Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Começa a semana com isto

Ao constatar como esta dupla de psicólogos elabora diagnósticos e ajuda pacientes a partir das suas diferenças enquanto terapeutas – de individualidade, personalidade, escolaridade, experiências e, last but not least, género – ocorreu-me não ser insensato transformar o seu exemplo em paradigma: para todas as actividades onde está em causa incluir a dimensão idiossincrática do sujeito, ter um par a deliberar. Par, geralmente mas não obrigatoriamente, de géneros diferentes (a orientação sexual poderá igualmente ser tida em conta mas corresponderia a um outro grau de complexidade que não cabe neste esboço à pedreiro).

Assim, ao irmos a uma consulta de psicologia ou medicina geral, e também ao sermos investigados e julgados pelas autoridades, entre uma miríade de outras possibilidades concebíveis, a decisão sobre cada caso nasceria da confluência de duas consciências existencialmente distintas.

Seria este modelo consensual, ou capaz de ser social e politicamente aprovado, sequer viável dada a escassez de recursos humanos e os custos para tal? Não. Claro que não, foda-se caralho. Mas a ideia é boa e já tem séculos de prática. Quando, na noite dos tempos, se considerou melhor deixar que um grupo decidisse, ou influenciasse uma dada decisão num dado julgamento (chama-se “júri” a essa invenção), o raciocínio era exactamente o mesmo e muito aritmeticamente básico: duas ou mais cabeças pensam melhor do que uma.

Aqui, adapto a máxima para: uma mulher e um homem, a pensar juntos, pensam melhor do que um homem e uma mulher a pensar separados.

Revolution through evolution

Exposure to sunlight enhances romantic passion in humans
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Men and women of Roman Herculaneum had different diets, new research shows
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New research finds gender differences in fear and risk perception during COVID-19
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Key mental abilities can actually improve during aging
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It’s never too late to get active
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Think leisure is a waste? That may not bode well for your mental health
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To Be More Creative, Teams Must Feel Free to Show Emotions, Study Finds
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Dominguice

Dizer mal dos políticos é útil e recomenda-se quando se começa a pensar a cidade vindo da ignorância ou da ingenuidade (parecidas, não iguais). Depois, algo acontece pela acção do tempo.

Para uns, a descoberta da fragilidade e da finitude em tudo o que somos. Para outros, a troca da delicada inteligência inicial por uma estupidez cada vez mais densa.

Desopilar com o Expresso

No Expresso pode-se rir a bom rir. Com a Ângela Silva, por exemplo, não falha:

«Costa tem a direita em crise, um país cansado mas aparentemente resignado, dinheiro a rodos e, ao contrário do que ele diz, um PS com fraturas históricas. Mesmo que queira sair, não é líquido que o possa fazer. Se for necessário, talvez Marcelo lhe explique isso.»

É assim que termina uma charla onde pretendeu fazer de Costa um imitador de Cavaco. Na passagem citada, temos direito ao ramalhete completo desta quadrilheira profissional ao serviço do militante nº1 do PSD: o País está “resignado” (não pode estar satisfeito), o PS tem “fraturas históricas” (não pode ter diversidade programática, mesmo ideológica, e abundância de talento político), e Costa é um menino ao pé de Marcelo, um menino a precisar de lições e/ou tautau. Adorava saber quanto ganha para despachar estas merdas, torço-me de inveja.

Com o mano Costa também não falha, a gargalhada é garantida semana a semana:

«A ideia de que existe um pântano na direita portuguesa parece alegrar os socialistas, que este fim de semana se reúnem em congresso. Mas essa imagem de águas paradas em metade do espetro partidário é errada e, mais relevante, apresenta perigos que não existiam quando António Guterres invocou o “pântano” para se demitir.»

Aqui temos a abertura do seu exercício de alta inteligência analítica. Os incautos que forem ler rápido descobrem que este pântano segundo é, afinal, uma cena que nasceu no PSD e agora ameaça devorar o útero. E, portanto, avisa-nos esta estrela ofuscante do comentário político, o problema está no PS. Como? Aparentemente, ele está à espera que tenham de ser os socialistas a tratar da sangria que o logro chamado Rui Rio tem andado a causar na direita. E, aqui entre nós que ninguém nos lê, concordo com esse subtexto, o que só aumenta a gargalhada.

