Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Sondagem atirada às urtigas

A Aximage realizou para o Correio da Manhã e o Jornal de Negócios uma sondagem sobre as intenções de voto neste momento. Os resultados aí estão, comparados com os da anterior sondagem, em Julho.

Os números aparecem no Diário de Notícias online e dizem que o PS subiu desde Julho 0,9 pontos percentuais para 39,9%, o PSD baixou 3,1 para 24,1%, o Bloco baixou 1,7 para 7,8%, o PCP subiu 0,1 para 7,1% e o CDS subiu 1,8 para 9,2%.

Ou seja, Costa reforça uma maioria confortável, Rui Rio vê o PSD a cair fortemente, o Bloco sofre o efeito Robles e Cristas sobe consideravelmente, mas capitalizando apenas parte da perda do PSD.

É inútil procurar esta notícia no Correio da Manhã online. Não gostaram da sondagem que encomendaram, não a divulgam!

Cravinho velhinho quer extinguir o povinho

Não desistindo de alertar o país para os riscos e os efeitos de erosão da democracia que advêm dos comportamentos e práticas corruptas ao nível do Estado, Cravinho considera que “hoje a corrupção é um grande problema nacional” e é até “um problema endémico”. Não perdendo a esperança de que um dia o país político olhe para o problema, salienta as recentes tomadas de posição da JSD e da JP sobre o assunto: “Congratulo a JSD, em especial a sua líder, Margarida Balseiro Lopes, e também a JP por terem assumido que a corrupção é um grave problema do país. São um exemplo da reflexão que o Parlamento devia fazer.”

Cravinho frisa que a corrupção tem aumentado, fruto da passividade dos responsáveis políticos que têm rejeitado a construção de um sistema coerente e eficaz de prevenção e combate. Ao longo de duas décadas, o problema têm-se adensado, até porque as poucas medidas tomadas surgem como desconexas. É por isso que o homem que tem carregado a bandeira desta causa garante: “Isto já não vai lá com panos quentes. É preciso extinguir o que só serve para enganar o povinho.”


Fonte

__

Quem ler ou ouvir o que João Cravinho e Ana Gomes têm dito sobre a corrupção em Portugal fica com estas ideias:

– Que são ambos socialistas.
– Que são ambos parte da elite do PS.
– Que ambos têm uma longa e ininterrupta carreira política onde sempre agiram e se expressaram em liberdade.
– Que ambos fizeram do combate à corrupção a sua imagem de marca.
– Que ambos comungam do mesmo diagnóstico e terapia para a corrupção em Portugal.
– Que ambos consideram que parte do PS, quiçá a parte maior, é corrupta.
– Que ambos consideram que parte da Assembleia da República, com maioria absolutíssima até agora, é corrupta.
– Que ambos consideram que todos os Presidentes da República, todos os magistrados, todos os polícias, são cúmplices da maioria absolutíssima que na Assembleia da República não só não acaba com a corrupção como consegue aumentá-la exponencialmente.
– Que ambos se consideram com inabalável e monopolista razão calhando terem de emitir qualquer juízo acerca da problemática da corrupção em Portugal (e, muito provavelmente, em qualquer parte do Mundo).

Posto isto, ver Cravinho a aplaudir a perseguição aos políticos através da fragilização ou esboroamento do Estado de direito, ver Cravinho a nada provar das suspeições difamantes e caluniosas que lança incontinente, e ver Cravinho a já só conseguir reproduzir a cassete do seu pseudo-martírio, tal fica como um espectáculo da sua corrupção moral e cívica – portanto, política. A sórdida, e mentirosa, imagem de estarmos rodeados de criminosos por todos os lados. Só porque não lhe satisfizeram a vontade, esse povo maldito que se faz representar democraticamente desde o 25 de Abril.

Perez Metelo quer dizer-te isto

Queridos Amigos:

Começou ontem e prolonga-se até dia 10 de setembro a Recolha de Fundos 2018 em favor da Helpo, nas suas 421 Lojas.

