Revolution through evolution
Preschoolers prefer to learn from a competent robot than an incompetent human
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Strong, steady friendships may be an asset to your physiological health, study shows
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Exercise may reduce negative effects of unhealthy sleep duration on longevity
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The heart benefits of walnuts likely come from the gut
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The organization of sex trafficking: Study reveals entrepreneurial cycle of human exploitation
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Art evokes feelings in the body
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Early morning university classes correlate with poor sleep and academic performance
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Dominguice
Somos o que nos acontece ou o que nos acontece é o que somos? Na primeira hipótese, haveria uma essência individual, uma coisa em forma de assim, que traria do outro lado certos maneirismos estáveis, resistentes ao gasto e às pancadas, e que promete continuar ao regressar ao outro lado ou num outro lado. Ou então haveria uma tabula rasa em corpo humano que se iria preenchendo de rabiscos e salpicos, com sorte formas geométricas e belas pinturas, ao longo do tempo que durasse. Esta primeira hipótese, nas duas versões, é clássica, popular, universal. Na segunda hipótese, o que acontece cria a consciência através de rasgões no infinito. Nesses espaços ocorre a percepção do fluxo imparável, incomensurável, inexplicável da energia em devir. Se essa consciência se tornar consciente de si própria nada vai encontrar — dito de outro modo, encontra o nada.
Seja como for, há nadas com quem apetece muito mais estar a jantar do que com outros. Não é por nada.
A nossa notícia do dia
Este blogue é o garante do regular funcionamento das obsessões. Assim haja saúde.
Quem se lembra?
Lembro-me de alguns anos atrás interrogar alguns amigos meus, simpatizantes e militantes do PCP, sobre o seu silêncio nas redes sociais, sobre a timidez aterradora dos sites das delegações do partido. Era tudo muito oficial – nem sequer oficioso. Desvalorizavam a coisa. “Miúfa, o que vocês sentem é miúfa do partido”, ladrava eu.
Já antes do 25 de Abril eles se portavam assim. Participavam pouco, ou nada, no amplo Movimento Associativo de norte a sul do país. Uma autêntica Revolução Cultural em Portugal, especialmente no período marcelista. E conviviam pouco ou nada com os que a ele se dedicavam. Diziam que era por precaução. É possível que estivessem certos. Talvez por isso se tivessem equivocado no pós Abril. Havia um país que eles não conheciam bem, aquele que se expressou no primeiro de Maio de 1974 à saída da Praça do Império. Aquele que se expressou nas eleições para a Constituinte. Aquele povo que se mobilizou de norte a sul em comissões de moradores, comissões sindicais – e comissões de trabalhadores de que o PCP não gostava nada. Quanto aos sindicatos, propunham a unicidade sindical. Como o seu comportamento metia um medo do caralho, fomos obrigados a lutar contra eles também nesse campo.
(Alguns deles distanciaram-se da minha pessoa desde o conflito na Ucrânia. Mesmo alguns ex-camaradas meus, que comigo mantinham paleio, valentíssimos marxistas-leninistas-maoistas no tempo do esclarecimento e pancadaria na agora de Abril, voltaram-me as costas. Até aqui temos que compreender. O pior é com familiares. E aqui tenho sido um cobarde. Só eu sei o que tenho ensacado ao longo de muitas conversas para náo deitar tudo a perder… Desde a invasão da Ucrânia por Putin e a corja que o cerca).
Vou ficar por aqui. Sempre sonhei escrever contos, mas não sou capaz de criar enredos. E escrevo mal. Ainda jovem li os contos de Anton Tcheckhov. Estou a lembrar-me agora daquele em que um chefe acaba por morrer traumatizado por o subalterno ter, numa carta, colocado um ponto de exclamação a fechar uma frase. Não me lembro do título do conto. Quem se lembra?
Porra! A malta do PCP está mesmo em forma no apoio a Putin. Nota-se na caixa de comentários deste blogue. Um espaço de Liberdade que os putinistas adoram.
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Oferta do nosso amigo Fernando
Anda, Pacheco!
