Desbloquear – II

Sofia Loureiro dos Santos comentou as declarações de Paulo Pedroso relativas ao desbloqueio da esquerda democrática, e acrescentou outro aspecto da questão que pede debate:

E, já agora, também não está a falar deste PS. O vai-vem de medidas, o dizer e o desdizer, a defesa de atitudes lamentáveis, a paragem do movimento reformista do anterior governo, tudo isto tem alguma coisa de esquerda?

Creio que este protesto será partilhado por muitos militantes e simpatizantes do PS. O Governo tem estado ocupado a gerir um gabinete de crise, permanentemente, tendo passado por situações nunca antes vividas por um Executivo português. Começa pela minoria parlamentar, a qual deixa periclitante e desvirtuado qualquer Programa, como se viu nos meses que antecederam a aprovação do Orçamento, continua com a crise económica internacional, a qual obrigou a um desvio dos já parcos recursos, e acaba na crise da Zona Euro e capacidade de financiamento, situação que rebentou com toda a racionalidade das propostas votadas pelo eleitorado em Setembro. Assim, que está o Governo a fazer que não devia ou a não fazer como devia?

A resposta a esta pergunta leva-nos para a realidade política, onde ninguém concebe o que pudesse ser um Governo BE-PCP neste momento. Que fariam? Onde iriam buscar o dinheiro? Que investidores apostariam em Portugal se o código do trabalho impedisse os despedimentos e acabasse com os modelos de reconhecimento do mérito e de estímulo à produtividade em favor de uma igualdade sovietizada? Qual seria a resposta dos bancos? Iriam colectivizar a economia, desatando a nacionalizar as grandes empresas outra vez? E como lidariam com a inevitável convulsão social num país que cultural e sociologicamente não quer ser comunista? Pela força?

Do CDS e do PSD, como se constata sucessivamente, não vem nenhum ideário reformista que galvanize os sectores mais produtivos, democráticos e dinâmicos da comunidade. Já no PS há uma diversidade de recursos humanos e caminhos ideológicos que daria para fundar vários partidos. Ou substituir as lideranças, tão-só. Por exemplo, Seguro podia ir para o BE e Pedroso para o PCP. Então, sim, a esquerda seria toda democrática e estaria em condições de completar o projecto reformista que um PS com maioria absoluta apenas conseguiu começar.

13 thoughts on “Desbloquear – II”

  1. E lá vem a cassete das «reformas» e do «projecto reformista»… Meras palavras que mais não escondem que um projecto de liberalização da sociedade, como até o Valupetas acaba por reconhecer quando defende o código do trabalho do Bagão Félix, e isto recorrendo aos chavões habituais da cassete liberal: reconhecer o mérito e premiar a produtividade – o que traduzido numa linguagem mais social e menos neoliberal quer dizer baixar os salários reais e precarizar os vínculos laborais.
    E depois têm a lata ou a ignorância de dizer que ser-se de esquerda é isso: defender «reformas». Esvaziam e banalizam o conceito (porque são anti-maniqueístas como diz o Valupetas), o que até transforma o PSD ou o CDS em partidos de «esquerda» na medida em que também estes se afirmam como «reformistas» e «modernos». Depois agitam com o papão das nacionalizações, e esquecem-se que há pouco tempo procederam a essas mesmas nacionalizações: mas apenas dos prejuízos, claro! Quando há lucros o mercado deve ser «livre», mas quando há «prejuízos o povinho que pague. Mas ainda há quem goste de ser comido por parvo!

  2. Quando Saramago no seu desassossego submeteu Deus a julgamento foi de imediato, qual ovelha tresmalhada, alvo de grande berraria do sereno e obediente rebanho do senhor;”então matou-O dentro de si, logo não tem que falar dê-Le”.

    Saramago precisava de uma razão para estar calado e ninguém lha deu, então no seu desassossego tentou da matéria a melhor forma. Daí resultou a obra feita; da obra por fazer, haja quem faça melhor.

    Quando o sr Passos Coelho, num desassossego transcendental maior que o seu ego, vai a correr para Espanha ao encontro do sr Alierta, mais parece Jakob Fugger ao encontro de Carlos V. Um quer ser o imperador das telecomunicações e para tanto, pagou em 2007 uma multa de mais de 150 milhões de euros por actividades que tinham por objectivo única e exclusivamente a eliminação da concorrência.
    O outro que foi o irmão da raínha dona Catarina de Áustria, avó de dom Sebastião, quis ser e foi imperador do mundo*. Acabou os seus dias num convento a montar e a desmontar relógios; o sujeito não devia ter pancada certa daí concumitantemente, o desacerto do seu sobrinho-neto.

    * e para tanto pagou e pagou bem a Jakob Fugger, ” O RICO”.