Peço-vos que vão às compras à Loja Pingo Doce (LPD) que vos der mais jeito (um vez durante este período, que seja!…) e, ao pagar, comprem um vale de 1€ (lanche), 3€ (mochila) ou 5€ (manual escolar), em favor dos 21.000 meninos e meninas makuwas muito pobres, de aldeias no norte de Moçambique, que a Helpo ajuda a estender a sua escolarização tão longe quanto possível. Sem aprenderem a ler, escrever e contar bem em Português, nunca sairão da armadilha da pobreza extrema, que lhes calhou em Sorte, quando nasceram.

Passem a palavra a familiares e amigos!

Recolham um euro aqui, outro ali, entre quem quer dar o seu contributo mas não tenciona ir de propósito a uma LPD para o concretizar. Vão vocês e compram os vales por eles.

Cada euro é precioso para os nossos afilhados: cadernos, lápis, borrachas, afias, lanches, uma sala de aulas em alvenaria para poderem estar abrigados durante todo o ano letivo, uniformes, manuais e inscrições no secundário - nada disto cai do céu! Mas tudo isto são sementes de futuro que, convosco, vão dar frutos em número crescente!

Visitem o nosso site www.helpo.pt ou a nossa página HELPO ONGD, no Facebook e, se o vosso coração der um salto, façam-se padrinhos na Helpo.

Muito obrigado!

Comportamento exemplar de Joana Marques Vidal seria reafirmar o que já disse

Em Março de 2016, em Cuba, a actual Procuradora-Geral da República declarou ser o mandato de PGR único. De facto, a duração prevista pela Constituição é de seis anos, duração mais longa do que o habitual em cargos institucionais para evitar mudanças demasiado precoces ou permanências demasiado prolongadas e permitir a necessária rotação. A ministra da Justiça, tendo ouvido essas declarações, corroborou-as uns tempos depois, sujeitando-se a uma chuva de críticas absolutamente estúpidas. As permanências excessivas nestes cargos são forçosamente fonte de instabilidade, são anti-dinâmicas, propícias a compadrios e prejudiciais à isenção. Além de contrárias ao espírito da Constituição. Dois mandatos significam doze anos. É muito ano. Porquê, então, esta febre e paixão joaninas que atacaram agora toda a direita portuguesa, ainda por cima quando o próprio sindicato do MP se mostra favorável ao mandato único (e olha quem)? Em todos os jornais, revistas, televisões e rádios, a recondução da PGR é claramente o osso que toda a direita abocanha por estes dias com desespero.

 

A quem deu caça esta mulher tão apreciada por toda a direita? A todos os corruptos? A todo o político que mexe, como gostam os populistas? Nem por isso. Mediatizou a “caça”, isso sim. Tabloidizou a justiça, isso é seguro. Reinstituiu o pelourinho, é a verdade. Será disso que eles gostam? O certo é que, apesar do alarido, não há conhecimento de condenações a penas de prisão em nenhuma das grandes operações lançadas no seu mandato. Nem na Operação Fizz, uma vergonha que envolvia um ex-procurador. Aliás, ainda resta saber, apesar do show das detenções, se há ou não corruptos no principal processo – o Marquês – instaurado da maneira que sabemos no mandato de Joana.

 

Os factos são que esta procuradora-geral foi a que não só não controlou as fugas de informação escandalosas na Operação Marquês com origem na sua instituição, como também falhou rotundamente na instauração de vários inquéritos internos às ditas fugas (consta que 111 – ver aqui) já que ninguém conhece deles o mínimo resultado e sobretudo a mínima consequência, nada disto lhe tirando um minuto sequer de sono, apesar do descrédito que sobre ela paira. Mais valia não instaurar inquérito nenhum. Foi ela que assistiu impávida (ou autorizou ou não proibiu ou não puniu) à transmissão pública dos interrogatórios aos arguidos, testemunhas e pessoas lateralmente envolvidas no referido processo, na prática comprazendo-se ou alheando-se de responsabilidades perante uma situação tão aviltante e repugnante e totalmente inédita. Além de ilegal. Foi ela que, em Novembro de 2017, ponderou reabrir o processo Tecnoforma (que envolvia Miguel Relvas e Passos Coelho) após a investigação da Comissão Europeia ter detectado fraudes graves (de milhões) na utilização de dinheiros comunitários, mas se esqueceu do assunto logo no dia seguinte e para todo o sempre. Foi ela que arquivou o processo a Dias Loureiro. Foi ela que liderou aquela ridícula operação de busca ao Ministério das Finanças, porque, crime terrível que implicava de imediato um assalto policial aos gabinetes, o ministro tinha ido assistir a um jogo do Benfica em lugar mais protegido e confortável do que o terceiro anel do estádio da Luz. Mais actuações extraordinariamente louváveis como estas todos por aqui conhecerão, mas não vou mais longe.

