À rasca? Desenrasquemos

Como se criam novos empregos? Criando empregos novos. Por exemplo:

Guarda-diurno

Recorrendo ao mesmo modelo de pagamento dos guardas-nocturnos, estes guarda-diurnos seriam muito mais úteis. Passeariam pelos bairros sem armas, quais Bobbies, apenas munidos de apito e telemóvel para chamar as autoridades. A sua presença garantiria uma permanente vigilância e consequente aumento do sentimento de segurança. Cada conjuntos de prédios numa mesma rua, ou praceta, chegaria para pagar um ou dois destes vigilantes. Em ruas mais compridas, é dividir e multiplicar.

Agricultores de minifúndio

Quem conheceu o campo nos anos 30, 40, 50, 60 e 70 sabe que há muita terra ao abandono. Isso traz vários problemas, aumentando a desertificação do interior. Para um desempregado, e com as tecnologias e vias de comunicação do presente, este tipo de agricultura pode ser uma actividade fértil em mais do que um sentido.

Caça-fantasmas

Os fantasmas em causa são os resíduos florestais, os entulhos e o lixo na natureza, praias incluídas, os quais assombram a paisagem, a segurança e a economia. Os ganhos virão da diminuição dos incêndios, da reciclagem e do turismo. É uma actividade que pode ter lugar de Norte a Sul, Litoral e Interior, Continente e Ilhas.

E tu, que novas actividades profissionais propões?

20 thoughts on “À rasca? Desenrasquemos”

  1. Os portugueses não querem trabalhar.

    Por conseguinte, não proponho nada.

    Se eu viesse para aqui falar em novos subsídios, interessar-se-iam, com certeza absoluta.

  2. Normalmente o emprego cria-se ou por iniciativa individual ou pelo lançamento de projectos por parte de quem governa, desde as juntas de freguesia aos ministérios. Estive há poucos meses na Suiça e durante esse tempo fiquei a residir numa pequena povoação. Fiquei espantado com as responsabilidades “governativas” que estão atribuidas às juntas de freguesia. Um verdadeiro governo de proximidade e de serviços quase prestados ao domicilio.
    Por cá ainda se elegem presidentes da junta analfabetos ou quase, a exemplo da eleição dos deputados da nação que acabam a gastar o seu precioso tempo e o nosso dinheiro entretidos em comissões de inquerito, nos intervalos da leitura dos jornais.
    Não adianta, Val, fazer remendos, sugerindo a criação avulsa de empregos aqui e ali. A sociedade não precisa de empregos para “desenrascar o desemprego”. Precisa de uma governação a sério a partir das juntas de freguesia e do respeito pela livre iniciativa de quem gosta de arriscar por conta própria.
    O que propões é «mais do mesmo» e já se viu que assim não vamos lá..

  3. Recuperação urbana. Dá empregos a muita gente: trolhas, carpinteiros, canalizadores, electricistas, pintores, engenheiros, arquitectos, designers, especialistas em restauro. A aplicar nas tantas casas abandonadas dos centros das nossas cidades, nas casas degradadas onde vive gente com poucas condições, nas casas apenas envelhecidas cujos proprietários, por um motivo ou outro, ainda não fizeram as obras necessárias. A atribuição de apoios para a recuperação por parte dos municípios iria certamente depender da sua cor política; mesmo os mais à direita poderiam aceitar que, tendo em conta os benefícios gerais (cidade) e os particulares (inquilinos e proprietários), alguma isenção de um qualquer imposto retorcido poderia ser adequada.

    Resultados em diversas frentes: dignidade para os habitantes dessas casas; alargamento da oferta habitacional* em zonas desertificadas (frequentemente problemáticas); impacto positivo no espaço público, no comércio da zona; e, claro, a tal criação de novos empregos (com perspectivas de manutenção).

    * ressalva-se a importância de uma oferta habitacional a preços adequados ao (pequeno) bolso da maioria das pessoas, bem como de oferta de aluguer, não apenas de venda.

  4. É pena que os comentários sejam tão derrotistas e míopes.
    Então essa ideia da “recuperação urbana” é insustentável:
    Quem iria financiar essas recuperações que custam rios de dinheiro?
    Depois, quem é que iria habitar as casas e a que preço?
    A propriedade seria de quem, depois de remodeladas?
    Onde está essa população para ir morar nos centros urbanos recuperados?
    Não comprou já casa nos dormitórios ?
    E, só para finalizar: Onde se parqueariam mais as centenas de milhar de automóveis privados desses “novos habitantes”?

