Larga a cadeira e enfia-te nos santuários.
Todos os artigos de Valupi
Uma lição
Esta indignada resposta da Isabel Moreira dada a um cómico de serviço.
Uma beleza
Esta partilha da Teresa Ribeiro.
Joyce
Não ter berço afecta o destino do cidadão em vexantes modalidades e com vexantes consequências. Nas BASF LH de 60 minutos que os meus pais me serviram nepotista e imperialmente nos trajectos automóveis que fui obrigado a fazer no banco de trás de modestos automóveis, década de 70 e princípios de 80, não constava qualquer vestígio da cantora Joyce. Foram milhares de quilómetros desperdiçados, anos de ignorância que muito prejudicaram, até atrasaram, a minha vivência da puberdade. Que falta me fez essa mulher.
Mestre de Palavras
É como o Mastermind, mas com palavras portuguesas. Pode configurar-se em diferentes parâmetros e só pede uns melhoramentos no design para ser um ganhatempo perfeito.
Claro, não passa de um divertimento daquele que é um dos mais importantes instrumentos para o conhecimento e utilização da Língua.
Parabéns, Miguel Abrantes
Mais pessoas livres, menos abrantes.
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O João Miranda diz que o opting out nos vai livrar, simultaneamente, do socialismo, da política, dos impostos e da verticalidade. Basta alterar umas linhas à Constituição e o sistema público desfar-se-á acto contínuo. Reinará a horizontalidade, o fluxo de ideias e a liberdade. São boas notícias. Temos razões para esperar dias melhores, assim os portugueses sigam estes sábios conselhos.
Entretanto, o texto apresenta uma rocambolesca fórmula difamatória, supra, a qual até mereceu do autor o cuidado de a destacar a negrito, não fosse escapar à tropa-fandanga. E esta é a ocasião de perguntar: não há algo de assustador nisto de vermos os principais blogues da direita rendidos à importância de um único blogger de esquerda? Não é que ache injustificada a fama do Câmara Corporativa, excelente produtor e agregador de conteúdos políticos, acho é confrangedora a pobreza intelectual daqueles que o perseguem de tochas na mão. O preço do sucesso, enfim.
Life in a Day
O nosso amigo Nuno Salgueiro sugeriu a divulgação do projecto de Ridley Scott e Kevin Macdonald. Qualquer um pode participar.
Mais uma do João Cardoso Gonçalves
Que pensas desta proposta da Isabel Moreira?
Por mim, fogo à peça. A Constituição não é uma idiossincrasia continental. Mas ressalvo que o crucifixo, sem catecismo ou liturgia que lhe dê sentido, não passa de um folclórico e benfazejo ícone identitário. A assepsia antropológica nunca foi boa conselheira.
Teste de lógica
“E é isso que nós gostaríamos de evitar, que ficássemos presos a fórmulas do passado”, rematou Passos Coelho, referindo que “razão atendível” é uma expressão “do calão jurídico nesta área que, de resto, já foi utilizada até por governos orientados por várias personalidades de extrema esquerda”, logo, “não deve ser, com certeza, uma visão tão perigosa como isso para a nossa democracia”.
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Quantas contradições se consegue detectar nestas declarações?
Tania Maria
Ao contrário do que nos tentam impingir, os portugueses não estão preocupados com o desemprego nem aborrecidos com a permanência do Veloso no Sporting. Isso são males que apenas se devem à conjuntura internacional; e o que não tem remédio, remediado está. A grande questão a ocupar o córtex nacional diz antes respeito a esta subida pergunta: quem é a melhor cantora brasileira? É disto que se fala à boca cheia nas esplanadas e praias, e à boca pequena nas sedes partidárias.
Para complicar, todos conhecem a resposta: Elis. Então, a tentativa de encontrar a solução para um problema já resolvido põe à prova o talento e resistência do mais motivado dos melómanos. O qual se dedicará à secreta e antiquíssima arte da errância se quiser estar à altura do páreo reginiano. Como se transmite nesta arcana sabedoria: quem erra, mesmo que não procure, sempre encontra.
Efeméride
Celebra-se hoje, por todo o País, a 1ª semana desde que Mota Amaral desafiou os deputados-espiões, os jurisconsultos-Torquemada, os magistrados-gestálticos e os jornalistas-snipers a consumarem as suas intenções de judicializarem por completo a política, já que se mostraram perfeitamente capazes de politizarem a Justiça.
O silêncio que se abateu sobre tão gradas figuras convoca um adjectivo de eleição, e de eleições: avassalador.
Gargalhada do mês
Se o Sol não conseguir pagar a dívida, estou disponível para me entender com os accionistas do semanário e ficar dono do jornal.
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Talvez o Rui seja o responsável pela Peste Bubónica e pela Guerra dos 100 Anos. Talvez, ainda não sei. Precisava de ouvir as escutas na íntegra para ter a certeza. Mas do que ninguém duvida, a começar pelos proprietários e jornalistas do Sol, é da intenção de o destruir como profissional e cidadão. Para tal, pegou-se em excertos transcritos de escutas – os quais não podem ser compreendidos fora do âmbito policial e judicial, posto que são pedaços avulsos da privacidade de terceiros – e fez-se uma acusação na praça pública. O resultado já vai na sua demissão, para além dos eventuais danos à sua reputação, futuro laboral e futuro político. O Rui é culpado de ser militante do PS, ter diversas responsabilidades directivas na PT e falar ao telefone, reza o libelo que jornalistas e políticos, sem qualquer escrúpulo, repetiram aos berros.
Vamos, então, esperar que o Rui tome posse do pasquim – só para vermos os mesmos que agora o tratam como boy a esfalfarem-se para ganhar os favores do man.
O partido atendível
Quando se fala dos dirigentes, principais militantes e publicistas do PSD e do CDS, estamos a falar de pessoas socialmente privilegiadas. Muitas não terão fortuna, mas todas têm níveis de educação, segurança e conforto muito acima do portuguesinho. Mas mesmo muito. Elas estão nos maiores grupos económicos, nos melhores escritórios de advogados, nas melhores universidades, nos mais poderosos grupos de comunicação. Elas podem pagar as casas mais espaçosas, os carros mais bonitos, os médicos mais competentes, as férias mais deslumbrantes, os jantares mais sofisticados, os trapos mais hipnóticos. São omnipresentes e omnívoras. Nada lhes falta, nem sequer a asinina autoconfiança de quem se julga superior ao povoléu. Se não contribuem para a resolução dos nossos problemas com soluções brilhantes é só porque não querem – ou não podem. Portanto, não lhes podemos perdoar a estupidez do seu pensamento e acção. A caudalosa estupidez com que este arremedo de direita invade a política e a submerge num decadente conflito territorial.
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Leny Andrade
Já conhecias esta voz? Que achas?
Cidade Proibida – Eduardo Pitta
Hoje é grátis.
Coisas que vão acontecendo
Queiroz, anda cá
Quem te ouve às caralhadas no banco, quem te viu mandar o casaco para o chão à doida num jogo qualquer, quem te lê os disparates a respeito dos jogadores, fica à nora sem saber o que pensar a teu respeito. Tu não eras o gajo que passava os jogos a tirar notas e depois ia para casa estudar esses rabiscos e fazer umas contas muita complicadas que só a tua carola percebia? Tu não eras o Professor, armado com metodologias científicas que mais ninguém tinha e que nos transformaram do nada numa potência mundial no futebol juvenil? Foda-se, Queiroz, que é que se passou contigo? Onde foi que perdeste a tramontana?
Volta lá para o caderninho, comporta-te como um senhor, e vais ver que tudo corre melhor. Tens de voltar às origens, se queres chegar longe.
Notícias da 25ª hora
25 anos de atraso
João Galamba fez um breve resumo da ruína do BCP às mãos de Jardim Gonçalves e companhia. O BCP foi sempre muito mais do que um banco, era a prova suprema de que Deus, ao arrepio das Escrituras, preferia o convívio dos ricos ao dos pobres. Num Portugal sociologicamente de esquerda, mas culturalmente conservador, Jardim Gonçalves foi uma peça fundamental na mitologia cavaquista, essa patranha oligárquica que reclama para a direita – em especial, para o PSD, como predestinação – o exclusivo das capacidades governativas. Afinal, o sucesso de uns e de outros foi alcançado com benesses, favores, falcatruas, tramóias. Cavaco, esse auto-propalado génio das finanças, fez milagres só com o dinheiro da Europa, encheu o País de alcatrão e cimento, secou o partido para o abandonar e boicotar, e continuou a enriquecer à conta dessa sociedade lusa dos negócios que foi o Cavaquistão. Ao chegar à Presidência, a sua completa inépcia política ficou à vista de quem quis ver, incluindo muitos que lhe tinham cantado hossanas fervorosamente.
Jardim Gonçalves já se foi, o cavaquismo ainda resiste. Nem com a Inventona de Belém desapareceu. Entender esse fenómeno, entender as cumplicidades e ódios no seu estertor, é entender 25 anos da História de Portugal. 25 anos de atraso.
