Apocalipse da imprensa escrita

Depois da audição de Desafios da nova Direcção: uma conversa com Manuel Carvalho e Ana Sá Lopes, 17 minutos redundantes para o que já tinha sido vertido em Os compromissos da Direcção Editorial, é razoável concluir que a novíssima Direcção não percebe patavina do que está a acontecer à imprensa escrita e jornalismo em geral.

O Carvalho diz que não quer revoluções, apenas incrementos. A Sá Lopes diz que o grande objectivo continua a ser dar notícias em 1ª mão. Ambos consideram que a edição em papel se justifica por motivos nostálgicos e que um conteúdo jornalístico é exactamente igual caso apareça num meio analógico ou digital, pois tudo se resume a ter quem escreva bem e tire boas fotos. O ouvinte deste paleio displicente, dessa cassete, sente-se transportado para um século anterior ao XX.

Numa era onde cada ser humano logo a partir da infância pode aceder com facilidade a canais tecnológicos de comunicação em rede, mesmo em países subdesenvolvidos, onde um banal telemóvel pode ser um equipamento completo de reportagem e um computador com acesso à Internet, estar a competir pela cacha não é apenas ridículo, é estupendamente estúpido. Não se consegue construir uma marca a partir dessa promessa dado ser impossível garantir os meios logísticos e as oportunidades sociais para tal. A mesma embriaguez de imbecilidade quanto às razões para manter uma edição do jornal em papel. Não é que tal não possa fazer sentido, mas jamais como veículo indistinto da edição digital quanto aos conteúdos e linguagens mediáticas e cognitivas próprias a cada meio, jamais como alienação do ecossistema digital antes em complementar e criativa relação com ele.

O jornalismo foi sempre o negócio do consumo de inteligência popularizada. Quem teve a sorte de viver os tempos em que umas folhas que sujavam os dedos eram disputadas com sofreguidão numa família, num café ou no trabalho sabe que esse ritual diário era parte imprescindível da higiene e alimento cívicos. Para além de permitir a coesão comunitária e as trocas sociais correntes, cada leitor igualmente se aventurava pelas diferentes secções num processo de descoberta de gostos, vocações, mundos dentro do mundo e dentro de si. A rádio era imediatez, a televisão era espectacularidade e a imprensa escrita era reflexão e introspecção. Este modelo de organização do universo dos órgãos de comunicação social começou a desabar logo nos anos 80 com a chegada dos canais por satélite e cabo e suas ofertas especializadas nos campos jornalístico e do entretenimento – antes da invenção da World Wide Web e suas avassaladoras e radicais alterações no fluxo da informação entre humanos. Porém, 30 ou 40 anos depois ainda não se sabe como fazer dinheiro a vender notícias e opiniões escritas num planeta com ubíqua, holística e crescentemente saturante interconectividade.

Aqui deixo uma sugestão: imitem o Correio da Manhã ou abominem o que esse pasquim faz e representa. Os mornos serão vomitados.

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Bom texto do Daniel Oliveira a propósito do mesmo tema: 12 homens em fúria

43 thoughts on “Apocalipse da imprensa escrita”

  1. Nada contra, é a converseta do costume sobre a crise do modelo de negócio da imprensa, mas podias contextualizar antes de tratar toda a gente abaixo de imbecil, que é uma mania muito tua. A Ana Sá lopes é uma jornalista de política. A sua noção de “caixa” é a fuga de informação, não o vídeo captado por algum telemóvel. E ambos os jornalistas estão muito ligados ao Público, um jornal que quase nunca deu lucro e que já era um “perdócio” (Belmiro de Azevedo) antes da revolução do digital e das redes sociais, o que também lhes deve ter formatado a cabeça (não fui ver o que disseram agora). Quanto ao teu tom apocalíptico, é uma forma de evitares reconhecer o exemplo de sucesso na imprensa escrita adaptada aos tempos modernos, que é o Observador.

  2. .
    analisar o jornalismo como mero negócio que tem que ser reinventado para ser lucrativo.
    o correio da manhã é lucrativo. o negócio funciona.
    se quiseres uma outra abordagem ao papel dos jornais, sempre podes olhar o outro lado do Atlântico.

