiras da pulharia correrem soltas pois sempre contribuem para o desgaste e achincalhamento dos socialistas.

Isto acaba por gerar um fenómeno paradoxal, espelhado na surpreendente maioria absoluta do PS de Costa: direita e esquerda são vítimas da sua força e opressão no espaço público, acabando por se transformarem em desertos teóricos – como refere o autor olhando apenas para a direita. Pelo que podemos imaginar um presente alternativo onde graças a uma esquerda que não permitisse a maníaca chicana e baixa política da direita esta fosse obrigada a escolher líderes que a resgatassem da decadência e a trouxessem de volta à decência e ao bem comum.

Estaríamos todos muito melhor, inclusive para discordar uns com os outros.

Madraças por todo o lado, mas este é que não limpa a cabeça

Em artigo publicado hoje no Público, João Miguel Tavares acusa o ISCTE de ser uma “madraça do PS” e, apesar de classificar essa afirmação como uma provocação, subscreve-a com base na estatística. Ora, poderia aqui responder-se de várias maneiras, a primeira das quais, mais imediata, seria apontar como este indivíduo não desiste, nem desistirá jamais, da perseguição ao PS (razão pela qual lhe foi oferecido este espaço no jornal da SONAE, suspeita-se), ainda que com argumentos absurdos, com base apenas no ódio, como se fosse um escândalo a existência de escolas de pensamento democrático variadas – que não são madraças nenhumas – ou como se apenas fossem legítimos os reitores conotados com a direita. Mas há um comentador do artigo, no próprio jornal, que faz o trabalho por mim. Por isso, é só ler.

JS_VNB

Experiente

E agora espera-se que JMT aplique a mesma grelha analítica à Universidade Católica a fim de desvendar em que percentagem se divide a influência do PSD e da Opus Dei, para além da da hierarquia católica. E que repita o exercício com a Faculdade de Direito de Lisboa e com outras destacadas escolas do E. Superior mais conhecidas por formarem uma fatia substancial do pessoal político. Só assim será sério e escapará à suspeita de troll anti-PS (já não é só anti-Sócrates). De caminho poderá alargar o âmbito geográfico desta preciosa contribuição e avaliar as ligações das Universidades de Oxford e de Cambridge aos Conservadores e aos Liberais britânicos! Isto se quiser ser sério… e deixar de se mostrar uma criança que descobre, escandalizada, as realidades deste mundo.

Moedas, especialista em diabolizações

Deu que falar a exaltação de Carlos Moedas na reunião plenária da Assembleia Municipal de Lisboa, ocorrida nesta terça-feira. Acima no vídeo, Isabel Pires (BE) começa a falar às 3:45:56 e o presidente da Câmara de Lisboa começa a responder-lhe às 3:55:14. Não existe um nexo directo entre uma coisa e a outra, e nesse desconchavo Moedas expõe-se como a indelével fraude política que é.

A intervenção da deputada bloquista surge meramente técnica, tratando de assuntos correntes da CML próprios a uma sessão da AML. E desenvolve-se como uma intervenção politicamente banal, nisso de ser igual a milhentas doutras e não ter saliente agressividade retórica. Jamais seria notícia sem a reacção absurda – e mesmo arrogante – de quem farejou uma oportunidade para se vitimizar e, acto contínuo, engrandecer. Os direitolas adoraram, porque tudo o que detestam nos políticos rivais é exactamente o mesmo que querem ver nos seus líderes.

Donde, ficamos com este registo para amnésia imediata em que se vê Moedas deleitado a simular indignação, ainda se permitindo fazer um berreiro com a alegação de que os bloquistas andam a “diabolizar” a sua “humilde” pessoa. Isto vem de um tratante que fez campanha para as legislativas e foi ministro representando um partido que usou a mentira, os apelos ao ódio e a diabolização de forma sistemática e obsessiva. É, pois, matéria onde pode opinar com a autoridade de um tarimbado especialista.

A ladainha dos putinistas

É uma tristeza total e um sintoma de irracional mal-estar humano ver tanta gente que defendeu a injustiça da guerra colonial por ser utilizada por um ditador e que chamou, com razão e sem reserva de dúvida, fascista colonialista imperialista ao ditador Salazar, digo, é um sentimento frustrante vê-los agora defenderem o contrário perante uma situação semelhante.
Até tu Matos Gomes?
Basta reparar que tais troca-tintas, na defesa de uma invasão sempre negada e nunca declarada mas transformada numa destruição massiva e matança ad-hoc, nunca pronunciam as palavras-chave que gritaram nas ruas no 25ª: Democracia e Liberdade.
Também, especificamente, só anunciam as barbaridades cometidas pelos regimes democráticos e ocultam ou desculpam as barbaridades iguais dos regimes totalitários que são cometidos à socapa da sua própria opinião pública submetida à censura e perseguição política feroz do regime totalitário protagonista. Mais, nunca referem que, por exemplo, nas democracias as opiniões públicas nacionais derrubam guerras e governos quando estes persistem em manter invasões e guerras que deixam de ter sentido como no caso icónico do Vietnam.
Usam uma ladainha de valores de verdades em que o agressor e invasor nunca é o agressor nem o invasor mas tudo tem um princípio e uma causa de há anos ou séculos históricos que culpabilizam o invadido e massacrado; ao jeito de, se não foste tu foram os teus avós ou antepassados. Iniciam sempre a sua ladainha de verdades preconceituosas com uma causa histórica inicial conveniente cometida pelo inimigo ideológico como, por exemplo, as matanças dos nazis de Azov sobre russófonos mas o contrário nunca existe nem sequer o pacto entre Hitler e Stalin para dividir a Polónia fifty-fifty entre ambos e muito menos a ajuda militar dos USA a Stalin para que este aguentasse a frente Russa aquando da invasão dos aliados na Normandia.
O mesmo com os fervorosos democratas europeus, agora virados pró-totalitaristas putinistas indisfarçáveis, que nunca se referem à ajuda americana que nos salvou do barbarismo racista hitleriano, e muito menos iniciam neste caso ou outros como este as suas idas aos factos históricos.
No último “o último apaga a luz” da RTP a tonta senhora académica do painel perguntava para quê a UE ajudava a Ucrânia quando era sabido que “Putin não ia parar a guerra” pelo que, o subentendido prático era que a Europa devia render-se e ajoelhar-se face ao ditador uma vez que a sua vontade imperial era não parar.
O sapiens, está provado, que no início exterminou todos os outros humanos concorrentes, um dia auto-exterminar-se-á numa guerra contra o planeta.


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Oferta do nosso amigo jose neves

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