 

Para a direita toda, que anda por onde pode a exigir a recondução desta senhora como se isso fosse uma questão de vida ou de morte, revelando que a mana Marques Vidal é, de facto, o seu braço armado na Justiça contra os socialistas, o grande, enorme ponto de interesse do seu mandato foi, na realidade, a humilhação infligida ao odiado Sócrates (muito mais do que a de Ricardo Salgado) – desde a detenção, à prisão, aos interrogatórios, ao julgamento via Correio da Manhã e tudo o mais que fez as delícias dos sabujos que adoram o pelourinho para os seus adversários. Só por isso, todos os dias estas pessoas e o Marques Mendes erguem a Joana Marques Vidal uma estátua virtual de proporções gigantescas e elucidativas, perante a qual se ajoelham, por esse feito absolutamente “heroico” (as aspas devem-se à inexistência de qualquer dificuldade ou obstáculo à façanha) e nunca visto. Lembro que a direita viveu o seu  tempo áureo quando dispôs de um Presidente (Cavaco), um primeiro-ministro (Passos) e uma PGR – um trio deprimente – à frente dos principais órgãos do Estado totalmente consonantes com a sua estratégia e alvos. A reintrodução de julgamentos à maneira medieval fez-se com um estalar de dedos. Mas só alguns foram assim julgados, claro.

 

Voltando ao meu ponto: se Joana Marques Vidal quisesse provar de uma vez por todas a sua total independência (ganhando a minha admiração) e arrumar também de vez com os articulistas/propagandistas da direita que desejam às escâncaras politizar a Justiça e fazer luta política agarrando-se a ela (aqui para nós, à falta de melhor), enquanto escrevem nos jornais e debitam nas televisões, viria a público dizer simplesmente que procurou cumprir com dignidade as suas funções, que espera ter lançado as bases para isto e para aquilo, mas que reafirma que considera o seu mandato único, como aliás foram os de todos os seus antecessores, com excepção de Cunha Rodrigues (de 1984 a 2000; outros tempos e uma excepção em mais de 80 anos). Suspeito, porém, que não o fará. Suspeito que ficará calada enquanto a direita a transforma na sua mais importante ou única bandeira. Possivelmente o Tavares caluniador do Público já a fez inchar de tal maneira com a campanha que pôs em marcha a seu favor (dia sim, dia não) que a vaidade lhe subirá à cabeça e Joana acabará por decidir dar o dito por não dito, mandar o tal de mandato único às urtigas, manobrar pela sua própria recondução e entrar na luta política. Entrar ou continuar. Se Costa e Marcelo a deixarem, está bom de ver. Estou curiosa por saber o que cozinham. Atendendo a que Joana já disse o que pensava sobre o assunto, vejo muito a custo Costa e Marcelo a pedirem-lhe que fique.

Revolution through evolution

Happy older people live longer
.
Close ties with fathers help daughters overcome loneliness
.
Sensitivity to how others evaluate you emerges by 24 months
.
How does helping people affect your brain? Study shows neurobiological effects of giving social support
.
Writing a ‘thank you’ note is more powerful than we realize, study shows
.
Have the ill effects of sugar been over-emphasized?
.
Goats prefer happy people
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Será esta a quarta trombeta do Apocalipse?

João Miguel Tavares já teve tempo para despachar 4 textos desde que apareceu ao lado de Sócrates no Público, e em nenhum deles tratou do gravíssimo problema de termos ficado a saber que a Sonae está envolvida nos esquemas corruptos do maior corrupto da História de Portugal e arredores. Que se passa?