    As sugestões do Val são um excelente ponto de partida.
    Gostaria de salientar que na Áustria, há já muitos anos, as autarquias alugam ao ano, sem quaisquer direitos futuros, tanto árvores de fruto, como pedaços de terra onde os cidadãos podem fazer agricultura biológica, turismo de fim-de-semana, tratar de árvores, colher a fruta, ou simplesmente fazer pique-niques saudáveis…
    Com tanta terra abandonada pq não iniciar um movimento inverso, em vez de tentar o impossível de imediato: Em vez de tentar deslocar para o interior quem já se instalou no litoral, porque não criar as condições para actividades de fim de semana que agradariam às populações citadinas e que promoveriam de novo a fixação de habitantes no interior, de forma paulatina, e mostrando as vantagens em sairem da cidade…?
    Tenho a certez aque esta actividade criaria empregos e reduzia as pressões sobre preços, além de promover uma vida mais saudável e mais actividades em família…
    Nos países nórdicos a apanha dos cogumelos ( até por ser perigoso…) é realizada em sistema de voluntariado e de cooperativas de colectores…
    Ora aqui em Portugal é só olhar para debaixo de qualquer árvore de fruto para ver o que se desperdiça, e depois, o que importamos.
    Cooperativas de recolectores de fruta aos fins de semana? Porque não? Os proprietários da fruta que se organizem e abram inscrições, que criem condições e estímulos aos que se propõem trabalhar…

  5. Inspirado no post das boas intenções urinárias e sequentes comentários, ofereçco-me já para apanhar melão e abóbora aos fins de semana, pois é este o tipo de agricultura e indústria pesada que me interessa. E não vou cobrar nada, é tudo caridade franciscana para preservar o superior intelecto das massas…

  6. Primeiro não percebi muito bem o dos guardas-diurnos, nem a utilidade dos apitos, isto porque vivo num bairro pacífico onde não se passa praticamente nada que mereça vigilância. Mas depois pensando melhor, há utilidade sim senhor. Um dos maiores problemas aqui do meu bairro são os próprios prédios. Alguns são de tal forma desagradáveis à vista que ou foram projectados pelo Eng. Sócrates, para passar o tempo enquanto a oposição não apresenta ideias que valham a pena parar para pensar, ou então por algum colega engenheiro também formado por fax. Digo isto porque toda a gente (menos eu) sabe que quando os edifícios são projectados por arquitectos são… magníficos. E estes ainda por cima não são só uma questão de mau gosto, há problemas técnicos para os quais não encontro resposta. Por exemplo, varandas com 40, algumas com 30cm de largura? Para que serve aquilo sem ser para torturar as pessoas que lá vivem? Tentam desesperadamente encaixar estendais de roupa, mas só enquanto não engravidarem (ou abusarem da cerveja), nesse caso a varanda é para esquecer. Portanto, venham os vigilantes munidos com potentes apitos e apontem-nos aos ouvidos dos projectistas e dos técnicos que os aprovam, e soprem com força para ver se ou fazem alguma coisa de jeito ou mudam de profissão. :)

  7. Eco-Almeidas

    Apanhadores de lixo reciclável.
    A sociedade Ponto Verde, ou lá quem seja, espalhe pela cidade(s) 3 ou 4 pontos de recolha de lixo reciclável e pague ao quilo o lixo entregue. Se o processo for simples e desburocratizado muitos do que vivem nas ruas poderiam fazer mais dinheiro a apanhar latas, garrafas, plásticos, papéis e a vendê-los que a arrumar carros. Por mim até podiam passar cá por casa de vez em quando que eu entregava-lhes os saquinhos coloridos que andam por aí a abarrotar sem eu os levar ao eco-ponto.
    (Penso que em São Paulo foi criado um sistema destes, os homeless recolhem as latas de refrigerantes das ruas e foi, é, um enorme sucesso)

