Nas muralhas da cidade

«Oficialmente, neste como noutros casos, os responsáveis policiais optam quase sempre, por cá e em muitas outras policias mundiais, por fazer avançar a metáfora da maçã podre num cesto de fruta saudável. O caso isolado. Acontece que nos últimos anos assistimos a vários casos isolados com um padrão que, não sendo tão grave, se assemelha na forma de agir. No caso de Alfragide foi provada violência ilegal sob detidos em custódia; no caso Claúdia Simões na Amadora passou-se rapidamente de um caso de uso da força legítima e legal, no momento da detenção, para a violência ilegal enquanto a detida estava em custódia; no caso de Olhão, um imigrante foi espancado sob custódia, ainda algemado, tendo vindo a falecer num hospital em cuidados intensivos; no Alentejo, uma comunidade inteira de imigrantes, na sua maioria timorenses, foi espancada e explorada vivendo em condições de autêntica escravatura durante demasiado tempo por vários polícias da GNR e um outro da PSP.

Vamos elencar só estes para afastar desde já a assunção do caso isolado. No caso do Rato, os deputados ouviram, mas mais nada se passou. Nenhuma iniciativa parlamentar foi tomada, preferindo-se as trocas de bitaites casuísticos e de lugares-comuns.»


Violência policial nas esquadras da PSP, e agora?

7 thoughts on “Nas muralhas da cidade”

  1. Excelente análise do que está a acontecer, das suas causas e do que deve ser feito para impedir que se repita.
    (Já ouvi este senhor Carlos Bastos Leitão umas duas vezes na televisão e gostei)
    Depois de ler este seu excelente artigo, fui basculhar. Afinal, quem é o senhor Carlos Bastos Leitão?

    Um alto profissional das polícias, com formação superior.
    (Tive a paciência, e o gosto, de ler de novo o, repito, excelente escrito. Antes da mordidela)

    Por que nunca tentou implementar estes 13 “mecanismos de controle”, ou deles fazer campanha interna nas instâncias superiores? -Instâncias Superiores coim letra grande. Ou não referiu essas démarches por modéstia?

  2. Os policias reflectem o Estado, a violência não aparece ao acaso. Num estado onde o acesso a nacionalidade é beneficiado a judeus sefarditas (não é necessário nascer em Portugal ) ou recusado (descendentes africanos) nascidos em Portugal, não é difícil fazer uma graduação visual dos alvos a abater.
    Já linkei lá atrás mas fica aqui o exemplo dos funcionários da pátria ditosa, e claro, amada por muitos .
    “Domingos Antunes, o agente da PSP que mata a tiro o feirante cigano Romão Monteiro, por acidente, durante uma sessão de tortura na esquadra, é condenado a uma pena suspensa de três anos de prisão por homicídio por negligência e à demissão da PSP.
    A família da vítima recorre, em dezembro de 1996: o Supremo Tribunal de Justiça baixa a pena de dois meses, mantendo-a suspensa por quatro anos e rejeita a pena acessória de demissão.”

    Mensagem: ciganada, pretos e demais sub humanidades é para abater.

  3. @ Cunk
    Assim de rajada e de memoria…
    Mais a vergonha do que se passou em Alfragide em 2024 com o Odair espoletando os varios tumultos episodicos em bairros de Lisboa reminiscentes do que de melhor se faz em Paris
    Mais “o crime de Sacavem” em que um detido “perdeu a cabeca” a guarda da GNR… – esse GNR recebeu amnistia presidencial…
    Mais os frequentes episodios de policia a fazer “tiro ao pneu” a carros alegadamente em fuga de operacoes stop mas acertando na cabeca de ocupantes do veiculo – isto foi moda no final dos anos 90 principio dos 2000
    Mais o Primeiro Ministro que tinha alcunha de chamuca (o que e que sera que queriam dizer com isto? hmmm…)
    Antes dele o historico Nairana tambem tinha nomes especiais porreiros…
    Ou o famoso cartaz do mesmo primeiro ministro com cara de porco…
    O que andam a chamar aquele senhor que apresenta noticias na SIC?

    Pergunte-se: qual a representatividade das minorias etnicas portuguesas no corpo das policias portuguesas. Ja alguem que frequente este tugurio, alguma vez viu um policia preto em Portugal?

    Nao nao… Portugal nao e um pais racista… como seria possivel com o nosso pedigree? Nao temos historial colonial, nem experiencia secular no comercio transatlantico de escravos…
    Ate a onda imigratoria da ultima decada nao havia comunidades relevantes de muculmanos nem judeus em Portugal. Porque seria?

  4. Lowlander, é tão evidente, basta sair á rua.
    Vivemos num estado de retórica democrática, não num estado democrático.

  5. @Cunk
    Um Estado Soberano emite a sua propria moeda. Portugal e uma colonia semi-periferica.
    Os nossos governadores de turno gostam secretamente de se imaginar como administradores de uma Florida da Europa quando a realidade e mais Jackson Hole, Wyoming da Europa.

  6. Já agora deixo aqui um tweet do Bruno Maçaes (um tipo lúcido e que fala com conhecimento )onde responde as auto percepções criadas pelo império e seus propagandistas .
    A conversa advém de um relatório do Krugman onde constata o óbvio, a América está na ficar para trás até na expectativa de vida. Vale a pena ler.
    https://x.com/i/status/2054550995435204729

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