De acordo com o Código Penal português, uma calúnia é um tipo de difamação ou injúria onde não se prova a acusação ofensiva que se lança e, ao mesmo tempo, se pretende espalhar na sociedade essa mentira para assim prejudicar gravemente o alvo ou alvos da calúnia.
Quão maior a influência social do meio ou meios usados, quão maior o opróbrio da calunia lançada, quão maior o valor da reputação moral para o estatuto do alvo ou alvos, maior o dano que se pretende obter.
As calúnias são pervasivas ao todo das interacções humanas. Podem ocorrer na esfera das relações pessoais privadas, ou das relações pessoais profissionais, ou da competição comercial, ou da disputa política, ou noutra eventual situação onde há intenção de prejudicar alguém, ou alguma entidade, na sua honorabilidade e prestígio.
Qualquer um pode ser caluniador, independentemente da sua idade, género, educação, personalidade, poder financeiro, ideologia. Há caluniadores desde que há linguagem humana. O tribalismo alimenta a calúnia por automatismo antropológico que tende a desumanizar o estranho, o diferente, o outro, criando bodes expiatórios e diabolizando quem ostenta a sua alteridade. A cobiça e o medo são pasto para caluniadores e suas audiências. A soberba e a vaidade, a megalomania, idem aspas.
Em Portugal, os dois mais importantes caluniadores são o Pacheco Pereira e o João Miguel Tavares. Neste sábado, o primeiro imitou o texto de quinta-feira do segundo, fazendo ambos o enésimo auto-de-fé no julgamento popular de Sócrates. Unidos na exploração desse filão, eles têm literalmente milhões de palavras debitadas sobre a pessoa e respectivas peripécias políticas e judiciais. O que pretendem não é só continuarem a encher o bolso à conta do tema, igualmente ambicionam influenciar a Justiça nas pessoas dos procuradores e juízes que deliberem sobre o caso. Agitam-se como coro que ameaça castigar quem não castigue exemplarmente Sócrates, haja ou não provas para tal.
E é de provas que se deve falar, pois a Justiça é uma instituição que evoluiu historicamente para servir a comunidade nessa dificílima e crucial investigação: aferir da existência de provas de ilícitos. Sem tal recurso político, sem uma instância em que se confie para arbitrar suspeitas de crimes e conflitos entre cidadãos, a única alternativa é o permanente estado de guerra civil e a imposição da lei do mais forte. Este Pacheco e este Tavares é para essa perversão do Estado de direito que trabalham, justificando a escolha com a sua alegada convicção de culpabilidade. Eles assumem-no às claras, basta-lhes o achismo do que lhes passa pelos cornos para usarem alguns dos principais órgãos de comunicação em Portugal numa permanente campanha de apelo ao linchamento de Sócrates. Simetricamente, com obscena cumplicidade, os meios de imprensa profissional usados como veículos das calúnias pagam-lhes balúrdios para isso mesmo, pois há uma vasta audiência que consome essa violência com gula.
É escusado procurar por provas de corrupção relativas à Operação Marquês na caudalosa verborreia destes dois caluniadores profissionais porque eles não as têm sequer para sugerir – isto é, eles não arriscam elaborar uma descrição dos actos corruptos porque tal implicaria terem de envolver outros responsáveis governativos, políticos e empresariais que a investigação não acusou, sequer constituiu como arguidos. Em vez disso, usam a estratégia individualmente assassina do Ministério Público e amplificam-na, instigam a populaça com a devassa da intimidade de Sócrates e terceiros próximos. Quando se agarram às escutas vertidas criminosamente no espaço público, não só se mostram cúmplices de crimes como validam o crime como instrumento político e comercial. E que revelam essas escutas? Nada de nada no que concerne à corrupção. Mais: mesmo que apresentassem algum registo que parecesse obviamente relativo a um acto de corrupção (e tal não existe em nenhuma escuta), o simples facto de ser uma parcela de um documento mais extenso não permitiria concluir validamente pela culpa fosse de quem fosse — carecia de contexto e defesa antes do julgamento pela Lei. Imaginemos uma situação em que apareciam registos do Pacheco ou do Tavares, captados estando eles alcoolizados ou mentalmente perturbados por fármacos, ou traumas, seria que os próprios aprovariam a publicitação desse material e o seu uso para campanhas negras contra si? Se não, por que razão tratam Sócrates — um cidadão actualmente inocente — como dois verdugos? Porque podem, à-vontadinha, e gozam à brava com isso, é a resposta.
