Bruno Sena Martins assina um texto fatigado que é salvo pela generosidade do seguinte comentário:
Só faltam dois ou tres pormenores. Passos Coelho, um jovem, enérgico, novo, cheio de vontade e valor nada agastado, sem responsabilidades, sem o temor da decisão, Passos Coelho é tudo isto, mas o que se lhe reconhece até agora? uma boa ideia mobilizadora que tenha mérito não por apontar erros mas por apontar caminhos? claro que já as deverá ter tido e talvez dito. Mas não as conheço, e a maioria das pessoas não as conhece também. E isso é pouco demasiado pouco para quem ainda tem tanto. Imagino agora um outro exercicio. Pedro Passos Coelho depois de 6 anos (são 6?já nem sei) de governação, depois de corrigir um défice elevado, de aguentar a maior crise desde 1930 – e sim é aguentar!porque aguentar é o que está a fazer a Espanha, a Alemanha, a GB, os EUA, a Bélgica, a Irlanda e por deus senhores, por deus sejamos realistas, e quem está fora percebe-o tão bem, o que é Portugal? pequenino, muito pequenino!pela história que o fez no ultimo século, e se os outros aguentam, Portugal pouco mais pode fazer do que aguentar também e surpreendentemente está a faze-lo muito bem, leiam os jornais estrangeiros – depois de promover uma renovação do parque escolar como nunca vi ser feita, uma reforma da rede de distribuição dos cuidados de saúde, uma aposta fortissima (leiam o guardiam) nas energias renováveis (espanha acaba de inaugurar uma central de energia solar de grandes dimensões, portugal já inaugurou duas, menores mas substanciais, à mais de um ano), reformou ainda procedimentos para criação de empresas e tentou estabelecer algumas mudanças na administração publica, por exemplo. Tudo isto com erros, com defeitos, mas também, com alguns méritos, com novidade e em muitos casos bem pensados e estruturados. Podemos discordar das ideias, é certo, do motivação que estas demonstram, mas em muitos casos foram bem pensadas e isso merece reconhecimento da nossa parte. Tudo isto num país onde os niveis de educação são baixissimos, onde os niveis culturais são infimos – sim educação é diferente de cultura, e é aberrante conversar com a maioria dos jovens espanhois, britanicos, dinamarqueses e perceber quão frágil é o nosso conhecimento, em geral, e não vão mudar com nenhum primeiro ministro, não vão mudar em 20 anos, onde o contributo da sociedade civil é misero, onde os orgãos de informação não questionam devidamente, porque não pensam, e para perguntar é preciso saber, onde o debate político prima por uma falta de conhecimento avassaladora. Ninguém é alguém sem bons pares. Sócrates tem-nos a nós. Sarkozy tem a França. Cameron tem GB, e acreditem, estes primeiros-ministros estão melhor servidos, por muito que isto me custe admitir. E o que fazem? muito, muito pouco, é sempre pouco, mas é semelhante ao que faz Sócrates com ainda menos. Em tudo isto eu olho para Pedro Passos Coelho, que neste momento deveria ser melhor do que Sócrates, sem sombra para dúvidas, devia esmagar Sócrates com novas ideias e propostas. E em vez disso vejo um… talvez, e uma passeira vermelha que se estende, ou que já está estendida, não porque a tenha conquistado mas porque assim lhe caiu em sorte, pouco, é pouco para tão fortes palavras e convicções Caro Bruno Sena Martins.
Ricardo Fernandes