  3. eremita, a Ana Sá Lopes estava a participar como vice-directora numa conversa sobre o projecto do jornal, não como jornalista de política num paleio sobre o gozo de descobrir ou inventar “factos políticos”. E aquilo a que me refiro é à densidade humana à escala planetária do jornalismo profissional e do jornalismo amador, não só nem essencialmente aos registos captados por qualquer um em situações públicas. Mas concordo contigo quanto à inanidade do que escrevi.

    Sobre o Observador, não sei a que chamas “sucesso”. Terá algo a ver com o facto de já por lá te teres pavoneado? Será por ser mais um antro da indústria da calúnia? A menos que conheças o modelo de negócio e seus resultados, esse blogue continua a existir apenas por haver quem pague para usá-lo como arma política.

  4. De novo, não conto sequer ver/ouvir essa conversa, mas para tratar jornalistas experientes como o Manuel Carvalho e a Ana Sá Lopes como tu fazes é preciso recorrer a caricaturas. Tudo bem, Valupi, sabemos que tens uns ódios de estimação e isso dá-te alguma graça.

    Só uma cabecinha facciosa como a tua se lembraria de fazer tal associação. E se queres viver em negação, é um direito teu, mas há consequências. Vê os números do Observador (http://www.clubedeimprensa.pt/Artigo/2376). Só perde para o CM (um fenómeno) e para o JN (um jornal lançado dias depois da invenção de Gutenberg). Se isto não é um sucesso para um projecto com 4 anos, explica-me a tua ideia de sucesso. Não tenho nenhuma simpatia pelo Observador, escrevo onde aceitam as minhas propostas ou quando me convidam (o que foi o caso do Observador via Nova Medical School). Mas diz lá: que jornal existe sem que haja quem o pague para usá-lo como arma politica. Por mim, quantos mais desses jornais, melhor. Tu, pelos vistos, tens um modelo de negócio tão extraordinário que deves estar à espera de registar a patente antes de o divulgar aqui no Aspirina.

  5. Eremita, não confies nos números relativos ao tráfego digital, é a primeira regra para quem trabalha na área (no meu caso, marketing). Depois, mesmo que os números fossem mil vezes melhores tal não significaria necessariamente que o projecto fosse viável comercialmente. Certo?

    De que forma é que o JN e o DN são armas políticas? Aliás, a esquerda (ou que seja só o PS) tem algum órgão de comunicação social dito de referência ao seu serviço? Ou está reduzida ao Avante?

  6. Está bem, Valupi. Fazem-se negócios milionários tendo por base o tráfego digital, mas há um gajo da publicidade que me diz para eu não confiar nos números. É para confiar quando dá jeito e para desconfiar quando não dá, não é?

    Certíssimo, mas quem anda obcecado com modelos de negócio e a amalgamar jornalismo de sucesso com negócio de sucesso és tu. O Observador é um projecto de jornalismo de sucesso porque criou uma enorme comunidade de leitores que vão lá buscar informação e opinião. Isto é uma evidência. Podes não gostar e resmungar como entenderes, mas torcer a realidade não é uma boa solução.

    Se o DN e o JN não são armas políticas, não é por falta de vontade de alguns e mais não digo para não ter de te aturar o dia todo. Valupi, para pessoas facciosas como tu, todos os jornais que tu aprecias não são armas políticas e os jornais que tu não aprecias são armas políticas. Como há pessoas igualmente facciosas mas da outra facção, conclui-se facilmente que todos os jornais são armas políticas, uns de forma mais explícita do que outros. No que me toca, apenas critico os jornais que não se assumem como armas políticas ou que não deixam claro que valores defendem.

  7. Eremita, obviamente andas um bocado a leste do que se está a passar com as métricas digitais. Mas tudo bem, é assunto de especialistas, realmente.

    O Observador defende uma agenda política tão fanática que confundir isso com jornalismo é avacalhar por completo o conceito. A menos que, lá está, também consideres jornalismo o que faz o esgoto a céu aberto.