  8. Val:
    Tudo o que descreve podia ser posto em prática se não houvesse as oposições e corporações.
    Guarda-diurno: se porventura se viesse a criar este posto os sindicatos, corporações de polícias e GNR, vinham-se manifestar contra, dizendo que se estavam a imiscuir-se no seu serviço. Veja o caso da Polícia Municipal, foi criada há uns anos e qual o ganho das populações. A não ser os Presidentes de Câmaras que tem mais segurança. Quando são precisos para intervir estão sempre onde não deviam estar.
    Agricultores de minifúndio: está mais que provado que fica mais caro produzir o artigo que o comprar. Conheço alguns que se entretém ao cultivo como uma forma de passar o tempo e não com a finalidade do lucro.
    Caça-fantasmas: era bom mas para isso precisávamos de ter outra mentalidade. Quem queria um emprego assim. O Governo está para pôr em prática pelo verão, uns incentivos aos desempregados mediante um subsídio de 20% sobre o que recebe pelo fundo de desemprego para irem vigiar matas e afins, vai ver quantos se oferecem.
    Sou apologista do ponto de vista da Teresa, assim acredito que se implementava, uns quantos, a arrecadar o lixo ou ir de porta em porta levantá-lo mas, julgo que tinha de ser pago no acto da entrega. Agora falta saber o que diziam os sindicatos afectos a este tipo de serviço.
    Na minha terra a limpeza e o transporte de lixo há uns anos era feito pela Câmara Municipal, sábados e domingos era um fartar de sujidade pelas ruas e um amontoar de lixo junto dos contentores. Em boa hora a Câmara entregou esse serviço a uma empresa privada (SUMA) e desde aí dá gosto ver como se encontra limpa a minha terra. Conhecia como a ilha da Madeira era limpa e dava-me gozo desfrutar dessa limpeza. Acontece que um dia vieram à minha terra uns madeirenses e a maior admiração deles foi com a limpeza da minha terra.
    Por isso digo, entreguem certos serviços ao privado e vêem a diferença.

  9. Estão a falar em criar postos de trabalho, pois eu tenho um posto de trabalho a fornecer, digno, 520 euros/mês, e nas entrevistas, todos choram que precisam mesmo trabalhar, mas desistem todos ao cabo de 1 dia ou 2 máximo: afinal, não é bem o que quero (entre linhas, ganho mais com o subsídio de desemprego e trabalhando ainda gastava em transportes, roupa, etc.; o trabalho é pesado: há muita louça para lavar).

  10. Sem contar aquela cena caricata em que me apareceu uma desdentada mal cheirosa uma semana após as entrevistas para limpeza.
    Telefonou a dizer que tinha um papel do centro de emprego em como naquele dia tinha uma entrevista na nossa empresa. Desmenti: “Isso foi há uma semana. Excusa vir hoje, mas se quiser, pode deixar o contacto.” A mulher, teimosa e doida, apresentou-se na mesma. Repetiu a mesma lengalenga, mas de forma presencial. Retorqui que não havia entrevistas, nem a gerência iria passar por ali naquele dia.
    Então saiu-me um papel do centro de emprego, tal um guarda fiscal mal humorado, e pediu-me sem favores, nem coisa que pareça, para assinar e meter o carimbo no papel. Li por alto, era um comprovativo em como tinha aparecido a entrevista de há uma semana atrás. Fiz-lhe o favor, mas com uma vontade de a esganar… E como ela, muitos e muitos. É tão bom andar subsidiado!

  11. ai há uns tempos mandaram-me largar o vinho por causa dos agricultores de minifundio….
    as voltas que a vida dá.

  12. Caros:

    Dada a crise de liquidez que se vive globalmente proponho a titulo individual a profissão de “fabricante de moeda”, um artesão dedicado ao fabrico de divisas (não confundir com falsificador…)!!!
    Ou a versão do comercial do séc XXI “o profissional de troca directa” objecto por objecto, serviço por serviço.
    Tudo “tax free” longe do aparelho de engorda do estado!!!

  13. Primeiro Ministro em part-time, para garantir o estado minimo, a recuperação das finanças publicas e poder responder aos processos em tribunal.

  14. Ourives! Porque nesta emergência financeira é urgente mandar “pró prego” a custódia de Belém.

    ” Como quem diz, pró Poço de Boliqueime

  15. Pesca. Há muita gente que gostaria (deveria ?) de se dedicar à pesca.
    Material: Cana/rede, isco, canôa. Barato.
    Espirito: Paciência. Não se compra/vende.
    Resultado. Não se morre à fome, alimentação saudável, possível venda dos excedentes.

  16. Empregador rasca,

    Talvez por seres rasca devesses participar num curso para elevares o nível. Novas oportunidades pode ser o inicio.

