Aqueles que desejam o fim do jogo de atribuição do 3º e 4º lugar no Mundial são declarados, e descarados, inimigos do futebol. E quem é inimigo do futebol, é inimigo da paz internacional.
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Maluqueira
Sócrates tem sido acusado de optimismo. Outros ministros, idem. Parece que esta rapaziada já acabou com as crises todas, e várias vezes, mas elas teimam em voltar cada vez mais fortes. A crítica aos discursos que realçam os aspectos positivos pressupõe uma de duas alternativas: que o Primeiro-Ministro fosse pessimista ou que ele dissesse o que outros gostariam de ouvir.
Um governante é como um médico. Se disser ao doente que não acredita na sua recuperação, que duvida da eficácia dos tratamentos, esse médico está a agravar o estado do doente. Dizer a verdade ao paciente implica reconhecer que a verdade é sempre uma construção subjectiva. O médico sabe que também se engana, por falhas próprias e alheias, apesar do aparato científico da sua actividade. E sabe que parte decisiva na recuperação da saúde depende da crença, da disciplina, da calma, da motivação, dos factores psicossomáticos. Se é assim na medicina, por maioria de razão o é na política.
Claro, se Sócrates aparecesse pesaroso, sombrio, anunciando a sua descrença na recuperação económica e profetizando convulsões sociais, os mesmos que o perseguem pelo optimismo saltariam febris clamando que um governante não pode abdicar das palavras de confiança e estímulo. Exigiriam que abandonasse e desse o lugar a um crente no sucesso do Governo. Ou seja, seria perseguido por causa do pessimismo.
É assim a estupidez, uma maluca.
Desbloquear – III
Vou continuar a aproveitar as palavras da nossa amiga Sofia Loureiro dos Santos, por trazerem aspectos que pedem discussão:
Valupi, é verdade que este governo tem liderado um governo de crise. Mas o problema é a falta de liderança política e a sensação de que não dirige, mas antes é dirigido. Pelas circunstâncias internacionais, já todos percebemos que todos somos dirigidos, Portugal e os outros países. Mas pelos outros partidos, pelo Presidente da República e por algumas figuras do PS, que têm tido intervenções na vida política que descredibilizam o Parlamento e o PS, não.
O cenário de um Governo dirigido pelos outros partidos, e até pelo Presidente, não é correcto. Sem maioria, há que negociar ou abandonar. Como o PS insiste em assumir as suas responsabilidades, e como também espera pelas eleições presidenciais para se poder lançar num novo ciclo, temos a actual situação de fragilidade geral. Todos os actores políticos, sem excepção, estão a passar por um terreno que não conhecem, onde as areias movediças são bem mais perigosas do que os pântanos. E ainda poderíamos juntar a este ramalhete de desgraças a desgraça da Justiça, a qual tem tido influência na actividade política. Quanto às figuras do PS que descredibilizam o Parlamento e o partido, e sem saber ao certo a quem alude a Sofia, esse é o menor de todos os problemas. Polémicas e casos imprevistos são inevitáveis, pois estamos vivos e cada um pensa pela sua cabeça. O PS, contudo, é muito maior do que os melindres desses episódios, alguns meramente do foro psicológico.
Estamos sem estabilidade governativa porque os eleitores acreditaram que os males do País resultavam da maioria do PS. Como agora se vê, perante a demissão da oposição face às suas responsabilidades, o pior que pode acontecer numa democracia é o ataque e boicote ao Governo pelo simples facto de tentar governar. Há algo de profundamente errado no modo como se entende o papel da oposição.
Salada de polvo
Alice#2
Desbloquear – II
Sofia Loureiro dos Santos comentou as declarações de Paulo Pedroso relativas ao desbloqueio da esquerda democrática, e acrescentou outro aspecto da questão que pede debate:
E, já agora, também não está a falar deste PS. O vai-vem de medidas, o dizer e o desdizer, a defesa de atitudes lamentáveis, a paragem do movimento reformista do anterior governo, tudo isto tem alguma coisa de esquerda?
Creio que este protesto será partilhado por muitos militantes e simpatizantes do PS. O Governo tem estado ocupado a gerir um gabinete de crise, permanentemente, tendo passado por situações nunca antes vividas por um Executivo português. Começa pela minoria parlamentar, a qual deixa periclitante e desvirtuado qualquer Programa, como se viu nos meses que antecederam a aprovação do Orçamento, continua com a crise económica internacional, a qual obrigou a um desvio dos já parcos recursos, e acaba na crise da Zona Euro e capacidade de financiamento, situação que rebentou com toda a racionalidade das propostas votadas pelo eleitorado em Setembro. Assim, que está o Governo a fazer que não devia ou a não fazer como devia?