  8. o observador é fixe… é sim. de momento, é o único onde se pode ler qualquer coisa. e o publicuzinho tem tb uma clara agenda política , a do berloque de esterco e lgbts vários.

  9. Do alto da Estrutura acionista piramidal do Observador séculos de jornalismo nos contemplam.

    Amaral y Hijas Holdings S.L. (acionista de referência: Luís Amaral)
    Orientempo (acionista de referência: António Carrapatoso)
    Holdaco, SGPS, S,A, (acionista de referência António Champalimaud)
    Ardma SGPS, S.A. (acionista de referência: Pedro de Almeida)
    Atrium Investimentos, SGPS, S.A. (acionista de referência: João Fonseca)
    Merino Investimentos, Lda. (acionista de referência: Alexandre Relvas)
    Lusofinança, Lda. (acionista de referência: Filipe de Botton)
    António Viana Baptista
    Ribacapital, SGPS, Lda. (acionista de referência: João Talone)
    Pedro Martinho
    Teak Capital, S.A. (acionista de referência: Carlos Moreira da Silva)
    Duarte Schmidt Lino
    José Manuel Fernandes
    Rui Ramos
    João de Castello Branco
    Jorge Bleck
    Filipe Simões de Almeida
    António Pinto Leite
    Duarte Vasconcelos
    Rudolf Gruner

  10. Dá-me um exemplo em que o Observador tenha violado as boas práticas do jornalismo. O resto é conversa, Valupi. Venham os factos.

  11. O publisher para começar, um exemplo de tudo o que não deveria ser o jornalismo. A aposta num desacreditado a soldo demonstra a ausencia de criterios estritamente jornalisticos e a aposta num projecto sectário que sirva os poderes faticos. A falta de um forte poder regulador ajuda, em Portugal até o Dicas da Semana é jornalismo.

  12. Joe,

    A ideia de defender José Manuel Fernandes dá-me a volta à tripa, mas o exemlo que dá seria apenas incompetência e não propriamente “fake news”. Primeiro, cita um artigo de opinião e não uma notícia. Segundo, posso ter lido mal, mas não vi no texto citado a expressão que lhe cobra no post (deve ser erro meu, mas confirme, sff).

  13. Eu não digo que são fake news mas o tipo de jornalismo apreciado por quem gosta de fake news. Há uma diferença. No entanto era isso que deveria dizer, fake news.
    O texto linkado é sobre uma noticia que é objectivamente distorcida porque parte de factos não verdadeiros, não é somente incompetencia, mas ainda que o fosse, a sua reiterada repetição ( exemplos sao aos molhos, como o demonstrado pelo adelinoferreira) e o suficiente para não falarmos de jornalismo quando nos referimos ao Observador. É uma visão romanceada da realidade com fins propagandisticos e para dar conforto a uma mundivisao reacionária e por vezes negacionista.

  14. Certo, mas consegues encontrar a frase do teu post no texto do JMF que citas? De novo, pode ter sido lapso meu, mas não encontrei a frase.

  15. Adelino,

    De novo, o exemplo que não é de “fake news”, mas de uma opção editorial. É evidente que o Observador é um jornal de direita e até sabemos de que direita. Apresentar exemplos que mostram aquilo que toda a gente sabe não me parece um exercício muito útil e apenas revela uma ilusão e mania muito portuguesa, que é pensar-se que os jornais e revistas não têm ou não devem ter preferências políticas. O The New York Times, The Wall Street Journal, The Guardian, L’Obs, The Independent, The Spectator, etc. são neutros? Só mesmo para o Valupi e a rapaziada do Aspirina. Não sei se sempre pensaram assim ou se foi negação útil quando o vosso amado Sócrates tentou controlar os “media”, mas é um fenómeno interessante.

  16. Claro que sim, eremita, todos os jornais e revistas têm preferencias políticas. No caso de se relacionar com José Sócrates essa simpatia recebe o nome de tentativa de controlo dos media.

  17. Eremita, para te dar o exemplo que pedes tens de começar por esclarecer em que consistem, para ti, as “boas práticas do jornalismo”. Desconfio que não estamos de acordo acerca desse tópico.