    Acho sempre engraçado quando encontro expressões do tipo : Trabalho há, mas não há quem o queira. Certamente porque é bom!…

  17. Plano 1
    Proibir a acumulação de cargos.
    Criaria uns milhares de postos de trabalho.
    rápido fácil e sem custos adicionais

    Plano 2,
    mandar o socras e o saltinhos para a apanha do morango siberiano, só podia ter boas consequencias, do desemprego á queda de cabelo, passando pela salubridade do país

  18. Caro MFerrer, nada daquilo que sugeri é novidade. Tal como a sua ideia da apanha de cogumelos, também estas já foram desenvolvidas noutros países, não só com sucesso mas também como parte de um programa geral para uma cidade (e sociedade) mais sustentável. Ponto por ponto:

    1, Financiamento de acordo com cada caso. Havendo um programa municipal de reabilitação com regras específicas, poderia o município financiar a percentagem das obras de reabilitação de acordo com o cumprimento dessas regras. Efectivamente isto pressupõe duas coisas: técnicos municipais adequados (provável necessidade de contratação de pessoal) e financiamento público das obras. É um programa político que se tem mostrado eficaz. Parte do financiamento das obras pode vir de dois exemplos simples, testados e comprovados: um, aluguer de espaços publicitários – m2 mais caro, redução dos espaços disponíveis para esse efeito e vinculá-los ao espaço das próprias obras (quando na fachada, transformação daqueles tapumes em faixas publicitárias). Dois, captação de patrocínios para as obras: não faltam por aí marcas que gostariam de ser associadas a políticas de recuperação física, de embelezamento visual e de melhoria das cidades.

    2, Mais uma vez, depende. As obras não seriam apenas em edifícios abandonados, mas também em casas onde já vive gente. Nas casas pré-habitadas, é indispensável a regulação de modo a que, após as obras, não se proceda ao despejo dos inquilinos e à especulação imobiliária. Mais uma vez, requer controlo público. No caso dos edifícios abandonados, obviamente que teria de haver uma transformação da legislação referente a estes casos. Um edifício privado abandonado tem um impacto negativo na zona onde se insere, o qual pode ser tanto em termos da valorização do imobiliário envolvente, como de segurança no espaço público, ou, em casos extremos, de saúde pública. Se um edifício está inabitado há mais do que um determinado número de anos, deveria ser dado um prazo curto aos donos para intervirem sobre ele; caso contrário, reverteria para o município.

    3, a propriedade seria do mesmo dono inicial, sendo mais uma vez necessário o controlo para evitar fenómenos especulativos.

    4, Se continuam a construir casas novas fora dos centros, suponho que é porque continua a haver população para as habitar. Se houvesse um controlo real relativo à nova construção, nomeadamente pela limitação desta, juntamente com incentivos para a reabilitação, seguramente que iria reverter a actual situação de grande dispersão urbana e de muitos dos seus problemas associados (dependência do automóvel e consequentes problemas ambientais, de circulação viária e de qualidade de vida). Por outro lado, creio que em Portugal determinou-se o fim da construção de habitação social; como não parece que se veja num futuro próximo o fim da pobreza, e tendo em conta o artigo 65 da nossa Constituição – “Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar” -, bem como o papel designado ao Estado para propiciar estas condições (patente no mesmo artigo), poderiam integrar este programa de habitação social com o de recuperação urbana.

    5, Faço-lhe uma pergunta a si: parecem-lhe adequadas a generalidade das políticas de transportes públicos nacionais? Não crê que se deveria reduzir a dependência do automóvel individual e fomentar melhores transportes colectivos?

    Como referi no inicio, estas propostas nada têm de novo. Foram, com maior ou menor sucesso, implementadas noutros países. Seguramente que conhece cidades cujos centros históricos não são tão degradados quanto os nossos, habitados por pessoas sem por isso estarem cheias de automóveis estacionados nos passeios. Seguramente que não pensará que essas cidades são assim porque os seus habitantes são serem superiores, mas tão só porque os mecanismos estatais (locais e/ou nacionais) direccionaram o desenvolvimento dessas cidades noutro sentido. É obvio que não haverá nenhum exemplo de uma cidade perfeita, que junte em si o melhor programa de reforma de edifícios, com o melhor programa de transportes, com o melhor programa de criação de emprego local; mas é com o conhecimento dessas boas práticas (e dos erros que também cometeram) que poderemos pensar, discutir, e melhorar.

  19. Agente turístico.

    O sr Silva que anda lá para essas bandas bem podia pasar pela Ilha dos Amores e saber quanto fica em dinheiro, a um homem para lá passar um semanita de férias.
    Gostava de visitar o ponto R, onde o Camões não escreveu, cantou.

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