21. No principio, a oposição garantiu que o PS não iria escapar à denúncia dos problemas nacionais. Pelo meio, a oposição protestou por se estar a dar importância às questões nacionais. No final, a oposição declarou que foram umas eleições estritamente nacionais. Se o PS tivesse ganhado, a oposição diria que não se podiam tirar ilações nacionais a partir do resultado das Europeias, obviamente, acrescentando que uma abstenção tão alta reforçava a impossibilidade de extrapolar para fora do contexto. Aliás, tivesse o PS ganhado fosse por que margem fosse, a oposição apareceria a dizer, sem se rir, que a abstenção era o seu não-voto de protesto.
22. O PSD andou a segunda semana de campanha a queixar-se de Vital, gritando que ele tinha sido um porcalhão por se atrever a pedir uma qualquer declaração acerca do BPN, um caso que em nada de nada de nadinha de nada se relaciona com a história do PSD desde o cavaquismo, como é do domínio público. Chegaram a domingo a acreditar nas sondagens, convencidos de que iam perder, já só esperando que fosse por poucos. Se fosse por poucos seria uma enorme vitória, anunciariam logo que estavam a crescer, que o ciclo tinha começado a mudar; ou seja, não baixavam os braços, e lá iam para o segundo round sem terem ido ao tapete. Como lhes saiu o Euroabstenções, Rangel e Manela dispararam sobre o Governo com a única ideia que aquelas cabeças produziram até à data: paralisação geral da governação. Há uma salazarista metáfora por detrás desta insane provocação anticonstitucional — a do dinheirinho debaixo do colchão. É assim que este PSD representa Portugal na sua retórica, como uma casinha de gente humilde e trabalhadora cujas parcas poupanças da sofrida vida correm o risco de ser desbaratadas de hoje para amanhã a mando de uns estroinas, arrastando a família para irrecuperável pobreza e acabando os desgraçadinhos no meio da rua só com um colchão, dois tachos e a roupa do corpo. Entretanto, pelo menos 1.127.128 portugueses, ao dia 7 de Junho de 2009, acreditam neste partido. Quem será que toma conta deles quando não estão a votar?