    Quanto a Sócrates ter tentado não sei o quê na comunicação social, do que falas? De algo que leste no CM e no Observador? Ou andaste a investigar o assunto por tua conta (e risco, imagino) e estás em condições de explicar à malta o que se passou?

  18. Ainda bem que não sabes do que falo, É que, para não perturbar a paz doméstica, obriguei-me a só discutir o assunto “Sócrates” uma vez por ano, pelo menos enquanto o julgamento não começar. Como creio que já esgotei a quota Sócrates de 2018, este assunto fica em suspenso. Mas prometo que reservarei a quota Sócrates de 2019 para ti.

    Boas práticas jornalísticas? Refiro-me a coisas elementares: ter o cuidado de ouvir ambas as partes, assegurar alguma redundância ou credibilidade nas fontes, mencionar a autoria das notícias que não são dadas em primeira mão, fazer o “fact-checking”, passar o texto pelos olhos de um editor experiente, assegurar o direito de resposta, etc. Se me conseguires provar que o Observador se distingue pela negativa quanto a estes aspectos do restante da imprensa portuguesa, dou-me por vencido. Se insistires, como o resto dos comentadores que se apressaram a linkar “evidências” de que o Observador dá notícias que favorecem a direita, não estamos a conversar. No teu caso, como és manhoso, suspeito que não indicarás nenhum link, nenhum exemplo concreto, e continuarás com evasivas ou a fazer-me perguntas que só podem ter respostas óbvias.

  19. Eremita, és um tanguista inveterado. Lanças a calúnia da praxe e vais a correr procurar refúgio nas tábuas.

    Aquilo a que chamas “coisas elementares” são coisas, de facto, elementares na tua prosa. Tão elementares que, se é mesmo nisso que acreditas, invejo essa tua idade mental de 12 anitos. Todavia, se é de jornalismo que queres falar, então basta que te atenhas ao Estatuto e Código Deontológico dos Jornalistas. Está lá tudo o que define o jornalismo como prática profissional. Depois só terás de encontrar em ti módica honestidade intelectual para aferires do seu cumprimento nos órgãos de comunicação social da tua predilecção.

  20. O link acima prova precisamente que não fez nenhum fact checking , na melhor das hipóteses martelou os números dos concelhos geridos pelo ps. O outro prova que mete noticias na gaveta e omite tudo o que não interessa. O jornalismo é um bem publico não uma mera opinião sobre a realidade, pode e deve ter um angulo de análise mas não partir de falsidades nem omitir e distorcer noticias.
    De resto a sua argumentação e sim manhosa porque sabe que a generalidade da imprensa portuguesa e ma e nunca pode ser o benchmarking de boas praticas jornalisticas. Basta estar atento https://mobile.twitter.com/ostruques
    E tão depressa cita jornais estrangeiros para evidenciar o obvio ululante (por definição o problema da imprensa nunca é a falta de neutralidade, mas sim a falta de independência como se observa no observador) como se esquece deles a propósito do que interessa.