Em Abril de 2017, do teclado deste “jornalista” saíram três peças consecutivas onde juntou (entre muitos outros) Daniel Proença de Carvalho, Paulo Baldaia, Anselmo Crespo, Daniel Oliveira, Pedro Adão e Silva e Miguel Sousa Tavares num grupo de personalidades cujas decisões profissionais e opiniões mediatizadas revelavam cumplicidade com Sócrates e a arreigada intenção de impedir o Ministério Público de combater a corrupção. Em Abril de 2018, o alvo continuou a ser a Global Media e o DN, usando agora Ferreira Fernandes num exercício ad hominem para o reduzir a um farrapo nas mãos de Sócrates e Proença de Carvalho. A tese foi a de que o FF tem como missão editorial boicotar a santa Joana e a sua implacável máquina inquisitorial que nos vai salvar dos socialistas corruptos (mas só se ficar no cargo vitaliciamente, ficam já avisados).

Há que aplaudir a descontracção de se exibir tanta estupidez caluniosa em público, mas é mesmo o Público que tem de ser questionado por dar palco e holofotes a um pulha deste calibre – pois o tecido accionista e directivo do jornal está a endossar a sua prática ao continuar a pagar-lhe para andar a denegrir compulsivamente a honra alheia. Na outra face desta má moeda, temos um infeliz que se declara liberal para depois papar escutas e devassas da privacidade ao pequeno-almoço na CMTV e chegar ao lanche a arrotar condenações transitadas em julgado graças ao seu pidesco bestunto. É o exemplo acabado do “liberal traveca”, usando os princípios jurídicos, filosóficos e políticos que estruturam o Estado de direito democrático como um vestido coçado demasiado curto para encobrir um corpo abrutalhado pelo deboche de indecência e ódio onde ganha o pão.

Se continua a acreditar que Sócrates é culpado dos crimes que lhe apetecer atribuir-lhe sem precisar desses tribunais de merda que só atrapalham os justiceiros, por que razão JMT ainda não bateu com a porta ou, no mínimo, denunciou a Direcção e os accionistas do Público por terem acolhido nas suas páginas tamanho monstro, assim exibindo a disponibilidade da família Azevedo e do Manuel Carvalho para defendê-lo e para alimentar os seus planos criminosos? Ou seja, será que o caluniador profissional está a vacilar ou será que também foi comprado pelo Anticristo?

Exactissimamente

Sarjeta

__

NOTA

Louçã parece ter acordado, em 2018, de um coma de quase três lustros. Que se terá passado? Terá o seu súbito ímpeto punitivo contra a indústria da calúnia algo a ver com as imagens abaixo?

São apenas dois exemplos para ilustrar uma hipótese cínica e que não ultrapassa o âmbito da psicologia de café. Na verdade, pouco me importa descobrir o que está a motivar as suas denúncias. Importa é que a sua influência mediática seja posta ao serviço da salubridade do espaço público, da sociedade e do regime.

Coisa que ele não fez (mas se fez, corrijam-me) logo em 2004, quando Santana Lopes, à mistura com elementos do CDS e da Judiciária (pelo menos), criou o “caso Freeport”. In illo tempore, podia ter verbalizado com perfeita adequação o que agora escreveu: «um exemplo de como a direita, que sabe que perde as próximas eleições, vai fazer política. Feia, porca e má. E mentira, antes de mais.» Também Santana sabia que ia perder as eleições, por isso não só lançou o Freeport como protagonizou pessoalmente uma campanha para colar a Sócrates o boato de ser homossexual. Era a política à americana, onde as campanhas negras são de praxe, mas algo ao arrepio da tradição e cultura europeias. Mas era também o reconhecimento pela direita decadente da sua inferioridade intelectual e cívica, nada mais tendo a que se agarrar do que a chicana, a pulhice e as golpadas mediáticas e judiciais. De 2004 para cá este tipo de indecência e violência não diminuiu, foi precisamente ao contrário – chegando ao ponto de termos visto a Presidência da República a dirigir e produzir a estratégia da calúnia. Que ouvimos de Louçã a respeito nestes 14 anos? Algo, aqui e ali, mas nada que mereça agradecimento em nome da cidade dado não ter recebido da sua parte a coragem que a defesa do Estado de direito democrático merece.

