Facilidade e felicidade

Um aspecto incontornável da conspiração que tentou abater Sócrates – e afastar o PS da governação – através do Freeport remete para a cumplicidade do BE e PCP com os mandantes da coisa. Os seus publicistas, por meias palavras ou à descarada, alinharam na campanha de assassinato de carácter e na calúnia sem limite. Também para os imbecis dava jeito uma caldeirada que fosse queimando os socialistas, especialmente estes que conseguiram a maioria absoluta e ousaram afrontar corporações com décadas de privilégios, disfunções e inércias; o que muito enfureceu os camaradas, ufanos e sonoros proprietários da História.

Para esta esquerda que se alia à direita, a democracia não passa de uma anomalia burguesa e o Estado de direito está ao serviço do capital. Quem não for dos seus partidos, é corrupto e fascista até prova em contrário. Daí a facilidade, e felicidade, com que reduzem os socialistas a um bando de escroques.

16 thoughts on “Facilidade e felicidade”

  1. O mata-bicho MM (maçoneiro e matinal) para desentorpecer as linguas dos comentadores e eliminar as ferugens vermelhas causadas pela muita sopa de feijão com massa e ironia de ontem.

  2. Não sei quem o disse, mas penso que tem razão; “….o homem em conflito fica refém de sentimentos, que privam o espírito do sono necessário à vida”.

    Vá descansar sr Crespo, venha ao Alentejo e adormeça à serena claridade do luar de Agosto.

  3. Não faço ideia se no DN há muitos jornalistas pró-PC ou pró-BE, adeptos dos amanhãs que cantam, ou se prevalecem agora os coelhistas, mas a edição de hoje é particularmente execrável. Exemplo: “Sócrates afirmou que não queria falar mais no assunto do Freeport, mas afinal logo no dia seguinte uns assessores, no Câmara Corporativa” …, e por aí fora.
    No Público, que eu pensava ter começado a ver na decência, finalmente, uma via de sucesso, a luta continua e o Cerejo contra-ataca. Ide ler o destaque dado às perguntas que os magistrados queriam fazer a Sócrates “mas não tiveram tempo”. Jesus Christ!

  4. Para corroborar as palavras acima do Val, ainda ontem à noite ouvi parte do programa da RTP N, “DIRECTO AO ASSUNTO”, onde para além do apresentador (que por acaso é bem conotado com o PSD, como quem o conhece não o desmente), estavam o inefável Carlos Abreu Amorim (CAA), o João Galamba (JG) e a pedante Joana Amaral Dias (JAD). Se do CAA já todos lhe conhecemos a verbe, da senhorita JAD (que também se vai conhecendo, pela sua “cassete” anti-Sócrates…) não se poderia pensar estar, sobre a matéria do Freeport em total sintonia com o CAA e não querendo condenar a Comunicação Social como o JG profusamente pretendeu demonstrar, para de forma vaidosa (é notar o seu timbre de voz e o pedantismo de falsa “moralidade” que em cada palavra que daquela boca sai se verifica que há uma desbragada raiva contra o PM) se pavonear e dizer que “ele” (o Sócrates) se pôs a Jeito para que a CS se atirasse a ele, porque não fez “pedagogia”. É caso para dizer, pedagogia uma merda! Queria-a ver a ela se fosse acusada de forma bárbara como ele foi se havia alguma “pedagogia” que a salvasse. É querer “mostrar-se” muito à “esquerda” e, na prática, alinhar à direita revanchista e ranhosa, como aqui se tem definido.

  5. Giroflé, porra, fazes cada cumentário, de partir o coco a rire.

    O ranho é todo igual, o caraças! O meu esquerdo é berde e o da direita nem sempre saie.
    Mas num sanifu, num vebo binho e num fumo. Soue do Puerto carago, e vebo sarbeja que ma estende na cama de perna averta. Cada carraspana. Então quando o benfica perde, lanço fuguettes na baranda. Ninguém prende gajos incapazes num é?

  6. A Golpada

    Desde que se prenunciou a eleição de José Sócrates, em 2005, que o País vive em permanente ambiente de golpada. E é em ambiente, agudo, de golpada que actualmente vivemos.

    Trata-se, em suma, de derrubar o Primeiro Ministro eleito, substituí-lo por um dirigente do Partido Socialista, escolhido pelos Senhores jornalistas, para um Governo que se dedique a preparar as próximas eleições, de que saia vencedor um dirigente do PSD designado pelos Senhores jornalistas. De preferência, um Primeiro Ministro e um Governo suficientemente fracos que reconduzam o País ao habitual e apetecido estado de desgoverno em que ninguém governa e todos mandam, nos seus assuntos, a partir das suas quintas, tudo com o habitual embrulho de escândalos que vendem jornais e promovem jornalistas.

    Os golpistas – que visam irrelevar os efeitos, jurídicos e políticos, de uma eleição, anular o sentido do voto dos portugueses – acoitam-se em duas corporações, sem sombra de legitimidade democrática, mas poderosas, pelas suas auto-proclamadas isenção e imparcialidade: os jornalistas e o Ministério Público, que mutuamente se alimentam e se promovem.