  21. Tanguista? Isso é o que um cobarde diz de alguém quando o quer chamar de mentiroso ou aldrabão, não é? Valupi, estou em férias e ninguém me obriga a aturar os teus habituais insultos. Se te tivesse enviado o link do “Estatuto e Código Deontológico dos Jornalistas” ter-me-ias dito que era incapaz de dizer de cor o que entendo por boas práticas jornalísticas. Como fiz um apanhado rápido, restou-te a acusação de que fui primário. Está bem, pá. Aposto que nem sabes o que está escrito nesse código deontológico e fazes um bluff pateta para a plateia. Meu caro, enquanto não me deres um exemplo de mau jornalismo do Observador, enquanto não me demonstrares objectivamente que o Observador se distingue pela negativa das outras publicações quanto à qualidade do jornalismo, o mentiroso e o aldrabão és tu. Até ver, não passas de um faccioso ligeiramente mais letrado do que a média e infinitamente mais arrogante. E a propósito de arrogância, quem és tu para te armares em grande autoridade no que toca ao jornalismo? Quem és tu para me dares – a mim ou a qualquer outra pessoa – lições de jornalismo? És jornalista? Tens obra publicada sobre o jornalismo além do que deixas aqui no blog? És uma referência no mundo do jornalismo? Não és um gajo do marketing? Um gajo do marketing não é uma pessoa que escreve coisas para que um cliente fique contente? Não será, de certa forma, a antítese do jornalismo? Como alguém disse: “News is what somebody does not want you to print. All the rest is advertising.” Ou seja, ganhas o guito a fazer algo que está no pólo oposto do jornalismo e depois tens um blog nas horas vagas para dar lições de moral com insinuações sobre os jornais em que as pessoas escrevem e como isso lhes corrompe a alma e contamina o pensamento. Tens noção do ridículo? É de um gajo do marketing que tem um blog onde escreve sobre jornalismo para amadores, sem qualquer escrutínio real por profissionais da área, que eu vou receber lições de jornalismo? De um tipo com um discurso alucinado sobre Sócrates e que bate na imprensa como se fosse o Jorge Coelho de outros tempos, apesar de nos dizer que não vota no PS (como se isso lhe desse objectividade)? Deixa-te de tangas, Valupi. Dá-me um exemplo de mau jornalismo do Observador. Um exemplo. Não te peço mais. Vamos, Valupi, compromete-te com os factos por uma vez; deixa de sofismar e abandona as piruetas retóricas da tua formação profissional.

  22. Joe,

    Pode ser. Mas eu continuo a pedir-te que me apontes em que parte do texto de JMF está a citação do teu post que atribuis a JMF. Compreenderás que num post em que se acusa o jornalista de não ter feito fact- checking, algum fact-checking seja pertinente. Eu estou convencidíssimo de que não terás cometido a imprudência de inventar a citação, mas a verdade é que não a encontrei à primeira leitura e seria penoso ler o texto de JMF uma segunda vez.

  23. Quanto ao que dizes sobre a minha “manha” de pedir uma comparação com a imprensa portuguesa, fico um pouco baralhado. Se não comparamos o Observador com o resto da imprensa portuguesa por nunca poder ser o “benchmarking de boas praticas jornalisticas”, que sentido faz isolar o Observador do resto da imprensa portuguesa por não atingir as boas práticas jornalísticas. É simplesmente ilógico, a menos que resolvas – por algum capricho bizarro – ser mais exigente com o Observador do que com os jornais portugueses que dão as notícias de que gostas. Enfim, desta troca de comentários concluo que aqui não gostam do Observador (eu também não gosto), mas são incapazes de fazer uma crítica objectiva. Porreiro, pá, é para estas perdas de tempo que os blogs servem. Agora vou até à praia.

  24. Eremita, num mundo globalizado em que há até versões de jornais como o El Pais em português e meio mundo fala inglês não faz sentido ficarmos aqui fechadinhos pois não, mas percebo a conveniência. A concorrência e global e vale para tudo e todos, não só no jornalismo. Acorda pá! olha ia sugerir o mesmo, água na tola.

  25. Joe,

    Na verdade, estava à espera que reconheceses que a citação não se encontra no artigo “linkado”.

    Muito provavelmente, o JMF retirou-a quando percebeu que era um tiro no pé, pois ainda existe em versões copiadas do texto original que se encontra por aí. É uma falha? Claro que sim, até duas: 1) não ter confirmado a informação; 2) não ter deixado no texto a informação de que o frase em tempos lá esteve. O Valupi, que sabe de cor o código deontológico dos jornalistas é capaz até de encontrar mais falhas. São falhas que dizem muito sobre JMF, mas se é isto que apresentam como exemplo do mau jornalismo do Observador, francamente creio que até eu consigo fazer melhor se me esforçar um pouco.

    Acresce que a frase que citas é um post scriptum que não está muito relacionado com o texto (daí a minha surpresa inicial quando o li). E parece que foi mesmo algo que o JMF acrescentou depois de ter escrito e – presumo eu – publicado o texto, seguindo a sugestão de um leitor. Isto não desresponsabiliza JMF, mas i que a frase era um acrescento sugerido por alguém não se percebe da leitura do teu post, tive de ser eu a reconstruir o que se passou, pelo que também me apetece dizer: “olha, o Joe não sabe fazer links nem citações”.