A actual fórmula governativa é também inovadora nessa disrupção com um sistema partidário e um ecossistema mediático – que se confunde com a história da democracia em Portugal depois do 25 de Novembro – onde a direita e a esquerda eram tácitas aliadas contra o PS. Tal levava a que a esquerda gozasse o prato enquanto via a direita a despejar mentiras e ódio sobre os socialistas, enquanto a direita gozava o prato ao ver a esquerda a despejar delírios e fanatismo sobre o inimigo comum. Em Março de 2011, essa coligação negativa afundou o País numa situação em que o resgate de emergência se tornou inevitável. O que se passar nas eleições de 2019 e solução governativa daí resultante revelará se o eleitorado aprendeu alguma coisa, tanto com a traição de que foi vítima no chumbo do PEC IV como com a recuperação do patriotismo, da decência e da economia a que temos assistido com um PS finalmente apoiado no Parlamento pelo PCP e BE. A postura de Louçã, ao sair a terreiro indignado com a absoluta falta de escrúpulos desta direita dos assassinatos de carácter, se calhar não teria ocorrido sem a desgraça colectiva de que ele se sabe um dos responsáveis.

Santa Joana e o sebastianismo

O DN foi palco de uma operação política tão surpreendente que até terá deixado os caluniadores profissionais que o perseguem completamente baralhados. Começou com esta peça – Marques Mendes sabe tudo? Como o político passou a guru do comentário – um típico exercício de relações públicas para promover alguém que actua no campo da política-espectáculo. Misturado no serviço publicitário onde Marques Mendes aparecia pintado como um sucesso de audiências, ficávamos a saber que vinha a caminho mais um comício a favor da santa Joana. O DN ensinava, pelo teclado de Paula Sá, que “a grande polémica da rentrée política” dizia respeito ao final do mandato de outro indivíduo também denominado Marques. Atente-se na fórmula: a questão é política, é polémica, é a questão política mais polémica dos próximos meses. Pois bem, e onde está a polémica? Ou donde virá? Sobre esses pormenores, moita-carrasco.

No mesmo dia, o DN lançou a continuação da operação – A procuradora-geral deve ser reconduzida? Marques Mendes não tem dúvidas – onde se repetiu ipsis verbis o discurso televisivo sem qualquer enquadramento, análise ou crítica do escriba. Esta câmara de eco das mensagens que o militante do PSD quis espalhar no espaço público teve a assinatura de João Pedro Henriques, o mesmo que viria no dia seguinte a concluir a operação com esta serventia – Destino da procuradora-geral nas mãos de Marcelo – um texto que é do princípio ao fim uma exposição apologética da agenda da direita para o controlo e uso da Procuradoria-Geral da República.

Não faço a mínima ideia de qual seja a origem desta campanha no DN para a renovação do mandato de Joana Marques Vidal. Sei é que não estamos no campo do jornalismo nem no da opinião, posto que as peças são apresentadas como sendo o fruto do labor profissional da Redacção na produção de “notícias”. Pelo que só resta a categoria do “editorial” para explicar o fenómeno – ou então a da “anarquia”, em que cada jornalista se sentiria com liberdade para usar a sua carteira profissional como arma das disputas partidárias e mesmo da subversão do Regime. Mais fácil de explicar será esse outro fenómeno de vermos um conselheiro de Estado armado em vedeta mediática da baixa-política a encher a boca com calúnias e ofensas.

Ao bolçar que “o PS, em matéria de independência da justiça, não tem grande curriculum”, o grande Mendes não só nada justifica como depende dessa desonestidade para se dedicar à táctica favorita da direita decadente, a diabolização. Há método nesta insídia, pois a diabolização não só aponta ao carácter do alvo como atiça a pulsão persecutória até ao grau máximo de violência que for possível atingir. Se o PS, sem sabermos quando nem como, manipulou a Justiça, então temos de impedir que repita dano tão grave. Como? Ora, fazendo com que a Justiça seja manipulada, mas desta vez pelos bons, pela gente séria. É este o sofisma da direita, logo desde que Passos e Cavaco escolheram a santa Joana para conseguir meter no chilindró o maior inimigo que a oligarquia conheceu após o 25 de Abril, o tal fulano que conseguiu despertar a ira das maiores fortunas do País. Paula Teixeira da Cruz canonizou essa homérica vingança com a expressão “fim da impunidade”. Tendo em conta os ritmos do Ministério Público, dos tribunais e o volume de novos processos que se poderão abrir só a partir das certidões já retiradas na “Operação Marquês”, vamos ter 20 ou mais anos disto. Disto: a sistemática difamação contra o PS, explorando mediática e politicamente a judicialização da política por todos os meios e em todas as ocasiões.

