Cravinho velhinho quer extinguir o povinho

Não desistindo de alertar o país para os riscos e os efeitos de erosão da democracia que advêm dos comportamentos e práticas corruptas ao nível do Estado, Cravinho considera que “hoje a corrupção é um grande problema nacional” e é até “um problema endémico”. Não perdendo a esperança de que um dia o país político olhe para o problema, salienta as recentes tomadas de posição da JSD e da JP sobre o assunto: “Congratulo a JSD, em especial a sua líder, Margarida Balseiro Lopes, e também a JP por terem assumido que a corrupção é um grave problema do país. São um exemplo da reflexão que o Parlamento devia fazer.”

Cravinho frisa que a corrupção tem aumentado, fruto da passividade dos responsáveis políticos que têm rejeitado a construção de um sistema coerente e eficaz de prevenção e combate. Ao longo de duas décadas, o problema têm-se adensado, até porque as poucas medidas tomadas surgem como desconexas. É por isso que o homem que tem carregado a bandeira desta causa garante: “Isto já não vai lá com panos quentes. É preciso extinguir o que só serve para enganar o povinho.”


Fonte

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Quem ler ou ouvir o que João Cravinho e Ana Gomes têm dito sobre a corrupção em Portugal fica com estas ideias:

– Que são ambos socialistas.
– Que são ambos parte da elite do PS.
– Que ambos têm uma longa e ininterrupta carreira política onde sempre agiram e se expressaram em liberdade.
– Que ambos fizeram do combate à corrupção a sua imagem de marca.
– Que ambos comungam do mesmo diagnóstico e terapia para a corrupção em Portugal.
– Que ambos consideram que parte do PS, quiçá a parte maior, é corrupta.
– Que ambos consideram que parte da Assembleia da República, com maioria absolutíssima até agora, é corrupta.
– Que ambos consideram que todos os Presidentes da República, todos os magistrados, todos os polícias, são cúmplices da maioria absolutíssima que na Assembleia da República não só não acaba com a corrupção como consegue aumentá-la exponencialmente.
– Que ambos se consideram com inabalável e monopolista razão calhando terem de emitir qualquer juízo acerca da problemática da corrupção em Portugal (e, muito provavelmente, em qualquer parte do Mundo).

Posto isto, ver Cravinho a aplaudir a perseguição aos políticos através da fragilização ou esboroamento do Estado de direito, ver Cravinho a nada provar das suspeições difamantes e caluniosas que lança incontinente, e ver Cravinho a já só conseguir reproduzir a cassete do seu pseudo-martírio, tal fica como um espectáculo da sua corrupção moral e cívica – portanto, política. A sórdida, e mentirosa, imagem de estarmos rodeados de criminosos por todos os lados. Só porque não lhe satisfizeram a vontade, esse povo maldito que se faz representar democraticamente desde o 25 de Abril.

6 thoughts on “Cravinho velhinho quer extinguir o povinho”

  1. bolas, só a cena de Pedrogão (a distribuição das ajudas) diz o que é a administração pública portuguesa. larga a erva.

  2. Meu Deus: o que dizer de quem abandona uma causa como a do combate anti-corrupção a troco de uma sinecura em Londres?
    Coragem?
    O ídolo tem pés de barro, isso eu sei.

  3. Heheh, calhorda de merda, o povo português aldraba sempre que pode – incentivado pelo exemplo, que nunca vem nem nunca veio de cima – e o pancas quer que se se faça um combate, segundo “ as regras do estado de direito “.
    O que o Volúpia no fundo quer, é que, não se descubra e não se combata nada, e para isso se esconde atrás da cortina do estado de direito . Isto sim !
    Já no tempo da outra senhora, em que existia mão de ferro, se gamava sempre que se podia ( por exemplo, empreiteiros na construção de bairros sociais, obras de reparação de estradas, construção da ponte sobre o Tejo, em que já estava preparado um caldinho de interesses económicos nacionais que iriam acarretar maior custo ao País do que a solução final que foi adoptada, etc., tudo, roubava-se em Lisboa, sede do poder, e por todo o lado, na periferia e no interior do país, ) daí que Salazar, ciente disso, centralizava tudo e advogava a despacho pessoal assuntos que, em princípio e em condições normais, não necessitariam da sua intervenção, até ministros lobistas que o rodeavam tentavam fazer valer os interesses dos que queriam mamar à custa do estado, – é o caso, entre muitos outros, daquele que já falei, do “consórcio nacional para a ponte sobre o Tejo” – desconfiança, centralização e contenção essas que, inevitavelmente, acarretou atrasos no progresso do País .
    Aliás, a mamadeira, já vinha do tempo da monarquia . Sobreviveu à ditadura, e evoluiu na chamada “ democracia vigente “, cresceu com esta, sob a batuta do progresso a todo o custo e a todo o vapor, por estar desacompanhada do inevitável controlo e por estar acompanhada da trafulhice e da corrupção .
    A realidade, é que somos um povo medíocre, e temos por isso, um estado falhado .
    O Volúpia, que não queria pagar a coima, alegava que, entre outros considerandos, o grau de culpa era mínimo .
    Mínimo?
    Calhorda, se em vez de andar a cheirar artigos de jornais e a dar bitaites sobre bitaites de outras pessoas, lesse o que devia, lia mas era o Diário da República, e já sabia quais os seus deveres fiscais .
    Mas como ele porventura entende que, no “ estado de direito “ o Estado é que lhe tem de dar pessoalmente conhecimento pessoal prévio dos seus deveres, dado que não recebeu nenhuma carta de notificação com uma funcionária lá dentro a relatar-lhe em voz alta – áudio – e em prosa ( texto ), pronto, não foi notificado de nada e desconhecia .
    Diriga-se ao advogado Lareira, isto está bom é para advogados e trafulhas, e se fôr advogado e e trafulha ao mesmo tempo, então é um causídico de sucesso, e em franco progresso .
    Rarara .