  26. Eremita, no dia 6 de Agosto publicaste um exemplo do que passa por jornalismo no “Observador” – https://ouriquense.blogs.sapo.pt/anticlimax-nas-ppp-738854 – mas, ou já estás esquecido ou não percebeste o que tu próprio fizeste. Que foi isto: apontar para o “modus operandi” da indústria da calúnia.

    “Ao fim de sete anos de investigação que levaram à realização de mais de 60 inquirições, e à recolha de prova em buscas domiciliárias e não domiciliárias a alguns dos que estiveram envolvidos na assinatura dos contratos sob suspeita” -> não há sequer um arguido nas investigações às PPP. Não quer isto dizer que não venhamos a ter arguidos, e muitos, e até condenados, às carradas. Mas, até lá, continua a valer o principal. E o que é o principal?

    Se para ti o principal é a judicialização da política, o sensacionalismo, os assassinatos de carácter, as violações do segredo de justiça e a chicana onde vale tudo, então serás menino para carimbar como “jornalismo” essa prática corrente nos impérios mediáticos da direita em Portugal. Para ti, infiro, tal porqueira é a liberdade, quiçá a justa luta dos justos por um mundo melhor, mesmo que com isso mandem o Estado de direito e a honorabilidade de alguns socialistas para o galheiro.

    O artigo do “Observador” que te permitiu um raro momento de lucidez em matérias socráticas não é de opinião, certo? Trata-se de algo típico nesse pasquim, uma “investigação” donde se parte da conclusão sectária e canalha para as caudalosas insinuações. Não te invejo a sorte se é disso que a tua inteligência se alimenta.

  27. Eremita, pedes exemplos, linka uma “notícia”escrita por Luis Rosa que não seja uma construção insinuosa para denegrir políticos de esquerda.

  28. Não há nada no artigo do LR que esteja factualmente errado, creio, visto que ele apenas se limita a inteirar o leitor da visão que a PJ tinha sobre o caso, dando inclusive a palavra a um dos visados, Paulo Campos, e ao advogado deste, Rogério Alves. Também o confronto entre as afirmações de Guilherme d’Oliveira Martins e dirigentes da EP não é sequer tendenciosa. Sim, o artigo está construído de uma forma ardilosa, mas apenas porque a informação mais importante só vem no fim e é “anticlimática”, no sentido em que a montanha pariu um rato, mas não se enquadra na minha definição de mau jornalismo, pois quem ler o artigo fica muito bem informado sobre o que se sabia naquela altura sobre o caso. É mesmo provavelmente o melhor artigo de imprensa sobre o caso na quantidade de informação que transmite. Mau jornalismo seria deixar de fora o facto de não ter sido detectado nenhum fluxo financeiro suspeito, o que não acontece (aliás, esse facto é até mencionado quatro vezes, só que apenas no fim).

  29. Eremita, se quem leu o artigo “fica muito bem informado sobre o que se sabia naquela altura sobre o caso”, o que é que tu estás em condições de explicar sobre o assunto? Aqui entre nós que ninguém nos lê, vou ajudar-te na resposta: ponta de um corno. Aposto que tu não percebes patavina do que está em causa na investigação às PPP, a começar porque ainda não terás perdido uma caloria a tentar entender o assunto. No entanto, como consumidor de gordas na “imprensa” direitola, sabes que há uns socialistas a serem investigados pela bófia, e que se tal acontece não é por eles serem muito respeitadores da lei, terá de ser ao contrário – seja qual for o desfecho da investigação que, repita-se à exaustão, neste momento ainda nem sequer tem arguidos, que a ter não sabemos se terá acusados, e que a ter não sabemos se terá condenados.

    É para sectários como tu que a indústria da calúnia produz as suas canalhices.

  30. Está bem, Valupi. Agora que já desabafaste e tiveste mais uma oportunidade de escrever “indústria da calúnia”, espero que te sintas melhor.