Finalmente, o Daniel Oliveira tornou-se um autor cómico de grande consistência e efeito desde que se convenceu, ou se deixou convencer, de ser cientista de socialistas, em geral, e do António Costa, em especial. Este fenómeno feirante surgiu porque o seu coração continua no BE, e o ex-camarada quer fazer tudo para mostrar a esse pessoal que é a ele e não ao Louçã que devem telefonar quando tiverem dúvidas e depressões por causa dos malvados socialistas. Apreciemos este naco de magnífico humor:

«A entrevista de António Costa ao Expresso não é de quem pretende andar por aqui depois de 2023. Mesmo não sendo um líder de vistas largas, mas um gestor de crise com invejáveis talentos negociais, só quem já está noutra é que, recebendo uma ‘bazuca’ para mudar o país, não o mobiliza para lá do seu impacto imedia­to. Sei que arrisco, mas a sensação é que Costa vai meter os papéis para a reforma daqui a dois anos, para usar uma expressão do próprio. Está fartíssimo, e um novo mandato em minoria não promete ser mais simples. E até o poderia fazer perder uma futura oportunidade de carreira europeia.»

Temos então a redução de Costa à caricatura inventada pelos direitolas do “habilidoso”, um eufemismo achincalhante que pretende diminuir o seu estatuto e reputação, na ocasião aparecendo sob a capa da expressão “invejáveis capacidades negociais”. Segue-se uma premissa subjectiva, inverificável, sequer entendível, acerca do que pudesse ser uma mobilização “para lá do seu impacto imediato” no que concerne aos fundos europeus. Aposto os 10 euros que tenho no bolso como este cómico ao serviço do Balsemão também não saberia explicar mas o sofisma tinha de começar por algum lado, né? Depois aparece o psicólogo de café que se esqueceu de tomar a Rennie, atribuindo cansaço a um líder partidário e chefe de Governo que tem estado a lidar eximiamente com uma pandemia, e que vê as sondagens a colocá-lo sistematicamente como o preferido para continuar a governar. Um líder sem concorrência sequer imaginável, tendo a direita portuguesa implodido sob o peso da sua própria decadência. Por fim, a projecção do seu cinismo sobre o alvo, desejando que ele seja outro Durão Barroso.

O desatino desta figura com a realidade no que toca ao PS, ele que vive de se conceber como craque do comentariado, é hilariante pelo ridículo em que se enterra.

A risota no Expresso tem outros e magníficos criadores, peço-lhes que não se sintam melindrados por desta vez não aparecerem citados. A todos, muito obrigado.

Revolution through evolution

Having a good listener improves your brain health
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“Affective diversity” promotes team creativity
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Attractive people develop distinct traits as a result of how the world responds to their attractiveness
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Can isometric resistance training safely reduce high blood pressure?
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‘Likes’ and ‘Shares’ Teach People to Express More Outrage Online
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Mentally stimulating jobs linked to lower risk of dementia in old age
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Empathy training could cut crime figures
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Dominguice

Existe alguém que tenha a certeza de nunca se deixar corromper, de nunca vir a ceder à tentação de uma imoralidade, uma ilegalidade, uma violência? Se existe, esse alguém é tão mentiroso que nem vale a pena falar com ele. É tão alucinado que o melhor é não estar com ele.

O combate contra a violência, a ilegalidade, a imoralidade e a corrupção começa, só começa, quando aceitamos que o problema não está nos outros. Está em mim.

Os trabalhadores e o povo pedem ao PCP para mudar a cassete

O PCP determinará a sua intervenção política estando sempre assente num primeiro e principal compromisso com os trabalhadores e o povo, e não com qualquer governo ou qualquer política.

Jerónimo de Sousa

O PCP não se compromete com Governos nem com políticas, só com os trabalhadores e o povo. Muito bem. É assim mesmo. Ninguém quebra a muralha de aço. Mas qual povo e quais trabalhadores? Não me lembro de alguma vez tal ter sido perguntado a Jerónimo de Sousa ou a qualquer outro secretário-geral comunista.