    Eles, as suas manobras, o eventual triunfo da golpada posta em marcha em 2005, que atingiu agora o paroxismo, põem severamente em causa o estado de direito e constituem a maior e verdadeira ameaça às liberdades públicas.

    Ao Ministério Público, organizado num sindicato todo poderoso, cabe manter o Primeiro Ministro refém de sucessivos processos que se eternizam sem solução, cuja utilidade como arma de arremesso política é evidente (alguém ouve falar do “caso Freeport” fora dos tempos eleitorais?). Não importa que esses processos se iniciem por forma evidentemente crapulosa que, só por si, os faria morrer no ovo, se houvesse a mínima decência; não importa (ou importa muito) que os Senhores Magistrados do Ministério Público sejam, na sua generalidade, incompetentes, ineptos e preguiçosos, incapazes de, a sério – em Tribunal –, conseguirem condenar, sequer, o Rato Mickey.

    Estes processos não se destinam a seguir o curso normal e legal de acusação/julgamento/sentença – servem apenas para estarem para ali, para fundamentarem escutas, para serem usados para bufar aos compadres jornalistas algumas sensações, para os Senhores Magistrados se promoverem como gente interessante, eventualmente heróica, para esconderem os inquéritos a que não dão andamento, os procedimentos que deixam prescrever, a péssima ortografia dos seus despachos, a indigência do seu direito, a sua culpa no estado a que chegou a nossa Justiça criminal.

    E os Senhores jornalistas, rapaziada de poucos estudos e escassa habilitação, moços de recados e de fretes, irresponsáveis e insensatos, alinham na golpada, embriagados em sonhos de poder, de importância e de dinheiro. Percebem que, se conseguirem derrubar este Governo, este Primeiro Ministro, nenhum aspirante a governante cairá no erro de José Sócrates, de os desprezar, que, previamente ao ensaio de qualquer voo, deverá ir lamber-lhes as botas, como vi fazer recentemente a um Venerando Juiz Desembargador, de quem o mínimo que se pode dizer é que tem fraquíssima memória, ou fortíssima gratidão a quem lhe poupou a próxima às cruzes das escutas.

    Pouco importa que sejam incompetentes, que bolsem mentiras, vigarices, insinuações nunca confirmadas, que sejam desmentidos e continuem – gente que, depois de cruamente desmascarada pelo dono do recado e pelo patrão que os despediu, deveria se proibida de, sequer, acercar-se de uma banca de jornais, continua a escrever neles, como se nada fosse, como se nada tivesse sido.

    Acrescente-se um pormenor aterrorizador: esta gente não age em nome de ninguém, senão deles próprios, de nenhum interesse, bom ou mau, superior a eles, senão o deles.

    Por isso, o que visam não é um golpe de estado – o derrube, por meios inconstitucionais, do poder legalmente instalado e a sua substituição por um outro poder que se irá legitimar por mecanismos constitucionais – é uma misérrima golpada, destinada a garantir um País sem governo, onde medrem as corporações (eles) pela força da mentira e da rua.

  7. Mas a propósito de quê é que o BE e o PC têm de ajudar a limpar o ranho ao Sócrates? Afinal não é com o PSD e o CDS que ele se entende para lixar o pessoal?

  8. Francisco Araújo,

    V. Ex.ª., pois é bom de ver, é jurista advogado; não concordando com tudo o que diz, concordo na sua larga maioria. Se me permite resumir a sua mensagem numa simples frase plebeia: isto é uma grande merda, só que como as farmácias continuam a vender máscaras, nem todos se apercebem do cheiro.

    A justiça em Portugal não existe. Extinguiu-se por desuso. Um destes dias vamos ver os ciganos e os desalojados ocuparem as salas dos tribunais, como se de novos retornados se tratassem. Irra, que D. Sebastião está farto de aparecer e ninguém dá por ele.

  9. “…Desde que se prenunciou a eleição de José Sócrates, em 2005, que o País vive em permanente ambiente de golpada. E é em ambiente, agudo, de golpada que actualmente vivemos. …”

    será o autor deste txt, um assessor?
    não pode ser do (nosso)vinho.
    o (nosso)
    http://quevedoportwine.com/pt/wine/how-well-is-ageing-our-single-varietal-port-winecomo-esta-a-envelhecer-o-nosso-vinho-do-porto-de-uma-unica-casta/
    é do melhor que hà.
    só pode ser do vinho a martelo.

  10. Chessplayer

    Não é assessor.

    Você imagina que quem não está de acordo com o que Você pensa ou quer pensar só pode não está de acordo meramente por encargo ou estipêndio?

    Eu, pelo meu lado, acredito que quem pensa de modo diferente do meu até pode poensar assim gratuitamente e que até pode ter razão e eu não. Já me aconteceu muitas vezes, que jhá sou velho.

    Mas, por favor, não podemos ser um pouco mais inteligentes e civilizados no argumentário?

    Tenha juizinho

  11. Senhor Francisco Araújo,

    Com o devido respeito ou vénia. Velhos são os trapos! A sabedoria, venha esta de onde vier, independentemente da cor política, não tem idade. O que tem idade morre, desaparece, no meio do materialismo humano imperfeito. A ciência permanece e sempre em vista da evolução, ficando, passando para os outros, há que aproveitá-la.

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