Mas esta dupla igualmente se revela inane no que ao tema geral da corrupção em Portugal, para lá da obsessão Sócrates, diz respeito. Nunca usam números das organizações que a estudam, nacionais e internacionais, nunca tratam factual e objectivamente a matéria. Nada têm a dizer sobre o que aconteceu no laranjal durante os anos do poder máximo de Ricardo Salgado, um senhor que não constava encher as suas empresas e a sua Comporta com a xuxaria; Marcelo Rebelo de Sousa aí está para o confirmar. Em especial, o Pacheco parece não ter opinião acerca da temática da corrupção durante o poder máximo de Cavaco Silva, num País ainda não digitalizado e onde os instrumentos e poderes legais do Ministério Público eram rudimentares face aos que existem desde 2005. Um País onde a cultura da corrupção era exibida nas conversas de café. Todos queriam untar as mãos do polícia, do fiscal, do médico, deste e daquele. Curiosamente, nesse tempo o Pacheco trabalhava para o Cavaquistão, foi um dos seus mais importantes operacionais. Como é que o seu olhar aquilino não topou nem com a sombra da pequena corrupção nos corredores do poder que frequentava? Como é que a sua supina inteligência e exímia probidade deixou fugir a história do nascimento e crescimento do BPN? Fenómenos do Emporcalhamento.
No Julgar Sócrates e depressa encontramos regurgitada a lengalenga que despacha copiosamente desde 2008, altura em que fantasiou derrotar o então primeiro-ministro em tandem com Manuel Ferreira Leite e tendo Cavaco a organizar inventonas e outras crises institucionais patarecas. Talvez esta seja a citação mais representativa do que está em causa na sua perseguição:
«Por tudo isto, eu, que não sou jurista, posso dizer que, se Sócrates não for condenado, seja por que motivo for, a nossa democracia sofre um abalo real. Não se trata de não aceitar a presunção de inocência — em tribunal ela é sagrada, mas na minha cabeça não é, sabendo eu o que sei, sem precisar de fugas, nem de nada, pelo que vi e ouvi do próprio, ele mesmo, José Sócrates.»
Donde, podemos inferir:
– Não é preciso ser jurista para ser decente.
– Sócrates será condenado, pelo menos por crimes fiscais.
– A nossa democracia não depende de Sócrates, o contrário é que é a realidade.
– Abdicar da presunção de inocência na cabeça é eticamente distinto de andar há anos e anos (tendo começado bem antes de sequer existir uma Operação Marquês ainda secreta) a alimentar a presunção de culpa e a fazer pressão social para influenciar os agentes da Justiça.
– As “fugas” são crimes, e os caluniadores profissionais usam esse material dando eficácia à intenção dos criminosos.
– A expressão “sabendo eu o que sei” é uma variação do famoso axioma Octávio Machado, duvida-se é que fundamente uma qualquer concepção de verdade e/ou de justiça sob que se queira viver.
– No fundo, tudo se explica graças a esse “eu”, grafado duas vezes, que se confessa fascinado pelo que viu e ouviu de um certo homem.
Fatalidades. Fado.
Perguntas simples
ChatGPT dixit
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Revolution through evolution
Researchers find strong adolescent-parent relationships lead to better long-term health outcomes in young adults
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Personality, satisfaction linked throughout adult lifespan
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Dual-task walking performance may be an early indicator of accelerated brain aging
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Being fit partially offsets negative impact of high blood pressure
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Attending live sport improves wellbeing – study
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Hard-Right Social Media Activities Lead to Civil Unrest: Study
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Lower energy consumption thanks to daylight-saving time
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Dominguice
Temos telefones no bolso e nas bolsas que são milhares (milhões?) de vezes mais poderosos do que o computador que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin à Lua. Estes dois amigos, em 1969, não teriam sido capazes de imaginar o que é o quotidiano digital da actualidade. Temos milhões (milhares de milhões?) de textos, vídeos, áudios à nossa disposição sobre todo e qualquer assunto concebível. Podemos comunicar livremente a partir da nossa casa, da nossa mão, sem custo directo, com mais de 60% da população mundial (potencialmente). Temos multíplices transportes para os quatro, cinco, seis ou sete cantos do mundo. Temos supercomputadores que nos prestam serviços de cálculo e análise com a plena capacidade da vanguarda tecnológica, democraticamente.
