
Nas muralhas da cidade
Vamos lá a saber
Exactissimamente
Começa a semana com isto
Os primeiros seis minutos e quarenta e nove segundos são inúteis, o resto é um curso de introdução à epistemologia e ao pensamento crítico. O Nuno Barbosa Morais é um excelente pedagogo.
Revolution through evolution
The Big O: What Shapes a Woman’s Pursuit of Pleasure?
.
Greater gender equality helps both women and men live longer
.
‘All work, no independent play’ cause of children’s declining mental health
.
Is the test a challenge or a threat? Big difference in test-takers’ performance
.
A good night’s sleep may make it easier to stick to exercise and diet goals
.
Does more money correlate with greater happiness?
.
On social media platforms, more sharing means less caring about accuracy
.
Continuar a lerRevolution through evolution
Dominguice
Nas muralhas da cidade
Marcelo, o eterno comentador televisivo, esquecido das suas funções
Não é novidade a maneira de estar do PR, mas convém fazer umas perguntinhas:
A que propósito dá Marcelo uma entrevista a uma televisão para fazer a sua apreciação do governo em funções? Será essa a sua função institucional pública, apesar de serem os jornalistas a fazer as perguntas? Não tem oportunidade de dizer tudo o que pensa ao Governo nas reuniões semanais? E o exercício do seu cargo, que deveria ser o que importa em entrevistas anuais, não lhe merece qualquer autocrítica? Não deveria ser esse o objecto das perguntas dos jornalistas?
E a que propósito dá dicas para a governação do país em público (caso dos professores)? Terá sido eleito para isso? As consequências da aplicação dessas dicas acaso recairão sobre ele? Não há um governo eleito para governar? E não há já comentadores que cheguem e sobrem por esses jornais e televisões fora a mandarem bocas sobre toda e qualquer tossidela do António Costa? Porquê colocar-se em pé de igualdade com essa gente?
E as ameaças constantes de que pode dissolver o Parlamento em qualquer altura, se lhe apetecer? Sim, se lhe apetecer, pois apesar de esclarecer que o fará se vir isto e aquilo e sabe Zeus que mais, parece que adora brincar com esse poder que tem e de o exibir sempre que lhe apetece (para os jornais e seus títulos, claro). São totalmente deslocadas e inaceitáveis tais ameaças. Imagino a vontade que o Costa tem de lhe passar a batata quente da passagem à prática dessas ameaças. Seria giro. Além de que, o facto de, na opinião dele, a oposição não constituir ainda uma alternativa, jamais deveria ser invocado. Significa que, se houvesse uma alternativa que lhe agradasse mais, dissolveria o Parlamento. Mas o que é isto? O resultado de umas eleições legislativas é para ele um “nem penses que vais durar quatro anos, meu menino”?
E começar a entrevista a dizer que este governo entrou em funções já desgastado e que teve um primeiro ano perdido? Não é um soundbite de imediato aproveitado por toda a oposição e que nem sequer corresponde à verdade, como ele próprio depois admite ao reconhecer o eclodir de uma guerra que tudo absorveu da acção política (para além da questão dos prazos para a aprovação do orçamento)? Isto foi mesquinho.
E por que razão ele, que anda sempre a comentar tudo e tudo e tudo a todo o momento, esperou por esta entrevista para se pronunciar sobre a atitude inqualificável dos senhores bispos e cardeais perante as conclusões do relatório sobre abusos sexuais na ICAR? Ficou à espera das reacções dos outros protagonistas públicos (e da própria opinião pública) sobre este assunto para responder em sintonia e ficar assim bem visto? Que hipocrisia.
Alguém devia pôr este senhor no seu lugar. Anda a abusar da nossa paciência. Todos vimos os seus elogios ao palco do Papa, que nos custaria e ainda custa milhões.
TSF nas mãos do laranjal
Para cínico inveterado, cinismo veterano
ChatGPT dixit
Perguntas simples
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Protective parenting may help your kids avoid health problems as adults
.
Traumas in children and adolescents can be treated effectively
.
Can Seven Healthy Habits Now Reduce Risk of Dementia Later?
.
Daily 11 minute brisk walk enough to reduce risk of early death
.
Steel was being used in Europe 2900 years ago
.
Televised debates have little effect on the formation of voter choice
.
People spend 1/6th of their lifetime on enhancing their appearance
.