As declarações mais perversas da sessão foram dedicadamente recolhidas pelo seu amigo João Pedro e são um monumento ao desprezo pelo Estado de direito, ao desprezo pelas instituições da República, ao desprezo pela comunidade, ao desprezo por Portugal:

«Por isso, "atirar borda fora" a atual procuradora seria suspeito, cheiraria a esturro. "Embora seja certo que essa suspeita não se aplica a António Costa, é, ainda hoje, a suspeita que recai sobre o PS" e uma eventual substituição da atual PGR "agrava essa suspeita em vez de a afastar".

Além do mais, quem substituir a PGR irá "ficar logo com um estigma": "Foi escolhido porquê? Foi escolhido para defender quem?" Isto - concluindo - "é fatal". "Será que o poder político - Governo e Presidente - quer assumir todos estes riscos?"»

Marques Mendes, conselheiro de Estado, ex-governante, ex-líder partidário, ex-deputado, usa o seu espaço de comentário numa TV para chantagear o primeiro-ministro e o Presidente da República. Caso eles ousem substituir a procuradora-geral da República que a direita considera (e por óbvias razões) como sua comissária política, será lançada uma campanha para caluniar o seu sucessor e os responsáveis pela sua nomeação. Aquilo que Joana Marques Vidal está a fazer não pode ser feito por mais ninguém, berra a direita, e sem ela os socialistas corruptos voltarão a corromper tudo e todos. É isto e só isto que está a ser dito. Em nome de uma hipócrita e absurda defesa da integridade da Justiça, a degradante personagem reclama a posse desse cargo para o manter politicamente alinhado com interesses sectários e criminosos.

No DN garante-se que Mendes é o papagaio de Marcelo. Se é isto o “jornalismo de referência”, e se tal coisa nos ajuda a entender a realidade, acho que podemos já saltar para a mesma conclusão a que chegou D. Sebastião em 4 de Agosto de 1578: “Foda-se, se é para isto vou mas é desaparecer daqui.”

A partir de agora?! Anacleto, em que jazigo tens estado enterrado?

«[...] a direita está encantada com Steve Bannon e Trump, achando que, como só têm a propor o sofrimento ao povo, a forma de ganhar eleições é espalhar ódio.

O episódio do convite a Le Pen, em si, não vale nada, é só uma tontice de Cosgrave. Mas a fúria convidativa da direita revela algo muito importante: a partir de agora, toda a sua política será suja. Vale tudo. Vamos ter salada ideológica, campanhas de calúnias, blogues falsos, imprensa escandalosa. Bannon é o mestre.»


Francisco Louçã

Revolution through evolution

Dominant men make decisions faster
.
The spotlight of attention is more like a strobe light
.
Core thinking error underlies belief in creationism, conspiracy theories
.
Napoleon’s defeat at Waterloo caused in part by Indonesian volcanic eruption
.
Consuming milk at breakfast lowers blood glucose throughout the day
.
Strawberries could help reduce harmful inflammation in the colon
.
Resource Scarcity Increases Support for Death Penalty
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Apocalipse da imprensa escrita

Depois da audição de Desafios da nova Direcção: uma conversa com Manuel Carvalho e Ana Sá Lopes, 17 minutos redundantes para o que já tinha sido vertido em Os compromissos da Direcção Editorial, é razoável concluir que a novíssima Direcção não percebe patavina do que está a acontecer à imprensa escrita e jornalismo em geral.

O Carvalho diz que não quer revoluções, apenas incrementos. A Sá Lopes diz que o grande objectivo continua a ser dar notícias em 1ª mão. Ambos consideram que a edição em papel se justifica por motivos nostálgicos e que um conteúdo jornalístico é exactamente igual caso apareça num meio analógico ou digital, pois tudo se resume a ter quem escreva bem e tire boas fotos. O ouvinte deste paleio displicente, dessa cassete, sente-se transportado para um século anterior ao XX.

