Integridade e comunhão

O nosso amigo José Albergaria dá Miguel Veiga como exemplo de integridade. A este nome, com o qual concordo sem reservas, quero juntar o de Freitas do Amaral. E, a respeito dos dois, manifestar a mesma perplexidade: como é que eles foram capazes de apoiar desgraças ambulantes como Paulo Rangel e Cavaco Silva?

No caso do Miguel, esse apoio foi dado no contexto das eleições do PSD. Porém, e honra lhe seja feita, foi retirado assim que Rangel mostrou a sua raça ao ultrapassar Aguiar-Branco pela direita. Ficou claro que valia tudo até contra os colegas do partido. No caso de Freitas, o seu apoio à reeleição de Cavaco é triste. Implica a sua cumplicidade com a pior Presidência desde o 25 de Abril. Acima de tudo, e escandalosamente, significa que a inventona de Belém recebe a sua caução. Eis uma surpresa vexante.

Mas o problema é meu, pois não duvido da integridade destes dois homens. O meu erro consiste em presumir que temos os mesmo valores, e não temos. A integridade não obriga à unanimidade, embora seja condição sine qua non para a comunhão.

7 thoughts on “Integridade e comunhão”

  1. Pois, o problema é mesmo teu, Valupi.
    Já agora: não te surpreendeu quando o cavaco, para ir para o tribunal constitucional com uma questão de constitucionalidade (casamento homossexual), juntou um parecer do freitas do amaral, conhecido administrativista, mas do qual se desconhecem quaisquer méritos em direito constitucional? E não te surpreende ainda mais quando sabes que ele tinha vários constitucionalistas, com a mesma posição ideológica sobre o casamento, a quem podia ter pago, perdão, a quem podia ter pedido o parecer em causa?

  2. Freitas do Amaral não resiste a rmanifestar aquilo que sempre foi. Confesso que em relação a este personagem, distrai-me durante algum tempo, por isso, Val, o teu problema também é o meu!…

  3. Atenção: ver Freitas apoiar Cavaco não me faz abdicar do apreço por Freitas, em quem reconheço um extraordinário exemplo de independência e coragem. Pura e simplesmente, e como escrevi, temos valores diferentes.

  4. Mas porquê a pressa de Freitas em declarar o seu apoio a Cavaco quando este ainda não revelou a sua intenção? Sim, porquê?

  5. Subscrevo, inteiramente, o nome do Professor Freitas do Amaral.
    A integridade, no meu entender, remete para o Ethos grego e para a virtus romana.
    Qualquer deles, Miguel Veiga e o Professor, têm essas qualidades.
    Agora, também, têm opiniões, com as quais nem sempre concordámos.
    Mas há muitos mais nomes, alguns pouco recordados: Amadeu Ferreira, vice-presidente da CMVM; o Coronel Costa Brás, nomeadamente.
    Abraço.

  6. Então estão para aqui a discutir nomes de pessoas íntegras e esquecem-se desse paradigma da honestidade que dá pelo nome de Isaltino não sei quê?

    Agora a sério.

    Deve ter acontecido qualquer coisa de extraordinário para que Freitas venha agora apoiar um safardana que lhe voltou as costas e o deixou sozinho a pagar as contas – teve que pedir um empréstimo, lembram-se? – quando ele perdeu a eleição presidencial para o Mário Soares.

    Ou então – os caminhos do senhor são insondáveis, como sabemos – amanhou-lhe agora uns pareceres, para compensar. A começar por aquele a que se refere Kjung no primeiro comentário.

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