E temos menos inteligência do que Pitágoras. Muito menos. Ui.
Estado da direita: quando Santana é a voz da razão
Perguntas simples
Deverá Marcelo pedir desculpa aos eleitores socialistas – que lhe deram 1 milhão de votos em Janeiro de 2021 – por não os ter avisado durante a campanha eleitoral que se iria tornar no chefe da oposição, desse modo assumindo a função de garante do irregular funcionamento das instituições no meio de sucessivas e sobrepostas crises internacionais imprevisíveis?
Parabéns à China
No dia 10 do corrente, a China alcançou o seu maior triunfo de sempre na esfera internacional ao aparecer como mediadora do acordo entre a Arábia Saudita e o Irão. Para além da capacidade para reunir em negociações países teocráticos separados por disputas religiosas intestinas e por divergentes estratégias petrolíferas, a China conseguiu pôr em causa a saúde da aliança entre os EUA e a Arábia Saudita — o que leva ao enfraquecimento de Israel na região, tanto pela perda de influência do amigo americano como pelo fortalecimento do inimigo iraniano.
Mediaticamente, o episódio consagra a China como uma superpotência geopolítica. Caso o acordo venha a ser cumprido, vários conflitos alimentados por esses dois países rivais poderão acabar. Ao mesmo tempo, a China ganha espaço para um maior acesso ao petróleo e a investimentos no Médio-Oriente. Se juntarmos a este cenário a presença que a China já tem em África, a que se junta um Putin criminoso e rastejante, e ainda uma Coreia do Norte varrida dos cornos, pode-se concluir que o secretário-geral do Partido Comunista Chinês está a ter um 2023 glorioso. Com ele os americanos não fazem farinha. Pode-se dar ao luxo, agora, de deixar Moscovo continuar entretido a matar ucranianos e russos ou resolver acabar com essa sangria demente e assim garantir o Nobel da Paz.
Ao mesmo tempo, estamos a olhar para o início do século XX (sim, o século passado). Dois regimes ditatoriais, onde o fanatismo religioso se transformou em moral e lei, são levados ao colo por um outro regime ditatorial, onde o Partido é uma entidade teocrática secular e omnipresente. À sua volta, um oceano de petróleo. Não de liberdade, direitos humanos, democracia, ciência, qualidade de vida. De petróleo, um recurso em vias de ficar obsoleto como matéria-prima energética principal nas sociedades em transição para as energias renováveis e para o hidrogénio, entre outras tecnologias em desenvolvimento.
Na política, é sapiente conciliar o idealismo com o cinismo. É uma excelente noticia ter Irão e Arábia Saudita a reatarem relações diplomáticas e a prometeram resolver os conflitos na Síria e no Iémen. Parabéns à China. E é uma excelente notícia constatar que o futuro da Europa não passa por querer queimar mais petróleo e, acima e antes de tudo, não passa por abdicar da sua qualidade de vida, da sua ciência, dos seus direitos humanos, da sua democracia, da sua liberdade.
Um só caminho

Não há declarações de George W. Bush onde se mostre arrependido pela decisão de invadir o Iraque em 2003. Talvez por razões legais, nunca o poderia admitir em público mesmo que o pensasse. E o mais provável é ter cristalizada a razão, razões, da inevitabilidade dessa escolha.
A invasão do Iraque foi um dos piores acontecimentos na ainda curta História do século XXI. Os EUA inventaram suspeitas de armamento e ligações terroristas inexistentes e convenceram os seus aliados a participar ao arrepio da legalidade altamente questionável da iniciativa. Depois seguiram-se anos de violência, destruição, miséria, crises humanitárias e instabilidade política no Iraque e noutras regiões atingidas pela explosão do terrorismo alucinadamente inumano.
