Todos os artigos de Valupi

Acabem com eles

Parece que Sócrates, Pedro Silva Pereira e Rui Gonçalves encheram-se à grande e à inglesa com o Freeport, e sabe-se lá mais com o quê. Uns tipos que dão uma golpada dessas, tão sofisticada ao ponto de incluir envelopes castanhos e encontros públicos em locais de salubridade pré-ASAE, devem ter dado dezenas de outras. O caso deverá estar concluído lá para 2030 ou quando Sócrates se reformar, o que chegar primeiro. Também consta que Vara fala ao telefone como os traficantes de droga, o magano, pelo que daí até ser mafioso já nem é uma questão de se dar um passo, basta inclinarmos o tronco um bocadinho para a frente. Como todas as figuras gradas do PS têm estado ao lado de Sócrates, incluindo Soares e Almeida Santos, Vital e José Magalhães, este e aquele, é de esperar que brevemente surja uma notícia a dar conta que Tino de Rans foi apanhado a cagar atrás de um sobreiro. Assim se conseguirá limpar do mapa o PS todo, e para nunca mais voltar.

Entretanto, na RTP socrática – III

Judite – Mas, por exemplo, o sr. Presidente da República, volto à questão, ficou melindrado com as referências, que foram públicas, quando se diz, por exemplo, que o senhor podia ir para casa cuidar do netos?

*

Foi esta a única citação das escutas publicadas que a Judite utilizou para confrontar Cavaco. Estamos perante uma curiosidade voyeurista, veneno alcoviteiro. Mas não só.

Estamos também perante a legitimação da devassa da privacidade. Partindo do princípio que a Judite não ouviu a gravação onde supostamente se encontra essa passagem, como se permite utilizar uma transcrição escrita, descontextualizada e não confirmada para com ela tentar invadir a intimidade do Presidente da República? É a perversão máxima, explorar a espionagem a terceiros para espiolhar a primeiros.

Muitas pessoas só aprenderão com a experiência de serem vítimas da completa ausência de escrúpulos. Ou talvez nem aí. Mas é nosso dever fazer o possível para que nunca passem por ela.

Génio de Carvalhal

Chapa 3, a especialidade do genial Carvalhal. Quando não, empate sem golos. Ou versões 3 + n. É assim desde 12 de Fevereiro. E tamanha genialidade acaba de me garantir uma refeição a custas do nosso amigo António P., posto que a heróica façanha de agarrar o 4º lugar sela um compromisso inquebrável até ao fim da época, quanto mais até à Páscoa que está mesmo aí ao virar do calendário.

António, quem paga é quem escolhe o local do repasto. Se quiseres, até pode ser na Marmeleira.

Dama de Cortiça

Não há melhor epitáfio para a desgraçada passagem de Ferreira Leite pela liderança do PSD do que a hilariante lei da rolha aprovada em Mafra.

Mas se eles nem sequer conseguem respeitar a liberdade dos militantes, que estragos querem ir fazer para o Governo?

No reino dos Pachecos

A Shyznogud, em boa hora, chamou a atenção para o Provedor do Público. O texto, reproduzido, apresenta as explicações de Nuno Pacheco a respeito de mais uma manobra de ataque político (muito mal) disfarçada de jornalismo. São declarações patéticas.

Aliás, esta oposição que nos serve coligações negativas, assassinatos de carácter, violações da Justiça, catastrofismo senil e completa ausência de soluções não é outra coisa: patética.

Bem-vindo à frente da calúnia, sr. Costa

O espectáculo de Fernando Costa transcende em importância o congresso e momento do PSD. Para além das capacidades expressivas, este homem deu uma lição de política. Política vanguardista, porque conseguiu deixar um exercício de alta oratória, só aparentemente folclórica. Do princípio ao fim, foram ditas as verdades que o Politburo merecia ouvir e que não ouviria se não fossem o desassombro e autoridade do caldense. Em particular, o seu protesto contra a colagem à retórica da esquerda-purificada e contra o discurso alucinado acerca de Sócrates, são ofertas de sensatez e inteligência para quem quiser voltar a colocar o PSD no caminho da credibilidade.

A ligação de Ferreira Leite a Pacheco Pereira foi execrada com aclamação. De facto, o caminho do ódio pode fazer revoluções, mas não alimenta a democracia. O resultado aí está, um comentador-deputado que fez do derrube de Sócrates o sentido da sua vida. Não é dessa disfunção que o PSD precisa, embora tenham sido inúmeros os que promoveram esta estratégia decadente e dissoluta. Quando Fernando Costa aludiu à muito maior unidade do PS, comparada com a do PSD, falou em nome dos que entregam o coração ao partido, não em nome dos que se servem do partido e que desprezam os seus militantes. Como é o caso do Pacheco, um homem só e rancoroso.