Numa era onde cada ser humano logo a partir da infância pode aceder com facilidade a canais tecnológicos de comunicação em rede, mesmo em países subdesenvolvidos, onde um banal telemóvel pode ser um equipamento completo de reportagem e um computador com acesso à Internet, estar a competir pela cacha não é apenas ridículo, é estupendamente estúpido. Não se consegue construir uma marca a partir dessa promessa dado ser impossível garantir os meios logísticos e as oportunidades sociais para tal. A mesma embriaguez de imbecilidade quanto às razões para manter uma edição do jornal em papel. Não é que tal não possa fazer sentido, mas jamais como veículo indistinto da edição digital quanto aos conteúdos e linguagens mediáticas e cognitivas próprias a cada meio, jamais como alienação do ecossistema digital antes em complementar e criativa relação com ele.

O jornalismo foi sempre o negócio do consumo de inteligência popularizada. Quem teve a sorte de viver os tempos em que umas folhas que sujavam os dedos eram disputadas com sofreguidão numa família, num café ou no trabalho sabe que esse ritual diário era parte imprescindível da higiene e alimento cívicos. Para além de permitir a coesão comunitária e as trocas sociais correntes, cada leitor igualmente se aventurava pelas diferentes secções num processo de descoberta de gostos, vocações, mundos dentro do mundo e dentro de si. A rádio era imediatez, a televisão era espectacularidade e a imprensa escrita era reflexão e introspecção. Este modelo de organização do universo dos órgãos de comunicação social começou a desabar logo nos anos 80 com a chegada dos canais por satélite e cabo e suas ofertas especializadas nos campos jornalístico e do entretenimento – antes da invenção da World Wide Web e suas avassaladoras e radicais alterações no fluxo da informação entre humanos. Porém, 30 ou 40 anos depois ainda não se sabe como fazer dinheiro a vender notícias e opiniões escritas num planeta com ubíqua, holística e crescentemente saturante interconectividade.

Aqui deixo uma sugestão: imitem o Correio da Manhã ou abominem o que esse pasquim faz e representa. Os mornos serão vomitados.

__

Bom texto do Daniel Oliveira a propósito do mesmo tema: 12 homens em fúria

Realismo, oportunismo ou transtorno da mioleira?

 

A líder parlamentar do partido alemão “Die Linke” decidiu criar um novo movimento que inverte os princípios tradicionais deste partido sobre os imigrantes e requerentes de asilo. Segundo se lê neste jornal francês, Sahra Wagenknecht proclama agora que a imigração deve ser controlada e limitada para se poder prover a outras necessidades prementes do país em relação aos mais pobres e reconhece que “o alojamento social não é ilimitado”. “É ingenuidade pensar que se pode abrir uma fronteira a toda a gente”, diz também, acrescentando que essa não é uma política de esquerda. Visa, assim, contrariar o avanço dos extremistas de direita do partido AfD, agora representados no Bundestag.

“Inspirée du succès de Podemos en Espagne, de la France Insoumise de Jean-Luc Mélenchon ou de Syriza en Grèce, Aufstehen (Traduisez: «Debout!» ou «Réveil!») va tenter de mobiliser très à gauche, mais sur le thème de la politique migratoire qui bouleverse le paysage politique allemand depuis 2015. Âgée de 49 ans, née d’un père iranien et d’une mère allemande, la présidente du groupe parlementaire de la gauche radicale (Die Linke) veut «mettre la pression» sur les partis de gauche pour qu’ils engagent une «autre politique migratoire», dit-elle. Sahra Wagenknecht veut en finir avec la «bonne conscience de gauche sur la culture de l’accueil» et ces «responsables vivant loin des familles modestes qui se battent pour défendre leur part du gâteau».

Crainte pour les bas salaires

«Une frontière ouverte à tous, c’est naïf. Ce n’est surtout pas une politique de gauche», insiste-t-elle. Les milliards dépensés par le gouvernement pour accueillir les demandeurs d’asile en 2015 «auraient pu aider beaucoup plus de nécessiteux en Allemagne», dit-elle. «Plus de migrants économiques signifie plus de concurrence pour décrocher des jobs dans le secteur des bas salaires. Le nombre de logements sociaux n’est pas non plus illimité», estime-t-elle.”

