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A quem possa interessar

Informa-se os interessados de que passaram 72 horas sem que alguém, escreva ou não num blogue, tenha respondido a este pedido de Mota Amaral:

Os que defendem que as comissões de inquérito podem utilizar escutas também deveriam defender que elas podem ordenar escutas.

Sócrates, o enigma

Bruno Sena Martins assina um texto fatigado que é salvo pela generosidade do seguinte comentário:

Só faltam dois ou tres pormenores. Passos Coelho, um jovem, enérgico, novo, cheio de vontade e valor nada agastado, sem responsabilidades, sem o temor da decisão, Passos Coelho é tudo isto, mas o que se lhe reconhece até agora? uma boa ideia mobilizadora que tenha mérito não por apontar erros mas por apontar caminhos? claro que já as deverá ter tido e talvez dito. Mas não as conheço, e a maioria das pessoas não as conhece também. E isso é pouco demasiado pouco para quem ainda tem tanto. Imagino agora um outro exercicio. Pedro Passos Coelho depois de 6 anos (são 6?já nem sei) de governação, depois de corrigir um défice elevado, de aguentar a maior crise desde 1930 – e sim é aguentar!porque aguentar é o que está a fazer a Espanha, a Alemanha, a GB, os EUA, a Bélgica, a Irlanda e por deus senhores, por deus sejamos realistas, e quem está fora percebe-o tão bem, o que é Portugal? pequenino, muito pequenino!pela história que o fez no ultimo século, e se os outros aguentam, Portugal pouco mais pode fazer do que aguentar também e surpreendentemente está a faze-lo muito bem, leiam os jornais estrangeiros – depois de promover uma renovação do parque escolar como nunca vi ser feita, uma reforma da rede de distribuição dos cuidados de saúde, uma aposta fortissima (leiam o guardiam) nas energias renováveis (espanha acaba de inaugurar uma central de energia solar de grandes dimensões, portugal já inaugurou duas, menores mas substanciais, à mais de um ano), reformou ainda procedimentos para criação de empresas e tentou estabelecer algumas mudanças na administração publica, por exemplo. Tudo isto com erros, com defeitos, mas também, com alguns méritos, com novidade e em muitos casos bem pensados e estruturados. Podemos discordar das ideias, é certo, do motivação que estas demonstram, mas em muitos casos foram bem pensadas e isso merece reconhecimento da nossa parte. Tudo isto num país onde os niveis de educação são baixissimos, onde os niveis culturais são infimos – sim educação é diferente de cultura, e é aberrante conversar com a maioria dos jovens espanhois, britanicos, dinamarqueses e perceber quão frágil é o nosso conhecimento, em geral, e não vão mudar com nenhum primeiro ministro, não vão mudar em 20 anos, onde o contributo da sociedade civil é misero, onde os orgãos de informação não questionam devidamente, porque não pensam, e para perguntar é preciso saber, onde o debate político prima por uma falta de conhecimento avassaladora. Ninguém é alguém sem bons pares. Sócrates tem-nos a nós. Sarkozy tem a França. Cameron tem GB, e acreditem, estes primeiros-ministros estão melhor servidos, por muito que isto me custe admitir. E o que fazem? muito, muito pouco, é sempre pouco, mas é semelhante ao que faz Sócrates com ainda menos. Em tudo isto eu olho para Pedro Passos Coelho, que neste momento deveria ser melhor do que Sócrates, sem sombra para dúvidas, devia esmagar Sócrates com novas ideias e propostas. E em vez disso vejo um… talvez, e uma passeira vermelha que se estende, ou que já está estendida, não porque a tenha conquistado mas porque assim lhe caiu em sorte, pouco, é pouco para tão fortes palavras e convicções Caro Bruno Sena Martins.

Ricardo Fernandes

Catch 22 à moda da Lapa

O PSD de Passos é uma entidade também fragilizada, tal como as anteriores desde a fuga de Barroso, a qual – mesmo que ganhe alguma eleição – estará sempre à beira do precipício. Começa pelo seu Presidente, que não tem visão nem carisma, passa pela equipa onde se apoia, um conjunto de vulgaridades, e acaba no baronato ressentido e venenoso, que espera a primeira ocasião para espetar a faca. Para mudar este partido, teria de se mudar a sua epistemologia, ainda antes de se mudar a sua praxis – e tal não vai acontecer, como se viu espectacularmente ao castigarem Mota Amaral por ter respeitado a Constituição e defendido a liberdade!

Miguel Relvas representa na perfeição o homem-PSD: picareta falante e fala-barato. Há dias, na porqueira, conseguiu num minuto transmitir duas ideias antagónicas. Começou por dizer que o Governo continua arrogante, a comportar-se como se tivesse a maioria e não precisasse de negociar. Segundos depois, estava a usar o exemplo de Gabriela Canavilhas, que foi ao encontro dos pedidos do sector, para acusar o Governo de desorientação. Eis a lógica: se o Governo tem algum plano que tente concretizar, é arrogante; se o Governo acolhe os anseios de terceiros, está perdido.

