Realismo, oportunismo ou transtorno da mioleira?

 

A líder parlamentar do partido alemão “Die Linke” decidiu criar um novo movimento que inverte os princípios tradicionais deste partido sobre os imigrantes e requerentes de asilo. Segundo se lê neste jornal francês, Sahra Wagenknecht proclama agora que a imigração deve ser controlada e limitada para se poder prover a outras necessidades prementes do país em relação aos mais pobres e reconhece que “o alojamento social não é ilimitado”. “É ingenuidade pensar que se pode abrir uma fronteira a toda a gente”, diz também, acrescentando que essa não é uma política de esquerda. Visa, assim, contrariar o avanço dos extremistas de direita do partido AfD, agora representados no Bundestag.

“Inspirée du succès de Podemos en Espagne, de la France Insoumise de Jean-Luc Mélenchon ou de Syriza en Grèce, Aufstehen (Traduisez: «Debout!» ou «Réveil!») va tenter de mobiliser très à gauche, mais sur le thème de la politique migratoire qui bouleverse le paysage politique allemand depuis 2015. Âgée de 49 ans, née d’un père iranien et d’une mère allemande, la présidente du groupe parlementaire de la gauche radicale (Die Linke) veut «mettre la pression» sur les partis de gauche pour qu’ils engagent une «autre politique migratoire», dit-elle. Sahra Wagenknecht veut en finir avec la «bonne conscience de gauche sur la culture de l’accueil» et ces «responsables vivant loin des familles modestes qui se battent pour défendre leur part du gâteau».

Crainte pour les bas salaires

«Une frontière ouverte à tous, c’est naïf. Ce n’est surtout pas une politique de gauche», insiste-t-elle. Les milliards dépensés par le gouvernement pour accueillir les demandeurs d’asile en 2015 «auraient pu aider beaucoup plus de nécessiteux en Allemagne», dit-elle. «Plus de migrants économiques signifie plus de concurrence pour décrocher des jobs dans le secteur des bas salaires. Le nombre de logements sociaux n’est pas non plus illimité», estime-t-elle.”

Em Portugal, a imigração não tem sido um problema. Pelo contrário, temos falta de estrangeiros. Mas, inseridos na Europa, interessa-nos, por razões que me dispenso de referir, o evoluir da situação política nos restantes países. E a questão da imigração (sobretudo a muçulmana) é, a par da passada crise financeira, das que mais alterações têm produzido no panorama político europeu actual. Com ou sem razão. Vários países fecharam as fronteiras e são agora governados por políticos populistas e com fortes tendências ditatoriais. Muita dessa evolução é fruto não só da vaga enorme de migrantes e refugiados que têm demandado a Europa (e sobretudo a Alemanha) nos últimos três anos, mas também da perspectiva de não abrandamento desse fluxo, dado que as guerras continuam no Médio Oriente, a Turquia ameaça constantemente deixar de reter uma boa parte dos fugitivos e a África, com a sua série de Estados falhados ou a braços com a invasão de tresloucados islamistas, ou ainda sob os efeitos das alterações climáticas, é um problema de difícil solução. O facto de um conhecido partido de extrema-esquerda, como o “Die Linke”, colocar sequer a hipótese de o país fechar as portas aos que pedem asilo pode ser mais uma prova de que “a boa consciência” da esquerda, como ela diz, não chega já para solucionar um problema desta importância para os países de entrada ou de destino dos migrantes. O que se passa na Itália, na Áustria, na Hungria, na República Checa, na Polónia e até na Alemanha é que chamar automaticamente fascista e xenófobo a quem não defende a abertura incondicional das fronteiras foi meio caminho andado para os verdadeiros fascistas adormecidos acordarem e verem uma enorme oportunidade à sua frente.

Assim, pode o número real de imigrantes e refugiados ser pouco expressivo e pouco alarmante, pode a dita Sahra estar avariada da mioleira e não ter sorte nenhuma com o público-alvo que visa conquistar, mas não deixa de ser um sintoma de que algo vai mal quando a direita populista tem tamanha facilidade em chegar ao poder um pouco por todo o lado na Europa, apesar do exemplo deplorável do cabeça loira do outro lado do Atlântico.

5 thoughts on “Realismo, oportunismo ou transtorno da mioleira?”

  1. espectacular. esta senhora consegue dizer que algo vai mal por a esquerda não conseguir aproveitar este descontentamento popular crescente com o estado de coisas nas sociedades ocidentais e ainda assim não mencionar nenhuma vez a palavra capitalismo.
    o mesmo vale para a análise dos estados falhados africanos ou da confusão guerreira no médio oriente, que ela aparentemente julga ter começado agora e não encontra matéria para se penitenciar pelo apoio que os partidos de centro-esquerda, quando no poder, deram a essas mesmas guerras sem se questionarem sobre as consequências que teriam, ou ainda, casi extremo, as alterações climáticas que imagino ela deve pensar que apareceram por intervenção divina, uma vez que aqui também o capitalismo nada teve a ver com o assunto.
    e assim, chegamos à brilahnte conclusão de que se temos partidos populistas de direita que estão a desenterrar o racismo e a xenofobia como argumentos válidos no debate democrático, a melhor solução para combater esse fenómeno preocupante é os partidos de esquerda fazerem o mesmo para não perderem o comboio eleitoral.
    deve ser o post mais irónico que já li

  2. O Islamismo não é apenas uma religião… é um Código Penal, é um Código Civil e uma teoria de tomada de poder totalitária. O Islamismo e os seus militantes não são integráveis em sociedades democráticas. O Islamismo como filosofia politica é o contrário da democracia.

  3. não se pode mudar de caminho, é? vai-se direitinho ao buraco pq os mandamentos de esquerda são imutáveis ? sensata, a madame boche, mais nada.

  4. Muito caro Atom: como deves saber, o judaísmo,o cristianismo e o Islamismo,têm a mesma origem,são as religiões do Livro ! As democráticas cidades gregas,Roma durante séculos,o que não passaram até serem sufocadas por esses tresloucados fundamentalistas? Os islamitas dizem-se seguidores de Abraão, vá lá que o Maomé nunca quis ser mais que um profeta! Dentro do livro há quem se intitule Filho de Deus,topas?
    Cuidado com os exércitos de pedófilos! Que haja uma uva no meio de tanta parra, provará a existência de um Ser Supremo?

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