  4. “corrupção moral e cívica – portanto, política”

    Gostei desta afirmação, que demonstra que afinal sempre vales mais que muitos disparates aqui postados sobre o assunto.

    O resto é fulanização e retorica barata. Ou não existe corrupção (como subentendes) e então o Cravinho é um tonto que esta a brincar com o fogo, ou mesmo a instrumentalizar uma questão séria em proveito proprio, o que é torpe. Ou existe corrupção, como ele afirma, e então ha que lhe reconhecer uma certa coragem por criticar os responsaveis da sua familia politica.

    Boas

  5. Cravinho nunca foi um democrata nem um liberal. Começou como militante católico e como “técnico” do salazarismo e do marcelismo, sob os quais se foi passando subrepticiamente para as hostes progressistas e marxistas da época, acabando como co-fundador do MES. Nas escolas doutrinárias em que se formou – o Estado Novo, a Igreja católica e o marxismo – Cravinho obviamente nunca aprendeu a valorizar a democracia e a liberdade. Está-lhe no sangue a aversão aos partidos e à política, daí a obsessão dele com a corrupção, que ele pensa que só existe nos regimes demoliberais como aquele em que (felizmente) vivemos.
    Quando Cravinho diz “fui ingénuo e estúpido”, há ali um problema com o “fui”, porque continua a ser ingénuo e estúpido. Não tanto, porém, que não tenha governado muito bem a sua vida, como sempre soube governar. A ingenuidade e a estupidez dele são basicamente ao nível das ideias políticas, não da gestão da sua vidinha pessoal, que sempre singrou brilhantemente.

  6. (continuação)
    Cravinho sempre nadou bem em todas as águas, conviveu sempre bem com todos os regimes e governos, como um perfeito oportunista. De Salazar a Sócrates, passando por Caetano, Vasco Gonçalves, Soares, Sampaio, Guterres e até Alberto João Jardim, Cravinho deu-se muito bem com os governos de todos eles, com a possível excepção do de Cavaco.
    É um engenheiro polivalente, embora nunca tenha trabalhado como engenheiro. Parece que projectou uma barragem que não foi construída, de resto dedicou a sua vida profissional a estudos e planeamentos económicos, que são uma maneira “tecnocrática” de exercer o poder. Teve, porém, de se meter, algo contrariado, na política propriamente dita, a política partidária, com sucessivos estágios no parlamento, mas sempre com perfil baixo e “técnico”, isto é, de técnico de tudo e coisa nenhuma.
    Parece que às tantas percebeu, já com o cabelo grisalho, que não há democracia sem partidos, mas os partidos nunca o convenceram totalmente, taxando-os repetidamente e por junto de “associações clientelares”. Esta palavra, clientelar, é chave para a compreensão do pensamento de Cravinho, ligando-se umbilicalmente às suas teses sobre a corrupção. Como “técnico”, os pareceres e propostas de Cravinho foram muitas vezes chumbados ou ignorados pelos governos, o que ele explicou sempre como resultado da pressão das clientelas sobre o poder político. Ou seja, as suas numerosas propostas e pareceres eram excelentes, as “clientelas” dos partidos é que impediram que essas propostas fossem aceites. Esta visão ingénua, estúpida e, já agora, infinitamente presunçosa é o que o faz falar continuamente de corrupção. Corrupção, para Cravinho, é simplesmente a força que trava e impede o desenvolvimento económico e o progresso geral que as propostas dele, Cravinho, trariam para o país.

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