Este discurso fica também como matéria de estudo para os interessados em aferir das diferenças entre uma intervenção populista e outra popular. Infelizmente, ainda está para chegar o candidato que consiga recuperar o Partido Popular Democrata, acabando com o actual ciclo dos populistas social-autocratas.

A Comissão de Ética sempre conseguiu apanhar o plano: o do PSD

Morais Sarmento desmentiu Henrique Granadeiro, dizendo que este fazia gestos de diversão cuja finalidade era esconder o plano socrático para o controlo da comunicação social, e garantiu nunca ter feito pressões para despedir Leite Pereira, Pedro Tadeu e Joaquim Vieira. E ainda conseguiu sair-se com esta:

Acho que o dr. Henrique Granadeiro teria gostado que eu lhe ligasse muitas vezes mas infelizmente eu penso que não lhe devo ter ligado vez nenhuma enquanto estive no Governo.

Ora, Granadeiro demitiu-se da Lusomundo por causa do episódio. E foi agora para a Assembleia da República dar nomes aos bois. Acresce que Granadeiro é um homem respeitado na direita. Estes pormenores não atrapalharam Sarmento, o qual tem uma queda para o chinelo já sem remédio ou disfarce. Largou logo mais uma das suas chungarias, a cabecinha não deu para mais.

Chegou a falar-se, no último ano, em Morais Sarmento para uma candidatura à presidência do PSD. Não pode haver melhor diagnóstico da decadência de um partido do que essa possibilidade ter sido levada a sério.

Motards

«Não é admissível que o País esteja a ser enxovalhado desta forma no estrangeiro», prosseguiu, considerando que a imagem externa de Portugal está a ser «totalmente afectada», na medida em que «todos olham para nós como se fossemos um país do terceiro mundo».

Para Manuela Ferreira Leite a situação criada com a abertura do processo a Lopes da Mota, por alegadas pressões sobre magistrados no caso Freeport, é «verdadeiramente insustentável e insuportável» e não se pode manter.

Manela a 19 de Maio de 2009

Está tudo condicionado e paralisado. Onde é que está o caso Lopes da Mota?

Rangel a 25 de Setembro de 2009

*

Esta notícia apresenta uma versão do caso Lopes da Mota que está de acordo com as evidências. A primeira evidência é a de ser impossível que pressões sobre magistrados tenham alguma possibilidade de sucesso. Como se viu, até uma conversa entre amigos pode ser denunciada como irregularidade, pelo que não se imagina uma situação em que os magistrados estejam sujeitos a pressões. A segunda evidência é a de estarmos perante um empolamento artificial, de política interna. Tal ficou óbvio na sanção de 30 dias para Lopes da Mota, decidida sem unanimidade no Conselho Superior do Ministério Público. Tratava-se de uma penalização simbólica, cedência corporativa a quem criou o caso.

E que fez o PSD com a manobra sindical? Explorou-a ao máximo, até ao último dia da campanha para as Legislativas. O facto de se gerar alarme social com a suspeição de que o Governo manipulava magistrados para pressionar os procuradores do Freeport era a maravilha das maravilhas. O vale tudo devora qualquer oportunidade para lançar calúnias e envenenar a opinião pública, nem a Justiça ficou a salvo da pulhice como estratégia política. Esta malta que tem estado no PSD provou no caso Lopes da Mota, pela enésima vez, não ter um pingo de decência.

Os aceleras da Política de Verdade despistaram-se na curva, equilíbrio não é com eles.

Para uma teologia sem Deus

É muito difícil encontrar católicos, mesmo quando os procuramos dentro das igrejas. Já encontrar quem tenha opiniões acerca da religião católica, é mais fácil do que pisar beatas à porta do café. Os padres devem poder casar? Saltam logo retumbantes apoios ao casório. As mulheres devem poder ser ordenadas? Caem do céu inflamados protestos contra o atraso de dois mil anos na implementação dessa paridade sexual. A Igreja deve ficar calada quanto ao aborto? Levantam-se clamorosas vozes a exigir que os religiosos deixem de perturbar a sociedade secular com a expressão pública das suas aberrações teológicas.

Muito bem. Não há problema algum com este fenómeno onde indivíduos que não são católicos, nunca o foram, nem se imaginam a ser, desatam a emitir sentenças a respeito de matérias cuja história e racionalidade ignoram. Nenhum problema, dado que é nessa civilização da liberdade, mesmo daquela liberdade que não sai da ignorância, que apetece viver. O problema é não se prolongar o interrogatório. Por exemplo, que pensam essas pessoas do dogma da virgindade de Maria? Faz sentido manter essa léria ou há vantagem em reconhecer que o velho José sempre molhou a sopa na miúda? E quanto aos milagres relatados nos Evangelhos, devemos ignorar as evidências científicas que nos garantem não existir milagre algum neste mundo, à excepção da actual época do Benfica? Já agora, tendo em conta a complicação em que se tornou a concepção trinitária de Deus, não será preferível fazer uma versão simplificada onde a divindade seja descrita como um Noddy de barbas?