A resposta a esta pergunta leva-nos para a realidade política, onde ninguém concebe o que pudesse ser um Governo BE-PCP neste momento. Que fariam? Onde iriam buscar o dinheiro? Que investidores apostariam em Portugal se o código do trabalho impedisse os despedimentos e acabasse com os modelos de reconhecimento do mérito e de estímulo à produtividade em favor de uma igualdade sovietizada? Qual seria a resposta dos bancos? Iriam colectivizar a economia, desatando a nacionalizar as grandes empresas outra vez? E como lidariam com a inevitável convulsão social num país que cultural e sociologicamente não quer ser comunista? Pela força?
Do CDS e do PSD, como se constata sucessivamente, não vem nenhum ideário reformista que galvanize os sectores mais produtivos, democráticos e dinâmicos da comunidade. Já no PS há uma diversidade de recursos humanos e caminhos ideológicos que daria para fundar vários partidos. Ou substituir as lideranças, tão-só. Por exemplo, Seguro podia ir para o BE e Pedroso para o PCP. Então, sim, a esquerda seria toda democrática e estaria em condições de completar o projecto reformista que um PS com maioria absoluta apenas conseguiu começar.
Não se metam com a Europa
Desbloquear
“Para desbloquear a esquerda democrática portuguesa é preciso também que haja alternativas sólidas aos governos de maioria absoluta”, referindo depois que este apelo não se dirige apenas ao PS, mas também aos restantes partidos da esquerda (Bloco e PCP) “para que aceitem o princípio da realidade, a opção europeia do país, para que sejam capazes de gerir as lideranças e saber o que é necessário”.
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Que pensam Bloco e PCP deste pedido de Paulo Pedroso? Talvez o mesmo que pensa o PS quando ouve Louçã ou Jerónimo a reclamar o seu simétrico: que o PS aceite a meta do idealismo, admita a saída do colete europeu, promova a rotatividade das lideranças e saiba o que é justo. Todavia, vai bem Pedroso por este caminho, posto que nele acredita. A grande curiosidade é descobrir se encontrará algum interlocutor na esquerda da esquerda. Nenhum sinal, o mais ténue, aponta nesse sentido. Bem pelo contrário.
O Bloco tem de manter a estratégia de fractura do PS, sob pena de se reduzir ao que é: uma manta de retalhos incoerentes e anacrónicos, mantida unida pelo marketing de Louçã. E o PCP é uma organização religiosa, cada vez mais dependente das liturgias e dos fanáticos.
Talvez o caminho tenha de ser outro: desistir de quem não aceita a democracia e partir ao encontro daqueles que estão afastados da política. Esses ignoram o seu poder, pelo simples facto de ignoraram os seus direitos e os deveres de todos.
Experiencing Different Cultures Enhances Creativity
É também por esta razão que abomino o racismo, para lá de todas as outras.
Vendetta
A ferocidade, e em muitos casos demência, dos ataques à direita contra Sócrates nasce de um objectivo reconhecimento do seu valor eleitoral e governativo, por um lado, e do pânico em que esse tecido sociológico entrou por causa dos acontecimentos no BCP, BPN e BPP, pelo outro. De repente, olhavam à volta e já não tinham os banqueiros amigos que tanto lhes tinham dado a ganhar ou tanto os tinham ajudado em situações de perda. A CGD e o BES também estavam feitos com o Engenheiro, pensavam com os seus neurónios conspirativos, e a crise internacional ia agravando desvairadamente o pesadelo. A situação era insustentável para quem vinha do cavaquismo com o papo cheio até 2008, algo teria de ser feito. E fez-se: Ferreira Leite e Pacheco espalharam a estratégia da asfixia democrática e Belém começou a bombardear S. Bento sem parar. Chegava? Não, era ainda preciso recorrer ao trunfo na manga para cortar todas as vazas: magistrados entraram na cena política como nunca antes se tinha visto em Portugal.
Vara, amigo de Sócrates, era um dos alvos mais apetecidos para a calúnia. Figura já chamuscada à conta de alegadas irregularidades cometidas pela Fundação para a Prevenção e Segurança, nunca provadas e acabando o processo por ser arquivado, com um currículo partidário extenso que o tipificava negativamente, representava a infâmia socialista: passeava-se pelos corredores do sacrossanto BCP, outrora símbolo do poder financeiro-religioso e cúpula suprema de uma pirâmide social que reunia famílias e empresários habituados a 20 anos de triunfo capitalista pela férrea mão de Jardim Gonçalves. Exigia-se vingança.
Não faço ideia se Vara é culpado de alguma ilegalidade ou imoralidade, obviamente. O que sei é que já está a pagar.
Verde cor da esperança
Caça aos bruxos
Paulo Querido e Luis Rainha defendem que é preferível usar o nome de registo civil para assinar na Internet, ainda a propósito do episódio que remete para a perseguição a alguns pseudónimos (só alguns, claro, escolhidos a dedo). Os dois textos seguem caminhos completamente diferentes. Enquanto o Paulo enquadra a questão dentro do óbvio e relaciona-a com o próprio conhecimento que tem de mim, o Luis anuncia a sua propensão para assumir a chefia da Entidade Reguladora da Comunicação Digital e passa-me um responso pateta como se não me conhecesse.
