Bem-vindo à frente da calúnia, sr. Costa

O espectáculo de Fernando Costa transcende em importância o congresso e momento do PSD. Para além das capacidades expressivas, este homem deu uma lição de política. Política vanguardista, porque conseguiu deixar um exercício de alta oratória, só aparentemente folclórica. Do princípio ao fim, foram ditas as verdades que o Politburo merecia ouvir e que não ouviria se não fossem o desassombro e autoridade do caldense. Em particular, o seu protesto contra a colagem à retórica da esquerda-purificada e contra o discurso alucinado acerca de Sócrates, são ofertas de sensatez e inteligência para quem quiser voltar a colocar o PSD no caminho da credibilidade.

A ligação de Ferreira Leite a Pacheco Pereira foi execrada com aclamação. De facto, o caminho do ódio pode fazer revoluções, mas não alimenta a democracia. O resultado aí está, um comentador-deputado que fez do derrube de Sócrates o sentido da sua vida. Não é dessa disfunção que o PSD precisa, embora tenham sido inúmeros os que promoveram esta estratégia decadente e dissoluta. Quando Fernando Costa aludiu à muito maior unidade do PS, comparada com a do PSD, falou em nome dos que entregam o coração ao partido, não em nome dos que se servem do partido e que desprezam os seus militantes. Como é o caso do Pacheco, um homem só e rancoroso.

Este discurso fica também como matéria de estudo para os interessados em aferir das diferenças entre uma intervenção populista e outra popular. Infelizmente, ainda está para chegar o candidato que consiga recuperar o Partido Popular Democrata, acabando com o actual ciclo dos populistas social-autocratas.

7 thoughts on “Bem-vindo à frente da calúnia, sr. Costa”

  1. É, talvez, o discurso que relança o PSD no seu caminho de renovação. Se por um lado a estratégia de golpe sujo contra Sócrates, em curso há vários anos, me enche de revolta, também é verdade que, finalmente as pessoas de bem da sociedade, do qual Fernando Costa é um digno representante, começam a reagir contra a pulhice cobarde. E é preciso não esquecer que o PSD é feito não das elites conspiradoras, mas de pessoas como ele, self-made-men que têm uma noção realista do que é o progresso e o desenvolvimento, com um passado de combate político pelo que acreditam, e um tangómetro afinadíssimo.
    Ouço este discurso e vêm-me à cabeça O feiticeiro de Oz. Agora que o feiticeiro e a sua máquina de fumos foram expostos, está na altura do PSD retornar a casa.

  2. Fazem-nos falta Homens…Homemns desassombrados! Homens verticais!
    Um Hino às faianças das caldas e ao Bordalo Pinheiro! ;)

    …sabe muito bem ver que os Bons também podem aparecer e pôr a Roda da Fortuna a girar…

  3. Apreciei a intervenção do tal Sr. Fernando Costa, por intermédio do “Jugular” (sim, porque já não tenho paciência para ouvir na TV todas as outras boaboseiras…). O desassombro do sujeito – dentro da sua ideologia, que compreendo – é de louvar. Bastava ver a cara de enjoo da élite para se perceber quanto foi duro para esses ter de gramar aquela pastilha. É um libelo acusatório contra os barões, baronetes, santanetes e quejandos. A estar já em vigor a tal norma aprovado de alteração dos Estatutos, o homem teria de ser “fusilado” – outra coisa não fazia Staline…
    Tenho ideia, para mim, que aquele Partido, não vai sair do que é, um bando de alcoviteiras e de interesseiros, ganhe quem ganhar. Enquanto tiverem cancros como o Pacheco Pereira, Santana, Morais Sarmento, Marques Mendes, Filipe Menezes, Alberto João Jardim e outros que tais, vão sempre existir disputas de poder, porque todos querem “aparecer” quando lhes “cheira” a poder, nem que para tal lancem campanhas desabridas (com estilo fascistóide) contra os seus adversários. A saudosa Dra. Manuela Fereira Leite não teve “pedalada” para isso, porque o Sócrates irá resistir, mas sabemos que os “neófitos” vão insistir e querer cansá-lo (ao mesmo tempo que vão cansando a população, que vai descrendo cada vez mais nesta “coisa” da política e dos políticos…).Vamos, por certo, ver o filme em reprise…

  4. E ainda vamos ouvir mais. Ainda vamos saber quem fez a teia da conspiração para ascender ao poder através de golpes sujos e não pelo trabalho empenhado, de que aquele presidente Costa é exemplo.
    Além do mais, a mentira tem a perna curta.

  5. Para um tipo que confessou que sabe bem o que é mentir, tirou o coração do bolso, honrou as Caldas e disse umas verdades do caralho.Este Fernando Costa tiene cojones.

  6. Tomei conhecimento do discurso de Fernando Costa através de blogue Jugular e ouvi o discurso de princípio ao fim, o que raramente faço, em virtude de nos encontrarmos em posições antagónicas. Mas, quando encontro homens como este senhor sou capaz de ir até ao fim do mundo, porque sei com quem vou posso confiar a minha vida. Hoje raramente se vê homens assim. É preciso tê-los no sítio e não dever nada a ninguém – a não ser a amizade para com nos seus eleitores – de ser frontal à frente da “nata” do seu partido para se dizer o que Fernando Costa disse. Eu se me encontrasse no lugar de Ferreira Leite e Morais Sarmento, via se existia um alçapão aonde decorria o congresso e metia-me lá. Julgo que Morais Sarmento quando praticava boxe antes preferia um KO do que as palavras de Fernando Costa. Se fosse comigo – não me meto nestas manigâncias – era o que preferia.
    Os órgãos de comunicação social não difundiram este discurso. Se fosse num congresso do PS que estas coisas fossem ditas andava-se uns meses a ser tema de conversa. Os lambe botas como António Ribeiro Ferreira não se cansava de dizer que o presidente do conselho relativo se prestava a jogos destes.
    Como em tudo, quem vento semeia tempestade colhe. É o que Ferreira Leite fez. Sai pela porta de trás. É o que acontece a quem não sabe sair no momento certo. Também se esperasse por ele, nunca o havia. Nunca se deve candidatar quem não tem qualidades. Como diz o ditado: quem te mandou tocar rabecão.

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