Até pagava para conhecer essas respostas.

Socorrendo-me de Hannah Arendt

A qual advoga o perdão, votaria Aguiar-Branco caso estivesse nessa infeliz situação de ser militante do PSD e ter as quotas em dia. No final do debate com Passos Coelho, é óbvio que Aguiar-Branco será, dos três, o melhor candidato a primeiro-ministro. Candidato a ser um mau primeiro-ministro, não tenho a menor dúvida, mas melhor do que os outros dois. Eis o estado a que chegou um partido que deixou de ser parte da solução para se tornar parte do problema.

Rangel mostrou que não é apenas má rês, também é uma fraude. Foi esmagado por aqueles que desprezou, deixando traumatizados os seus profetas. Passos Coelho precisa de tarimba e humildade, neste momento é apenas um projecto pessoal. Resta um Aguiar-Branco que dá sinais de conseguir a alquimia de transformar a pulhice onde medra, de Santana a Ferreira Leite, em responsabilidade e patriotismo. Ténues, friáveis, ambíguos sinais, pois. Mas pois.

Tratem-se

Ia jurar que, hoje de manhã, ouvi Mário Nogueira responsabilizar moralmente o Ministério da Educação pelo suicídio de um professor da Escola Básica 2/3 de Fitares. Mas não encontro nenhuma prova dessa audição. Terei sonhado?

Já da FNE, temos este espasmo:

Considero que deve haver uma responsabilização dos pais ou encarregados de educação em relação ao comportamento de desrespeito dos alunos para com os professores e funcionários das escolas. Deverão existir mecanismos que façam com que os pais sejam também responsabilizados.

Ou seja, os pais dos alunos, em certa medida, mataram o professor, insinua João Dias da Silva. Como é possível que se digam estas barbaridades a este nível? É possível porque Portugal é completa e profundamente inculto no que diz respeito à doença mental. Só isso explica que se permita o aproveitamento político – ou sensacionalista – de uma tragédia pessoal que em nada se relaciona com pais ou alunos. Quando muito, a escola em causa talvez pudesse ter sugerido ao professor para ficar de baixa, mas nem esse procedimento é claro sem ter acesso a informações privadas, muito menos garante preventivo do acontecimento fatal.

Aproveito a ocasião, e pensando em todos os professores que estejam a padecer de alguma patologia mental, para promover a Associação Encontrar+se, fundada pela minha amiga Filipa Palha. O seu projecto é apenas um exemplo do que precisamos fazer para acabar com o flagelo da discriminação associada à doença mental.

Tal como refere a Ana:

O suicídio é um comportamento que pode surgir na sequência de diferentes situações vivenciais e que não é um sintoma específico de nenhuma patologia psiquiátrica – em rigor, pode acontecer mesmo na ausência de doença mental.

Assim, usar um suicídio para fazer ataques políticos, despejar ódio corporativo ou explorar a desgraça, é algo que raia o psicótico. O Portugal que queremos não quer esta miséria cívica.

Entretanto, na RTP socrática – II

“A honra é uma coisa que o Presidente da República tem de defender, mesmo que seja com custos pessoais”, acrescentou, lembrando que o texto da sua comunicação de 29 de setembro está no ‘site’ da Presidência da República e que “quem quiser voltar a ler de forma calma e ponderada” basta consultá-lo.

De cada vez que Cavaco fala da inventona de Belém, um novo máximo de perplexidade é atingido. Desta vez, ninguém percebeu patavina do que disse. A que se refere quando fala em invenção? É que as notícias existiram, o silêncio e ambiguidade cúmplice do Presidente da República também. E nesse estado de gravíssima perversão política iríamos para as eleições, não fosse o DN.

Contudo, não se pode negar a perturbação emocional causada no entrevistado pela problemática. O que levanta a questão: estará Cavaco intelectual ou psicologicamente incapacitado, seja pelo que for, para assumir responsabilidades pessoais na situação? Pois mandar reler o discurso proferido a 29 de Setembro, essa peça trágico-cómica que nem o mais ferrenho cavaquista apareceu a defender, mostra que a sua noção de ridículo já conheceu melhores dias. Para todos os efeitos, estamos perante obstinada recusa em esclarecer uma situação que envolve a Casa Civil e o jornal Público numa conspiração cujo objectivo era o de influenciar o resultado das Legislativas. Se Cavaco não quer responsabilizar-se pelo episódio, como lhe exige a Constituição, qual a sua credibilidade para continuar no cargo?