É com este atestado de desonestidade intelectual que pretendem convencer o centro? Mais bem empregue o vosso (e o nosso) tempo se se dedicarem à literatura.

A actualidade tem dois anos de atraso

Esta notícia da LUSA é um microcosmo da política à portuguesa. Repare-se: o INE lançou informações relativas ao ano de 2008. 2008. Não oferece dúvida, não se confunde com 2007 ou 2009. Ainda menos com 2010. Pois a LUSA recolhe declarações de mui importantes figuras que batem todas na mesma tecla: as informações estão desactualizadas. A evidência rivaliza com a redescoberta do fogo, da roda e do copo de água.

Sim, isto de vermos a pobreza a diminuir é uma péssima notícia. Ainda por cima, logo em 2008, o ano da alta do petróleo e da explosão da crise internacional. Provavelmente, os números estão falseados. Quando surgirem os dados de 2010, em 2012, já baterá tudo certo outra vez. Mesmo com dois anos de atraso.

Portas, larga o vinho

Portas, um inveterado pantomineiro, quer que o PS derrube Sócrates, coloque no seu lugar um bacano que ele aprove e que o Governo seja repartido com o PSD e o CDS.

A ironia é esta: ninguém das suas relações lhe vai dizer que fez um rasgadíssimo elogio a Sócrates. De facto, não querer o Engenheiro por perto do seu gabinete ministerial faz todo o sentido. Todinho.

Aviso à navegação

A política de comentários do Aspirina B segue esta regra de ouro: cada um que faça e diga o que lhe der na gana. Não há moderação outra que não seja a consciência de cada um. Parte-se do princípio de que estamos entre pessoas responsáveis, tanto pelo que escrevem como pelo que lêem.

Claro, o mesmo se aplica a mim. Isso leva a que possa censurar comentários, dado ter esse poder. É raro, mas acontece. Mensagens que apelem a crimes, violem a privacidade ou sejam atentados contra os direitos humanos, não estando inseridas num contexto que as justifique, serão apagadas. E comportamentos persecutórios ou psicóticos, depois de esgotados os apelos ao bom senso, também.

Este aceno vai ao encontro do que se tem passado com alguns comentadores que se comportam como rufias, hostilizando outros comentadores de forma infantilóide e bovina. Tais fenómenos são inevitáveis e cíclicos. Cada um que aprenda a viver com isso, mas tenha em conta que não passa de html. E o que é o html? Será o que tu quiseres. Para mim, é uma festa. Poder comunicar com amigos, a maior parte deles que só conheço através da escrita, é uma forma lúdica e cívica de celebrar o mistério de todos. Não vão ser uns foliões na desbunda que me vão incomodar, pelo que aconselho a mesma noção das prioridades a quem se tiver sentido agastado com alguma parvoeira por cá despejada – inclusive, por mim.

Boato Comercial Português

Estava nos Açores, na sexta-feira, quando me fizeram a pergunta – Tens dinheiro no BCP? Aquilo vai rebentar neste fim-de-semana. Perante a minha incredulidade, a garantia – Quem mo disse é uma pessoa da maior confiança. E era.

Este pânico colectivo conseguiu o feito de ser uma síntese de dois dos maiores clássicos da boataria nacional: aliou a iminência da onda gigante que vinha devastar o Algarve com o escabroso do dano causado pelo Reinaldo, sendo cada cliente do BCP a Laura Diogo da história.

Existe uma predisposição para a irracionalidade que é explorada por charlatães há milénios. Tempos de insegurança, nacional e internacional, aumentam essa apetência desvairadamente. Se juntarmos o desejo de vingança e o deserto moral dos cavalheiros de indústria, não custa perceber o que tem acontecido ao BCP desde 2008.

Alternativa

As Jornadas Parlamentares do PSD reuniram seres tétricos, num ambiente soturno, sob o lema Alternativa. Como se pode ver pela imagem, a alternativa que procuram é a si próprios. São demasiados anos, demasiada inutilidade, demasiado ressabiamento, demasiada decadência.

Eduardo Pitta lança-lhes um desafio: desempatem.

Integridade e comunhão

O nosso amigo José Albergaria dá Miguel Veiga como exemplo de integridade. A este nome, com o qual concordo sem reservas, quero juntar o de Freitas do Amaral. E, a respeito dos dois, manifestar a mesma perplexidade: como é que eles foram capazes de apoiar desgraças ambulantes como Paulo Rangel e Cavaco Silva?