Continuar a lerRevolution through evolution
Dominguice
Uma célula. Cada corpo humano terá, em média, perto de 4×1013 células (é fazer as contas). Há perto de oito mil milhões de humanos. E em cada um deles, em cada uma das suas células, ocorrem por segundo milhares de milhões de reacções químicas. Em cada uma. Por segundo. Em todos nós.
Não desperdices essa trabalheira toda, pá.
Apesar dos 85%, Medvedev está disposto a rebentar com os 100%
Dmitri Medvedev é uma das pessoas mais importantes na Rússia dos últimos 20 anos. Antigo professor universitário com relevante obra académica, já foi vice-primeiro-ministro, primeiro-ministro e presidente da Federação Russa. Actualmente, ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia. Donde, o que ele pense e diga sobre a invasão da Ucrânia é da maior importância.
E foi isto que se lembrou de publicar:
«[…]
O que mais há a dizer? Só uma coisa: os sábios antecessores dos políticos ocidentais desmiolados de hoje disseram o seguinte: Deus quos vult perdere dementat prius – A quem o Senhor deseja arruinar, ele primeiro priva da razão. Foi essa histeria insana, o desejo obsessivo de destruir o nosso país, que obrigou a uma operação militar especial.
A história também demonstra outra coisa: qualquer império desmoronado enterra metade do mundo sob as suas ruínas, ou até mais. Parece que aqueles que primeiro destruíram a URSS e agora estão tentando destruir a Federação Russa não querem compreender isso.
Eles alimentam as ilusões delirantes de que, tendo levado a União Soviética ao desaparecimento sem disparar um único tiro, poderão enterrar a Rússia atual sem problemas significativos para si mesmos, mandando a vida de milhares de pessoas envolvidas no conflito para a fornalha.
Esses são equívocos extremamente perigosos. Eles não vão funcionar. Se a questão da própria existência da Rússia surgir, ela não será decidida na frente ucraniana, mas junto com a questão da futura existência de toda a civilização humana. Não deve haver ambiguidade aqui: não precisamos de um mundo sem a Rússia.
Claro, eles poderiam continuar a enviar armas para o regime neofascista de Kiev e bloquear qualquer oportunidade de retomar as negociações. Nossos inimigos estão fazendo exatamente isso, não querendo entender que os seus objetivos obviamente levam a um fiasco total. Uma perda para todos. Ao choque. O apocalipse. Onde o passado terá que ser esquecido por séculos, até que os escombros fumegantes deixem de emitir radiação.
A Rússia não permitirá isso. E não estamos sozinhos nesse esforço. Os países ocidentais com satélites representam apenas 15% da população mundial. Há muitos mais de nós e somos muito mais fortes. O poder calmo de nosso grande país e a autoridade de nossos parceiros são a chave para preservar o futuro de todo o mundo.»
A peça insere-se na campanha de chantagem e terror que foi lançada pela Rússia logo no começo da invasão do ano passado. O objectivo é o de tentar influenciar as opiniões públicas dos países que apoiam a Ucrânia, recorrendo à ameaça de uma guerra nuclear caso não se deixe matar, destruir e anexar quanto Putin quiser nos territórios invadidos. Embora haja maluquinhos e broncos que se tornaram propagandistas desta retórica (à mistura com os usuais fanáticos e ainda gente que parecia ter mais juízo), a chantagem falhou. Cresceu a evidência de que é mais perigoso deixar o invasor ganhar do que obrigá-lo a negociar. Daí a subida do tom em Medvedev, as favolas de fora, a redução ao puro instinto criminoso.
Mas o texto oferece-se como manifestação canhestra de uma técnica de manipulação, no caso a irracionalização. Com ironia, o autor chega a citar um provérbio latino que se pode aplicar na perfeição à sua demente argumentação. Porque nos garante, marcando a itálico, que os impérios ao se desmoronarem arrastam “metade do mundo, ou até mais” com eles. Logo depois dá o exemplo da URSS, um império bem maior do que o da Federação Russa, que ruiu sem sequer ter sido preciso disparar um tiro e não causando mal a ninguém ao desaparecer, exactamente ao contrário. Faz isto algum sentido? Não faz, obviamente, e é por isso que está a ser dito.
A lógica é a de que é preciso ser ilógico quando não se tem razão. E não se tem razão quando se coloca como pressuposto que há quem ande a tentar destruir a Rússia. Onde é que tal aconteceu? Quem é que invadiu a Rússia depois da Alemanha de Hitler? Ninguém. Quem é que ameaçou invadir a Rússia nos últimos 80 anos, sequer meio metro? Ninguém. E com isso o “argumento” passa a ser este: é Putin quem define o que é “tentar destruir a Rússia”. A partir daqui, vale tudo. O bater de asas de uma borboleta algures no Arizona pode ser considerado o início da invasão americana, basta que Putin se sinta em vias de ser atacado pelo lepidóptero.