    Joe, assim não vamos lá. Para concluir que o Observador é pior do que a restante imprensa portuguesa (“de referência”) é preciso fazer uma comparação sistemática, não basta mencionar as pequenas aldrabices do JMF. Se é para discutir caso a caso, também posso comparar a vil notícia do Luís Rosa sobre a investigação às PPP com a notícia equivalente publicada pelo Público. É apenas um caso, mas com a vantagem da comparação directa:

    https://observador.pt/especiais/ppp-7-pistas-para-entender-a-nova-investigacao-ao-governo-socrates/

    https://www.publico.pt/2018/08/06/economia/noticia/contratos-de-ppp-sob-investigacao-ja-custaram-836-milhoes-ao-estado-1839996

    Quem se der ao trabalho de ler os dois artigos ou for omnisciente como o Valupi percebe facilmente que a notícia do Observador ganha em qualidade, por ser mais completa e ter recolhido depoimentos dos visados na investigação (a notícia do Público é muito mais curta e feita exclusivamente com base em documentos). Recorrendo ao léxico do nosso intermitente defensor do Estado de Direito, seríamos obrigados a concluir, com base neste exemplo, que no universo da “imprensa direitola” (leia-se: qualquer jornal que escreva notícias más para o PS) o Observador até foi menos “caluniador” do que o Público na produção destas “canalhices” (leia-se: a divulgação de uma investigação que dura há… 7 anos).

    E para concluir a discussão sobre a alegada corrupção nas PPP, deixo-te com uma resposta de um tipo que sabe do assunto quase tanto como o Valupi, o economista Alfredo Marvão Pereira. Atenção, trata-se de um liberal, o que por aqui é sinónimo de “pulha”, “canalha”, etc. , mas foi o que se arranjou.

    “E a corrupção, também associada ao que corre mal nas PPP?

    Estou a ser um bocadinho naïf ao pensar que não é só corrupção, é também um pouco de voluntarismo em excesso. E um pouco de “fontismo”. Havia também a percepção de que havia imenso dinheiro – era uma realidade – a entrar em Portugal, que precisava de ser usado. Os anos 90 foram marcados por isso.

    Em termos de infra-estruturas de transportes rodoviários, a fronteira entre o que fazia sentido e o que deixou de fazer sentido são as SCUT. Tenho a opinião de que foi boa ideia fazê-las. Mas todas as concessões depois de 2008: foram um disparate completo, olhando para as taxas de rentabilidade. As análises custo-benefício de algumas das SCUT foram feitas vários anos depois de a infra-estrutura estar feita.”

    http://anabelamotaribeiro.pt/alfredo-marvao-pereira-204334

  31. Eheheh, pois, é um vulgar aldrabão e aqui a questão não é horizontal, é vertical. Eu nao tenho que provar nada, para mim sao todos maus, tu é que ves nessa comparação uma forma, já agora ridícula, de tentar salvar aquela mediocridade, tentando descer a fasquia comparativa, como se o digital em termos de consumo tivesse distancia ou territorialidade. Enfim, tudo espremidinho a unica coisa que se pode concluir do que pensas sobre o assunto é; se se é igual aos outros e se todos são maus e todos iguais, então nao tem problema, somos bons. É um luxo ver-te pensar.
    Como isto já se está a tornar demasiado circular e repetitivo, ou dizes novidades ou fico por aqui.

  32. Ficamos por aqui, Joe. A minha vontade nunca foi defender o Observador mas provar que quem o ataca tem uma visão sectária do mundo. Aliás, reformulando, o problema nem sequer é o sectarismo mas a ilusão de objectividade. Explica isso ao Valupi, que é um caso extremo.

  33. Mas também pode ter uma visão sectaria do mundo quem julga que quem ataca o observador so pode ter uma visão sectaria do mundo, ou não?

  34. Todos somos sectários, apenas diferimos no grau. Mais substancial será isto: Observador pode (e deve, na minha opinão) ser atacado (criticado), mas a crítica primária (que são uns canalhas, uns caluniadores, etc.) só o beneficia.

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