No caso do Miguel, esse apoio foi dado no contexto das eleições do PSD. Porém, e honra lhe seja feita, foi retirado assim que Rangel mostrou a sua raça ao ultrapassar Aguiar-Branco pela direita. Ficou claro que valia tudo até contra os colegas do partido. No caso de Freitas, o seu apoio à reeleição de Cavaco é triste. Implica a sua cumplicidade com a pior Presidência desde o 25 de Abril. Acima de tudo, e escandalosamente, significa que a inventona de Belém recebe a sua caução. Eis uma surpresa vexante.

Mas o problema é meu, pois não duvido da integridade destes dois homens. O meu erro consiste em presumir que temos os mesmo valores, e não temos. A integridade não obriga à unanimidade, embora seja condição sine qua non para a comunhão.

Desbloquear – IV

Sofia Loureiro dos Santos desenvolveu o tema da responsabilidade do PS, enquanto partido, pela actual situação política. O texto está cheio de considerações que suscitam boas, e rijas, discussões. Contudo, a Sofia parece queixar-se de figuras e intervenções que são absolutamente legítimas. José Lello, António Vitorino e Vitalino Canas, por exemplo, são opinadores e políticos profissionais. O que fazem é parte das responsabilidades partidárias: criam opinião pública. Isso não obriga a concordar com eles, escusado seria dizer, mas é bizarro considerar a sua actividade perniciosa em si mesma. O mesmo para a defesa de Sócrates por parte de alguns Ministros e deputados, a qual não é mais, nem menos, do que a defesa do Governo e do partido. Os ataques de carácter a Sócrates, que começaram em 2004 quando elementos do PSD, CDS e Judiciária puseram em marcha o processo Freeport, atingiram proporções bíblicas com a entrada em cena dos magistrados de Aveiro – seria suicídio do PS deixar Sócrates ainda mais isolado do que tem estado, por um lado, e fazer declarações a refutar declarações da oposição é prática quotidiana em qualquer democracia do Mundo, pelo outro.

Neste particular da defesa de protagonistas de casos mediáticos, e ao arrepio da opinião de muitos socialistas, reafirmo que esteve muito bem Francisco Assis ao ter segurado Ricardo Rodrigues. Esse episódio é cristalino: não existe nenhuma vantagem possível, seja de que ordem for, para justificar o arresto dos gravadores; pelo que só uma perturbação emocional grave pode explicar tamanho erro político. O Ricardo sai da história com a pena às costas, e o Francisco deu uma lição de ética.

Mas a passagem que me parece mais fértil é a que questiona as forças vivas do PS:

Onde estão os criativos, os pensadores, os ideólogos, os que têm ambição, os que podem apoiar Sócrates e o governo? Ou que podem substituí-lo dentro do PS? Onde estão as alternativas?

Ora, o que não tem faltado são alternativas dentro do PS. De Alegre, que viu a sua irresponsabilidade e arrogância premiadas pelo mesmo Sócrates que atacou à má-fila, passando por António Costa, Vitorino e Francisco Assis, qualquer deles com um capital de credibilidade e experiência que lhes garante inevitável sucesso eleitoral, a Seguro, que está em campanha e é o estratega de Alegre. E podemos juntar Pedroso, Ana Gomes e João Soares, entre outros mais parlamentares, só para compor o retrato de um partido que está pejado de recursos humanos em qualidade e quantidade, como não há outro. Um partido onde não se viu qualquer delito de opinião na era Sócrates, bem pelo contrário.

Em suma, quando se realçam falhas deste e daquele, inevitáveis em quem exerce e se expõe politicamente – mas que devem ser apontadas pelos interessados, obviamente – a sua contabilidade só adquire sentido se somarmos a actividade dos restantes, muitos mais, que cumprem com as suas responsabilidades e dão o seu melhor.

Ninguém pára a Ibéria!

Como se viu pelo jogo da final, Portugal poderia tranquilamente ter vencido a Espanha nos oitavos. Bastaria ter marcado mais um golo do que os espanhóis. Chegava um.

Entretanto, os nuestros hermanos vão entrar numa euforia económica que nos vai levar de arrasto para o pleno emprego e o superavit. Não? É perguntar ao polvo.

Para acabar de vez com o jornalismo

O Sol publica conversas privadas em segredo de Justiça e faz negócio com essa pulhice. Mas não divulga conversas entre os seus jornalistas e as vítimas da pulhice do próprio jornal.

Este pasquim merecia que nunca mais ninguém respondesse directamente aos seus jornalistas. Eles enviariam as perguntas aos Carlos Queiroz que estivessem na linha de tiro e estes publicariam as respostas no seu website, blogue, Facebook, Twitter ou num lençol nas traseiras da casa onde morem. Os jornalistas do Sol dariam o seu melhor para copiar o que lessem e lá fariam os títulos e destaques à sua maneira. Uma maneira onde vale tudo menos respeitar o jornalismo.