  3. Mais uma citação que vem a propósito, e de alguém que deve ser mais do agrado do tal MFerrer (que como toda a gente na internet sabe não passa de um tachista), até porque esta tal pessoa está em «alta». Oh, se está…

    ******** também fez observações ao sistema legislativo, onde afirmou que, “neste momento, o sentimento dos nossos responsáveis devia ser para salvaguardar os nossos interesses, independentemente de ganharem ou perderem as próximas eleições”, salientando inclusive que o Governo, com “algum apoio de partidos à direita, nomeadamente o PSD” deve “fazer reformas” no país.

    Quem é que disse isto? Quem é o ********? Será o Valupetas? Será alguém da «esquerda» moderna adepta das «reformas»? Não, não é o Valupetas nem ninguém da «esquerda» moderna e «reformista». Mas podia ser, pois o autor destas declarações é um dos apoiantes do Pinto de Sousa (para além de seu advogado): o Proença de Carvalho, que, segundo a cassete socretina, tem que ser necessariamente de «esquerda», pois defende um «projecto reformista», o «interesse nacional» e o «bem comum». Enfim, inteligência socretina…

  4. O problema do BE e do PCP é a gula: ou tudo ou nada. Ou a nossa solução ou não queremos fazer parte de nenhuma solução. Nunca gostei da arrogância de quem não é humilde para perceber que por vezes o melhor é chegar a entendimentos do que aferrar-se a dogmatismos. Daqui não saio daqui ninguém me tira.

    Será que o BE e o PCP vão chegar a velhos e a morrer estúpidos?
    Tudo indica que sim.

  5. O BE entraria de imediato com impostos sobre os “ricos” e o “capital”. Isso aguentava-os mais ou menos 15 dias. Após a fuga de ambos para outras paragens mais saudáveis e a respectiva festa comemorativa, começariam a aperceber-se que, estranhamente, as empresas não funcionam sem eles. Por isso toca a nacionalizar tudo, incluindo a Vivo, para grande espanto de Lula da Silva. O financiamento e investimento externo são promulgados por decreto, mas devido à conspiração internacional do grande capital, ninguém liga, o que leva a vários mandatos internacionais de captura contra “os poderosos” que não têm respeito pela lei portuguesa e não nos financiam “ad-eternum” como era a sua obrigação moral. Quando acabam de rir, os responsáveis da Interpol têm ainda a decência de nos informar que, ao contrário dos dirigentes do BE, não vivem no mundo mágico das Winx, por isso passem bem. Vendem então os submarinos no ebay. Dá para mais 6 dias. A partir daí implodiam num mar de paranóias e contradições quando tudo se começasse a desmoronar. Para tentar aguentar o país, seria então decretado que passaríamos a viver todos em permanência num acampamento jovem do Bloco, com marijuana orgânica e frequentes colóquios sobre sexualidade. Sobrevivemos a partir daí do dinheiro que os turistas que se vêm admirar com tão estranho país nos deixam. Ia ser bonita a festa, pá.

    Já o PC, é mais simples: fazer como Chavez faz, mas sem petróleo. Piece of cake.

  6. Valupi, é verdade que este governo tem liderado um governo de crise. Mas o problema é a falta de liderança política e a sensação de que não dirige, mas antes é dirigido. Pelas circunstâncias internacionais, já todos percebemos que todos somos dirigidos, Portugal e os outros países. Mas pelos outros partidos, pelo Presidente da República e por algumas figuras do PS, que têm tido intervenções na vida política que descredibilizam o Parlamento e o PS, não.

  7. Ò MFerrer, já te disse que gajos como tu obcecados por mandar nos outros são dos primeiros a quem lhes é cortada a cabeça. É a tua própria conversa que te denuncia, ó palerma! Mas eu só sei o que toda a gente na internet sabe a teu respeito, e portanto tens que disfarçar melhor se queres parecer que não fizeste qualquer voto de obediência em relação ao teu chefe aldrabão.

  8. El toro enamorado de la luna….endineirada.

    En la noche enlunarada el toro de la telefonica saltó la valla. Los tortugas han huido, todo el mundo? No, Joselito del San Biento lo agarró por los cuernos.

  9. Ese toro enamorado de la luna,
    Que abandona por la noche lá maná.
    Es pintado de amapola y acetuna,
    Y le puso campanero el caporal.

  10. Qualquer comparação entre os comentários do “DS” e a vulgata borracheira não é nem legítima nem de boa casta.
    Trata-se de zurrapa que pode, e deve, ser usada, com evidentes vantagens na limpeza de sanitas. Tipo “DS-pato”!
    Fixou-se agora nos meus tachos!
    E pelo que vejo nem ficaram mais lustrosos.
    É o que digo. Só serve para os sanitários…

  11. Ó MFerrer, os teus tachos ficam tanto mais lustrosos, não por eu limpar mais ou menos sanitas, mas sim se tu continuares a lamber as botas ao teu chefe, como fazes tão bem. E de joelhos, de preferência.
    És um tontinho, como tu próprio já mostraste e eu te expliquei, mas não consegues reconhecer. Tens que te levantar, primeiro, percebes?

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