Será que o simpatiquíssimo avô Jerónimo se está a referir aos mesmos trabalhadores e ao mesmo povo que em quase 50 anos de eleições livres nunca quiseram o seu defensor-mor a governar? Ou será que para o PCP o único povo e os únicos trabalhadores que lhe interessa são os que votam no PCP?

Esta frase é um nó cego populista, que ainda por cima já não corresponde à práxis da Soeiro Pereira Gomes, justamente louvada por se comprometer com Governos e com políticas. Arrisco então supor que a conservação de uma retórica arcaica não está a defender os melhores interesses dos trabalhadores e do povo, seja lá quem for essa gente.

Uma coisa boa no meio das más

A CNN criticou Biden pelos acontecimentos no Afeganistão, especialmente em Cabul, e pelo seu discurso. Jornalistas e comentadores, toda a minha gente nesse canal revelou honestidade intelectual. Conclusão: apesar do partidarismo exacerbado do combate contra Trump, a CNN não se transformou numa Fox News.

Cereja no topo do bolo, Clarissa Ward é uma figura carismática.

Afeganistão: muito pouco a acrescentar a isto

 

Não foi aqui referido, mas ouvi também que os Talibans souberam infiltrar-se lentamente no exército afegão, conseguindo assim mais facilmente a tal desistência de lutar, de que está a ser acusado agora. Deve ser verdade. Mas, tenho para mim que isto ainda não acabou. Até porque não é preciso ocupar países para lhes financiar as taras ou para os utilizar para guerras indirectas.

 

Nota: Quanto ao vídeo, recomendo que seja visto até ao fim. Nos primeiros minutos, o homem cede ao escândalo barato.

No pálido ponto azul

Dada a incompreensível sucessão de acontecimentos no Afeganistão, esperei para ouvir Biden a respeito antes de ousar o delírio de conseguir dar sentido ao que chega pelos canais noticiosos. Antecipava, ou desejava, uma explicação que mantivesse a sua credibilidade, como presidente dos EUA e como político. O que lhe saiu adensou a perplexidade e o desamparo.

Tal como na invasão do Iraque – em que, para além da mentira sobre as armas de destruição massiva, foi incrível constatar que não havia qualquer plano de reconstrução do Estado iraquiano – agora estamos a assistir a algo que previsto seria tido como impossível pela pessoa comum ou pela outra pessoa, incomum, que dorme na Casa Branca. Biden não acreditava na possibilidade de ter talibãs a ocupar o palácio presidencial, e a passear nas ruas felizes da vida, enquanto o que ali resta das forças militares da maior (ou única) superpotência está amontoada no aeroporto a tentar que americanos entrem em aviões, tendo na pista centenas de afegãos em pânico, loucamente desesperados, alguns apanhando o suicídio em andamento. Daí ter garantido que ia tudo correr bem, há um mês. Um mês depois, Cabul caía em horas sem ter sido preciso disparar um tiro.

Na verdade, estes acontecimentos no Afeganistão são ainda mais espantosos (se possível) do que aqueles no Iraque porque em 2003 estava em causa ir para um cenário desconhecido e apostar na força e nos dólares para impor a ordem. Em 2021, temos 20 anos de ocupação no terreno. Duas décadas a recolher informação sobre talibãs, afegãos, muçulmanos, fanáticos, corruptos e o zé povinho daquelas bandas. Acrescente-se os omniscientes olhos e ouvidos dos diversos serviços secretos americanos e de muitos outros países aliados. Como é que o Pentágono se deixa apanhar nesta vexante e alarmante situação? Faltam as palavras.

Mas depois voltam as palavras. E são estas: a Terra é um pálido pontinho azul, mais pequeno do que um píxel, rodeado de escuridão.

Revolution through evolution

New Research Reinforces Impact Men Can Have as Gender Equality Allies in the Workplace
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Palliative Care for Cancer Patients: How does it Help?
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The Downside of Loyalty: Study Reveals Why Some Organizational Cover-Ups Go Unchecked
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Frequent Breaks from Sitting May Improve Daily Blood Sugar Fluctuations
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The Medical Minute: What to do while you’re waiting for the ambulance
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“Experienced” Mouse Mothers Tutor Other Females to Parent, Helped by Hormone Oxytocin
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A New Pet Health Care Trend – Slow Aging with Antioxidants
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