O saldo da invasão é ofuscantemente evidente: não devia ter acontecido, caso a população iraquiana e as vidas perdidas ou mutiladas dos soldados internacionais tivessem sido colocadas como prioridade a defender. Nenhum dos objectivos apregoados na retórica da época pelas autoridades norte-americanas se pode considerar atingido, à excepção do derrube de Saddam Hussein. E podemos deixar sem cálculo o astronómico gasto de dinheiro que a invasão e permanência das tropas em conflito insurgente exigiu.
Porém, a minha maior perplexidade nesse evento diz respeito à completa ausência de planeamento, sequer de módica previsão, acerca do que iria suceder política e sociologicamente ao Iraque no dia a seguir à vitória militar das forças da coligação. O Pentágono não existe para construir nações, antes para defender fronteiras e destruir inimigos, entende-se. Era na Casa Branca, e nas sedes de Governo de todos os países coligados na invasão (Portugal incluído), que o simplismo da força precisava de ser domado pela complexidade da fragilidade.
Mas é para lá que a civilização vai, porque não há outro caminho.
So SICk
«Luís Marques Mendes e Ana Gomes — dois nomes na lista de potenciais candidatos a Belém — acham prematuro falar de presidenciais nesta altura, mas admitem que lá mais para finais de 2024 vale a pena voltarmos ao assunto. “Talvez daqui a um ano e meio juntarmo-nos aqui para um debate sobre essa matéria”, sugere o comentador dominical da SIC. Ana Gomes, que também comenta, aos domingos, na SIC Notícias, não rejeita a ideia. Fica na agenda do “Liberdade para Pensar”.»
Dois caluniadores profissionais promovidos e pagos pelo Balsemão. Duas figuras que conspurcam o espaço público com o seu sensacionalismo infrene, o seu moralismo demagógico, o seu sectarismo narcísico. Vedetas do populismo do tempo.
Querem ir para Belém. Para fazerem o que o outro anda a fazer. Terem palco 24 horas por dia, 365 dias por ano. Continuarem a tratar a Presidência como um magistério da incontinência verbal e da farronca.
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Os cogumelos são alimentos saudáveis e maravilhosos
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Fighting intolerance with physics
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Want More Generous Children? Show Them Awe-inspiring Art
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Dominguice
Na ciência como na saúde mental. Na inteligência como na curiosidade. Na descoberta como na alegria. Em comum, esta singular característica: flexibilidade cognitiva. A capacidade de procurar informações, conhecimentos e ideias que ainda não se possuem, muitas vezes que nem se conseguem imaginar.
Sendo uma flexibilidade, pode ser uma ginástica. Sendo uma ginástica, melhora com o treino.
Lições do doutor putinista
«O caminho de escalada militar, em vez da via diplomática do calar das armas, irá sempre terminar numa desgraça maior do que aquela que pretende combater. Com a destruição da Ucrânia, ou pior ainda, se Putin for encurralado na escolha entre derrota ou subida ao patamar nuclear. Estamos a jogar póquer com o inferno. Os poucos que estudaram algo sobre a guerra nuclear, sabem que na primeira salva nuclear serão escolhidos países sem arsenal nuclear. Traduzo para português vernacular: se Putin tiver de escolher um alvo, Portugal é mais elegível do que a França ou a Grã-Bretanha, para já não falar dos EUA.»
Viriato Soromenho-Marques acumula ao ser doutorado em Filosofia, professor catedrático, Grande-Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique, Grande-Oficial da Ordem do Mérito Empresarial e Prémio Quercus, a actual função de putinista pago pelo DN para alimentar a propaganda russa. É um exemplo de como os putinistas não são falhos de subida inteligência e sofisticado intelecto, tendo muito para ensinar aos infelizes que ainda não se converteram.
Atentemos nas lições do excelso doutor putinista:
“O caminho de escalada militar” – Este vergonhoso caminho é o da Ucrânia e dos malditos países que lhe fornecem fisgas e pressões de ar para se defender. Na Rússia não há, nunca houve, nem haverá escalada militar. Isto porque Putin ama a paz. Foi assim que conseguiu invadir a Ucrânia sem escaladas militares, ensina o doutor putinista.