E tudo vai dar ao conhecimento, né? Miguel Torga era conhecido, logo não era anónimo, apesar do pseudónimo. Por sua vez, um nome próprio pode não chegar para uma correcta identificação se existirem outros nomes iguais e nenhum outro dado biográfico estiver presente. Assim, a acusação de anonimato contra pseudónimos não é mais do que o protesto contra a ignorância. A própria.
Um pseudónimo pode não ser mais do que uma alcunha. Passa pela cabeça de alguém tratar os familiares, amigos, colegas e conhecidos que sejam nomeados por alcunha como anónimos? Nas minhas relações, pessoais ou profissionais, não se ignora que escrevo num blogue assinando Valupi. E mesmo que o quisesse, e não quero, seria impossível manter qualquer segredo a esse respeito dada a livre circulação da informação. Este assunto, no fundo, só deu que falar porque a pseudo-direita que o Pacheco e o Mascarenhas representam é um fiasco intelectual e uma miséria moral. Acossados pelo excelente Câmara Corporativa, pegaram nas tochas e saíram à rua para uma caça aos bruxos. A sua pulsão difamatória espalhou-se como uma doença que teve no Carlos Santos o cordeiro sacrificial.
O lugar da ministra da educação

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No discurso auto-laudatório e pretoriano de Louçã para festejar os resultados eleitorais de Setembro, Maria de Lurdes Rodrigues foi o principal alvo dos costumeiros ataques corporativos de um partido especializado em propaganda demagógica. Era o corolário de uma longa campanha diabolizante que apostou na exploração das emoções mais básicas e destrutivas, de forma a garantir um estado de conflito imune à racionalidade e à negociação. O comentário supra ilustra o que se pretendeu atingir.
O recente lançamento do livro A Escola Pública Pode Fazer a Diferença é notável por várias razões, a menor das quais não será este bom exemplo de legar um documento que alia a teoria e a prática de um dado governante. A relevância maior do acontecimento, porém, decorre da área em causa, Educação, e da pessoa que nela deixa obra admirável e polémica. Com esta síntese detalhada dos seus 4 anos à frente do ME, Lurdes Rodrigues remata um ciclo de reformas decisivas que tem a sua assinatura.
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Singularidade lusitanas
Temos um Governo minoritário que não governa, dizem aqueles, ou que governa apenas para servir os capitalistas, dizem aqueloutros, a usar todo o poder da sua governação para enfrentar uma poderosa empresa espanhola, para confrontar os poderosos accionistas de uma empresa portuguesa e para afrontar os super-poderes da União Europeia. Propósito? Defender os interesses de uma comissão de trabalhadores desprovida de qualquer poder na matéria.
Viva la España!
À atenção da FIFA
Como é superior o catolicismo
No catolicismo, é possível roubar a vitória certa ao adversário, no exacto último segundo de jogo, recorrendo a uma falta. Os deuses pagãos nada podem contra esta potestade que escarnece das regras e da moral do futebol.
Enquanto a África não se converter, continuará a pagar pelo seu pecado original. Para entrar no céu das meias-finais muitos são chamados, apenas os latinos e os europeus são escolhidos.
Brasil foi Portugal à solta
À rasca? Desenrasquemos
Como se criam novos empregos? Criando empregos novos. Por exemplo:
Guarda-diurno
Recorrendo ao mesmo modelo de pagamento dos guardas-nocturnos, estes guarda-diurnos seriam muito mais úteis. Passeariam pelos bairros sem armas, quais Bobbies, apenas munidos de apito e telemóvel para chamar as autoridades. A sua presença garantiria uma permanente vigilância e consequente aumento do sentimento de segurança. Cada conjuntos de prédios numa mesma rua, ou praceta, chegaria para pagar um ou dois destes vigilantes. Em ruas mais compridas, é dividir e multiplicar.
Agricultores de minifúndio
Quem conheceu o campo nos anos 30, 40, 50, 60 e 70 sabe que há muita terra ao abandono. Isso traz vários problemas, aumentando a desertificação do interior. Para um desempregado, e com as tecnologias e vias de comunicação do presente, este tipo de agricultura pode ser uma actividade fértil em mais do que um sentido.
Caça-fantasmas
Os fantasmas em causa são os resíduos florestais, os entulhos e o lixo na natureza, praias incluídas, os quais assombram a paisagem, a segurança e a economia. Os ganhos virão da diminuição dos incêndios, da reciclagem e do turismo. É uma actividade que pode ter lugar de Norte a Sul, Litoral e Interior, Continente e Ilhas.
E tu, que novas actividades profissionais propões?
discursos históricos do primeiro magistrado
Espero que o Porfírio faça disto uma série. Cavaco é um sósia de Bush em vários aspectos, do aparato religioso serôdio e oportunista às figuras ridículas em público. Mas com esta diferença: Bush tinha graça na sua tonteira, Cavaco não tem graça nenhuma, e ainda menos quando se julga engraçado.