Entusiasmado, Medvedev agitou a “solução final”: o passado da civilização calcinado e séculos de tijolos e metais radioativos como paisagem nos quatro cantos do mundo. E pouco lhe importa, chega a detalhar, que os inimigos da Rússia correspondam só a 15% da população mundial. Este amigo está disposto a sacrificar os restantes 85% de pessoal muita fixe em ordem a mostrar aos “paises ocidentais” que eles são demasiado antipáticos. O que aumenta a nossa perplexidade acerca dos poderes mentais do craque, visto ser o próprio a declarar que os 85% são “muito mais fortes” do que os malandros dos 15%. A ser assim como afiança, tendo o putinismo mais do quíntuplo da força dos “ocidentais”, como é que a Rússia alguma vez poderá ter a sua existência ameaçada?
Seria interessante conhecer a opinião dos chineses e dos indianos a respeito deste plano apocalíptico, embora supinamente interessante seja a opinião dos próprios russos, especialmente dos militares. É que despachar um artigo encharcado em vodka não é a mesma coisa que tentar destruir a Rússia a partir do Kremlin.
Nas muralhas da cidade
«Na verdade, nenhum destes sistemas de poder deseja a mudança que a lei prevê e talvez só o cidadão se incomode com a omissão de um direito seu. Mas o cidadão deixou de ter voz quando a política se calou. Portanto, silêncio. O governo não regulamenta e assim é que está bem. Todos satisfeitos. Só o Estado de Direito sai a perder, mas é difícil vislumbrar alguém que ainda se preocupe com isso. E no entanto, o que está em causa nesta questão é um princípio político essencial — em democracia, é a política que faz o direito, não é o direito que faz a política.»
__
Sugestão do nosso amigo Joe Strummer
Nota
O caluniador profissional pago pelo Público pede que se arranjem novos crimes, assim mesmo à descarada. O deboche é tal que a prosa é obscenamente explícita: “Há quem esteja a esforçar-se por arranjar novos crimes a Sócrates, já que os antigos estão a prescrever.“
Ele sabe quem anda, em esforço, a tentar “arranjar novos crimes a Sócrates”, uma expressão que é todo um programa — e ainda o todo do regime no que à Operação Marquês diz respeito. De facto, tirando a dimensão fiscal (onde Sócrates parece não ter defesa possível), tem de se concluir após a demonstração de Ivo Rosa que o resto foi arranjado e não passa de um arranjinho ou, no caso, num arranjão. Mas, mesmo que haja algum crime de corrupção na origem do dinheiro recebido, algo do qual não existe actualmente prova e que a existir teria de envolver outros ex-governantes, essa eventual realidade não se sobreporia à violência do linchamento em curso a mando dos próprios agentes de Justiça. Querer destruir Sócrates política e publicamente vem do ódio e da inveja, faz parte da antropologia, e transformou-se na obsessão suicida da direita decadente. Querer perverter o Estado de direito para consumar a vingança e obter esse troféu é um estrutural ataque à comunidade.
Justiça javarda
A Direita já pode dormir descansada, o 25 de Abril é nosso e só nosso!
Para o líder do PSD é “inaceitável” que um chefe de Estado estrangeiro discurse, na Assembleia da República, na sessão solene do 25 de Abril. Parece que é uma coisa só nossa, estrangeiro não entra. Pois, devia ser ao contrário. Todos os anos, devia ser convidado um chefe de Estado estrangeiro para discursar nas comemorações do 25 de Abril. Qual é o problema de se juntarem à nossa celebração os representantes de outros povos? Povos esses que inspiraram os que tanto lutaram pela nossa Liberdade. Ou foi o nosso Povo sozinho que inventou a Democracia?
Tratando-se do Presidente brasileiro, a recusa da Direita é ainda mais absurda. Só em dois anos, 2020 e 2021, mais de 100 mil brasileiros adquiriram a nacionalidade portuguesa. Aquilo a que o Montenegro chama povo também os inclui. Muito provavelmente, muitos desses brasileiros votaram e ajudaram a eleger os deputados que nos representam, incluindo os dos partidos de Direita. Será que são bons para votar mas para celebrar o 25 de Abril têm de ficar à porta? É que Lula da Silva também os representa.