“em vez da via diplomática do calar das armas” – Esta é a via que os ucranianos se recusam a aceitar, merecendo por isso tudo o que lhes está a acontecer e bem pior. Já Putin não está obrigado à via diplomática do calar das armas por uma óbvia e estupenda razão: ele não é ucraniano, é russo. Azarinho, ensina o doutor putinista.
“irá sempre terminar numa desgraça maior do que aquela que pretende combater” – É o argumento que também foi utilizado para apelar à cedência a Hitler, quando este amigo começou a espalhar o seu amor pela paz nos anos 30. Mais vale aceitarmos a desgraça já consumada e entregar a Putin o que ele quiser, deixemo-nos dessas fantasias da liberdade, ensina o doutor putinista.
“Com a destruição da Ucrânia, ou pior ainda, se Putin for encurralado na escolha entre derrota ou subida ao patamar nuclear.” – A Ucrânia vai ser destruída se continuar a ser ajudada para se defender, a sua salvação é render-se, garante. E Putin vai começar a disparar mísseis nucleares para todo o lado se tiver uma “derrota”. Ou seja, apesar de ser o invasor, Putin mesmo assim está disposto a iniciar uma guerra nuclear caso não o deixem ficar com o que lhe apetecer da Ucrânia, ensina o doutor putinista.
“Estamos a jogar póquer com o inferno.” – O vício da jogatana, um vício exclusivamente ocidental, é que é a causa deste sarilho todo, não quem está pronto para abrir as portas do inferno. Cedam ao bluff, verguem-se à chantagem, ensina o doutor putinista.
“Os poucos que estudaram algo sobre a guerra nuclear” – Não só foram poucos como não tiveram tempo ou pachorra para estudar o assunto com profundidade, ficaram-se pelo “algo”. E quem foram? O autor faz caixinha. Mas quantos foram? 3000, demasiados para acompanhar as suas opiniões mas afinal só 0.0000376% da população mundial? 300, imitando os espartanos de Termópilas em coragem e heroísmo? 30, número simpático para uma associação secreta dada a opulentos jantares? Ou apenas três, o Soromenho mais dois? O povo não está preparado para aceder a tais conhecimentos, ensina o doutor putinista.
“sabem que na primeira salva nuclear serão escolhidos países sem arsenal nuclear.” – Apesar de o tal estudo ter sido restringido ao “algo”, mesmo assim deu para ficar a saber que num conflito nuclear há várias salvas, o que é estranhamente parecido com um bombardeamento convencional. Ainda mais curioso é a opção de se gastarem os primeiros mísseis onde não há nada que ameace o país atacante. Embora a lógica de tal estratégia escape à limitada inteligência do vulgo, seria temerário pôr em causa a sabedoria desses estudiosos e do seu precioso “algo”. “Do apocalipse nuclear sei eu e poucos mais”, ensina o doutor putinista.
“Traduzo para português vernacular: se Putin tiver de escolher um alvo, Portugal é mais elegível do que a França ou a Grã-Bretanha, para já não falar dos EUA.” – Portantos, o número de países actuais varia entre 193 e 266. Destes, apenas 9 possuem armas nucleares. Donde, podemos imaginar a cena. Putin rodeado dos seus generais frente ao botão do Armagedão, meio confuso, sem conseguir escolher as coordenadas da primeira salva por ter entre 184 e 257 alvos possíveis. Impaciente, larga um “Черт возьми, какого хрена я выбираю?!” Silêncio pesado, angustiado. Ninguém arrisca dar palpites num momento tão crítico para a civilização, para a humanidade. Nisto, vindo do fundo da sala: “Manda meia dúzia deles para Portugal, caralho! Estive lá a passar férias há uns anos e fizeram-me comer um pastel de bacalhau com queijo da Serra que ainda me está a trabalhar na tripa.” Num conflito nuclear iniciado por birra de Putin ao não conseguir abarbatar a Ucrânia, os bifes, os avecs e os imperialistas americanos escapam intactos, ficam-se a rir. Alemanha, Itália e Espanha também parece que se safam. Portugal é que desaparece do mapa, ensina o doutor putinista.