Compare-se com o que tem acontecido a Sócrates. Já lhe viraram a vida do avesso, da licenciatura à profissão, fizeram-lhe escutas ilegais e criaram um caso, que se arrasta há 5 ou 6 anos, onde é atingido pessoal e politicamente através de exploração mediática sensacionalista, caluniosa e golpista.

Resultado? Se tivermos de avaliar estas duas figuras quanto aos custos pessoais na defesa da honra, há uma que dá uma cabazada à outra.

Não apaguem a memória!

Que os ranhosos não queiram falar deste tempo, e se permitam a vilania de encher a boca com a patética asfixia democrática, nada de mais previsível. Mas que os imbecis já o tenham esquecido, ou não o respeitem – eles que o sofreram ou tiveram familiares e amigos a sofrer – eis a triste surpresa.

Talvez um dia apareça uma explicação para este fenómeno que se presencia desde 2008, onde saudosos de Salazar e órfãos de Stalin se osculam entusiasmados.

Entretanto, na RTP socrática

A Fernanda está a tratar do assunto:

as perguntas que judite esqueceu — assim de repente

‘uma completa invenção’

E há muito mais para dizer, claro. Certas declarações de Cavaco, nesta entrevista, são de arrebimbomalho. Como a direita portuguesa é a nulidade que se conhece, e a esquerda-puríssima a nulidade que nem se quer conhecer, este vexame para a República corre o risco de não suscitar indignação suficiente. Vejamos:

Eu não sei se os portugueses estão esclarecidos, e a prova que talvez não estejam é que a Assembleia da República quer realizar um inquérito para saber o que terá acontecido verdadeiramente nesse negócio.

Nesse caso, que levou Cavaco a criar alarme social no Verão de 2008, precisamente a propósito de um assunto que tinha sido votado unanimemente no Parlamento? O esclarecimento dos portugueses passa da alçada de S.Bento para Belém segundo as conveniências da Presidência?

Mas mais interessante, qual é o critério que permitirá atestar da validade das explicações que vão ser dadas na comissão de inquérito? Se o Presidente da República endossa essa investigação, importaria saber qual é o interesse nacional que está em causa. Porque, até agora, o caso PT/TVI apenas tem servido para espionagem política, devassa da privacidade e calúnias pessoais.

Custa-me a crer que a decisão da PT tenha sido determinada pela minha declaração porque eu apenas pedi que esclarecessem o que estava a acontecer entre a PT e a TVI. Tenho o direito de pedir que haja transparência e ética nos negócios e nos mercados. Entendo que numa sociedade democrática a compra de uma estação de televisão não pode deixar de ser uma operação transparente.

A PT não ia comprar uma estação de televisão, pelo que Cavaco está a errar, cônscia ou inconscientemente. Contudo, o que é extraordinário é dizer-se que a entrada no capital da TVI pudesse ser feito sem transparência e… sem ética! De que raio se está a falar? Desde quando é que um Presidente da República é o provedor para a ética nos negócios entre privados? O descaramento asinino desta declaração, não assumindo qualquer responsabilidade pelo acto extraordinário que protagonizou ao denunciar um eventual acordo entre empresas, é Cavaco vintage.

A questão a lançar ao Presidente da República era esta: a intervenção desasada no dia 25 de Junho foi o resultado de ter tido conhecimento das certidões de Aveiro? Se não teve delas conhecimento directo, terá tido indirecto? Ou terá a sua intervenção nascido da influência dos mesmos que, semanas depois, lançaram a inventona de Belém a partir da Casa Civil e com manipulação da comunicação social?

Não, Judite. Não esperava que fizesses estas perguntas.

A vocação do Homem é livrar-se da cegueira

Todo o santo dia há quem se esteja a apaixonar pela primeira vez. Ou pela última. Quem se embriague com os odores da terra ou do mar. Quem decida mudar o passado ou repetir o futuro.

É deles que nos fala Fernando Alves nestes dois minutos que vais ouvir. E eu aproveito para recordar dois belos testemunhos dos nossos amigos Manuel Pacheco e antonio manso. Dois exemplos de um país que também está a mudar a sua paisagem interior, que não só a exterior, e para melhor. Muito melhor.

É chocante ver tantos, e tão privilegiados, rendidos ao pessimismo, ao desânimo, ao catastrofismo. Mas não lhes faremos bem se nos fizermos mal. Deixá-los e partir.

O caminho é o da aprendizagem, o da experiência, o da liberdade. Do espanto. Sempre o foi e sempre o será. A nossa vocação.