Em Portugal, a imigração não tem sido um problema. Pelo contrário, temos falta de estrangeiros. Mas, inseridos na Europa, interessa-nos, por razões que me dispenso de referir, o evoluir da situação política nos restantes países. E a questão da imigração (sobretudo a muçulmana) é, a par da passada crise financeira, das que mais alterações têm produzido no panorama político europeu actual. Com ou sem razão. Vários países fecharam as fronteiras e são agora governados por políticos populistas e com fortes tendências ditatoriais. Muita dessa evolução é fruto não só da vaga enorme de migrantes e refugiados que têm demandado a Europa (e sobretudo a Alemanha) nos últimos três anos, mas também da perspectiva de não abrandamento desse fluxo, dado que as guerras continuam no Médio Oriente, a Turquia ameaça constantemente deixar de reter uma boa parte dos fugitivos e a África, com a sua série de Estados falhados ou a braços com a invasão de tresloucados islamistas, ou ainda sob os efeitos das alterações climáticas, é um problema de difícil solução. O facto de um conhecido partido de extrema-esquerda, como o “Die Linke”, colocar sequer a hipótese de o país fechar as portas aos que pedem asilo pode ser mais uma prova de que “a boa consciência” da esquerda, como ela diz, não chega já para solucionar um problema desta importância para os países de entrada ou de destino dos migrantes. O que se passa na Itália, na Áustria, na Hungria, na República Checa, na Polónia e até na Alemanha é que chamar automaticamente fascista e xenófobo a quem não defende a abertura incondicional das fronteiras foi meio caminho andado para os verdadeiros fascistas adormecidos acordarem e verem uma enorme oportunidade à sua frente.

Assim, pode o número real de imigrantes e refugiados ser pouco expressivo e pouco alarmante, pode a dita Sahra estar avariada da mioleira e não ter sorte nenhuma com o público-alvo que visa conquistar, mas não deixa de ser um sintoma de que algo vai mal quando a direita populista tem tamanha facilidade em chegar ao poder um pouco por todo o lado na Europa, apesar do exemplo deplorável do cabeça loira do outro lado do Atlântico.

Centeno não disse nada de especialmente chocante

Deixem o Mário Centeno em paz. O programa de assistência financeira à Grécia terminou finalmente e impunha-se o comentário da praxe sobre a ocasião. Como presidente do Eurogrupo, o que poderia dizer Centeno, se não que “todos aprendemos com os nossos erros”, como se ouve no vídeo? Todos incluindo a Grécia, sim, cujos governos anteriores à crise aldrabaram a bom aldrabar as contas. Com a prestimosa ajuda dos amigos da Goldman Sachs, como é sabido. Mas não seria esta a ocasião para desenterrar punhais passados, pois não? Os gregos aldrabaram para a entrada no euro e aldrabaram posteriormente os valores do défice. Para além do regime de privilégios inaceitáveis de que gozava a generalidade do sector público e certas classes profissionais e de um sistema fiscal generalizadamente fraudulento (uma das tais “bad policies of the past” a que o vídeo, de facto, alude).

De certo modo, nós fomos vítimas da Grécia. Embora não tenhamos tido nos nossos registos mais próximos da crise qualquer fraude ou política irresponsável. Tanto assim é que nem teríamos tido resgate algum se a sede de poder do PSD e a cegueira dos radicais do BE e PCP não tivessem deitado a perder o acordo conseguido em Bruxelas.

Posto isto, é claro que a receita aplicada à Grécia (e a nós) foi-lhes servida recheada de preconceitos contra o sul e de propósitos de punição, que menosprezaram completamente as pessoas e  economia e só agravaram a situação de tragédia. Mas, podia Mário Centeno, ministro de um país que substituiu a austeridade pelo normal rigor, deixar de mencionar, ainda que de passagem, os erros da Grécia (de que também fomos vítimas, por errada analogia)? Ou será que a Grécia não cometeu erro nenhum nem havia nada a corrigir? Não é verdade.

Pode Mário Centeno não ter frisado suficientemente, como muitos gostariam, a nunca reconhecida defesa dos interesses dos membros mais ricos da família “euro” que orientou a maior parte das decisões de resgate. Mas não era esse o seu papel neste momento. O predomínio de quem se apresenta, na Europa, com melhor situação económica é uma realidade com a qual teremos de viver praticamente até à eternidade. Mas Portugal está a afirmar – a reconstruir, melhor dizendo – a sua imagem de país sério, autónomo e orgulhoso, por oposição à imagem de cachorro culpabilizado e obediente que o anterior governo passou. Assim, não percebo o alarido. Só o da oposição, claro.

Este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório