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Hebdomadarius

Marcelo, sempre que pode, espalha a ideia de que Sócrates é um reles aldrabão, um pilha-galinhas, um mentiroso que está quase a ser apanhado. Nem sequer uma indignação colectiva como aquela que se levantou contra o desfecho absurdo e infame do processo Freeport o demove. A campanha negra continua, nesta direita decadente e sequiosa de vingança, agora com a esperança de que o juiz de instrução volte a montar o circo.

E quer este homem ser Presidente da República. As inventonas de Belém passariam a ter uma periodicidade semanal.

Mare Nostrum

É inquestionável a vantagem de ter submarinos, e modernos, nas forças militares portuguesas. Vão ser dois, mas poderiam ser três ou mais, haveria o que fazer com eles. Tal como ganhávamos em ter mais aviões de vigilância marítima, helicópteros, navios e lanchas. Óbvio. E, finalmente, o porta-aviões. Ninguém nos levará a sério sem esse aeroporto flutuante.

Não vale tudo

No fundo, Sócrates até pode ter cometido alguma ilegalidade. Não sabemos e dificilmente alguma vez saberemos. A investigação nasceu torta e, como diz o povo, o que nasce torto dificilmente se endireita. Fabricaram um processo-crime com fins políticos e pessoais, o que, desde logo, amputou a investigação de um elemento essencial para a descoberta da verdade: cabeça limpa, sem preconceitos, e espírito crítico na análise dos factos. Como o objectivo não era descobrir a verdade mas antes queimar um adversário político, a investigação ficou coxa à nascença e coxa morreu ontem.

Ricardo Sardo

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O Ricardo, para além de ter feito um muito útil resumo do caso Freeport, toca numa dimensão fundamental daquela que se tornou numa gravíssima questão de Estado: os que aproveitaram o sistema judicial para lançar ataques mediáticos, e políticos, contra o Primeiro-Ministro cometeram duplo crime ao violar direitos de terceiros e ao perverter o sentido da própria investigação. A este prejuízo temos de somar outro impossível de avaliar nas suas múltiplas e desvairadas consequências, aquele que resulta de aumentar a distância entre a população e os seus representantes governativos. Reforçando as suspeitas genéricas de corrupção, validando as piores calúnias e as mais arreigadas atoardas acerca da actividade política, os mandantes e executores da campanha negra escolheram intencionalmente a política da terra queimada. Que essa tenha sido a preferência de figuras sinistras e decadentes como José António Saraiva, Eduardo Dâmaso, casal Moniz e José Manuel Fernandes, talvez nem justifique um laivo de surpresa. Mas que essa tenha sido a estratégia do PSD e da Presidência, acolitados pela restante oposição, fica como o maior escândalo da democracia portuguesa.
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Janus

Uma coincidência temporal juntou a morte de António Feio com o casamento de Jorge Neves e Eduardo Pitta. A um, o tempo impediu a consumação de um talento ainda com décadas para se realizar. Aos dois, foi o tempo que permitiu a união que os realiza enquanto casal, após décadas sem que tal lhes fosse permitido.

Duas faces do tempo, destruidor e criador. Dois acontecimentos que merecem ser celebrados pelo que também dizem de nós, de Portugal.

Ataque à diligência

Se os procuradores do Freeport pediram o adiamento da conclusão do processo e lhes foi recusado, tal teria sido – no mínimo – referido no despacho, já para não falar nos jornalistas amigos que poriam de imediato essa história no ar. Como não consta que o tenham feito, de acordo com o que entretanto foi sendo conhecido, só há um corolário: o prazo foi aceite por Paes de Faria e Vítor Magalhães. Nem estrebucharam. Ora, se quem aceita um prazo judicial para terminar uma tarefa à sua responsabilidade vem depois a queixar-se de falta de tempo, e resulta dessa falha dano grave na reputação e direitos de alguém, estamos a lidar com trafulhas ou com alimárias.

Esta é mais uma situação em que vemos figuras gradas da sociedade a provarem que idade cronológica e idade mental não são irmãs gémeas. A defesa do que estes dois procuradores fizeram já está a permitir identificar facínoras, seres que habitam num mundo cujas regras são eles que as fazem de acordo com as conveniências do momento. Como é o caso de Paulo Pinto de Albuquerque, um alucinado que foi para o Expresso da Meia-Noite falar em nome dos Procuradores para elogiar a sua irresponsabilidade e que se recusou a comentar o processo em tudo o que punha em causa as tangas que ia despejando. O sofisma que martelou à exaustão foi o da impotência dos magistrados perante a fixação de um prazo pela hierarquia. Pelos vistos, na cachimónia do Albuquerque, existem Procuradores da República que deixam de efectuar diligências consideradas necessárias para o apuramento da verdade por falta de tempo e nem sequer mexem uma palha para obter mais uns meses – ainda por cima, logo neste processo, onde a última coisa que se esperava era a continuação da suspeição à volta do Primeiro-Ministro após 6 anos de investigação e no acto mesmo de encerrar o inquérito. Não há memória de nada igual na Justiça portuguesa, nem de nada tão infame.

Enquanto o Albuquerque é um debochado cultor da erística, Rui Cardoso, secretário-geral do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, é uma aflição. Sabê-lo a passear-se num qualquer corredor do edifício da Justiça é motivo para nos deixar em cuidados. Pois este amigo, no meio de enroladas divagações, conseguiu partilhar a visão do seu sindicato acerca do imbróglio. E reza assim: Cândida Almeida, por razões misteriosas, decide acabar com o processo à revelia dos Procuradores e despacha uma data para o Vice-Procurador-Geral da República, este ricocheteia-a para os titulares do processo, sem lhes ter perguntado se estavam de acordo, e nasceu o monstro. Eis, agora, a melhor parte: os Procuradores, face a estes achaques, terão amuado, desistindo de obter mais tempo, e resolveram vingar-se, chapando com as perguntas e insinuando que Sócrates continua na berlinda. São estas as conclusões do que este Cardoso proferiu num estúdio de televisão, embora o próprio dê sinais de ignorar o alcance das suas palavras.

O Ministério Público, como se vê pela amostra, é mais perigoso do que o Oeste Selvagem.

Parabéns, PSD

Conseguiram ficar 4 pontos percentuais acima de um Governo que não existe, de Ministros que todos os dias afundam o País na miséria e de um Primeiro-Ministro que devia estar preso há anos e anos. Sem dúvida, um excelente resultado – e só possível graças à vossa espantosa coragem e magnífica inteligência. Agora, já sabem, é continuarem por esse caminho. Continuem a dizer as verdades; essas, as vossas. Portugal não vos irá esquecer.

Noticiário desportivo

O Sporting anunciou esta sexta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) um princípio de acordo com o Génova para a transferência de Miguel Veloso

É a melhor notícia para o Sporting desde a contratação de Acosta.
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«Yannick é desejado em Inglaterra», garante empresário

A esperança é verde.

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Os presidentes das ligas de futebol de Portugal e Espanha já iniciaram conversações para a criação de uma Taça Ibérica, que junte os campeões dos dois países e até mesmo os vencedores das taças.

Eis uma boa ideia, cruzando rivalidades clubísticas e nacionais.

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Não sou atrasado mental, nem demente, nem alcoólico, nem esquizófrénico.

Declaração onde Carlos Queiroz admite não ter vocação para o mundo do futebol.
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Sporting: Golo de Vukcevic (0-1)
Grande lançamento/assistência de Maniche, por trás da defesa da equipa dinamarquesa, com Vukcevic, no limite do fora-de-jogo, a contornar o guarda-redes Hansen e a rematar tranquilamente para o fundo das redes.

A verdade vem sempre ao de cima.

Afinal

Afinal, rechina Cerejo babando-se para cima da página 100 do despacho assinado pelos procuradores Paes de Faria e Vítor Magalhães, o processo Freeport não acabou, está é prestes a começar. Consta que o Ministério Público impediu o Ministério Público de concluir o seu trabalho ao ter imposto uma data de conclusão após 6 anos de investigação e da entrega do relatório final da Polícia Judiciária. O resultado é inovador: cria-se a figura do não-interrogado. O não-interrogado não é testemunha nem suspeito de coisa alguma, pois nenhum indício justificou a sua inquirição em tempo útil, fica é condenado a arrastar as interrogações consigo para o resto da sua vida. Em alternativa, pode sempre esperar que o processo seja reaberto; ou que apareça um novo processo, com sorte ainda mais escabroso para fazer esquecer o anterior.

Outro dado curioso da peça, se não curiosíssimo, respeita a Rui Gonçalves. Diz-se que ficou a dever 10 respostas aos magistrados. Ora, não consta que este senhor seja Primeiro-Ministro, pelo que o argumento da autorização do Conselho de Estado não se aplica. Que impediu a sua chamada? Aliás, que impediu a sua segunda chamada?

Estes dois procuradores não se atrapalharam nada para criar um dos episódios politicamente mais graves no período eleitoral de 2009, queimando um colega e amigo por causa de conversas, e agora não conseguem fazer perguntas a dois cidadãos? Afinal, perceber como é que se chegou a uma situação onde a Justiça introduz injustiça que atinge instituições, comunidade e pessoas é que seria o Cerejo no cimo desta bola feita com a carne dos portugueses.

Facilidade e felicidade

Um aspecto incontornável da conspiração que tentou abater Sócrates – e afastar o PS da governação – através do Freeport remete para a cumplicidade do BE e PCP com os mandantes da coisa. Os seus publicistas, por meias palavras ou à descarada, alinharam na campanha de assassinato de carácter e na calúnia sem limite. Também para os imbecis dava jeito uma caldeirada que fosse queimando os socialistas, especialmente estes que conseguiram a maioria absoluta e ousaram afrontar corporações com décadas de privilégios, disfunções e inércias; o que muito enfureceu os camaradas, ufanos e sonoros proprietários da História.

Para esta esquerda que se alia à direita, a democracia não passa de uma anomalia burguesa e o Estado de direito está ao serviço do capital. Quem não for dos seus partidos, é corrupto e fascista até prova em contrário. Daí a facilidade, e felicidade, com que reduzem os socialistas a um bando de escroques.

A porqueira não se rende

Crespo, por volta das 9.22, acusou Sócrates de ter acesso ilegal a documentos na posse da Justiça. Só isso explicaria a declaração onde se congratulou com o fim do processo Freeport, concluiu irado. Também informou a audiência de estarmos perante uma gigantesca fraude do Ministério Público, o qual não tinha meios de investigação e não respeitou as provas que incriminavam Sócrates – provas essas que Crespo identificou e repetiu a cada 5 minutos.

Mas nem tudo foram mágoas para o porcalhão. Os seus olhos brilharam de esperança, a sua voz elevou-se pujante, com a possibilidade de o processo ser reaberto por requerimento dos variados assistentes. O sonho de voltar a ter Sócrates no corredor da morte encheu-lhe o peito de alegria. Foi o único momento em que sorriu embevecido.

Freeport

O caso Freeport está na origem do caso PT/TVI e da espionagem política feita em Aveiro e no Parlamento. Muitas pessoas, em lugares de cimeira responsabilidade social, fizeram os possíveis para usar estes casos com vista à obtenção de ganhos políticos através da injúria, difamação e calúnia.

Quais serão as consequências para os envolvidos e para o futuro da política portuguesa?