Dominguice

Somos o que nos acontece ou o que nos acontece é o que somos? Na primeira hipótese, haveria uma essência individual, uma coisa em forma de assim, que traria do outro lado certos maneirismos estáveis, resistentes ao gasto e às pancadas, e que promete continuar ao regressar ao outro lado ou num outro lado. Ou então haveria uma tabula rasa em corpo humano que se iria preenchendo de rabiscos e salpicos, com sorte formas geométricas e belas pinturas, ao longo do tempo que durasse. Esta primeira hipótese, nas duas versões, é clássica, popular, universal. Na segunda hipótese, o que acontece cria a consciência através de rasgões no infinito. Nesses espaços ocorre a percepção do fluxo imparável, incomensurável, inexplicável da energia em devir. Se essa consciência se tornar consciente de si própria nada vai encontrar — dito de outro modo, encontra o nada.

Seja como for, há nadas com quem apetece muito mais estar a jantar do que com outros. Não é por nada.

11 thoughts on “Dominguice”

  1. sabes, eu acho que quando nos acontece o bom, e o bem, depois do muito mau, e do mal, temos de valorizar, de querer estar nesse nada – que passa a ser tudo – cheio de vida. desperdiçar o nada esvazia, entristece, castra. e nada é pior do que esse nada onde nem sequer podemos jantar.

  2. Meu, tás bué de pervasivo hoje! Em americano erudito, pervasivo pra caralho! Fiquei todo pervasivamente molhadinho, à vontadinha! Perdão: à————vontadinha!
    (à dúzia é mais barato e não quero que te falte nada)

  3. Porra, despejo uma dúzia de hífenes e a merda da Estralinet converte-os em quatro travessões! Puta de escrita estraligente, é tão burra como a estupidez artificial do ChatGPT!

  4. somos aquilo que aprendemos com o que nos acontece, sendo que a partir da aprendizagem acontece-nos o que somos na área que aprendemos. de aí muita gente não ser nada de jeito , não tem capacidade de aprendizagem e acontecem-lhes coisas á toa -:)
    e enquanto não aprenderes o que vieste aprender , vais e voltas e não entras nesse nada que é Tudo. tenta a projeção astral , para comprovares.

    e nossa, que confusão que vai nessa cabeça ,este post é um labirinto,.

  5. Cá para mim, tudo começa e acaba no “ocidente alargado”. O resta é a “selva”, como diria o outro, muito apoiado que foi no universo! Deus há só um, o meu e mais nenhum! Tudo sem obsessões …

  6. Já vou ao tema, antes disso, uma breve nota em estilo telegráfico para o desastre MM na sic3. Começou logo mal, ao abordar o tema da habitação, disse que o sector esteve parado durante a pandemia…FALSO! Foi dos poucos sectores que não parou. Lembro-me perfeitamente que a demolição de uma casa contigua iniciou-se precisamente na semana em que os portugueses foram confinados. Em casa, com a trepidação e o ruído, desconhecedores da situação, chamamos a polícia municipal, após a quarta ou quinta chamada, lá vieram. Disseram que não podiam fazer nada porque o Governo não tinha proibido a actividade do sector. E os fiscais, perguntei. A resposta foi que tinham sido mandados para casa. E as ilegalidades, reforcei, também foram para casa por causa do covid ???
    Segundo, o alegado aumento dos juros dos empréstimos bancários para a habitação? Quais aumentos ??? A taxa euribor estava a zero e portanto os devedores não pagavam juros, apenas o capital, o dinheiro que pediram dividido em parcelas correspondentes aos anos em que ambas as partes acordaram. E já nem falo das moratórias, eram para quê??? Enfim …
    Terceiro, as estatisticas que apresentou. Nem vale a pena falar …
    Indo ao tema propriamente dito, somos ambas as coisas, o resultado de nossas acções no passado, outras existências que tivemos, e causas e efeitos novos, fruto do nosso livre arbitrio e das más opções/escolhas, no presente. O que trazemos de outras vidas, chama-se herança transcendental, e é a única coisa adquirida a que podemos chamar nosso, ninguém toma e ninguém tira. É fruto dos nossos acertos, quando procedemos bem, e dos nossos desatinos, quando procedemos mal. Condiciona em grande parte, as condições e o meio em que nascemos.
    Chamei a atenção para o video da CNN, por causa do falecido senador MCain, que deixou instruções para que Trump não estivesse no funeral, e as seguintes palavras junto ao caixão
    “For we wrestle not against flesh and blood, but against principalities, against powers, against the rulers of the darkness of this world, against spiritual wickedness in high places.”

  7. Com a pressa, esqueci-me da parte final, claro que sim, é sinal que estamos vivos, e comer é coisa que gosto muito, embora seja magro.
    Já agora, as más linguas dizem que o pacote alimentar saudável que o governo decretou é para vegetarianos. E, acrescentam, falta o leite em pó para bebés. Vá lá, não sugeriram lagosta e santola …

  8. Somos o que nos acontece e o que vem inscrito no fabrico pois não há nenhuma tábula rasa; somos, desde o início, a impressora automática do escreve-apaga ininterrupta face ao que nos acontece e circunscreve ininterruptamente.
    O grande erro de Marx foi, dado a sua obsessão exclusiva pelo sensível material e, sobretudo, a necessidade de não entrar em contradição na exposição sistémica das suas várias teorias materialistas, retirou ao homem a capacidade de pensar por si mas apenas de ser um reflexo do meio ambiente, isto é, um ser inteiramente alienado sem consciência de que o é; reduzido a simples máquina de trabalho o homem torna-se um objecto do seu trabalho, uma coisa, identifica-se com o objecto do seu trabalho, uma mercadoria. Marx reduz o ser individual do homem à sociedade e afirma que a “essência humana é, na sua realidade, o conjunto das relações sociais”, sem mais.
    Ora, esta redução do homem apenas a força bruta de trabalho e produtor de mercadoria que o aliena ao ponto de perder a consciência do que é realmente, é desmentida, desde logo, pelo homem Marx que não se deixou alienar e, antes pelo contrário, detectou tais realidades escondidas e até teorizou abundantemente na denuncia dessas mesmas realidades. Então como repensar tal contradição de que o homem tornado apenas força de trabalho se aliena ao ponto de perder consciência do que é realmente e sentir-se única e exclusivamente como um objecto e merdadoria que produz?
    Os filósofos subsequentes a Marx que o estudaram esmiuçadamente detectaram tais contradições tal qual, sucessivamente, o novo pensamento vai destronando o velho sempre em busca da unificação filosófica entre o sensível e o transcendental.
    Entretanto, o homem real anda aos empurrões de um lado para outro sempre na mira da imortalidade.

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